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      <pubDate>Wed, 02 Oct 2024 17:28:12 GMT</pubDate>
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      <title><![CDATA[Decidir para Maximizar o Valor]]></title>
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      <pubDate>Wed, 02 Oct 2024 17:28:12 GMT</pubDate>
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      <category>psicologia</category>
      
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      <dc:creator><![CDATA[Tiago G]]></dc:creator>
      <content:encoded><![CDATA[<p>A escolha de algo implica abdicar de uma outra coisa. Quando investimos num determinado item vamos ter custos associados a essa decisão, no entanto a melhor forma de pensar nesses custos não será apenas dinheiro que possamos estar a investir mas em todas as possibilidades de que abdicamos para que possamos investir nesse item.</p>
<p>Suponhamos o seguinte cenário, um milionário decide dar uma esmola a um mendigo no valor de 10€, nesse mesmo dia um pobre passa no mesmo local onde está o mendigo e tendo apenas 10 € na carteira decide dar tudo ao mendigo. Apesar de em termos nominais se tratar da mesma quantia facilmente percebemos que o custo de oportunidade é significativamente diferente para o pobre e para o milionário. Esta aferição do custo de oportunidade superior coloca-nos interessantes questões no que diz respeito às razões particulares que levaram a pessoa a tomar a decisão. É lógico esperar que aquele que incorre no maior custo de oportunidade tem uma forte razão para tomar determinada decisão.</p>
<p>Importante também é esta ideia de que priorizamos umas coisas em detrimento de outras, o pobre pode ter ficado sem almoço ao dar todo o dinheiro que lhe restava, caso fosse assim ele de facto priorizou o donativo ao alimentar-se naquela circunstância.</p>
<p>Quando temos 100€ e temos de escolher entre dois produtos de igual preço (100€ cada um), em condições normais vamos escolher o mais importante para nós, isto é o mais valioso. Estas decisões acontecem partindo do pressuposto que o nosso objetivo é maximizar o valor (aqui entendido subjetivamente). Este tipo de decisões têm ainda um outro fator chave, determinante na priorização das decisões: o tempo.</p>
<p>Sendo um recurso escasso, o tempo cria um incentivo natural para a tomada de decisão dado que não podemos diferir a decisão eternamente. Pensando no exemplo concreto da escolha entre dos produtos referidos sabemos que os produtos não estarão sempre disponíveis, dado que a loja pode fechar e além disso a disponibilidade dos produtos poderá estar condicionada caso o produto seja arrebatado por outra pessoa. Este aspecto implica na nossa decisão na medida em que, quando conscientes disto, temos que tomar uma decisão.</p>
<p>Os <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Estoicismo">estoicos </a>e os religiosos repetem muitas vezes a expressão, <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Memento_mori"><em>memento mori</em></a><em>,</em> que significa: “lembra-te que morrerás”. Esta frase pungente serve como um despertador existencial, que nos recorda que este tempo acabará. O facto de lembrarmos da morte acorda-nos para aquilo que devemos priorizar, algo frequente ver-se por exemplo em pessoas que vivem situações traumáticas. Quando ultrapassadas as situações traumáticas, o resultado muitas vezes orienta as pessoas para uma redefinição das prioridades de vida, chamamos a isto o crescimento pós-traumático.</p>
<p><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fcb05b19e-c319-42b9-92e3-3df38d335aed_397x599.jpeg" alt="Capela dos Ossos da Igreja de São Francisco em Évora">&gt; “Nos ossos que aqui estamos pelos vossos esperamos” Inscrição numa das portas da Igreja de São Francisco em Évora (Capela dos ossos)</p>
<p>Além deste aspeto o tempo influi também de numa outra questão, na preferência temporal. Este conceito diz respeito à nossa capacidade ou incapacidade em diferir a nossa gratificação, ou seja, se somos propensos à gratificação imediata dos nossos desejos ou se sacrificamos o presente com o intuito de obter uma recompensa maior no futuro. Este conceito ficou bem ilustrado no famoso <a href="https://www.youtube.com/watch?v=OKNu1qjgXaA">teste marshmallow</a> em que um grupo de crianças escolhidas por psicólogos tinham de escolher entre comer um marshmallow no imediato, ou esperar cinco minutos numa sala, tendo o marshmallow à sua frente sem o comer e assim receber o segundo.</p>
<p>No caso das crianças que esperaram podemos concluir uma preferência temporal baixa, ao passo que os que decidiram comer de imediato o marshmallow revelam uma elevada preferência temporal. Para concluir esta ideia de que a preferência temporal influencia na toma de decisão diga-se, as crianças com mais baixa preferência temporal revelam: melhores competências sociais, melhor resposta ao stress, menor probabilidade de obesidade; tendo sido isto concluído em <a href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/3367285/">estudos feitos à posteriori </a>neste grupo.</p>
<p>Olhando para estes exemplos podemos ver o quão determinantes estas questões são na forma como tomamos as decisões e estruturamos a nossa hierarquia de valor para que possamos aferir de forma mais exata qual a estratégia que nos permite maximizar este valor. Daqui penso que podemos facilmente perceber que a preferência temporal baixa e o custo de oportunidade elevado são marcadores importantes de que nos podemos estar a mover mais em direção a algo que valorizamos e é importante para nós. Atrevo-me a dizer que se não arriscamos nada, talvez aquilo que temos entre mãos não seja assim tão valioso. A maximização do risco é também a maximização do benefício, contudo isto deve sempre ser temperado pela baixa preferência temporal porque a decisão deve sustentar-se ao teste do tempo, idealmente ser algo que resiste mais à erosão que o tempo impõe àquilo que foi objeto da nossa decisão.</p>
<p>Estes aspetos podem estar presentes quer nas decisões mais triviais como referia, decisões de consumo de bens mas também estão presentes noutras decisões como por exemplo: que tipo de relações procuramos com os outros, se mantemos ou não uma prática religiosa, se somos capazes ou não de negar as nossas vontades e impor a disciplina de procurar a excelência nas virtudes. Tudo isto será influenciado por estes aspetos e sendo conscientes destes mecanismos podemos então traçar um perfil mais ajustado à maximização do valor, não só no presente como no futuro.</p>
<p><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F303f3acb-04dd-437d-a2cc-a39e5b78a19f_850x400.jpeg" alt="Thomas a Kempis quote: So passes away the glory of this world. ('Sic transit ..."></p>
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      <itunes:author><![CDATA[Tiago G]]></itunes:author>
      <itunes:summary><![CDATA[<p>A escolha de algo implica abdicar de uma outra coisa. Quando investimos num determinado item vamos ter custos associados a essa decisão, no entanto a melhor forma de pensar nesses custos não será apenas dinheiro que possamos estar a investir mas em todas as possibilidades de que abdicamos para que possamos investir nesse item.</p>
<p>Suponhamos o seguinte cenário, um milionário decide dar uma esmola a um mendigo no valor de 10€, nesse mesmo dia um pobre passa no mesmo local onde está o mendigo e tendo apenas 10 € na carteira decide dar tudo ao mendigo. Apesar de em termos nominais se tratar da mesma quantia facilmente percebemos que o custo de oportunidade é significativamente diferente para o pobre e para o milionário. Esta aferição do custo de oportunidade superior coloca-nos interessantes questões no que diz respeito às razões particulares que levaram a pessoa a tomar a decisão. É lógico esperar que aquele que incorre no maior custo de oportunidade tem uma forte razão para tomar determinada decisão.</p>
<p>Importante também é esta ideia de que priorizamos umas coisas em detrimento de outras, o pobre pode ter ficado sem almoço ao dar todo o dinheiro que lhe restava, caso fosse assim ele de facto priorizou o donativo ao alimentar-se naquela circunstância.</p>
<p>Quando temos 100€ e temos de escolher entre dois produtos de igual preço (100€ cada um), em condições normais vamos escolher o mais importante para nós, isto é o mais valioso. Estas decisões acontecem partindo do pressuposto que o nosso objetivo é maximizar o valor (aqui entendido subjetivamente). Este tipo de decisões têm ainda um outro fator chave, determinante na priorização das decisões: o tempo.</p>
<p>Sendo um recurso escasso, o tempo cria um incentivo natural para a tomada de decisão dado que não podemos diferir a decisão eternamente. Pensando no exemplo concreto da escolha entre dos produtos referidos sabemos que os produtos não estarão sempre disponíveis, dado que a loja pode fechar e além disso a disponibilidade dos produtos poderá estar condicionada caso o produto seja arrebatado por outra pessoa. Este aspecto implica na nossa decisão na medida em que, quando conscientes disto, temos que tomar uma decisão.</p>
<p>Os <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Estoicismo">estoicos </a>e os religiosos repetem muitas vezes a expressão, <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Memento_mori"><em>memento mori</em></a><em>,</em> que significa: “lembra-te que morrerás”. Esta frase pungente serve como um despertador existencial, que nos recorda que este tempo acabará. O facto de lembrarmos da morte acorda-nos para aquilo que devemos priorizar, algo frequente ver-se por exemplo em pessoas que vivem situações traumáticas. Quando ultrapassadas as situações traumáticas, o resultado muitas vezes orienta as pessoas para uma redefinição das prioridades de vida, chamamos a isto o crescimento pós-traumático.</p>
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<p>Além deste aspeto o tempo influi também de numa outra questão, na preferência temporal. Este conceito diz respeito à nossa capacidade ou incapacidade em diferir a nossa gratificação, ou seja, se somos propensos à gratificação imediata dos nossos desejos ou se sacrificamos o presente com o intuito de obter uma recompensa maior no futuro. Este conceito ficou bem ilustrado no famoso <a href="https://www.youtube.com/watch?v=OKNu1qjgXaA">teste marshmallow</a> em que um grupo de crianças escolhidas por psicólogos tinham de escolher entre comer um marshmallow no imediato, ou esperar cinco minutos numa sala, tendo o marshmallow à sua frente sem o comer e assim receber o segundo.</p>
<p>No caso das crianças que esperaram podemos concluir uma preferência temporal baixa, ao passo que os que decidiram comer de imediato o marshmallow revelam uma elevada preferência temporal. Para concluir esta ideia de que a preferência temporal influencia na toma de decisão diga-se, as crianças com mais baixa preferência temporal revelam: melhores competências sociais, melhor resposta ao stress, menor probabilidade de obesidade; tendo sido isto concluído em <a href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/3367285/">estudos feitos à posteriori </a>neste grupo.</p>
<p>Olhando para estes exemplos podemos ver o quão determinantes estas questões são na forma como tomamos as decisões e estruturamos a nossa hierarquia de valor para que possamos aferir de forma mais exata qual a estratégia que nos permite maximizar este valor. Daqui penso que podemos facilmente perceber que a preferência temporal baixa e o custo de oportunidade elevado são marcadores importantes de que nos podemos estar a mover mais em direção a algo que valorizamos e é importante para nós. Atrevo-me a dizer que se não arriscamos nada, talvez aquilo que temos entre mãos não seja assim tão valioso. A maximização do risco é também a maximização do benefício, contudo isto deve sempre ser temperado pela baixa preferência temporal porque a decisão deve sustentar-se ao teste do tempo, idealmente ser algo que resiste mais à erosão que o tempo impõe àquilo que foi objeto da nossa decisão.</p>
<p>Estes aspetos podem estar presentes quer nas decisões mais triviais como referia, decisões de consumo de bens mas também estão presentes noutras decisões como por exemplo: que tipo de relações procuramos com os outros, se mantemos ou não uma prática religiosa, se somos capazes ou não de negar as nossas vontades e impor a disciplina de procurar a excelência nas virtudes. Tudo isto será influenciado por estes aspetos e sendo conscientes destes mecanismos podemos então traçar um perfil mais ajustado à maximização do valor, não só no presente como no futuro.</p>
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      <title><![CDATA[O Relativismo - A semente gnóstica e a destruição do valor objetivo]]></title>
      <description><![CDATA[Tower of babel]]></description>
             <itunes:subtitle><![CDATA[Tower of babel]]></itunes:subtitle>
      <pubDate>Tue, 09 Apr 2024 08:39:51 GMT</pubDate>
      <link>https://idsera.npub.pro/post/o-relativismo-a-semente-gn-stica-e-a-destrui-o-do-valor-objetivo-jmygny/</link>
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      <dc:creator><![CDATA[Tiago G]]></dc:creator>
      <content:encoded><![CDATA[<p>O pensamento modernista/progressista que predomina na sociedade actual adere de forma comprometida a uma tese filosófica que pretende redefinir a realidade, o relativismo. Segundo esta tese a realidade é definida de forma subjectiva, ou seja, está pendente das circunstâncias, pessoas, momento. e motivação. Assim a percepção é nada mais nada menos que a co-construção da realidade colocando o ser humano como uma espécie de Deus (Demiurgo), isto é como entidade criadora da realidade. Além dos problemas morais que esta hipótese levanta, há ainda problemas da ordem da racionalidade e da lógica que são incompatíveis com esta ideia. Uma ideia central que invalida fundamentalmente esta tese é a de que desta forma deixa de existir uma realidade objetiva. Neste caso cada indivíduo poderia avançar com a “sua” interpretação do real, independentemente de esta ser falsa ou verdadeira. O dogma do relativismo é a de que todos as leituras são válidas, portanto deixa de existir uma matriz unificadora, isto é deixa de existir dogma e sem dogma não há uma verdade, há apenas interpretações da realidade que estão sujeitas aos vícios e fragilidades de cada intérprete.</p>
<p>Se em Portugal cada pessoa tivesse a sua própria língua, a que inventou, tornar-se-ia impossível comunicar pois não teríamos as mesmas referências fonéticas, semânticas. e sintáticas. Tal como na torre de Babel não teríamos a capacidade de nos compreendermos mutuamente. É pois isto que se passa no relativismo. Nesta ideologia perdemos a narrativa agregadora que clarifica as finalidades comuns da nossa vida em sociedade, sem estas teremos cada vez mais pessoas desenraizadas com uma identidade volátil e em estado de permanente isolamento.</p>
<p>Talvez vivamos neste momento uma época sem precedentes neste sentido tal é a confusão que existe na definição concreta dos entes. Não me refiro apenas aos conceitos morais mas até outros conceitos como a definição de Homem e Mulher, e futuramente o próprio conceito de espécie humana, dado que, avançamos a passos largos para uma fusão entre o ser Humano e máquina com o advento. da integração da inteligência artificial no nosso próprio corpo, vide neuralink. A este respeito adverte C.S Lewis na obra a abolição do Homem: “a conquista do Homem da sua natureza desafiando os seus limites, é simultaneamente a expressão do poder exercido por alguns Homens sobre outros Homens com a natureza como instrumento”. Quando dominamos a técnica implementamos transformações fundamentais, podendo perder a noção e o limite do que é ser humano.</p>
<p>Tudo isto advém de uma ausência de uma matriz que nos dê objetividade de valor e finalidade concreta para a existência. Como objeto da análise coloco as seguintes perguntas: se tudo evolui como podemos definir qualquer tipo de finalidade ? Isto significa, se o ser humano está em permanente transformação assim como as suas circunstâncias aquilo que hoje é verdade, amanhã pode não ser. Colocaria também uma outra pergunta, o que é mais importante guardar e fixar na eternidade para que não esteja sujeito a este relativismo ?</p>
<p>Parece evidente que o relativismo culmina na auto-destruição, por ser precisamente ilógico e irracional. Infelizmente, e muitas vezes de forma inconsciente, acabamos por dar alento a esta tese quando nos vemos incapazes de sustentar a nossa vida numa matriz que estabelece os princpíos lógicos e operativos para uma perceção da realidade mais clara, mais próxima da verdade. C.S Lewis diz-nos que o facto de determinadas pessoas não verem cores não invalida que estas existam, portanto compete-nos afinar o nosso aparelho percetivo para que sejamos capazes de ver cores e procurar a matriz através da qual podemos encontrar a verdade sobre a realidade.</p>
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      <itunes:author><![CDATA[Tiago G]]></itunes:author>
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<p>Se em Portugal cada pessoa tivesse a sua própria língua, a que inventou, tornar-se-ia impossível comunicar pois não teríamos as mesmas referências fonéticas, semânticas. e sintáticas. Tal como na torre de Babel não teríamos a capacidade de nos compreendermos mutuamente. É pois isto que se passa no relativismo. Nesta ideologia perdemos a narrativa agregadora que clarifica as finalidades comuns da nossa vida em sociedade, sem estas teremos cada vez mais pessoas desenraizadas com uma identidade volátil e em estado de permanente isolamento.</p>
<p>Talvez vivamos neste momento uma época sem precedentes neste sentido tal é a confusão que existe na definição concreta dos entes. Não me refiro apenas aos conceitos morais mas até outros conceitos como a definição de Homem e Mulher, e futuramente o próprio conceito de espécie humana, dado que, avançamos a passos largos para uma fusão entre o ser Humano e máquina com o advento. da integração da inteligência artificial no nosso próprio corpo, vide neuralink. A este respeito adverte C.S Lewis na obra a abolição do Homem: “a conquista do Homem da sua natureza desafiando os seus limites, é simultaneamente a expressão do poder exercido por alguns Homens sobre outros Homens com a natureza como instrumento”. Quando dominamos a técnica implementamos transformações fundamentais, podendo perder a noção e o limite do que é ser humano.</p>
<p>Tudo isto advém de uma ausência de uma matriz que nos dê objetividade de valor e finalidade concreta para a existência. Como objeto da análise coloco as seguintes perguntas: se tudo evolui como podemos definir qualquer tipo de finalidade ? Isto significa, se o ser humano está em permanente transformação assim como as suas circunstâncias aquilo que hoje é verdade, amanhã pode não ser. Colocaria também uma outra pergunta, o que é mais importante guardar e fixar na eternidade para que não esteja sujeito a este relativismo ?</p>
<p>Parece evidente que o relativismo culmina na auto-destruição, por ser precisamente ilógico e irracional. Infelizmente, e muitas vezes de forma inconsciente, acabamos por dar alento a esta tese quando nos vemos incapazes de sustentar a nossa vida numa matriz que estabelece os princpíos lógicos e operativos para uma perceção da realidade mais clara, mais próxima da verdade. C.S Lewis diz-nos que o facto de determinadas pessoas não verem cores não invalida que estas existam, portanto compete-nos afinar o nosso aparelho percetivo para que sejamos capazes de ver cores e procurar a matriz através da qual podemos encontrar a verdade sobre a realidade.</p>
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      <title><![CDATA[Quo vadis Portugal?]]></title>
      <description><![CDATA[Do milagre de Ourique ao Paganismo.]]></description>
             <itunes:subtitle><![CDATA[Do milagre de Ourique ao Paganismo.]]></itunes:subtitle>
      <pubDate>Tue, 24 Oct 2023 10:55:46 GMT</pubDate>
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      <dc:creator><![CDATA[Tiago G]]></dc:creator>
      <content:encoded><![CDATA[<p><img src="https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/9/9c/BatalhaOurique.jpg/800px-BatalhaOurique.jpg" alt="image"></p>
<p>Para quem possa estar a ler este texto e seja mais jovem, esta mensagem é para ti. Provavelmente nasceste, assim como eu, numa época onde se sentia que a religião era uma coisa do passado. Multiplicavam-se as mensagens na cultura pop a desqualificar a religião como uma doutrina bafienta, obsoleta que não se atualizava e não se adaptava à modernidade. A mensagem que ganhava mais destaque era a de que não era cool ser religioso, que as únicas pessoas que o eram seriam as pessoas fracas nas suas convicções e que tinham sido vítimas de uma forte lavagem cerebral. Tudo servia para desconstruir e diluir a presença da doutrina moral da igreja na sociedade. Entretenimento, agendas políticas, cultura, ciência, arte, informação, todos estes alicerces da sociedade ratificam a mesma tese: precisamos de nos modernizar e atualizar o nosso modus vivendi. António Gramsci é um dos exemplos de pensadores que estão por detrás desta transformação social, propondo que se faça primeiro uma revolução cultural para que seguidamente se faça a revolução política, e assim foi.</p>
<p><img src="https://i.ytimg.com/vi/mEf9_dgqZGM/sddefault.jpg" alt="image"><br>Diácono remédios - Provedor da Herman Enciclopédia</p>
<p>Tudo na cultura indicava outras direções para a consagração de uma “evolução” nos costumes e na convivência entre as pessoas. Antes tudo era na aparência sangrento e eivado de restrições, agora tudo é e será liberdade e Iluminismo. </p>
<p>Este movimento de esvaziamento da cultura católica era justificado como sendo necessário pois imbuído do espírito revolucionário acreditava-se que tratava de repor a verdade e  acabar com as restrições que a religião colocou na sociedade portuguesa, contudo teve o resultado talvez inesperado para alguns de produzir não um estado laico na sua conceção utópica mas sim um estado que professa uma religião pagã. Esta religião havia de ter também as suas restrições e dogmas além de produzir os seus próprios mitos para agregar socialmente em torno da ideologia. </p>
<p>O creacionismo  por exemplo era coisa de outro tempo, agora havia que inventar uma cosmovisão diferente, em que o universo é rei e senhor e o milagre que está na génese da criação é o Big Bang. Nada mais que um truque retórico que nos desvia do creacionismo católico criando novos mitos cosmológicos mas não responde às questões de fundo: porquê algo em vez de nada ? Que obra existe sem criador ? Este truque retórico funciona porque quando nos apegamos às coisas do mundo, as descrições físicas e materialistas da realidade, estamos como que demasiado entretidos intelectualmente para subir de nível de análise e colocar as questões no plano metafísico. Sem essa organização psíquica que nos permita desenvolver uma interpretação metafísica da realidade objetiva estamos suscetíveis a que esse espaço deixado vago possa ser ocupado pela ideologia vigente, presa a um tempo, um espaço e manchada por um oportunismo político que procura conquistar tudo o que é nosso começando por instilar ideias de forma subtil, por vezes quase impercetível. </p>
<p>O filósofo brasileiro Olavo de Carvalho, na sua crítica ao marxismo, diz-nos que as ideias marxistas tornam-se de tal forma insidiosas que ao dominar educação e cultura fabricam cidadãos socialistas que não se apercebem que estão a fazer o apostolado ao socialismo. Os menos humildes de entre nós julgam que as ideias que possuem foram forjadas por si mesmos, no entanto, se lhes perguntarmos se conhecem a origem filosófica de determinadas ideias serão frequentemente incapazes de o identificar. Com a humildade vem o reconhecimento de que somos todos extremamente influenciáveis e de que determinadas escolas de pensamento nos podem ter capturado, usando-nos como armamento para a disseminação de determinadas ideias. Estas ideologias são como predadores famintos esperando pacientemente encontrar vulnerabilidades na sua presa para poderem explorar essas fraquezas e ganhar terreno. </p>
<p>A procura de uma matriz de organização da realidade, um significado fundamental, é um instinto humano, um instinto religioso, e quando não preenchido pode então ser parasitado por “religiões” muitas delas  primitivas. Desengane-se quem pensa que o ateísmo, o materialismo ou o relativismo não é uma religião, nada poderia estar mais longe da verdade. Após exame consciente daquilo a que o ateísmo se propunha a fazer, libertar o ser humano dos seus preconceitos e da tirania da doutrina religiosa que se afirmava sobre os desejos hedonísticos das pessoas, percebemos que o ateísmo não só não conseguiu fazer isso porque não nos livra da culpa como deixou muito pouco de humano em nós. Numa concepção ateísta e relativista tudo é passível de ser questionado, até ao axioma mais básico levando a que categorias semânticas como “homem”, “mulher” e “ser humano” sejam agora veículos de discórdia e confusão quanto á sua definição.</p>
<p><img src="https://www.dymocks.com.au/Pages/ImageHandler.ashx?q=9781956007008&amp;w=&amp;h=570" alt="image"><br>What is a Woman - Documentário de Matt Walsh que aborda as questões da identidade de género</p>
<p>Ainda assim, como vemos plasmado na sociedade atual há uma teoria sobre a virtude em que o que é determinado pela massa  da população é o “bom” e o que é para ser seguido, mesmo quando incoerente do ponto de vista lógico ou atentatório contra a natureza humana. Nesta nova religião o subjetivismo exuberante levou a que a arte perdesse aspirações estéticas dedicando-se quase exclusivamente á afronta e ao desafio ao status quo que nada mais é que a disseminação das ideias da ideologia que vigora. No domínio da ciência, esta está cada vez mais refém da ideologia servindo os interesses da mesma. Quanto à moral, não é possível não possuir um teoria sobre de bem e sobre o mal sem um dogma, e aqui nestas novas religiões existem vários dogmas e rituais sacramentais tal como nas religiões tradicionais. Seja a glorificação do materialismo, a celebração de uma suposta “evolução” do ser humano, ou a elevação do sexo a um plano mais elevado de atenção, estes e outros dogmas fazem parte desta religião. </p>
<p>Assim lembremos as palavras de Ralph Waldo Emerson quando nos diz que o ser humano irá sempre venerar algo e que nos tornamos naquilo que veneramos, ou seja o que ocupa a nossa imaginação e os nossos pensamentos irá também determinar o nosso carácter. Portanto, cuidemos de escolher que objetos colocamos nos nossos “altares” e o que vamos venerar pois isso estará na base da criação da sociedade futura. Não existe a opção não ter religião, existe sim a opção de deixar na escuridão do inconsciente a principal força motivacional que está na base de um sistema perceptivo. De qualquer modo, algo tem de ocupar o lugar mais elevado na nossa hierarquia moral a questão é: o que deverá ser ?</p>
<p>Se quiseres apoiar o meu trabalho podes enviar BTC através do seguinte endereço lightning:</p>
<p><a href="mailto:tvieiragoncalves@getalby.com">tvieiragoncalves@getalby.com</a></p>
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<p><a href="mailto:tiagogoncalves@walletofsatoshi.com">tiagogoncalves@walletofsatoshi.com</a></p>
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      <itunes:author><![CDATA[Tiago G]]></itunes:author>
      <itunes:summary><![CDATA[<p><img src="https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/9/9c/BatalhaOurique.jpg/800px-BatalhaOurique.jpg" alt="image"></p>
<p>Para quem possa estar a ler este texto e seja mais jovem, esta mensagem é para ti. Provavelmente nasceste, assim como eu, numa época onde se sentia que a religião era uma coisa do passado. Multiplicavam-se as mensagens na cultura pop a desqualificar a religião como uma doutrina bafienta, obsoleta que não se atualizava e não se adaptava à modernidade. A mensagem que ganhava mais destaque era a de que não era cool ser religioso, que as únicas pessoas que o eram seriam as pessoas fracas nas suas convicções e que tinham sido vítimas de uma forte lavagem cerebral. Tudo servia para desconstruir e diluir a presença da doutrina moral da igreja na sociedade. Entretenimento, agendas políticas, cultura, ciência, arte, informação, todos estes alicerces da sociedade ratificam a mesma tese: precisamos de nos modernizar e atualizar o nosso modus vivendi. António Gramsci é um dos exemplos de pensadores que estão por detrás desta transformação social, propondo que se faça primeiro uma revolução cultural para que seguidamente se faça a revolução política, e assim foi.</p>
<p><img src="https://i.ytimg.com/vi/mEf9_dgqZGM/sddefault.jpg" alt="image"><br>Diácono remédios - Provedor da Herman Enciclopédia</p>
<p>Tudo na cultura indicava outras direções para a consagração de uma “evolução” nos costumes e na convivência entre as pessoas. Antes tudo era na aparência sangrento e eivado de restrições, agora tudo é e será liberdade e Iluminismo. </p>
<p>Este movimento de esvaziamento da cultura católica era justificado como sendo necessário pois imbuído do espírito revolucionário acreditava-se que tratava de repor a verdade e  acabar com as restrições que a religião colocou na sociedade portuguesa, contudo teve o resultado talvez inesperado para alguns de produzir não um estado laico na sua conceção utópica mas sim um estado que professa uma religião pagã. Esta religião havia de ter também as suas restrições e dogmas além de produzir os seus próprios mitos para agregar socialmente em torno da ideologia. </p>
<p>O creacionismo  por exemplo era coisa de outro tempo, agora havia que inventar uma cosmovisão diferente, em que o universo é rei e senhor e o milagre que está na génese da criação é o Big Bang. Nada mais que um truque retórico que nos desvia do creacionismo católico criando novos mitos cosmológicos mas não responde às questões de fundo: porquê algo em vez de nada ? Que obra existe sem criador ? Este truque retórico funciona porque quando nos apegamos às coisas do mundo, as descrições físicas e materialistas da realidade, estamos como que demasiado entretidos intelectualmente para subir de nível de análise e colocar as questões no plano metafísico. Sem essa organização psíquica que nos permita desenvolver uma interpretação metafísica da realidade objetiva estamos suscetíveis a que esse espaço deixado vago possa ser ocupado pela ideologia vigente, presa a um tempo, um espaço e manchada por um oportunismo político que procura conquistar tudo o que é nosso começando por instilar ideias de forma subtil, por vezes quase impercetível. </p>
<p>O filósofo brasileiro Olavo de Carvalho, na sua crítica ao marxismo, diz-nos que as ideias marxistas tornam-se de tal forma insidiosas que ao dominar educação e cultura fabricam cidadãos socialistas que não se apercebem que estão a fazer o apostolado ao socialismo. Os menos humildes de entre nós julgam que as ideias que possuem foram forjadas por si mesmos, no entanto, se lhes perguntarmos se conhecem a origem filosófica de determinadas ideias serão frequentemente incapazes de o identificar. Com a humildade vem o reconhecimento de que somos todos extremamente influenciáveis e de que determinadas escolas de pensamento nos podem ter capturado, usando-nos como armamento para a disseminação de determinadas ideias. Estas ideologias são como predadores famintos esperando pacientemente encontrar vulnerabilidades na sua presa para poderem explorar essas fraquezas e ganhar terreno. </p>
<p>A procura de uma matriz de organização da realidade, um significado fundamental, é um instinto humano, um instinto religioso, e quando não preenchido pode então ser parasitado por “religiões” muitas delas  primitivas. Desengane-se quem pensa que o ateísmo, o materialismo ou o relativismo não é uma religião, nada poderia estar mais longe da verdade. Após exame consciente daquilo a que o ateísmo se propunha a fazer, libertar o ser humano dos seus preconceitos e da tirania da doutrina religiosa que se afirmava sobre os desejos hedonísticos das pessoas, percebemos que o ateísmo não só não conseguiu fazer isso porque não nos livra da culpa como deixou muito pouco de humano em nós. Numa concepção ateísta e relativista tudo é passível de ser questionado, até ao axioma mais básico levando a que categorias semânticas como “homem”, “mulher” e “ser humano” sejam agora veículos de discórdia e confusão quanto á sua definição.</p>
<p><img src="https://www.dymocks.com.au/Pages/ImageHandler.ashx?q=9781956007008&amp;w=&amp;h=570" alt="image"><br>What is a Woman - Documentário de Matt Walsh que aborda as questões da identidade de género</p>
<p>Ainda assim, como vemos plasmado na sociedade atual há uma teoria sobre a virtude em que o que é determinado pela massa  da população é o “bom” e o que é para ser seguido, mesmo quando incoerente do ponto de vista lógico ou atentatório contra a natureza humana. Nesta nova religião o subjetivismo exuberante levou a que a arte perdesse aspirações estéticas dedicando-se quase exclusivamente á afronta e ao desafio ao status quo que nada mais é que a disseminação das ideias da ideologia que vigora. No domínio da ciência, esta está cada vez mais refém da ideologia servindo os interesses da mesma. Quanto à moral, não é possível não possuir um teoria sobre de bem e sobre o mal sem um dogma, e aqui nestas novas religiões existem vários dogmas e rituais sacramentais tal como nas religiões tradicionais. Seja a glorificação do materialismo, a celebração de uma suposta “evolução” do ser humano, ou a elevação do sexo a um plano mais elevado de atenção, estes e outros dogmas fazem parte desta religião. </p>
<p>Assim lembremos as palavras de Ralph Waldo Emerson quando nos diz que o ser humano irá sempre venerar algo e que nos tornamos naquilo que veneramos, ou seja o que ocupa a nossa imaginação e os nossos pensamentos irá também determinar o nosso carácter. Portanto, cuidemos de escolher que objetos colocamos nos nossos “altares” e o que vamos venerar pois isso estará na base da criação da sociedade futura. Não existe a opção não ter religião, existe sim a opção de deixar na escuridão do inconsciente a principal força motivacional que está na base de um sistema perceptivo. De qualquer modo, algo tem de ocupar o lugar mais elevado na nossa hierarquia moral a questão é: o que deverá ser ?</p>
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      <item>
      <title><![CDATA[Exultar na monotonia
]]></title>
      <description><![CDATA[Chesterton diz que as crianças conseguem exultar na monotonia, isto é, há um apetite pelo mundo e uma vitalidade nas crianças que lhes permite olhar para a rotina como algo interessante.]]></description>
             <itunes:subtitle><![CDATA[Chesterton diz que as crianças conseguem exultar na monotonia, isto é, há um apetite pelo mundo e uma vitalidade nas crianças que lhes permite olhar para a rotina como algo interessante.]]></itunes:subtitle>
      <pubDate>Wed, 11 Oct 2023 09:41:27 GMT</pubDate>
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<p>Quando era criança divertia-me procurar pedras de diferentes formas que me fizessem lembrar diferentes objetos. Eram tempos em que podia passar horas em tarefas aparentemente simples como procurar grilos ou tentar bater o meu recorde de toques na bola sem nunca a deixar cair. Muitos dias se resumiam a isto e apesar da monotonia não eram dias aborrecidos, bem pelo contrário. Eram dias que me pareciam infinitos, como se tivessem mais de 24 horas mas simultaneamente eram dias em que parecia haver sempre algo novo a descobrir e de facto havia mesmo.</p>
<p>Chesterton diz que as crianças conseguem exultar na monotonia, isto é, há um apetite pelo mundo e uma vitalidade nas crianças que lhes permite olhar para a rotina como algo interessante.</p>
<p>Quando estamos por exemplo com um bebé e nos escondemos atrás de um pano para depois deixarmos que a nossa cara apareça subitamente, o famoso "cucu", o bebé se nos conhece habitualmente ri e demonstra satisfação por testemunhar tal acontecimento. Podemos repetir isto várias vezes e vemos que o bebé não se farta com facilidade e continua a rir do que fazemos, como se fosse a primeira vez. De facto, cada vez é única e irrepetível mas o amadurecimento dos sentidos que um adulto experimenta já dificilmente nos permite viver exultando esta monotonia. Rapidamente nos aborrecemos e assim procuramos cessar a tarefa de imediato sempre à procura da próxima. Quando um adulto e uma criança jogam à bola por exemplo a criança repete incessantemente "chuta outra vez", já o adulto pode sentir que a sua energia se esvai a cada remate.</p>
<p>Felizmente há um antídoto mesmo para os adultos mais empedernidos. Mais do que atividades aborrecidas, há pessoas aborrecidas e estas podem encontrar na curiosidade um bálsamo para a vida que enobrece a rotina e monotonia. Quando escolhemos olhar para o mundo de forma curiosa e presente há uma panóplia infinita de potencial e possibilidades que se apresentam diante de nós. Com esta atitude experimentamos uma espontaneidade que abre portas para novos conhecimentos levantando questões sobre o mundo como por exemplo:</p>
<p>Porque é que esta mudança nos acordes da música me deixou os pelos em pé ?</p>
<p>O que tem esta laranja de especial para saber tão bem ?</p>
<p>Não é de admirar que estejamos menos sensíveis a isto, visto que, estamos muito mais sujeitos a um tipo de entretenimento passivo, através do ecrã, que pouco nos predispõe mentalmente para a pura exploração do ambiente que nos rodeia. Quando estamos na natureza por exemplo, afastados do que nos vicia e captura da nossa atenção de forma perniciosa, podemos comungar do espaço que nos envolve, o contexto convida á experiência da novidade mesmo no que já é conhecido. Desta forma estamos mais predispostos a ser verdadeiros observadores do que nos rodeia, mais do que meros recetores de informação. Esta abertura para a afirmação qualitativa da rotina torna-nos pessoas mais interessantes e interessadas pelo mundo que nos rodeia.</p>
<p>Oscar Wilde dizia que as pessoas não valorizam o pôr do sol por este acontecimento não ser pago, no entanto pode dizer-se: não seja como Oscar Wilde, valorize até as coisas rotineiras como um pôr do sol. Lembremo-nos que amanhã podemos não ter pôr do sol e que cada pôr do sol pode ser diferente dependendo da nossa capacidade para exultar nessa monotonia.</p>
<p><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/w_1456,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F0d0451fc-7358-472e-8671-3e978f7e2da7_850x400.jpeg" alt="image"></p>
<blockquote>
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</blockquote>
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</blockquote>
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<p><a href="mailto:tiagogoncalves@walletofsatoshi.com">tiagogoncalves@walletofsatoshi.com</a></p>
</blockquote>
]]></content:encoded>
      <itunes:author><![CDATA[Tiago G]]></itunes:author>
      <itunes:summary><![CDATA[<p><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/w_1456,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fa1500194-f3b6-40f6-ad23-e5874e594cc8_1200x942.jpeg" alt="image"></p>
<p>Quando era criança divertia-me procurar pedras de diferentes formas que me fizessem lembrar diferentes objetos. Eram tempos em que podia passar horas em tarefas aparentemente simples como procurar grilos ou tentar bater o meu recorde de toques na bola sem nunca a deixar cair. Muitos dias se resumiam a isto e apesar da monotonia não eram dias aborrecidos, bem pelo contrário. Eram dias que me pareciam infinitos, como se tivessem mais de 24 horas mas simultaneamente eram dias em que parecia haver sempre algo novo a descobrir e de facto havia mesmo.</p>
<p>Chesterton diz que as crianças conseguem exultar na monotonia, isto é, há um apetite pelo mundo e uma vitalidade nas crianças que lhes permite olhar para a rotina como algo interessante.</p>
<p>Quando estamos por exemplo com um bebé e nos escondemos atrás de um pano para depois deixarmos que a nossa cara apareça subitamente, o famoso "cucu", o bebé se nos conhece habitualmente ri e demonstra satisfação por testemunhar tal acontecimento. Podemos repetir isto várias vezes e vemos que o bebé não se farta com facilidade e continua a rir do que fazemos, como se fosse a primeira vez. De facto, cada vez é única e irrepetível mas o amadurecimento dos sentidos que um adulto experimenta já dificilmente nos permite viver exultando esta monotonia. Rapidamente nos aborrecemos e assim procuramos cessar a tarefa de imediato sempre à procura da próxima. Quando um adulto e uma criança jogam à bola por exemplo a criança repete incessantemente "chuta outra vez", já o adulto pode sentir que a sua energia se esvai a cada remate.</p>
<p>Felizmente há um antídoto mesmo para os adultos mais empedernidos. Mais do que atividades aborrecidas, há pessoas aborrecidas e estas podem encontrar na curiosidade um bálsamo para a vida que enobrece a rotina e monotonia. Quando escolhemos olhar para o mundo de forma curiosa e presente há uma panóplia infinita de potencial e possibilidades que se apresentam diante de nós. Com esta atitude experimentamos uma espontaneidade que abre portas para novos conhecimentos levantando questões sobre o mundo como por exemplo:</p>
<p>Porque é que esta mudança nos acordes da música me deixou os pelos em pé ?</p>
<p>O que tem esta laranja de especial para saber tão bem ?</p>
<p>Não é de admirar que estejamos menos sensíveis a isto, visto que, estamos muito mais sujeitos a um tipo de entretenimento passivo, através do ecrã, que pouco nos predispõe mentalmente para a pura exploração do ambiente que nos rodeia. Quando estamos na natureza por exemplo, afastados do que nos vicia e captura da nossa atenção de forma perniciosa, podemos comungar do espaço que nos envolve, o contexto convida á experiência da novidade mesmo no que já é conhecido. Desta forma estamos mais predispostos a ser verdadeiros observadores do que nos rodeia, mais do que meros recetores de informação. Esta abertura para a afirmação qualitativa da rotina torna-nos pessoas mais interessantes e interessadas pelo mundo que nos rodeia.</p>
<p>Oscar Wilde dizia que as pessoas não valorizam o pôr do sol por este acontecimento não ser pago, no entanto pode dizer-se: não seja como Oscar Wilde, valorize até as coisas rotineiras como um pôr do sol. Lembremo-nos que amanhã podemos não ter pôr do sol e que cada pôr do sol pode ser diferente dependendo da nossa capacidade para exultar nessa monotonia.</p>
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      <title><![CDATA[Investigação da sombra
]]></title>
      <description><![CDATA[]]></description>
             <itunes:subtitle><![CDATA[]]></itunes:subtitle>
      <pubDate>Tue, 18 Jul 2023 21:18:06 GMT</pubDate>
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      <category>psicologia</category>
      
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      <dc:creator><![CDATA[Tiago G]]></dc:creator>
      <content:encoded><![CDATA[<p>Carl Jung fala-nos do conceito de sombra como dimensão inalienável da personalidade, uma parte da nossa identidade que contempla o nosso poder de destruição. Segundo Jung quanto menos conscientes somos desta sombra maior é o seu poder destrutivo, ou seja, mais negra e densa se torna. Se um sentimento de inferioridade se torna consciente o indivíduo terá sempre oportunidades para corrigir esse sentimento, ao passo que se permanece no inconsciente pode perpetuar a sua influência e ampliar a sua intensidade. A sombra não integrada, ou seja não consciente, condena o Homem a repetir os erros do passado e perpetrar as atrocidades que caracterizam os atos mais sombrios de tirania.</p>
<p>Esta influência da sombra pode ser considerada tanto a nível individual como a nível coletivo quando pensamos na sombra que existe na nossa sociedade. A sombra societal está por exemplo presente na ascensão dos regimes autoritários caracterizados pela decadência moral e extinção da individualidade através da emancipação da identidade do grupo.</p>
<p>Uma das dificuldades em tornar a sombra consciente é a resistência em admitir a nossa falta de virtude e altruísmo e em reconhecer as nossas próprias corrupções morais. Como forma de ultrapassar esta dificuldade e investigar as sombras com eficácia diria que a humildade deve ser usada como ferramenta. Quando nos deparamos com alguém que cometeu um crime a todos os títulos horrendo muitas vezes a maior parte de nós pensará: “eu nunca faria tal coisa”, a humildade incentiva-nos a refletir de forma mais profunda e perceber que pode não ser tão absurdo pensar que algures no nosso mundo intra-psíquico existe também a possibilidade de violar, agredir e matar. Tomemos como exemplo os alemães que viveram o período do holocausto, como será que um grupo vasto e diversificado de pessoas vindas dos mais diversos extratos sociais foi capaz de anuir a tamanha destruição ? A resposta prende-se muito provavelmente com uma ausência da integração da sombra, sendo que a maioria das pessoas não teria consciência da atrocidade na qual participava, estava apenas numa espécie de transe psicótico no qual não concebia a sombra.</p>
<p>Uma outra forma de investigar a sombra é através do ato de dizer a verdade, sim dizer a verdade. Pode parecer simples mas acredito que há muito sobre nós que apenas contamos a um punhado de pessoas e muito mais que apenas nós mesmos sabemos e ainda uma quantidade razoável de coisas que nem ousamos admitir a nós mesmos. Nessa medida, dizer a verdade pode elucidar-nos sobre as dimensões que não conhecemos e integrá-las no todo consciente. Esta integração requer negociações e eventualmente uma reavaliação dos nossos valores, no entanto, é uma fonte importante de renovação e criação de autenticidade e integridade.</p>
<p>Jung incentiva-nos a investigar a sombra para que esta não nos domine e se expresse de forma descontrolada e inconsciente. Como uma energia que existe de forma espontânea, a sombra precisa de ser controlada, interpretada e integrada para que possamos deixar de fragmentar e dissociar a nossa personalidade encarando-a como parte de um todo.</p>
<p><img src="https://www.azquotes.com/picture-quotes/quote-to-confront-a-person-with-their-own-shadow-is-to-show-them-their-own-light-carl-jung-57-14-44.jpg" alt="Jung"></p>
<p>Se quiseres apoiar o meu trabalho podes enviar BTC através do seguinte endereço lightning:</p>
<p><a href="mailto:tvieiragoncalves@getalby.com">tvieiragoncalves@getalby.com</a></p>
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<p><a href="mailto:drollbottom26@walletofsatoshi.com">drollbottom26@walletofsatoshi.com</a></p>
<p><img src="https://i.imgur.com/fJIInki.jpg" alt="QR"></p>
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      <itunes:author><![CDATA[Tiago G]]></itunes:author>
      <itunes:summary><![CDATA[<p>Carl Jung fala-nos do conceito de sombra como dimensão inalienável da personalidade, uma parte da nossa identidade que contempla o nosso poder de destruição. Segundo Jung quanto menos conscientes somos desta sombra maior é o seu poder destrutivo, ou seja, mais negra e densa se torna. Se um sentimento de inferioridade se torna consciente o indivíduo terá sempre oportunidades para corrigir esse sentimento, ao passo que se permanece no inconsciente pode perpetuar a sua influência e ampliar a sua intensidade. A sombra não integrada, ou seja não consciente, condena o Homem a repetir os erros do passado e perpetrar as atrocidades que caracterizam os atos mais sombrios de tirania.</p>
<p>Esta influência da sombra pode ser considerada tanto a nível individual como a nível coletivo quando pensamos na sombra que existe na nossa sociedade. A sombra societal está por exemplo presente na ascensão dos regimes autoritários caracterizados pela decadência moral e extinção da individualidade através da emancipação da identidade do grupo.</p>
<p>Uma das dificuldades em tornar a sombra consciente é a resistência em admitir a nossa falta de virtude e altruísmo e em reconhecer as nossas próprias corrupções morais. Como forma de ultrapassar esta dificuldade e investigar as sombras com eficácia diria que a humildade deve ser usada como ferramenta. Quando nos deparamos com alguém que cometeu um crime a todos os títulos horrendo muitas vezes a maior parte de nós pensará: “eu nunca faria tal coisa”, a humildade incentiva-nos a refletir de forma mais profunda e perceber que pode não ser tão absurdo pensar que algures no nosso mundo intra-psíquico existe também a possibilidade de violar, agredir e matar. Tomemos como exemplo os alemães que viveram o período do holocausto, como será que um grupo vasto e diversificado de pessoas vindas dos mais diversos extratos sociais foi capaz de anuir a tamanha destruição ? A resposta prende-se muito provavelmente com uma ausência da integração da sombra, sendo que a maioria das pessoas não teria consciência da atrocidade na qual participava, estava apenas numa espécie de transe psicótico no qual não concebia a sombra.</p>
<p>Uma outra forma de investigar a sombra é através do ato de dizer a verdade, sim dizer a verdade. Pode parecer simples mas acredito que há muito sobre nós que apenas contamos a um punhado de pessoas e muito mais que apenas nós mesmos sabemos e ainda uma quantidade razoável de coisas que nem ousamos admitir a nós mesmos. Nessa medida, dizer a verdade pode elucidar-nos sobre as dimensões que não conhecemos e integrá-las no todo consciente. Esta integração requer negociações e eventualmente uma reavaliação dos nossos valores, no entanto, é uma fonte importante de renovação e criação de autenticidade e integridade.</p>
<p>Jung incentiva-nos a investigar a sombra para que esta não nos domine e se expresse de forma descontrolada e inconsciente. Como uma energia que existe de forma espontânea, a sombra precisa de ser controlada, interpretada e integrada para que possamos deixar de fragmentar e dissociar a nossa personalidade encarando-a como parte de um todo.</p>
<p><img src="https://www.azquotes.com/picture-quotes/quote-to-confront-a-person-with-their-own-shadow-is-to-show-them-their-own-light-carl-jung-57-14-44.jpg" alt="Jung"></p>
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      <title><![CDATA[Investigação da sombra
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      <description><![CDATA[]]></description>
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      <pubDate>Tue, 18 Jul 2023 21:16:28 GMT</pubDate>
      <link>https://idsera.npub.pro/post/dnzjhgww7r8jqsx0fzznu/</link>
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      <dc:creator><![CDATA[Tiago G]]></dc:creator>
      <content:encoded><![CDATA[<p>Carl Jung fala-nos do conceito de sombra como dimensão inalienável da personalidade, uma parte da nossa identidade que contempla o nosso poder de destruição. Segundo Jung quanto menos conscientes somos desta sombra maior é o seu poder destrutivo, ou seja, mais negra e densa se torna. Se um sentimento de inferioridade se torna consciente o indivíduo terá sempre oportunidades para corrigir esse sentimento, ao passo que se permanece no inconsciente pode perpetuar a sua influência e ampliar a sua intensidade. A sombra não integrada, ou seja não consciente, condena o Homem a repetir os erros do passado e perpetrar as atrocidades que caracterizam os atos mais sombrios de tirania.</p>
<p>Esta influência da sombra pode ser considerada tanto a nível individual como a nível coletivo quando pensamos na sombra que existe na nossa sociedade. A sombra societal está por exemplo presente na ascensão dos regimes autoritários caracterizados pela decadência moral e extinção da individualidade através da emancipação da identidade do grupo.</p>
<p>Uma das dificuldades em tornar a sombra consciente é a resistência em admitir a nossa falta de virtude e altruísmo e em reconhecer as nossas próprias corrupções morais. Como forma de ultrapassar esta dificuldade e investigar as sombras com eficácia diria que a humildade deve ser usada como ferramenta. Quando nos deparamos com alguém que cometeu um crime a todos os títulos horrendo muitas vezes a maior parte de nós pensará: “eu nunca faria tal coisa”, a humildade incentiva-nos a refletir de forma mais profunda e perceber que pode não ser tão absurdo pensar que algures no nosso mundo intra-psíquico existe também a possibilidade de violar, agredir e matar. Tomemos como exemplo os alemães que viveram o período do holocausto, como será que um grupo vasto e diversificado de pessoas vindas dos mais diversos extratos sociais foi capaz de anuir a tamanha destruição ? A resposta prende-se muito provavelmente com uma ausência da integração da sombra, sendo que a maioria das pessoas não teria consciência da atrocidade na qual participava, estava apenas numa espécie de transe psicótico no qual não concebia a sombra.</p>
<p>Uma outra forma de investigar a sombra é através do ato de dizer a verdade, sim dizer a verdade. Pode parecer simples mas acredito que há muito sobre nós que apenas contamos a um punhado de pessoas e muito mais que apenas nós mesmos sabemos e ainda uma quantidade razoável de coisas que nem ousamos admitir a nós mesmos. Nessa medida, dizer a verdade pode elucidar-nos sobre as dimensões que não conhecemos e integrá-las no todo consciente. Esta integração requer negociações e eventualmente uma reavaliação dos nossos valores, no entanto, é uma fonte importante de renovação e criação de autenticidade e integridade.</p>
<p>Jung incentiva-nos a investigar a sombra para que esta não nos domine e se expresse de forma descontrolada e inconsciente. Como uma energia que existe de forma espontânea, a sombra precisa de ser controlada, interpretada e integrada para que possamos deixar de fragmentar e dissociar a nossa personalidade encarando-a como parte de um todo.</p>
<p><img src="https://www.azquotes.com/picture-quotes/quote-to-confront-a-person-with-their-own-shadow-is-to-show-them-their-own-light-carl-jung-57-14-44.jpg" alt="Jung"></p>
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      <itunes:author><![CDATA[Tiago G]]></itunes:author>
      <itunes:summary><![CDATA[<p>Carl Jung fala-nos do conceito de sombra como dimensão inalienável da personalidade, uma parte da nossa identidade que contempla o nosso poder de destruição. Segundo Jung quanto menos conscientes somos desta sombra maior é o seu poder destrutivo, ou seja, mais negra e densa se torna. Se um sentimento de inferioridade se torna consciente o indivíduo terá sempre oportunidades para corrigir esse sentimento, ao passo que se permanece no inconsciente pode perpetuar a sua influência e ampliar a sua intensidade. A sombra não integrada, ou seja não consciente, condena o Homem a repetir os erros do passado e perpetrar as atrocidades que caracterizam os atos mais sombrios de tirania.</p>
<p>Esta influência da sombra pode ser considerada tanto a nível individual como a nível coletivo quando pensamos na sombra que existe na nossa sociedade. A sombra societal está por exemplo presente na ascensão dos regimes autoritários caracterizados pela decadência moral e extinção da individualidade através da emancipação da identidade do grupo.</p>
<p>Uma das dificuldades em tornar a sombra consciente é a resistência em admitir a nossa falta de virtude e altruísmo e em reconhecer as nossas próprias corrupções morais. Como forma de ultrapassar esta dificuldade e investigar as sombras com eficácia diria que a humildade deve ser usada como ferramenta. Quando nos deparamos com alguém que cometeu um crime a todos os títulos horrendo muitas vezes a maior parte de nós pensará: “eu nunca faria tal coisa”, a humildade incentiva-nos a refletir de forma mais profunda e perceber que pode não ser tão absurdo pensar que algures no nosso mundo intra-psíquico existe também a possibilidade de violar, agredir e matar. Tomemos como exemplo os alemães que viveram o período do holocausto, como será que um grupo vasto e diversificado de pessoas vindas dos mais diversos extratos sociais foi capaz de anuir a tamanha destruição ? A resposta prende-se muito provavelmente com uma ausência da integração da sombra, sendo que a maioria das pessoas não teria consciência da atrocidade na qual participava, estava apenas numa espécie de transe psicótico no qual não concebia a sombra.</p>
<p>Uma outra forma de investigar a sombra é através do ato de dizer a verdade, sim dizer a verdade. Pode parecer simples mas acredito que há muito sobre nós que apenas contamos a um punhado de pessoas e muito mais que apenas nós mesmos sabemos e ainda uma quantidade razoável de coisas que nem ousamos admitir a nós mesmos. Nessa medida, dizer a verdade pode elucidar-nos sobre as dimensões que não conhecemos e integrá-las no todo consciente. Esta integração requer negociações e eventualmente uma reavaliação dos nossos valores, no entanto, é uma fonte importante de renovação e criação de autenticidade e integridade.</p>
<p>Jung incentiva-nos a investigar a sombra para que esta não nos domine e se expresse de forma descontrolada e inconsciente. Como uma energia que existe de forma espontânea, a sombra precisa de ser controlada, interpretada e integrada para que possamos deixar de fragmentar e dissociar a nossa personalidade encarando-a como parte de um todo.</p>
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