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      <pubDate>Thu, 26 Sep 2024 14:54:48 GMT</pubDate>
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      <title><![CDATA[O padrão Bitcoin vai resolver o problema das dívidas soberanas?]]></title>
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      <pubDate>Thu, 26 Sep 2024 14:54:48 GMT</pubDate>
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      <dc:creator><![CDATA[reiartur]]></dc:creator>
      <content:encoded><![CDATA[<p>Claro que não, o Bitcoin não é uma solução mas sim uma reação à inação dos governos.</p>
<p>O sistema FIAT está numa situação tão crítica, não existe uma solução boa para o problema da dívida soberana, terá que se optar pela menos má.<br>Como resolver o problema das dívidas futuras, dos fundos de pensões? As dívidas do passado tem que ser pagas, mas como?<br>As dívidas não são apenas números no excel, são pessoas que estão por detrás desses números, não podem ser apagadas,  simplesmente.</p>
<p>Uma solução seria uma mudança drástica nas políticas, com uma forte redução de custos do estado e muita austeridade, gerando uma queda do padrão de vida dos cidadãos. Só que isto seria extremamente impopular, nenhum político tem coragem de o fazer, quem tentar vai acabar por perder na próxima eleição.</p>
<p>Assim, a única maneira que resta para os políticos, é fazê-lo pela calada, através da desvalorização da moeda. A inflação permite destruir as dívidas do passado e consequentemente a poupança e a qualidade de vida dos cidadãos. É isto que temos visto nos últimos anos e vai agravar-se no futuro. Só que os atuais níveis de expansão monetária, não foram suficientes para resolver o problema, apenas permite ao governo estar à tona da água, procrastinar o problema.</p>
<p>Um bom exemplo é na UE, onde existe uma regra que permite um défice até 3% do PIB por ano, que muitas vezes nem é cumprida, isto é uma situação insustentável. A regra deveria ser o oposto, obrigar um superávit mínimo de 2% ao ano, só assim será possivel reduzir a dívida.</p>
<p>A expansão monetária e política monetária está a ser utilizada como uma arma contra os cidadãos, é um imposto totalmente cego, muito penalizador para os mais pobres e os governos têm abusado desse poder. A moeda é o sangue de uma economia, os políticos ao diluí-la estão a envenenar a economia. O Bitcoin é a única moeda que não pode ser diluída.</p>
<p>Os políticos reconhecem que existe um problema mas todas as soluções são extremamente impopulares, e como eles são os principais beneficiados do sistema FIAT, dificilmente haverá uma mudança.</p>
<h1>Bi-monetário</h1>
<p>Como nenhum político terá coragem de mudar, essa mudança tem de partir dos cidadãos, voluntariamente, ou seja, com a adoção do Bitcoin. </p>
<p>Todos os bitcoiners gostariam de assistir a uma mudança rápida do padrão FIAT para o padrão Bitcoin, mas não é possível.<br>É necessário ter noção como o mundo real é, uma mudança rápida entre os padrões seria desastrosa para toda a humanidade, esse processo terá que ser gradual, para não existir uma ruptura entre gerações e entre estratos sociais.</p>
<p>Com a criação do Bitcoin, o paradigma mudou, passou a existir um sistema bi-monetário, com a moeda FIAT e o Bitcoin em circulação simultânea. O FIAT como unidade de conta e o Bitcoin como reserva de valor e as duas como meio de troca.</p>
<p>Hoje, a alocação em Bitcoin ainda é muito baixa. Em média a nível mundial está 99.2% em FIAT e 0.8% em Bitcoin. Mas chegará o dia, atingirá os 50-50%, em alguns países possivelmente será ainda maior.</p>
<p>Será uma adoção completamente voluntária, não será pelos governos, mas sim, pelos cidadãos, de baixo para cima. No início, a adoção será lenta, mas quanto maior for a alocação em Bitcoin, mais acelerada será a adoção.</p>
<p>A dupla circulação de moeda, vai obrigar os governos a fazer uma melhor gestão, vai limitar indiretamente a impressão de dinheiro. Se os governos abusarem desse poder, as pessoas vão se proteger ainda mais no Bitcoin, diminuindo a alocação em FIAT, por sua vez a moeda fica mais fraca e o governo também. Vai obrigar um maior rigor na política monetária.</p>
<p>O Bitcoin será uma proteção contra o abuso dos governos, vai obrigar uma mudança, um maior rigor na sua gestão, possibilitando a redução da dívida a longo prazo.</p>
]]></content:encoded>
      <itunes:author><![CDATA[reiartur]]></itunes:author>
      <itunes:summary><![CDATA[<p>Claro que não, o Bitcoin não é uma solução mas sim uma reação à inação dos governos.</p>
<p>O sistema FIAT está numa situação tão crítica, não existe uma solução boa para o problema da dívida soberana, terá que se optar pela menos má.<br>Como resolver o problema das dívidas futuras, dos fundos de pensões? As dívidas do passado tem que ser pagas, mas como?<br>As dívidas não são apenas números no excel, são pessoas que estão por detrás desses números, não podem ser apagadas,  simplesmente.</p>
<p>Uma solução seria uma mudança drástica nas políticas, com uma forte redução de custos do estado e muita austeridade, gerando uma queda do padrão de vida dos cidadãos. Só que isto seria extremamente impopular, nenhum político tem coragem de o fazer, quem tentar vai acabar por perder na próxima eleição.</p>
<p>Assim, a única maneira que resta para os políticos, é fazê-lo pela calada, através da desvalorização da moeda. A inflação permite destruir as dívidas do passado e consequentemente a poupança e a qualidade de vida dos cidadãos. É isto que temos visto nos últimos anos e vai agravar-se no futuro. Só que os atuais níveis de expansão monetária, não foram suficientes para resolver o problema, apenas permite ao governo estar à tona da água, procrastinar o problema.</p>
<p>Um bom exemplo é na UE, onde existe uma regra que permite um défice até 3% do PIB por ano, que muitas vezes nem é cumprida, isto é uma situação insustentável. A regra deveria ser o oposto, obrigar um superávit mínimo de 2% ao ano, só assim será possivel reduzir a dívida.</p>
<p>A expansão monetária e política monetária está a ser utilizada como uma arma contra os cidadãos, é um imposto totalmente cego, muito penalizador para os mais pobres e os governos têm abusado desse poder. A moeda é o sangue de uma economia, os políticos ao diluí-la estão a envenenar a economia. O Bitcoin é a única moeda que não pode ser diluída.</p>
<p>Os políticos reconhecem que existe um problema mas todas as soluções são extremamente impopulares, e como eles são os principais beneficiados do sistema FIAT, dificilmente haverá uma mudança.</p>
<h1>Bi-monetário</h1>
<p>Como nenhum político terá coragem de mudar, essa mudança tem de partir dos cidadãos, voluntariamente, ou seja, com a adoção do Bitcoin. </p>
<p>Todos os bitcoiners gostariam de assistir a uma mudança rápida do padrão FIAT para o padrão Bitcoin, mas não é possível.<br>É necessário ter noção como o mundo real é, uma mudança rápida entre os padrões seria desastrosa para toda a humanidade, esse processo terá que ser gradual, para não existir uma ruptura entre gerações e entre estratos sociais.</p>
<p>Com a criação do Bitcoin, o paradigma mudou, passou a existir um sistema bi-monetário, com a moeda FIAT e o Bitcoin em circulação simultânea. O FIAT como unidade de conta e o Bitcoin como reserva de valor e as duas como meio de troca.</p>
<p>Hoje, a alocação em Bitcoin ainda é muito baixa. Em média a nível mundial está 99.2% em FIAT e 0.8% em Bitcoin. Mas chegará o dia, atingirá os 50-50%, em alguns países possivelmente será ainda maior.</p>
<p>Será uma adoção completamente voluntária, não será pelos governos, mas sim, pelos cidadãos, de baixo para cima. No início, a adoção será lenta, mas quanto maior for a alocação em Bitcoin, mais acelerada será a adoção.</p>
<p>A dupla circulação de moeda, vai obrigar os governos a fazer uma melhor gestão, vai limitar indiretamente a impressão de dinheiro. Se os governos abusarem desse poder, as pessoas vão se proteger ainda mais no Bitcoin, diminuindo a alocação em FIAT, por sua vez a moeda fica mais fraca e o governo também. Vai obrigar um maior rigor na política monetária.</p>
<p>O Bitcoin será uma proteção contra o abuso dos governos, vai obrigar uma mudança, um maior rigor na sua gestão, possibilitando a redução da dívida a longo prazo.</p>
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      <title><![CDATA[Se houver outra pandemia, como vamos resolver a crise, no padrão Bitcoin?]]></title>
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      <pubDate>Mon, 23 Sep 2024 11:00:13 GMT</pubDate>
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      <category>Economia</category>
      
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      <dc:creator><![CDATA[reiartur]]></dc:creator>
      <content:encoded><![CDATA[<p>O padrão Bitcoin, vai muito além de um troca monetária, é uma revolução completa em termos monetários, económicos, sociais e políticos. Uma das grandes mudanças será a nível político, os governos terão que ser mais rigorosos economicamente.<br>Atualmente os governos têm 3 principais fontes de financiamento: impostos, dívida e inflação monetária. Com o padrão Bitcoin, a inflação monetária fica de imediato descartada, restando as outras duas.</p>
<p>Um governo economicamente saudável, terá que governar apenas com os impostos. A dívida soberana deverá ser zero ou próxima de zero, deverá apenas ser utilizada em casos excepcionais, em extrema emergência, como as pandemias ou grandes crises.<br>Na gestão dos governos terá que existir uma mudança de 180°, em vez de endividamento, os governos terão que ter superávits e reservas no tesouro. </p>
<p>Os governos terão que ter uma gestão mais similar ao cidadão comum, ou seja, gastar sempre menos do que ganham (no caso do governo impostos ), é necessário ter uma reserva de emergência, com algum capital guardado, para ser utilizado numa emergência, numa crise.<br>Só que o modelo é totalmente oposto ao atual sistema, a mudança política será tremenda, os atuais políticos dificilmente vão conseguir ter esta disciplina. Esta disciplina orçamental, vai obrigatoriamente tornar os governos mais pequenos e menos interventivos economicamente e socialmente.</p>
]]></content:encoded>
      <itunes:author><![CDATA[reiartur]]></itunes:author>
      <itunes:summary><![CDATA[<p>O padrão Bitcoin, vai muito além de um troca monetária, é uma revolução completa em termos monetários, económicos, sociais e políticos. Uma das grandes mudanças será a nível político, os governos terão que ser mais rigorosos economicamente.<br>Atualmente os governos têm 3 principais fontes de financiamento: impostos, dívida e inflação monetária. Com o padrão Bitcoin, a inflação monetária fica de imediato descartada, restando as outras duas.</p>
<p>Um governo economicamente saudável, terá que governar apenas com os impostos. A dívida soberana deverá ser zero ou próxima de zero, deverá apenas ser utilizada em casos excepcionais, em extrema emergência, como as pandemias ou grandes crises.<br>Na gestão dos governos terá que existir uma mudança de 180°, em vez de endividamento, os governos terão que ter superávits e reservas no tesouro. </p>
<p>Os governos terão que ter uma gestão mais similar ao cidadão comum, ou seja, gastar sempre menos do que ganham (no caso do governo impostos ), é necessário ter uma reserva de emergência, com algum capital guardado, para ser utilizado numa emergência, numa crise.<br>Só que o modelo é totalmente oposto ao atual sistema, a mudança política será tremenda, os atuais políticos dificilmente vão conseguir ter esta disciplina. Esta disciplina orçamental, vai obrigatoriamente tornar os governos mais pequenos e menos interventivos economicamente e socialmente.</p>
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      <title><![CDATA[O Sistema FIAT permitiu aumentar substancialmente a qualidade de vida nos últimos 50 anos?]]></title>
      <description><![CDATA[]]></description>
             <itunes:subtitle><![CDATA[]]></itunes:subtitle>
      <pubDate>Sun, 22 Sep 2024 09:50:04 GMT</pubDate>
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      <dc:creator><![CDATA[reiartur]]></dc:creator>
      <content:encoded><![CDATA[<p>Sim, é verdade, permitiu aumentar a qualidade de vida das pessoas, mas as consequências são tremendas. É verdade que nós temos uma qualidade de vida melhor que a dos nossos avós, mas este aumento da qualidade de vida é insustentável. Se nada for feito, os nossos netos terão a mesma qualidade de vida dos nossos avós, vão retroceder.</p>
<p>Na minha opinião existem duas causas que explicam esse crescimento nos últimos 50 anos, o crédito e a produtividade.</p>
<h1>Crédito</h1>
<p>O principal factor é o endividamento, o sistema FIAT transformou a sociedade e os governos dependentes de dívida, altamente endividados, o viver muito acima das suas possibilidades, com uma alta preferência temporal.</p>
<p>No momento em que fazemos um crédito é bom, as nossas contas bancárias ficam com mais dinheiro, podemos comprar muitos bens, a curto prazo ficamos com mais liquidez, mais “ricos” mas é uma ilusão.</p>
<p>A longo prazo temos um problema, a dívida tem que ser paga e não existe dinheiro para pagar, a única maneira é a austeridade, será necessário baixar o custo de vida para pagar a dívida do passado.</p>
<p>Na prática, o crédito é a antecipação das receitas, é o gastar hoje as receitas do futuro. Só que as pessoas do futuro não terão receitas, serão gastas para pagar as dívidas do passado, vão viver do quê?</p>
<p>Este é o problema, os políticos responsáveis pelo crescimento, hipotecaram o futuro dos seus netos, o viver acima das possibilidades é insustentável.</p>
<p>Se nós olharmos para a qualidade de vida, no período entre os 20 e 30 anos, o período da emancipação, nas diversas gerações: Quem tinha essa idade na década de 1970/1980 foi o principal beneficiado; Os jovens adultos da década de 2000 começaram a notar os primeiros problemas. Hoje em dia, os jovens entre 20 e os 30 anos já estão com muitas dificuldades económicas, em construir uma família, adquirir uma casa, o custo de vida está insuportável. O problema é que ainda vai agravar-se, as próximas gerações, ainda será pior que as atuais.</p>
<p>As dívidas dos países não diminui, só aumenta, os governos só rolam a dívida, apenas estão a adiar o problema, um dia vai rebentar.</p>
<h1>Produtividade</h1>
<p>O desenvolvimento tecnológico foi tremendo nos últimos 50 anos, ajudou para o aumento da produtividade e consequentemente, a melhoria salarial, melhoria na qualidade de vida das pessoas. Só que as pessoas apenas “receberam” uma pequena parte desse melhoramento, porque uma parte significativa desse aumento de produtividade foi absorvida pelos governos através da inflação da moeda.</p>
<p><img src="https://image.nostr.build/98855c1abe82d1290e776bb33ffd24d7d69f1245205da8fd9ecf6a6ee8a171ef.jpg" alt="image"></p>
<p>Até 1971 (criação do sistema FIAT), o salário do trabalho acompanhou, o aumento da produtividade. Após 1971, acontece uma divergência entre a compensação e a produtividade.</p>
<p>Os governos ao desvalorizar a moeda afetam sobretudo os salários dos trabalhadores. Como as empresas têm uma maior “elasticidade”, permite-lhes mais rapidamente atualizar os preços dos produtos, corrigindo parcialmente a perda de valor da moeda. Enquanto a actualização do salário é muito mais lenta, prejudicando os trabalhadores.</p>
<p>O desenvolvimento tecnológico, que permitiu que o trabalhador produzisse mais, no mesmo espaço de tempo, essa mais valia, em vez de criar valor nas empresas e nos funcionários, foi essencialmente para os governos.</p>
<p>Neste momento estamos perante outro enorme salto tecnológico, que vai permitir um enorme aumento da produtividade, a AI. Se nada for feito, os governos vão absorver esses ganhos, possibilitando adiar o problema da dívida por mais uma década.</p>
<p>O sistema FIAT cria a iluminação que dá com uma mão, mas depois tira com a outra.</p>
<p>Quem tem poupanças mais elevadas consegue adquirir bens mais escassos, com uma melhor protecção contra a inflação, como o imobiliário, algumas ações e ouro.</p>
<p>Mas a classe trabalhadora, principalmente as pessoas com rendimentos mais baixos, acabam por guardar as suas poupanças em moeda. São duplamente afetados, no salário e na poupança.</p>
<p>Agora fica a pergunta, que é impossível responder: Se nos últimos 50 anos, não houvesse sistemas FIAT e se a produtividade tivesse sido repercutida nos salários dos trabalhadores, como estaríamos hoje em dia? Com melhor ou pior qualidade de dia?</p>
<p>A minha convicção é que em qualidade de vida estaríamos um pouco melhor, os governos estariam, sem dúvida nenhuma, muito melhor e as crianças não teriam o seu futuro hipotecado. As crianças de hoje, que serão os Homem de amanhã, ao responder a esta mesma pergunta, vão dizer: A qualidade de vida seria muito melhor.<br>É triste, mas é verdade, a nossa geração e especialmente a geração anterior priorizou o seu bem-estar em detrimento do bem-estar das futuras gerações, hipotecou o futuro dos seus próprios netos, com uma dívida que é impagável. Esses jovens, muitos ainda nem nasceram, terão que pagar os custos de bens ou de obras públicas, que nem existirão no seu “presente”, apenas vão pagar sem usufruir.</p>
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      <itunes:author><![CDATA[reiartur]]></itunes:author>
      <itunes:summary><![CDATA[<p>Sim, é verdade, permitiu aumentar a qualidade de vida das pessoas, mas as consequências são tremendas. É verdade que nós temos uma qualidade de vida melhor que a dos nossos avós, mas este aumento da qualidade de vida é insustentável. Se nada for feito, os nossos netos terão a mesma qualidade de vida dos nossos avós, vão retroceder.</p>
<p>Na minha opinião existem duas causas que explicam esse crescimento nos últimos 50 anos, o crédito e a produtividade.</p>
<h1>Crédito</h1>
<p>O principal factor é o endividamento, o sistema FIAT transformou a sociedade e os governos dependentes de dívida, altamente endividados, o viver muito acima das suas possibilidades, com uma alta preferência temporal.</p>
<p>No momento em que fazemos um crédito é bom, as nossas contas bancárias ficam com mais dinheiro, podemos comprar muitos bens, a curto prazo ficamos com mais liquidez, mais “ricos” mas é uma ilusão.</p>
<p>A longo prazo temos um problema, a dívida tem que ser paga e não existe dinheiro para pagar, a única maneira é a austeridade, será necessário baixar o custo de vida para pagar a dívida do passado.</p>
<p>Na prática, o crédito é a antecipação das receitas, é o gastar hoje as receitas do futuro. Só que as pessoas do futuro não terão receitas, serão gastas para pagar as dívidas do passado, vão viver do quê?</p>
<p>Este é o problema, os políticos responsáveis pelo crescimento, hipotecaram o futuro dos seus netos, o viver acima das possibilidades é insustentável.</p>
<p>Se nós olharmos para a qualidade de vida, no período entre os 20 e 30 anos, o período da emancipação, nas diversas gerações: Quem tinha essa idade na década de 1970/1980 foi o principal beneficiado; Os jovens adultos da década de 2000 começaram a notar os primeiros problemas. Hoje em dia, os jovens entre 20 e os 30 anos já estão com muitas dificuldades económicas, em construir uma família, adquirir uma casa, o custo de vida está insuportável. O problema é que ainda vai agravar-se, as próximas gerações, ainda será pior que as atuais.</p>
<p>As dívidas dos países não diminui, só aumenta, os governos só rolam a dívida, apenas estão a adiar o problema, um dia vai rebentar.</p>
<h1>Produtividade</h1>
<p>O desenvolvimento tecnológico foi tremendo nos últimos 50 anos, ajudou para o aumento da produtividade e consequentemente, a melhoria salarial, melhoria na qualidade de vida das pessoas. Só que as pessoas apenas “receberam” uma pequena parte desse melhoramento, porque uma parte significativa desse aumento de produtividade foi absorvida pelos governos através da inflação da moeda.</p>
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<p>Até 1971 (criação do sistema FIAT), o salário do trabalho acompanhou, o aumento da produtividade. Após 1971, acontece uma divergência entre a compensação e a produtividade.</p>
<p>Os governos ao desvalorizar a moeda afetam sobretudo os salários dos trabalhadores. Como as empresas têm uma maior “elasticidade”, permite-lhes mais rapidamente atualizar os preços dos produtos, corrigindo parcialmente a perda de valor da moeda. Enquanto a actualização do salário é muito mais lenta, prejudicando os trabalhadores.</p>
<p>O desenvolvimento tecnológico, que permitiu que o trabalhador produzisse mais, no mesmo espaço de tempo, essa mais valia, em vez de criar valor nas empresas e nos funcionários, foi essencialmente para os governos.</p>
<p>Neste momento estamos perante outro enorme salto tecnológico, que vai permitir um enorme aumento da produtividade, a AI. Se nada for feito, os governos vão absorver esses ganhos, possibilitando adiar o problema da dívida por mais uma década.</p>
<p>O sistema FIAT cria a iluminação que dá com uma mão, mas depois tira com a outra.</p>
<p>Quem tem poupanças mais elevadas consegue adquirir bens mais escassos, com uma melhor protecção contra a inflação, como o imobiliário, algumas ações e ouro.</p>
<p>Mas a classe trabalhadora, principalmente as pessoas com rendimentos mais baixos, acabam por guardar as suas poupanças em moeda. São duplamente afetados, no salário e na poupança.</p>
<p>Agora fica a pergunta, que é impossível responder: Se nos últimos 50 anos, não houvesse sistemas FIAT e se a produtividade tivesse sido repercutida nos salários dos trabalhadores, como estaríamos hoje em dia? Com melhor ou pior qualidade de dia?</p>
<p>A minha convicção é que em qualidade de vida estaríamos um pouco melhor, os governos estariam, sem dúvida nenhuma, muito melhor e as crianças não teriam o seu futuro hipotecado. As crianças de hoje, que serão os Homem de amanhã, ao responder a esta mesma pergunta, vão dizer: A qualidade de vida seria muito melhor.<br>É triste, mas é verdade, a nossa geração e especialmente a geração anterior priorizou o seu bem-estar em detrimento do bem-estar das futuras gerações, hipotecou o futuro dos seus próprios netos, com uma dívida que é impagável. Esses jovens, muitos ainda nem nasceram, terão que pagar os custos de bens ou de obras públicas, que nem existirão no seu “presente”, apenas vão pagar sem usufruir.</p>
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      </item>
      
      <item>
      <title><![CDATA[Excesso de Impostos]]></title>
      <description><![CDATA[Uma reflexão sobre os impostos em Portugal.]]></description>
             <itunes:subtitle><![CDATA[Uma reflexão sobre os impostos em Portugal.]]></itunes:subtitle>
      <pubDate>Thu, 05 Sep 2024 13:01:59 GMT</pubDate>
      <link>https://idsera.npub.pro/post/skazpzqphbvvdtjsvgo2m/</link>
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      <category>Estado</category>
      
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      <dc:creator><![CDATA[reiartur]]></dc:creator>
      <content:encoded><![CDATA[<blockquote>
<p>«Only 10 of the 190 taxes collect 90% of the total revenue. The other 180 taxes don’t cause direct economic damage but they generate obstacles, delays and an endless number of procedures that hinder economic activity in a country where making money is already an impossible task» </p>
</blockquote>
<p>Eu concordo plenamente com este pensamento do Javier Milei e tinha a convicção que a situação de Portugal é muito similar, por isso fiz o meu “Don’t Trust, verify”.</p>
<h1>Receita tributária</h1>
<p>Foi analisar o caso de Portugal, as receitas tributárias de <a href="https://www.ine.pt/ngt_server/attachfileu.jsp?look_parentBoui=662239632&amp;att_display=n&amp;att_download=y">2023</a>:</p>
<blockquote>
<p>«Carga fiscal subiu para 95 mil milhões de euros. Mas cai para 35,8% do PIB em 2023» – <a href="https://eco.sapo.pt/2024/04/16/carga-fiscal-subiu-para-95-mil-milhoes-de-euros-atingiu-358-do-pib-em-2023/">ECO</a></p>
</blockquote>
<p><a href="https://www.rei-artur.com/wp-content/uploads/image-201.png"><img src="https://www.rei-artur.com/wp-content/uploads/image-201.png" alt=""></a></p>
<p>Se o objetivo final da estatística é para efetuar uma comparação entre países, é necessário efetuar a divisão pelo PIB. Mas se a análise é apenas para comparações internas ou homólogas, não faz qualquer sentido efetuar a divisão.<br>Com a divisão dos valores pelo PIB, mascaramos a realidade, sobretudo em períodos inflacionários, porque o crescimento do PIB não é real, é uma consequência da inflação.<br>A melhor maneira para analisar as estatísticas internamente é utilizar o valor nominal.</p>
<p>No <a href="https://www.ine.pt/ngt_server/attachfileu.jsp?look_parentBoui=662239632&amp;att_display=n&amp;att_download=y">relatório do INE</a>, os impostos são divididos em 3 grupos:</p>
<ul>
<li>Impostos Diretos</li>
<li>Impostos Indiretos</li>
<li>Contribuições Sociais</li>
</ul>
<p><img src="https://image.nostr.build/ecb7d7a798e52f2b72d11a3cd8afab151891f7a52646379c1c12701a295c0354.jpg" alt="image"></p>
<p>Segundo esses dados, nos últimos anos, tem acontecido um enorme crescimento da arrecadação fiscal por parte do estado, a única exceção foi 2020, devido ao covid. De 2019 a 2023, o aumento foi de quase 30%. Ou seja, totalmente oposto à ideia (divisão pelo PIB) que os governos gostam de propagandear.</p>
<p>Para termos uma comparação, no mesmo período, o salário mínimo nacional(Portugal) subiu 27%, mas o salário médio apenas subiu 17%. As pessoas estão a perder poder de compra.</p>
<p>A tabela seguinte é a compilação dos dados:<br><img src="https://image.nostr.build/033823165dcef6179de7236f362df35af978c180e12e78c1e5d3d92bd16da4d1.jpg" alt="image"></p>
<p>O IVA é o imposto com maior arrecadação, corresponde a aproximadamente a 25% do total da arrecadação fiscal, seguido pelo IRS, com 19.5%. É curioso que a constituição portuguesa, defende que os impostos devem ser progressivos, ou seja, quem ganha mais, deve pagar mais. </p>
<blockquote>
<p>Artigo 104.º<br>(Impostos)</p>
<ol>
<li>O imposto sobre o rendimento pessoal visa a diminuição das desigualdades e será único e progressivo, tendo em conta as necessidades e os rendimentos do agregado familiar.</li>
<li>A tributação das empresas incide fundamentalmente sobre o seu rendimento real.</li>
<li>A tributação do património deve contribuir para a igualdade entre os cidadãos.</li>
<li>A tributação do consumo visa adaptar a estrutura do consumo à evolução das necessidades do desenvolvimento económico e da justiça social, devendo onerar os consumos de luxo.</li>
</ol>
</blockquote>
<p>Mas o IVA é um imposto cego, onde os principais afetados são os mais pobres, totalmente oposto ao que a constituição diz, sem justiça social.</p>
<p>Somando os 10 maiores impostos, resulta em 93.6% da receita fiscal, é similar à situação da Argentina:</p>
<p><img src="https://image.nostr.build/9cb127606d5e0c3d682e2cae99c073e22a2f89c19dcad14e66bb8c39d7380f18.jpg" alt="image"></p>
<p>A quantidade de impostos em Portugal é tal, que a maioria deles nem aparece nos relatórios, apenas ficam nas secções “outros”. Curiosamente, perguntei a uma AI, quantos impostos existem em Portugal, mas a AI, esquivou-se à resposta.</p>
<blockquote>
<p>Em Portugal, existem cerca de 20 impostos principais, incluindo os mais conhecidos como o IRS, IRC, IVA, IMI, e IMT. Além desses, há vários outros impostos e taxas específicas que podem ser aplicáveis em diferentes situações.</p>
</blockquote>
<p>Eu insisti mais que uma vez, mas ele nunca deu um número concreto. Possivelmente, nem o governo sabe quantos impostos existem…</p>
<h1>Conclusão</h1>
<p>Em Portugal e na Argentina, a esmagadora receita fiscal acontece, sobretudo em apenas 10 impostos, os restantes são residuais na receita do governo mas gera uma enorme burocracia nas empresas e nas pessoas. </p>
<p>Se muitos desses "mini" impostos fossem eliminados, permitia uma maior dinamização do mercado, gerando crescimento económico e mais empregos. Nos fins das contas, o estado acabaria por arrecadar mais receitas através dos outros impostos, sobretudo no IVA. Em certos casos, é provável que custos operacionais para o estado são superior à propria arrecadação fiscal desse respectivo imposto. Sem esquecer os casos de impostos sobre impostos, da dupla tributação, como acontece na compra de um automóvel. A curva de Laffer, há muito que foi ultrapassada em Portugal.</p>
<p>Além de prejudicar a economia diretamente, esta enorme quantidade de taxas, taxinhas e burocracias, tem um efeito perverso no “estado”. Os estados necessitam de muitos meios físicos e humanos para efetuar a gestão, fiscalização e a recolha desses impostos, além disso, a burocracia leva ao surgimento da corrupção.<br>A burocracia é criada propositadamente pelos políticos para atrapalhar a vida dos cidadãos, com o objectivo final de beneficiar terceiros, como advogados ou lobis ou os próprios políticos. A receita fiscal é mínima, mas é um incentivo à corrupção, isto é especialmente visível a nível mais local, nas autarquias. Qualquer coisa que se faça, sobretudo a nível de obras, é necessário uma infindável quantidade de autorizações, papeladas e claro, muitas taxinhas. Devido a essa burocracia, qualquer licenciamento demoram meses a anos, no meio disto tudo, existem empresários/pessoas impacientes, que desesperam com a tremenda demora e acabam por colocar uma notinha no bolso de alguém importante, para que este acelere o processo. Coisas que normalmente demorariam meses, são aprovadas em semanas, a burocracia incentiva a corrupção.</p>
<p>Portugal necessita urgentemente de uma simplificação fiscal, se houvesse vontade política para mudar, o governo poderia diminuir drasticamente o número de impostos sem diminuir a arrecadação fiscal. Se esta mudança, eles não são capazes de a fazer, muito menos vão fazer uma mudança que provoque uma redução da arrecadação fiscal.<br>Eu acho que Portugal vai seguir o caminho oposto, em vez de simplificar, vai é criar ainda mais novos impostos, porque como os atuais impostos já estão demasiado elevados, é extremamente impopular aumentá-los ainda mais, a maneira mais simples para o governo é criar novos impostos para aumentar a arrecadação fiscal.</p>
<p>Os governos modernos só olham para o aumento da arrecadação/impostos, "esquecem” por completo a redução de gastos, a eficiência.<br>Resumindo, isto é o mundo FIAT.</p>
]]></content:encoded>
      <itunes:author><![CDATA[reiartur]]></itunes:author>
      <itunes:summary><![CDATA[<blockquote>
<p>«Only 10 of the 190 taxes collect 90% of the total revenue. The other 180 taxes don’t cause direct economic damage but they generate obstacles, delays and an endless number of procedures that hinder economic activity in a country where making money is already an impossible task» </p>
</blockquote>
<p>Eu concordo plenamente com este pensamento do Javier Milei e tinha a convicção que a situação de Portugal é muito similar, por isso fiz o meu “Don’t Trust, verify”.</p>
<h1>Receita tributária</h1>
<p>Foi analisar o caso de Portugal, as receitas tributárias de <a href="https://www.ine.pt/ngt_server/attachfileu.jsp?look_parentBoui=662239632&amp;att_display=n&amp;att_download=y">2023</a>:</p>
<blockquote>
<p>«Carga fiscal subiu para 95 mil milhões de euros. Mas cai para 35,8% do PIB em 2023» – <a href="https://eco.sapo.pt/2024/04/16/carga-fiscal-subiu-para-95-mil-milhoes-de-euros-atingiu-358-do-pib-em-2023/">ECO</a></p>
</blockquote>
<p><a href="https://www.rei-artur.com/wp-content/uploads/image-201.png"><img src="https://www.rei-artur.com/wp-content/uploads/image-201.png" alt=""></a></p>
<p>Se o objetivo final da estatística é para efetuar uma comparação entre países, é necessário efetuar a divisão pelo PIB. Mas se a análise é apenas para comparações internas ou homólogas, não faz qualquer sentido efetuar a divisão.<br>Com a divisão dos valores pelo PIB, mascaramos a realidade, sobretudo em períodos inflacionários, porque o crescimento do PIB não é real, é uma consequência da inflação.<br>A melhor maneira para analisar as estatísticas internamente é utilizar o valor nominal.</p>
<p>No <a href="https://www.ine.pt/ngt_server/attachfileu.jsp?look_parentBoui=662239632&amp;att_display=n&amp;att_download=y">relatório do INE</a>, os impostos são divididos em 3 grupos:</p>
<ul>
<li>Impostos Diretos</li>
<li>Impostos Indiretos</li>
<li>Contribuições Sociais</li>
</ul>
<p><img src="https://image.nostr.build/ecb7d7a798e52f2b72d11a3cd8afab151891f7a52646379c1c12701a295c0354.jpg" alt="image"></p>
<p>Segundo esses dados, nos últimos anos, tem acontecido um enorme crescimento da arrecadação fiscal por parte do estado, a única exceção foi 2020, devido ao covid. De 2019 a 2023, o aumento foi de quase 30%. Ou seja, totalmente oposto à ideia (divisão pelo PIB) que os governos gostam de propagandear.</p>
<p>Para termos uma comparação, no mesmo período, o salário mínimo nacional(Portugal) subiu 27%, mas o salário médio apenas subiu 17%. As pessoas estão a perder poder de compra.</p>
<p>A tabela seguinte é a compilação dos dados:<br><img src="https://image.nostr.build/033823165dcef6179de7236f362df35af978c180e12e78c1e5d3d92bd16da4d1.jpg" alt="image"></p>
<p>O IVA é o imposto com maior arrecadação, corresponde a aproximadamente a 25% do total da arrecadação fiscal, seguido pelo IRS, com 19.5%. É curioso que a constituição portuguesa, defende que os impostos devem ser progressivos, ou seja, quem ganha mais, deve pagar mais. </p>
<blockquote>
<p>Artigo 104.º<br>(Impostos)</p>
<ol>
<li>O imposto sobre o rendimento pessoal visa a diminuição das desigualdades e será único e progressivo, tendo em conta as necessidades e os rendimentos do agregado familiar.</li>
<li>A tributação das empresas incide fundamentalmente sobre o seu rendimento real.</li>
<li>A tributação do património deve contribuir para a igualdade entre os cidadãos.</li>
<li>A tributação do consumo visa adaptar a estrutura do consumo à evolução das necessidades do desenvolvimento económico e da justiça social, devendo onerar os consumos de luxo.</li>
</ol>
</blockquote>
<p>Mas o IVA é um imposto cego, onde os principais afetados são os mais pobres, totalmente oposto ao que a constituição diz, sem justiça social.</p>
<p>Somando os 10 maiores impostos, resulta em 93.6% da receita fiscal, é similar à situação da Argentina:</p>
<p><img src="https://image.nostr.build/9cb127606d5e0c3d682e2cae99c073e22a2f89c19dcad14e66bb8c39d7380f18.jpg" alt="image"></p>
<p>A quantidade de impostos em Portugal é tal, que a maioria deles nem aparece nos relatórios, apenas ficam nas secções “outros”. Curiosamente, perguntei a uma AI, quantos impostos existem em Portugal, mas a AI, esquivou-se à resposta.</p>
<blockquote>
<p>Em Portugal, existem cerca de 20 impostos principais, incluindo os mais conhecidos como o IRS, IRC, IVA, IMI, e IMT. Além desses, há vários outros impostos e taxas específicas que podem ser aplicáveis em diferentes situações.</p>
</blockquote>
<p>Eu insisti mais que uma vez, mas ele nunca deu um número concreto. Possivelmente, nem o governo sabe quantos impostos existem…</p>
<h1>Conclusão</h1>
<p>Em Portugal e na Argentina, a esmagadora receita fiscal acontece, sobretudo em apenas 10 impostos, os restantes são residuais na receita do governo mas gera uma enorme burocracia nas empresas e nas pessoas. </p>
<p>Se muitos desses "mini" impostos fossem eliminados, permitia uma maior dinamização do mercado, gerando crescimento económico e mais empregos. Nos fins das contas, o estado acabaria por arrecadar mais receitas através dos outros impostos, sobretudo no IVA. Em certos casos, é provável que custos operacionais para o estado são superior à propria arrecadação fiscal desse respectivo imposto. Sem esquecer os casos de impostos sobre impostos, da dupla tributação, como acontece na compra de um automóvel. A curva de Laffer, há muito que foi ultrapassada em Portugal.</p>
<p>Além de prejudicar a economia diretamente, esta enorme quantidade de taxas, taxinhas e burocracias, tem um efeito perverso no “estado”. Os estados necessitam de muitos meios físicos e humanos para efetuar a gestão, fiscalização e a recolha desses impostos, além disso, a burocracia leva ao surgimento da corrupção.<br>A burocracia é criada propositadamente pelos políticos para atrapalhar a vida dos cidadãos, com o objectivo final de beneficiar terceiros, como advogados ou lobis ou os próprios políticos. A receita fiscal é mínima, mas é um incentivo à corrupção, isto é especialmente visível a nível mais local, nas autarquias. Qualquer coisa que se faça, sobretudo a nível de obras, é necessário uma infindável quantidade de autorizações, papeladas e claro, muitas taxinhas. Devido a essa burocracia, qualquer licenciamento demoram meses a anos, no meio disto tudo, existem empresários/pessoas impacientes, que desesperam com a tremenda demora e acabam por colocar uma notinha no bolso de alguém importante, para que este acelere o processo. Coisas que normalmente demorariam meses, são aprovadas em semanas, a burocracia incentiva a corrupção.</p>
<p>Portugal necessita urgentemente de uma simplificação fiscal, se houvesse vontade política para mudar, o governo poderia diminuir drasticamente o número de impostos sem diminuir a arrecadação fiscal. Se esta mudança, eles não são capazes de a fazer, muito menos vão fazer uma mudança que provoque uma redução da arrecadação fiscal.<br>Eu acho que Portugal vai seguir o caminho oposto, em vez de simplificar, vai é criar ainda mais novos impostos, porque como os atuais impostos já estão demasiado elevados, é extremamente impopular aumentá-los ainda mais, a maneira mais simples para o governo é criar novos impostos para aumentar a arrecadação fiscal.</p>
<p>Os governos modernos só olham para o aumento da arrecadação/impostos, "esquecem” por completo a redução de gastos, a eficiência.<br>Resumindo, isto é o mundo FIAT.</p>
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      </item>
      
      <item>
      <title><![CDATA[Previsão a longo prazo]]></title>
      <description><![CDATA[Analise à previsão do Michael Saylor.]]></description>
             <itunes:subtitle><![CDATA[Analise à previsão do Michael Saylor.]]></itunes:subtitle>
      <pubDate>Sun, 28 Jul 2024 11:44:00 GMT</pubDate>
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      <category>bitcoin</category>
      
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      <dc:creator><![CDATA[reiartur]]></dc:creator>
      <content:encoded><![CDATA[<p>Eu regularmente, sou questionado ou pedem para eu fazer uma previsão de preço para o Bitcoin a longo prazo. Eu sempre evito responder, não quero criar falsas expectativas.</p>
<p>Em primeiro lugar, quem quer entrar no Bitcoin não deve entrar na expectativa que vai enriquecer rapidamente. Quem entra com este pensamento vai perder muito dinheiro, não vai resistir à pressão e vai vender tudo na primeira queda de 20%. Bitcoin é uma moeda ética, uma filosofia, muito estudo e por fim, é uma poupança a longo prazo. Para tirar frutos a longo prazo, tem que estar mentalmente preparado para suportar e ultrapassar, centenas de quedas de 20% e algumas dezenas de quedas superiores a 50%.</p>
<p>As previsões que são dadas, normalmente de valores muito elevados, dão uma falsa expectativa, levando as pessoas a entrar no Bitcoin com o único objectivo de enriquecer, sem estudá-lo minimamente. Geralmente as previsões de altos valores, implicam um enorme aumento da base monetária, só que as pessoas têm uma enorme dificuldade em compreender a inflação. Por esse motivo eu evito dar previsão e quando tento explicar, gosto de dar exemplos de inflação.&nbsp;</p>
<p>Eu acredito que o bitcoin vai ultrapassar 1 milhões de dólares, mas isto é sinónimo de ficar rico, porque 1 milhão é muito dinheiro hoje, mas daqui a 10 ou 20 anos, já não é assim tanto. A moeda perde muito poder de compra, isto é essencial para compreendermos as previsão de preços. Eu sempre que faço previsões, gosto sempre de dar o exemplo: hoje com 1 milhão compramos 4 casas novas, daqui a 20 anos, apenas compramos 1, com tamanhos e localização semelhante. Assim, aquela previsão de um milhão parece muito dinheiro, mas como são previsão a muito longo prazo, não é assim tanto dinheiro. O factor da inflação é essencial sempre que falamos ou analisamos previsões de preço do Bitcoin.</p>
<p>Não podemos esquecer que o preço do bitcoin é similar ao conceito de física da velocidade relativa.</p>
<blockquote>
<p>Velocidade Relativa:<br>Quando dois objetos se movem em direções opostas, a velocidade relativa entre eles é a soma das suas velocidades individuais.</p>
</blockquote>
<p>Ou seja, o preço do Bitcoin é o resultado da soma da sua adoção, com a perda de poder de compra do dólar. São duas variáveis em sentido opostos, por isso o bitcoin está a ganhar bastante poder de compra.</p>
<h1>Distribuição da riqueza Global</h1>
<p><img src="https://image.nostr.build/786e7758adf471c1f058b1bb85747436dfb7db4ac832e925dbca3f93419503bd.jpg" alt="image"></p>
<p>Hoje em dia a riqueza global (valor global dos ativos) é estimada em 900 Triliões, dividida pelas seguintes classes:</p>
<ul>
<li>Imobiliário: 330 Triliões</li>
<li>Obrigações: 300 Triliões</li>
<li>Dinheiro: 120 Triliões</li>
<li>Ações:&nbsp; 115 Triliões</li>
<li>Arte: 18 Triliões</li>
<li>Ouro: 16 Triliões</li>
<li>Car e colecionáveis: 6 Triliões</li>
<li>Bitcoin: 1 Triliões</li>
</ul>
<h1>Previsão do Michael Saylor</h1>
<p>Este fim-de-semana, Michael Saylor divulgou uma nova previsão:</p>
<p><img src="https://image.nostr.build/3e2fa3ef77cbf6b1e479ae6c42e92e91b317b208b6d441a84689beac1fe18152.jpg" alt="image"></p>
<p>Eu gosto destes modelos que apresentam 3 cenários possíveis, um conservador(Bear), um base(Base) e um optimista(Bull). Mas faltou incluir o valor global dos ativos, é verdade que é fácil de calcular, através do valor do <em>market cap</em> indicado a dividir pela percentagem do ativo.</p>
<p>Assim o valor global total dos ativos em 2045, segundo a precisão são:&nbsp;</p>
<ul>
<li>2024: 900 Triliões</li>
<li>Bear: 3400 Triliões</li>
<li>Base: 4000 Triliões</li>
<li>Bull: 4600 Triliões</li>
</ul>
<p>Isto significa um aumento aproximado 270% (bear), 340% (base) e 410% (bull). É verdade que nestes 21 anos a riqueza real de todos ativos vão aumentar, mas essa valorização será sobretudo devido à expansão da base monetária do dólar.</p>
<h2>Desvalorização</h2>
<p>Saylor está a apostar que vai existir uma forte desvalorização do dólar. Será plausível essa desvalorização da moeda?</p>
<p><img src="https://image.nostr.build/a7f2b3ec53634f155026aa1cabacc7a51a5dd35328b67be888abbd54f22135df.jpg" alt="image"></p>
<p>Nos últimos 15 anos o Balance Sheet da Reserva Federal (EUA), 3 grandes expansão monetária, próximo dos 100%, algo similar também aconteceu na Europa.</p>
<ul>
<li>2008/01 a 2008/12:<ul>
<li>0.9 Triliões -&gt; 2.2Triliões</li>
<li>aumento de 144%</li>
</ul>
</li>
<li>2010/09 a 2014/11:<ul>
<li>2.3 Triliões -&gt; 4.5 Triliões</li>
<li>aumento de 95%</li>
</ul>
</li>
<li>2019/08 a 2022/03:<ul>
<li>3.7 Triliões -&gt; 8.9 Triliões</li>
<li>aumento de 140%</li>
</ul>
</li>
</ul>
<p>Nos últimos 16 anos (2008-2024) a Balance Sheet aumentou 7 vezes.</p>
<p>O M2 global (EU + EUA + Japão + China + Reino Unido), no mesmo período, quase triplicou, de 34.4 para 91.7 Triliões.</p>
<p><img src="https://image.nostr.build/7f4aa5f1a61cbf2eb845b75d3723e7ceebea8e154f43e54f2e5137feadb09b44.jpg" alt="image"></p>
<p>Se nos últimos 16 anos houve várias desvalorização da moeda, é provável que volte a repetir-se, no próximo 21 anos e talvez seja ainda mais severa.</p>
<h2>Conclusão</h2>
<p>Voltando à previsão do Saylor.</p>
<p>Assim, os 3 milhões de dólares por Bitcoin para 2045, da precisão no cenário Bear, correspondem a 860 mil dólares com o poder de compra de hoje. E 3 milhões dólares (Base) e 9.4 milhões dólares (Bear).</p>
<p>860 mil dólares é um valor muito interesante para o custo de vida da Europa ou EUA, mas está muito longe de ser rico. Quem não tem a noção da inflação, ao ler esta previsão fica com uma falsa expectativa que com 1 bitcoin será milionário (3 dólares de dólares) em 2045, mas não é verdade.</p>
<p>Eu acredito que pode alcançar o cenário Bear, mas o Bull é demasiado, para atingir os 49 milhões, a desvalorização teria que ser muito superior, é um cenário pouco provável, neste espaço de tempo.</p>
]]></content:encoded>
      <itunes:author><![CDATA[reiartur]]></itunes:author>
      <itunes:summary><![CDATA[<p>Eu regularmente, sou questionado ou pedem para eu fazer uma previsão de preço para o Bitcoin a longo prazo. Eu sempre evito responder, não quero criar falsas expectativas.</p>
<p>Em primeiro lugar, quem quer entrar no Bitcoin não deve entrar na expectativa que vai enriquecer rapidamente. Quem entra com este pensamento vai perder muito dinheiro, não vai resistir à pressão e vai vender tudo na primeira queda de 20%. Bitcoin é uma moeda ética, uma filosofia, muito estudo e por fim, é uma poupança a longo prazo. Para tirar frutos a longo prazo, tem que estar mentalmente preparado para suportar e ultrapassar, centenas de quedas de 20% e algumas dezenas de quedas superiores a 50%.</p>
<p>As previsões que são dadas, normalmente de valores muito elevados, dão uma falsa expectativa, levando as pessoas a entrar no Bitcoin com o único objectivo de enriquecer, sem estudá-lo minimamente. Geralmente as previsões de altos valores, implicam um enorme aumento da base monetária, só que as pessoas têm uma enorme dificuldade em compreender a inflação. Por esse motivo eu evito dar previsão e quando tento explicar, gosto de dar exemplos de inflação.&nbsp;</p>
<p>Eu acredito que o bitcoin vai ultrapassar 1 milhões de dólares, mas isto é sinónimo de ficar rico, porque 1 milhão é muito dinheiro hoje, mas daqui a 10 ou 20 anos, já não é assim tanto. A moeda perde muito poder de compra, isto é essencial para compreendermos as previsão de preços. Eu sempre que faço previsões, gosto sempre de dar o exemplo: hoje com 1 milhão compramos 4 casas novas, daqui a 20 anos, apenas compramos 1, com tamanhos e localização semelhante. Assim, aquela previsão de um milhão parece muito dinheiro, mas como são previsão a muito longo prazo, não é assim tanto dinheiro. O factor da inflação é essencial sempre que falamos ou analisamos previsões de preço do Bitcoin.</p>
<p>Não podemos esquecer que o preço do bitcoin é similar ao conceito de física da velocidade relativa.</p>
<blockquote>
<p>Velocidade Relativa:<br>Quando dois objetos se movem em direções opostas, a velocidade relativa entre eles é a soma das suas velocidades individuais.</p>
</blockquote>
<p>Ou seja, o preço do Bitcoin é o resultado da soma da sua adoção, com a perda de poder de compra do dólar. São duas variáveis em sentido opostos, por isso o bitcoin está a ganhar bastante poder de compra.</p>
<h1>Distribuição da riqueza Global</h1>
<p><img src="https://image.nostr.build/786e7758adf471c1f058b1bb85747436dfb7db4ac832e925dbca3f93419503bd.jpg" alt="image"></p>
<p>Hoje em dia a riqueza global (valor global dos ativos) é estimada em 900 Triliões, dividida pelas seguintes classes:</p>
<ul>
<li>Imobiliário: 330 Triliões</li>
<li>Obrigações: 300 Triliões</li>
<li>Dinheiro: 120 Triliões</li>
<li>Ações:&nbsp; 115 Triliões</li>
<li>Arte: 18 Triliões</li>
<li>Ouro: 16 Triliões</li>
<li>Car e colecionáveis: 6 Triliões</li>
<li>Bitcoin: 1 Triliões</li>
</ul>
<h1>Previsão do Michael Saylor</h1>
<p>Este fim-de-semana, Michael Saylor divulgou uma nova previsão:</p>
<p><img src="https://image.nostr.build/3e2fa3ef77cbf6b1e479ae6c42e92e91b317b208b6d441a84689beac1fe18152.jpg" alt="image"></p>
<p>Eu gosto destes modelos que apresentam 3 cenários possíveis, um conservador(Bear), um base(Base) e um optimista(Bull). Mas faltou incluir o valor global dos ativos, é verdade que é fácil de calcular, através do valor do <em>market cap</em> indicado a dividir pela percentagem do ativo.</p>
<p>Assim o valor global total dos ativos em 2045, segundo a precisão são:&nbsp;</p>
<ul>
<li>2024: 900 Triliões</li>
<li>Bear: 3400 Triliões</li>
<li>Base: 4000 Triliões</li>
<li>Bull: 4600 Triliões</li>
</ul>
<p>Isto significa um aumento aproximado 270% (bear), 340% (base) e 410% (bull). É verdade que nestes 21 anos a riqueza real de todos ativos vão aumentar, mas essa valorização será sobretudo devido à expansão da base monetária do dólar.</p>
<h2>Desvalorização</h2>
<p>Saylor está a apostar que vai existir uma forte desvalorização do dólar. Será plausível essa desvalorização da moeda?</p>
<p><img src="https://image.nostr.build/a7f2b3ec53634f155026aa1cabacc7a51a5dd35328b67be888abbd54f22135df.jpg" alt="image"></p>
<p>Nos últimos 15 anos o Balance Sheet da Reserva Federal (EUA), 3 grandes expansão monetária, próximo dos 100%, algo similar também aconteceu na Europa.</p>
<ul>
<li>2008/01 a 2008/12:<ul>
<li>0.9 Triliões -&gt; 2.2Triliões</li>
<li>aumento de 144%</li>
</ul>
</li>
<li>2010/09 a 2014/11:<ul>
<li>2.3 Triliões -&gt; 4.5 Triliões</li>
<li>aumento de 95%</li>
</ul>
</li>
<li>2019/08 a 2022/03:<ul>
<li>3.7 Triliões -&gt; 8.9 Triliões</li>
<li>aumento de 140%</li>
</ul>
</li>
</ul>
<p>Nos últimos 16 anos (2008-2024) a Balance Sheet aumentou 7 vezes.</p>
<p>O M2 global (EU + EUA + Japão + China + Reino Unido), no mesmo período, quase triplicou, de 34.4 para 91.7 Triliões.</p>
<p><img src="https://image.nostr.build/7f4aa5f1a61cbf2eb845b75d3723e7ceebea8e154f43e54f2e5137feadb09b44.jpg" alt="image"></p>
<p>Se nos últimos 16 anos houve várias desvalorização da moeda, é provável que volte a repetir-se, no próximo 21 anos e talvez seja ainda mais severa.</p>
<h2>Conclusão</h2>
<p>Voltando à previsão do Saylor.</p>
<p>Assim, os 3 milhões de dólares por Bitcoin para 2045, da precisão no cenário Bear, correspondem a 860 mil dólares com o poder de compra de hoje. E 3 milhões dólares (Base) e 9.4 milhões dólares (Bear).</p>
<p>860 mil dólares é um valor muito interesante para o custo de vida da Europa ou EUA, mas está muito longe de ser rico. Quem não tem a noção da inflação, ao ler esta previsão fica com uma falsa expectativa que com 1 bitcoin será milionário (3 dólares de dólares) em 2045, mas não é verdade.</p>
<p>Eu acredito que pode alcançar o cenário Bear, mas o Bull é demasiado, para atingir os 49 milhões, a desvalorização teria que ser muito superior, é um cenário pouco provável, neste espaço de tempo.</p>
]]></itunes:summary>
      <itunes:image href="https://image.nostr.build/19180694e92831debcf55c13f683e9342657a1983d94304aa21ddefc4228070d.jpg"/>
      </item>
      
      <item>
      <title><![CDATA[Turismo: de solução a problema]]></title>
      <description><![CDATA[Uma reflexão sobre o turismo e a forte dependência da economia portuguesa.]]></description>
             <itunes:subtitle><![CDATA[Uma reflexão sobre o turismo e a forte dependência da economia portuguesa.]]></itunes:subtitle>
      <pubDate>Sat, 27 Jul 2024 10:34:24 GMT</pubDate>
      <link>https://idsera.npub.pro/post/tygerq_okanfliiem0vyc/</link>
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      <category>Portugal</category>
      
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      <dc:creator><![CDATA[reiartur]]></dc:creator>
      <content:encoded><![CDATA[<p>Portugal na última década, tem sido um dos principais destinos de férias a nível mundial, está na moda. Foi o turismo que permitiu sair da crise da dívida soberana de 2012, a partir daí tem sido o principal motor da economia.</p>
<p>O forte crescimento do turismo não é exclusivo de Portugal, é global. As sociedades estão cada vez mais consumistas, sedentas por experiências e a isto somarmos que o viajar deixou de ser um bem de luxo. Companhias aéreas lowcost como a Ryanair e a EasyJet contribuíram para uma forma de turismo de massa.</p>
<p>Este crescimento do turismo foi o eixo central para a reabilitação dos centros históricos das grandes cidades, que estavam envelhecidos e degradados. Permitiu criar dezenas de milhares de empregos, é atualmente um dos sectores onde existe mais falta de mão-de-obra.</p>
<blockquote>
<p>«O turismo foi a origem em Portugal de 19,1% da riqueza produzida no ano passado, de acordo com o relatório do World Travel &amp; Tourism Council (WTTC), que aponta Portugal como o 5º país onde é mais forte a contribuição do turismo para o PIB.<br>Em valor absoluto da contribuição do turismo para o PIB, Portugal surge em 29º entre os 40 países especificados na informação do WTTC, com 45 mil milhões de dólares, à frente da Grécia, com 44 mil milhões.» – <a href="https://www.sgeconomia.gov.pt/noticias/portugal-e-o-5-pais-com-mais-forte-contributo-do-turismo-para-o-pib.aspx">sgeconomia.gov.pt</a></p>
</blockquote>
<p>Mas o peso do turismo na economia começa a ser um problema, o país está demasiado dependente de um único sector económico, é importante uma maior diversificação para uma melhor resiliência a futuras crises.</p>
<p>Este turismo de massas dá um forte contributo nas economias mas possivelmente já passou do ponto de equilíbrio. Permitiu reabilitação dos centros históricos, que estavam muito degradados, mas também houve muitos abusos, muitos casos de moradores locais que foram despejados dos bairros onde sempre viveram. E os moradores locais que restam se começassem a sentir estrangeiros nas suas próprias cidades.</p>
<p>O turismo de massa tornou o custo de vida nas zonas mais turísticas exorbitantes, a subida de preços tornou muito comércios e restaurantes quase “exclusivos” para turistas, onde o comum português não pode consumir e usufruir, devido ao seu baixo poder de compra. No início, o aumento do custo de vida ocorreram mais nos centros históricos, depois alastrou-se para o restante da cidade, agora está pelo país inteiro.</p>
<p>O Airbnb tem contribuído imenso para o crescimento do aumento do turismo, mas também para retirar casas do mercado para os locais, menos oferta logo preços mais elevados. Como gerou muitos empregos e geralmente mal pagos, os países europeus necessitam de mais mão-de-obra estrangeira, mais gente a viver, aumenta mais a pressão na escassez da habitação.</p>
<p>As infraestruturas das cidades estão a ceder sob a pressão, não foram construídas para tantas pessoas. Nas grandes cidades, o trânsito está cada vez mais caótico, a importação de tuk-tuk é uma aberração, as ruas estão muito menos limpas. Os centros históricos estão se transformando num parque de diversão para turistas.</p>
<p>Em 2018, a revista alemã Der Spiegel fez uma reportagem onde alertava o problema, a descaracterização das cidades, mas hoje está bem pior.</p>
<blockquote>
<p>“Em Portugal, já há muito que se fala neste fenómeno. Há vários grupos e cidadãos que alertam para o facto de as zonas históricas estarem em risco de descaracterização, de os espaços de restauração ficarem iguais e de os monumentos ficarem tão lotados que não se conseguem visitar.” – <a href="https://www.nit.pt/fora-de-casa/na-cidade/der-spiegel-diz-que-os-turistas-estao-a-destruir-o-que-amam-no-porto">Der Spiegel</a></p>
</blockquote>
<p>Isto é uma espiral da morte, este excesso de turismo está a destruir aquilo que eles querem experienciar ou ver. A autenticidade, o castiço que existia em Portugal, foi o que trouxe os turistas, está a ser destruído pelo turismo de massas.</p>
<p>Outras das críticas é a poluição, sobretudo pela aviação. Aqui surge outro problema, será que faz sentido o turismo internacional de fim de semana? Faz sentido fazer dois voos de avião, altamente poluidores, só para passar apenas dois ou três numa capital europeia? Na minha opinião, não faz sentido, pelo menos uma semana para ver a cidade. 2 dias não dá para ver nada, é mais tempo em aeroporto que a usufruir da cidade. Possivelmente é essa ideia, mais que usufruir a cidade, é mostrar ao outro que foi à cidade, o alimentar do instagram e gerar inveja, dizer aos amigos e aos colegas de trabalho que já visitou dezenas de cidades europeias. Isto é um sintoma do consumismo excessivo, de alta preferência temporal.</p>
<p>O aeroporto de Lisboa é outra novela, há muito que a sua capacidade está esgotada, é a pura demonstração da incompetência dos políticos portugueses, não conseguem escolher um local para a construção do novo aeroporto, já houve dezenas de localizações diferentes, a cada novo governo, anula tudo o que anterior fez e volta à fase inicial, estamos nisto há 50 anos. Foram gastos milhões em estudos e comissões e nada saiu do papel.</p>
<p>Outro cúmulo da política portuguesa é o aeroporto de Beja, praticamente não é utilizado:</p>
<blockquote>
<p>«O aeroporto de Beja registou, no passado mês de outubro, 1484 passageiros, assinalando, assim, “o melhor mês de 2023”.<br>No total, a infraestrutura recebeu, nos 11 primeiros meses do ano passado, 4907 passageiros, maioritariamente, de jatos privados.» – <a href="https://diariodoalentejo.pt/pt/noticias/17715/aeroporto-de-beja-com-mais-passageiros.aspx">diariodoalentejo.pt</a></p>
</blockquote>
<blockquote>
<p>«O aeroporto de Lisboa movimentou, em 2023, 49,8% do total de passageiros (33,6 milhões), tendo crescido 19,1% comparando com 2022 e 7,9% face a 2019. Já o aeroporto do Porto movimentou 15,2 milhões de passageiros e Faro 9,64 milhões.» – <a href="https://eco.sapo.pt/2024/02/14/passageiros-nos-aeroportos-portugueses-ultrapassam-675-milhoes-em-2023-e-superam-nivel-pre-pandemia/">ECO</a></p>
</blockquote>
<p>De um lado temos um aeroporto lotado que recebe 33 milhões, por outro lado, a apenas 180 km temos um aeroporto internacional praticamente novo, que recebe apenas 5000 passageiros por ano, completamente vazio.</p>
<p>Se cerca de 6% dos turistas têm como destino o Alentejo e a zona centro recebem 12% dos turistas, parte destes turistas deveriam ser canalizados para Beja. Não faz qualquer sentido, com a existência de um aeroporto no Alentejo, os turistas com destino ao Alentejo e zona centro aterrarem todos em Lisboa, quando o de Beja está mais perto.</p>
<p>Com os incentivos certos, 10% poderiam aterrar em Beja, só que o governo não faz nada, é o problema da centralização. Quando não existe vontade política, nada muda.</p>
<p><img src="https://image.nostr.build/035ad6552d417b4b3ea3a9cba36390dd2733930a7437a0ee11ccacbdb1029e9f.png" alt="image"></p>
<p>Mas o ponto de equilíbrio já há muito tempo que foi ultrapassado, no estrangeiro já é comum os protestos dos locais contra o excesso de turismo, em Portugal estão a surgir os primeiros movimentos.</p>
<blockquote>
<p>«A wave of protest against the negative impact of mass tourism is sweeping over Spain’s most popular holiday hotspots.<br>‘Go home!’, cries out a man in swimming togs, frantically waving at a group of bewildered tourists trying to access the Caló des Moro, one of Majorca’s most famous and picturesque beaches. He is one of the dozens of residents who had come early that Sunday to occupy the site, in protest againsst the ‘massification’ of tourism, which they say has “devastating effects” on their island, and their lives.<br>‘We have cruises [cruise ships] every day with thousands of people. We have a flight every minute! It’s cars, it’s pollution. Beaches, restaurants are full of the streets are full of people! We’re fed up!’ exclaims Joana Maria Estrany Vallespir, from “SOS Residents”, a protest collective.<br>‘TOURISM IS KILLING US’» – <a href="https://www.euronews.com/2024/07/12/mass-tourism-in-spain-drowning-the-balearic-islands?twclid=2-1jmc6ug4i7j4va2nrzwzmm186">EuroNews</a></p>
</blockquote>
<p>Os protestos estão a surgir nos principais centros turísticos em todo o mundo, especialmente nas principais capitais europeias.</p>
<h1>Dependência</h1>
<p>Portugal está com um problema melindroso e complexo, é verdade que o excesso de turismo está a criar problemas, mas uma possível redução do turismo vai gerar ainda mais problemas. O país está demasiado dependente do turismo, sem ele, a crise será muito severa, será dramática.&nbsp;</p>
<p>O turismo é uma indústria orgânica, cresce sozinha, é descentralizada, não necessita de grande ajudas do estado, por isso cresce.</p>
<p>Os políticos passam o tempo a elogiar o crescimento económico (medíocre) do país, mas só acontece devido ao turismo. O restante da economia está estagnado, o centralismo político contenta-se com pouco, nada faz para incentivar/ajudar o crescimento de outras áreas. As ajudas não são necessariamente em dinheiro, basta menos burocracia e menos impostos e boas vias de comunicação. Portugal tem urgentemente reduzir a dependência do turismo, senão vai ter graves problemas.</p>
<p>É claro que o turismo é sector importante na economia, mas não pode ser o principal. E algo que temos que questionar, é se queremos o turismo de massas. Na minha opinião seria melhor para o país, em primeiro deslocalização do turismo por todo o país, para não ficar concentrado em poucos pontos. Também necessitamos reformular o turismo, para um turista com um poder de compra mais elevado, deixar de ser uma indústria de turismo <em>low cost</em> e de baixos salários.&nbsp;</p>
<p>Número de trabalhadores e remuneração bruta por trabalhador, 2014-2023:<br><img src="https://image.nostr.build/f37e30b1aa4ec0384164485003f68702abcbd32f382091ca926faec6c52f5b7b.jpg" alt="image"><br>Fonte: <a href="https://www.ine.pt/xportal/xmain?xpid=INE&amp;xpgid=ine_destaques&amp;DESTAQUESdest_boui=646074543&amp;DESTAQUESmodo=2">INE</a></p>
<p>Especificamente nas atividades de Alojamento (CAE 55), a remuneração bruta mensal por trabalhador situou-se em 1 249 euros em 2023. O salário médio de um trabalhador do sector do turismo é sempre menor que o salário médio nacional, ou seja, uma economia baseada em salários baixos.&nbsp;</p>
<p>Faz mais sentido apostar nos turistas com médio/alto poder de compra, alongamentos e serviços de melhor qualidade, funcionários mais qualificados e claro mais bem pagos.</p>
<p>É lógico que existirá menos turistas, mas gastam mais dinheiro, os centros históricos são menos caóticos, gerando uma melhor harmonia entre turistas e locais.</p>
<h1>Habitação</h1>
<p>Como disse em cima, o turismo não é o principal responsável, mas tem certa responsabilidade no problema habitacional na maioria dos países.&nbsp;</p>
<p>O principal problema tem origem na expansão monetária, levando as pessoas a comprar casas como uma reserva de valor, como uma proteção ou investimento. Como a procura aumentou e a oferta não acompanhou esse aumento, nos últimos anos foram construídas habitações suficientes. Essa enorme escassez levou a uma forte valorização das habitações, ficando inacessível aos jovens.</p>
<p>Agora é impossível resolver o problema rapidamente, vai demorar muitos anos, é necessário uma enorme planificação, é necessário construir muito e para complicar não existe mão-de-obra. Aqui está outro problema, os políticos portugueses não sabem planear a longo prazo. Alguns governos já estão a avançar com projectos de construção de habitação, mas só provocará efeitos a médio/longo prazo. Isto não é um problema exclusivo de Portugal, é um problema no mundo ocidental.</p>
<blockquote>
<p>«O aumento constante dos preços e rendas das casas agravaram a crise da habitação na UE na última década ainda que esta atinja de forma distinta os Estados-membros. Apesar de ser competência nacional a dimensão da crise da habitação está a fazer soar alarmes em Bruxelas e a levar o debate para o seio das instituições comunitárias.» – <a href="https://www.sabado.pt/europa-viva/detalhe/crise-da-habitacao-ja-fez-soar-os-alarmes-em-bruxelas">Sábado</a></p>
</blockquote>
<p>Devido à pressão das populações, os governos estão a começar a tomar medidas extremas com o objetivo de ter efeitos a curto prazo, como colocar restrições ao Airbnb.</p>
<blockquote>
<p>«Nova Iorque declara guerra ao Airbnb. Quer proibir os arrendamentos de curta duração._ _Milhares de alojamentos na cidade dos Estados Unidos da América estão prestes a ser eliminados da plataforma.<br>Após um ano de negociações, a Lei Local 18 (Local Law 18) entrou em vigor esta terça-feira, 5 de setembro, e é ainda mais rigorosa do que se previa. Não basta fazer o registo na administração local para poder listar um imóvel na plataforma. A partir de agora, só os anfitriões que moram na cidade é que podem colocar uma casa para arrendar no Airbnb — e têm de estar presentes quando alguém está hospedado. Cada pessoa só poderá ter, no máximo, dois convidados.» – <a href="https://www.nit.pt/fora-de-casa/na-cidade/nova-iorque-declara-guerra-ao-airbnb-quer-proibir-os-arrendamentos-de-curta-duracao">NIT</a></p>
</blockquote>
<blockquote>
<p>«Itália está a considerar novas regras à escala nacional enquanto Penang, na Malásia, introduziu recentemente uma proibição.<br>Da Europa aos EUA, as cidades começaram a impor restrições aos alugueres de curta duração para contrariar a tendência.<br>Na semana passada, Florença, em Itália, anunciou a proibição de novas listagens do Airbnb e de outros alugueres de férias de curta duração no centro histórico da cidade. O país agora está a contemplar o endurecimento das regras à escala nacional.<br>Itália não é o único destino a bater o pé. Esta semana, a popular ilha de Penang, na Malásia, proibiu as acomodações ao estilo Airbnb.» – <a href="https://pt.euronews.com/viagens/2023/06/12/italia-malasia-eua-que-cidades-e-paises-estao-a-apertar-o-cerco-ao-airbnb">EuroNews</a></p>
</blockquote>
<p>A bolha do turismo está a alimentar a bolha no imobiliário, são duas enormes bolhas em simultâneo. Se a bolha do turismo rebentar, muitos negócios vão fechar, libertando imensas habitações. Além disso, vai gerar muito desemprego, muitos emigrantes vão voltar à sua terra natal, libertando ainda mais casas.</p>
<p>Se isto acontecer, vai provocar um excesso de oferta no mercado imobiliário e devido à crise vai gerar uma baixa na procura. Um choque na oferta, vai provocar uma forte queda do preço das casas, podendo provocar o estouro da bolha do imobiliário.</p>
<p>A crise do turismo poderá ser a primeira pedra do dominó a cair.</p>
]]></content:encoded>
      <itunes:author><![CDATA[reiartur]]></itunes:author>
      <itunes:summary><![CDATA[<p>Portugal na última década, tem sido um dos principais destinos de férias a nível mundial, está na moda. Foi o turismo que permitiu sair da crise da dívida soberana de 2012, a partir daí tem sido o principal motor da economia.</p>
<p>O forte crescimento do turismo não é exclusivo de Portugal, é global. As sociedades estão cada vez mais consumistas, sedentas por experiências e a isto somarmos que o viajar deixou de ser um bem de luxo. Companhias aéreas lowcost como a Ryanair e a EasyJet contribuíram para uma forma de turismo de massa.</p>
<p>Este crescimento do turismo foi o eixo central para a reabilitação dos centros históricos das grandes cidades, que estavam envelhecidos e degradados. Permitiu criar dezenas de milhares de empregos, é atualmente um dos sectores onde existe mais falta de mão-de-obra.</p>
<blockquote>
<p>«O turismo foi a origem em Portugal de 19,1% da riqueza produzida no ano passado, de acordo com o relatório do World Travel &amp; Tourism Council (WTTC), que aponta Portugal como o 5º país onde é mais forte a contribuição do turismo para o PIB.<br>Em valor absoluto da contribuição do turismo para o PIB, Portugal surge em 29º entre os 40 países especificados na informação do WTTC, com 45 mil milhões de dólares, à frente da Grécia, com 44 mil milhões.» – <a href="https://www.sgeconomia.gov.pt/noticias/portugal-e-o-5-pais-com-mais-forte-contributo-do-turismo-para-o-pib.aspx">sgeconomia.gov.pt</a></p>
</blockquote>
<p>Mas o peso do turismo na economia começa a ser um problema, o país está demasiado dependente de um único sector económico, é importante uma maior diversificação para uma melhor resiliência a futuras crises.</p>
<p>Este turismo de massas dá um forte contributo nas economias mas possivelmente já passou do ponto de equilíbrio. Permitiu reabilitação dos centros históricos, que estavam muito degradados, mas também houve muitos abusos, muitos casos de moradores locais que foram despejados dos bairros onde sempre viveram. E os moradores locais que restam se começassem a sentir estrangeiros nas suas próprias cidades.</p>
<p>O turismo de massa tornou o custo de vida nas zonas mais turísticas exorbitantes, a subida de preços tornou muito comércios e restaurantes quase “exclusivos” para turistas, onde o comum português não pode consumir e usufruir, devido ao seu baixo poder de compra. No início, o aumento do custo de vida ocorreram mais nos centros históricos, depois alastrou-se para o restante da cidade, agora está pelo país inteiro.</p>
<p>O Airbnb tem contribuído imenso para o crescimento do aumento do turismo, mas também para retirar casas do mercado para os locais, menos oferta logo preços mais elevados. Como gerou muitos empregos e geralmente mal pagos, os países europeus necessitam de mais mão-de-obra estrangeira, mais gente a viver, aumenta mais a pressão na escassez da habitação.</p>
<p>As infraestruturas das cidades estão a ceder sob a pressão, não foram construídas para tantas pessoas. Nas grandes cidades, o trânsito está cada vez mais caótico, a importação de tuk-tuk é uma aberração, as ruas estão muito menos limpas. Os centros históricos estão se transformando num parque de diversão para turistas.</p>
<p>Em 2018, a revista alemã Der Spiegel fez uma reportagem onde alertava o problema, a descaracterização das cidades, mas hoje está bem pior.</p>
<blockquote>
<p>“Em Portugal, já há muito que se fala neste fenómeno. Há vários grupos e cidadãos que alertam para o facto de as zonas históricas estarem em risco de descaracterização, de os espaços de restauração ficarem iguais e de os monumentos ficarem tão lotados que não se conseguem visitar.” – <a href="https://www.nit.pt/fora-de-casa/na-cidade/der-spiegel-diz-que-os-turistas-estao-a-destruir-o-que-amam-no-porto">Der Spiegel</a></p>
</blockquote>
<p>Isto é uma espiral da morte, este excesso de turismo está a destruir aquilo que eles querem experienciar ou ver. A autenticidade, o castiço que existia em Portugal, foi o que trouxe os turistas, está a ser destruído pelo turismo de massas.</p>
<p>Outras das críticas é a poluição, sobretudo pela aviação. Aqui surge outro problema, será que faz sentido o turismo internacional de fim de semana? Faz sentido fazer dois voos de avião, altamente poluidores, só para passar apenas dois ou três numa capital europeia? Na minha opinião, não faz sentido, pelo menos uma semana para ver a cidade. 2 dias não dá para ver nada, é mais tempo em aeroporto que a usufruir da cidade. Possivelmente é essa ideia, mais que usufruir a cidade, é mostrar ao outro que foi à cidade, o alimentar do instagram e gerar inveja, dizer aos amigos e aos colegas de trabalho que já visitou dezenas de cidades europeias. Isto é um sintoma do consumismo excessivo, de alta preferência temporal.</p>
<p>O aeroporto de Lisboa é outra novela, há muito que a sua capacidade está esgotada, é a pura demonstração da incompetência dos políticos portugueses, não conseguem escolher um local para a construção do novo aeroporto, já houve dezenas de localizações diferentes, a cada novo governo, anula tudo o que anterior fez e volta à fase inicial, estamos nisto há 50 anos. Foram gastos milhões em estudos e comissões e nada saiu do papel.</p>
<p>Outro cúmulo da política portuguesa é o aeroporto de Beja, praticamente não é utilizado:</p>
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<p>«O aeroporto de Beja registou, no passado mês de outubro, 1484 passageiros, assinalando, assim, “o melhor mês de 2023”.<br>No total, a infraestrutura recebeu, nos 11 primeiros meses do ano passado, 4907 passageiros, maioritariamente, de jatos privados.» – <a href="https://diariodoalentejo.pt/pt/noticias/17715/aeroporto-de-beja-com-mais-passageiros.aspx">diariodoalentejo.pt</a></p>
</blockquote>
<blockquote>
<p>«O aeroporto de Lisboa movimentou, em 2023, 49,8% do total de passageiros (33,6 milhões), tendo crescido 19,1% comparando com 2022 e 7,9% face a 2019. Já o aeroporto do Porto movimentou 15,2 milhões de passageiros e Faro 9,64 milhões.» – <a href="https://eco.sapo.pt/2024/02/14/passageiros-nos-aeroportos-portugueses-ultrapassam-675-milhoes-em-2023-e-superam-nivel-pre-pandemia/">ECO</a></p>
</blockquote>
<p>De um lado temos um aeroporto lotado que recebe 33 milhões, por outro lado, a apenas 180 km temos um aeroporto internacional praticamente novo, que recebe apenas 5000 passageiros por ano, completamente vazio.</p>
<p>Se cerca de 6% dos turistas têm como destino o Alentejo e a zona centro recebem 12% dos turistas, parte destes turistas deveriam ser canalizados para Beja. Não faz qualquer sentido, com a existência de um aeroporto no Alentejo, os turistas com destino ao Alentejo e zona centro aterrarem todos em Lisboa, quando o de Beja está mais perto.</p>
<p>Com os incentivos certos, 10% poderiam aterrar em Beja, só que o governo não faz nada, é o problema da centralização. Quando não existe vontade política, nada muda.</p>
<p><img src="https://image.nostr.build/035ad6552d417b4b3ea3a9cba36390dd2733930a7437a0ee11ccacbdb1029e9f.png" alt="image"></p>
<p>Mas o ponto de equilíbrio já há muito tempo que foi ultrapassado, no estrangeiro já é comum os protestos dos locais contra o excesso de turismo, em Portugal estão a surgir os primeiros movimentos.</p>
<blockquote>
<p>«A wave of protest against the negative impact of mass tourism is sweeping over Spain’s most popular holiday hotspots.<br>‘Go home!’, cries out a man in swimming togs, frantically waving at a group of bewildered tourists trying to access the Caló des Moro, one of Majorca’s most famous and picturesque beaches. He is one of the dozens of residents who had come early that Sunday to occupy the site, in protest againsst the ‘massification’ of tourism, which they say has “devastating effects” on their island, and their lives.<br>‘We have cruises [cruise ships] every day with thousands of people. We have a flight every minute! It’s cars, it’s pollution. Beaches, restaurants are full of the streets are full of people! We’re fed up!’ exclaims Joana Maria Estrany Vallespir, from “SOS Residents”, a protest collective.<br>‘TOURISM IS KILLING US’» – <a href="https://www.euronews.com/2024/07/12/mass-tourism-in-spain-drowning-the-balearic-islands?twclid=2-1jmc6ug4i7j4va2nrzwzmm186">EuroNews</a></p>
</blockquote>
<p>Os protestos estão a surgir nos principais centros turísticos em todo o mundo, especialmente nas principais capitais europeias.</p>
<h1>Dependência</h1>
<p>Portugal está com um problema melindroso e complexo, é verdade que o excesso de turismo está a criar problemas, mas uma possível redução do turismo vai gerar ainda mais problemas. O país está demasiado dependente do turismo, sem ele, a crise será muito severa, será dramática.&nbsp;</p>
<p>O turismo é uma indústria orgânica, cresce sozinha, é descentralizada, não necessita de grande ajudas do estado, por isso cresce.</p>
<p>Os políticos passam o tempo a elogiar o crescimento económico (medíocre) do país, mas só acontece devido ao turismo. O restante da economia está estagnado, o centralismo político contenta-se com pouco, nada faz para incentivar/ajudar o crescimento de outras áreas. As ajudas não são necessariamente em dinheiro, basta menos burocracia e menos impostos e boas vias de comunicação. Portugal tem urgentemente reduzir a dependência do turismo, senão vai ter graves problemas.</p>
<p>É claro que o turismo é sector importante na economia, mas não pode ser o principal. E algo que temos que questionar, é se queremos o turismo de massas. Na minha opinião seria melhor para o país, em primeiro deslocalização do turismo por todo o país, para não ficar concentrado em poucos pontos. Também necessitamos reformular o turismo, para um turista com um poder de compra mais elevado, deixar de ser uma indústria de turismo <em>low cost</em> e de baixos salários.&nbsp;</p>
<p>Número de trabalhadores e remuneração bruta por trabalhador, 2014-2023:<br><img src="https://image.nostr.build/f37e30b1aa4ec0384164485003f68702abcbd32f382091ca926faec6c52f5b7b.jpg" alt="image"><br>Fonte: <a href="https://www.ine.pt/xportal/xmain?xpid=INE&amp;xpgid=ine_destaques&amp;DESTAQUESdest_boui=646074543&amp;DESTAQUESmodo=2">INE</a></p>
<p>Especificamente nas atividades de Alojamento (CAE 55), a remuneração bruta mensal por trabalhador situou-se em 1 249 euros em 2023. O salário médio de um trabalhador do sector do turismo é sempre menor que o salário médio nacional, ou seja, uma economia baseada em salários baixos.&nbsp;</p>
<p>Faz mais sentido apostar nos turistas com médio/alto poder de compra, alongamentos e serviços de melhor qualidade, funcionários mais qualificados e claro mais bem pagos.</p>
<p>É lógico que existirá menos turistas, mas gastam mais dinheiro, os centros históricos são menos caóticos, gerando uma melhor harmonia entre turistas e locais.</p>
<h1>Habitação</h1>
<p>Como disse em cima, o turismo não é o principal responsável, mas tem certa responsabilidade no problema habitacional na maioria dos países.&nbsp;</p>
<p>O principal problema tem origem na expansão monetária, levando as pessoas a comprar casas como uma reserva de valor, como uma proteção ou investimento. Como a procura aumentou e a oferta não acompanhou esse aumento, nos últimos anos foram construídas habitações suficientes. Essa enorme escassez levou a uma forte valorização das habitações, ficando inacessível aos jovens.</p>
<p>Agora é impossível resolver o problema rapidamente, vai demorar muitos anos, é necessário uma enorme planificação, é necessário construir muito e para complicar não existe mão-de-obra. Aqui está outro problema, os políticos portugueses não sabem planear a longo prazo. Alguns governos já estão a avançar com projectos de construção de habitação, mas só provocará efeitos a médio/longo prazo. Isto não é um problema exclusivo de Portugal, é um problema no mundo ocidental.</p>
<blockquote>
<p>«O aumento constante dos preços e rendas das casas agravaram a crise da habitação na UE na última década ainda que esta atinja de forma distinta os Estados-membros. Apesar de ser competência nacional a dimensão da crise da habitação está a fazer soar alarmes em Bruxelas e a levar o debate para o seio das instituições comunitárias.» – <a href="https://www.sabado.pt/europa-viva/detalhe/crise-da-habitacao-ja-fez-soar-os-alarmes-em-bruxelas">Sábado</a></p>
</blockquote>
<p>Devido à pressão das populações, os governos estão a começar a tomar medidas extremas com o objetivo de ter efeitos a curto prazo, como colocar restrições ao Airbnb.</p>
<blockquote>
<p>«Nova Iorque declara guerra ao Airbnb. Quer proibir os arrendamentos de curta duração._ _Milhares de alojamentos na cidade dos Estados Unidos da América estão prestes a ser eliminados da plataforma.<br>Após um ano de negociações, a Lei Local 18 (Local Law 18) entrou em vigor esta terça-feira, 5 de setembro, e é ainda mais rigorosa do que se previa. Não basta fazer o registo na administração local para poder listar um imóvel na plataforma. A partir de agora, só os anfitriões que moram na cidade é que podem colocar uma casa para arrendar no Airbnb — e têm de estar presentes quando alguém está hospedado. Cada pessoa só poderá ter, no máximo, dois convidados.» – <a href="https://www.nit.pt/fora-de-casa/na-cidade/nova-iorque-declara-guerra-ao-airbnb-quer-proibir-os-arrendamentos-de-curta-duracao">NIT</a></p>
</blockquote>
<blockquote>
<p>«Itália está a considerar novas regras à escala nacional enquanto Penang, na Malásia, introduziu recentemente uma proibição.<br>Da Europa aos EUA, as cidades começaram a impor restrições aos alugueres de curta duração para contrariar a tendência.<br>Na semana passada, Florença, em Itália, anunciou a proibição de novas listagens do Airbnb e de outros alugueres de férias de curta duração no centro histórico da cidade. O país agora está a contemplar o endurecimento das regras à escala nacional.<br>Itália não é o único destino a bater o pé. Esta semana, a popular ilha de Penang, na Malásia, proibiu as acomodações ao estilo Airbnb.» – <a href="https://pt.euronews.com/viagens/2023/06/12/italia-malasia-eua-que-cidades-e-paises-estao-a-apertar-o-cerco-ao-airbnb">EuroNews</a></p>
</blockquote>
<p>A bolha do turismo está a alimentar a bolha no imobiliário, são duas enormes bolhas em simultâneo. Se a bolha do turismo rebentar, muitos negócios vão fechar, libertando imensas habitações. Além disso, vai gerar muito desemprego, muitos emigrantes vão voltar à sua terra natal, libertando ainda mais casas.</p>
<p>Se isto acontecer, vai provocar um excesso de oferta no mercado imobiliário e devido à crise vai gerar uma baixa na procura. Um choque na oferta, vai provocar uma forte queda do preço das casas, podendo provocar o estouro da bolha do imobiliário.</p>
<p>A crise do turismo poderá ser a primeira pedra do dominó a cair.</p>
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      </item>
      
      <item>
      <title><![CDATA[Bretton Woods II]]></title>
      <description><![CDATA[A evolução da adoção do Bitcoin.]]></description>
             <itunes:subtitle><![CDATA[A evolução da adoção do Bitcoin.]]></itunes:subtitle>
      <pubDate>Fri, 19 Jul 2024 15:33:44 GMT</pubDate>
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      <category>Economia</category>
      
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      <dc:creator><![CDATA[reiartur]]></dc:creator>
      <content:encoded><![CDATA[<p>As recentes notícias da não renovação do acordo do Petro-dólar entre os EUA e a Arábia Saudita, fez ressurgir numa parte da comunidade de bitcoiners, que o fim do dólar está para breve. Na realidade não é bem assim, é verdade que estamos numa fase de desdolarização, mas este processo vai demorar muitas décadas. Possivelmente muitos de nós, infelizmente, não vamos assistir a essa mudança, a nossa esperança de vida não vai o permitir.</p>
<h1>Bretton Woods</h1>
<p>Olhando para trás, o acordo de Bretton Woods foi uma fase transitória na nossa história, foi a transição da política monetária internacional do padrão ouro para o padrão fiduciário(FIAT). Foi um acordo entre estados, os povos não tiveram qualquer intervenção. Esse processo transitório, durou quase trinta anos, qualquer que seja a mudança no sistema monetária é sempre extremamente demorado.</p>
<p>Curiosamente, o acordo terminou, não pela vontade das “vítimas”, mas através do principal beneficiado.</p>
<p>Primeiro as moedas eram fabricadas em ouro, depois surgiu o papel moeda que era lastreada no ouro. Com os acordos de Bretton Woods, em 1944, passaram a ter o moeda com lastro indirecto no ouro(através do dólar). Em 1971, com o fim de Bretton Woods, a moeda ficou sem qualquer lastro (FIAT).</p>
<p>Em 1971 passamos a utilizar uma moeda baseada em confiança, pior ainda, somos obrigados a confiar na honestidade de políticos.</p>
<p>Passamos de método baseado na escassez, com muita força monetária para o seu oposto, uma moeda sem lastro. De um dia para o outro, descartamos milhares de anos de evolução da civilização. Após o fim de Bretton Woods, entramos numa experiência, que dura até hoje.</p>
<p>Pensando bem, a moeda FIAT tem lastro, esse lastro é a dívida emitida pelo próprio estado. Isso significa, que o lastro nunca foi tão forte… Como em qualquer empresa, o último responsável pelas suas dívidas são os seus acionistas. A empresa para financiar e para pagar as dívidas, faz aumentos de capital, emite novas ações. Mas a empresa mantém o mesmo valor, apenas aumenta o número de ações, isso significa que cada ação vale menos. É como a história da pizza, em vez de 6, cortamos a pizza em 12 fatias, é verdade que são mais fatias mas a pizza mantem o mesmo tamanho, as fatias é que ficaram menores. No caso das moedas, cada centimo/centavo é uma ação. É preferível ter o Bitcoin sem lastro, do que ter uma moeda lastreada em dívidas, mas isto é apenas uma conjectura minha, ignorando isto e sendo um pouco ingénuo, vamos acreditar nos políticos e aceitar que o FIAT não tem lastro.</p>
<p>Na minha opinião estamos num processo de reversão desta evolução da moeda pós Bretton Woods, estamos a voltar a algo com força monetária, só que em vez de ouro, será o Bitcoin.</p>
<h1>Adoção voluntária</h1>
<p>A mudança para o padrão FIAT foi forçada, ninguém ouviu a opinião dos povos, se queriam o fim do padrão ouro, se aceitavam ou não os acordos de Bretton Woods, foram forçados a utilizar papéis coloridos sem lastro.</p>
<p>O Padrão Bitcoin é o seu oposto, a adoção é completamente voluntária. Satoshi redigiu o acordo (a política monetária) e dia após dia as pessoas voluntariamente aderem ao acordo, adotando o Bitcoin, sem a existência de uma lei de uso forçado.</p>
<p>Como a adesão é voluntária pelas pessoas, o processo transitório ainda será muito mais lento que o do FIAT. E é importante que essa transição seja lenta, para que as pessoas se adaptem à mudança, porque uma mudança abrupta seria desastrosa. A mudança para o padrão Bitcoin não é uma simples mudança de moeda, é a mudança completa do sistema político, financeiro, económico e social de toda sociedade. Essa transição terá que ser lenta, para que cada pessoa se adapte, cada uma ao seu ritmo. Se correr mal a adaptação, as pessoas podem querer voltar ao antigo padrão.</p>
<h1>Adoção forçada</h1>
<p>Os estados vão resistir, mas com o crescimento da adoção do Bitcoin pelos cidadão e em simultâneo a rejeição da moeda FIAT, os estados não terão outra alternativa, senão adotar o Bitcoin como lastro o Bitcoin para o lastro da sua moeda, para evitar o colapso do sistema monetário.</p>
<p>Só será possível e viável quando o Bitcoin atingir um valor significativamente alto, talvez entre 10%-20% da riqueza mundial. O <em>marketcap</em> do Bitcoin terá que ser muito alto, para conseguir suportar a procura gerada por parte dos estados, sem criar muita volatilidade. É natural que o preço suba, mas essa subida terá que ser gradual, não poderá ser exponencialmente. É natural que os primeiros países a adotar sejam os mais pequenos ou menos desenvolvidos. Em caso de muita volatilidade e uma subida repentina de preço do bitcoin, gerada pela adoção de países mais desenvolvidos, pode provocar o colapso dos países pequenos que aderiram primeiro. Por esse motivo a adoção deve ser lenta e gradual.</p>
<p>Num certo momento, será inevitável um acordo internacional entre estados, será algo similar ao de Bretton Woods, só que em vez do dólar teremos o Bitcoin. O comércio internacional passará a realizar-se em Bitcoin, como unidade de conta. Internamente, cada país vai manter a sua própria moeda, será a unidade de conta do país, mas as moedas serão lastreadas em Bitcoin, cada unidade monetária terá um valor de x satoshis. Esse câmbio poderá ser flutuante ou fixo, pré definido pelos bancos centrais.</p>
<p>Na prática haverá em simultâneo duas moedas em circulação, o Bitcoin e a moeda do governo, mas apenas a moeda do governo será a <em>legal tender</em>, a unidade de conta do país. O Bitcoin será utilizado sobretudo por pessoas e empresas como uma reserva de valor para médio/longo prazo.</p>
<p>Como ainda existem moedas governamentais, ainda é possível a expansão da base monetária mas ficará um pouco mais limitada, ou seja, se os estados abusarem da expansão, os cidadãos vão fugir em massa para o Bitcoin, por isso as políticas têm que ser moderadas. Será algo similar à curva de Laffer, em vez de carga-fiscal&amp;receita, temos expansão impressão&amp;alocação, ou seja, quanto maior for a expansão da base monetária, menor será a porcentagem alocada na moeda do governo por parte das pessoas.</p>
<p>Assim o Bitcoin será um travão para a expansão da base monetária, mas isto não significa que não existirá, claro que vai existir, os estados estão viciados em imprimir dinheiro, terão é que fazer com um maior rigor. Se existir rigor, vai permitir “dar” anos de vida às moedas dos governos. Se não existir rigor, a hiperinflação acontecerá e a Lei de Gresham será implacável, o colapso da moeda do governo é inevitável.</p>
<h1>Adoção total</h1>
<p>Será que alguma vez vamos assistir os países a abandonarem por completo a sua própria moeda e utilizar em exclusivo o Bitcoin?</p>
<p>Poderá existir alguns casos, talvez em países pequenos, mas será muito pouco provável a adoção plena do Bitcoin, como único <em>legal tender</em> e a unidade de conta.</p>
<p>A minha baixa crença baseia-se em exemplos do passado: o bolívar da Venezuela está há décadas em hiperinflação, o dólar é amplamente utilizado, mas eles não abandonam a moeda própria, apenas retiram zeros. Depois temos os exemplos da Argentina e do Zimbabwe, que por momentos deixaram de ter moeda própria, mas mais tarde voltaram a repor.</p>
<p><img src="https://image.nostr.build/1a98e073ca3eb44547fcea06649a6b4a7077f8303973b870f93d4b226611b32d.png" alt="image"></p>
<p>Isto vai repetir-se no futuro, até poderão temporariamente adotar o Bitcoin, mas mais tarde ou mais cedo, alguém é eleito e repõe um moeda própria. O ser humano é assim e os governos necessitam da moeda para sobreviver.</p>
<p>Como os estados têm o poder absoluto, são eles que fazem a lei e o uso forçado dá uma força desmedida à sua própria moeda, é uma concorrência desleal contra a adoção do Bitcoin. Simplesmente por obrigar os cidadãos a pagar os impostos exclusivamente na moeda do governo, isso gera uma demanda enorme pela moeda, os cidadãos e empresas são obrigadas a ter a moeda estatal. Além disso, o governo fará todos os seus pagamentos na sua moeda. As empresas que prestem serviços vão receber na moeda do estado, e por sua vez pagam aos seus funcionários. O mesmo acontecerá aos funcionários públicos, reformados e todas as assistências sociais serão pagos na moeda do estado, todas estas transações representam uma cota significativa do mercado.</p>
<p>O uso forçado dá um poder tremendo à moeda do estado, enquanto for exclusivo de uma única moeda, essa terá sempre uma cota significativa de mercado. Por isso as moedas estatais conseguem sobreviver, mesmo em hiperinflação. A concorrência entre moedas só será plena para o uso no médio a longo prazo, aqui veremos o Bitcoin a dominar. Onde existir liberdade o Bitcoin vencerá.</p>
<p>A nossa sociedade cresceu numa economia inflacionária, a mudança será tão disruptiva, não sei se as pessoas estão preparadas ou se querem realmente a mudança para um sistema deflacionário. No geral, um sistema deflacionário é melhor para as populações, mas certo “benefícios” que hoje existem devido aos sistema FIAT, deixarão de estar acessíveis, como o caso do crédito barato. Os governos terão que ser muito austeros e terão que reduzir os apoios sociais, ou seja, os governos não serão populares, possivelmente perdem eleições. A impressão de moeda é essencial nos estados modernos, sem ela dificilmente os governos sobrevivem.</p>
<p>Eu acredito que o mais difícil, é a adaptação psicológica ao sistema deflacionário? Não sei como as pessoas vão reagir, os salários em vez de aumentarem anualmente, vão manter se ou possivelmente diminuir. Apesar de diminuir, as pessoas ganham poder de compra, é uma mudança disruptiva, completamente oposta à realidade atual e que sempre vivemos.</p>
<p>Por isso, eu tenho muitas dúvidas que aconteça uma adoção plena do padrão Bitcoin. Eu não gosto de ver o Bitcoin como <em>legal tender</em>, isto implica o uso forçado, eu sou um forte defensor da liberdade monetária, dar liberdade plena aos cidadãos, cada cidadão escolhe a moeda que quer usar. Se o cidadão quer usar a moeda do estado, que use, quem sou eu para limitar essa liberdade. Poderá também usar várias moedas e com diferentes percentagens de alocação da sua riqueza.</p>
<p>O Bitcoin também não necessita de ser a moeda mais utilizada em cada país, basta ser a segunda. Sendo a segunda mais utilizada em todos os países, torna-se naturalmente a moeda mais utilizada no mundo.</p>
<p>Outro problema do Bitcoin como <em>legal tender</em>, os cidadãos vão baixar a guarda, vão depositar os satoshi em custodiantes centralizados, ficando vulneráveis a uma futura mudança de política, um <em>corralito</em> como na Argentina. Nunca devemos confiar nos políticos, já Eça dizia: ”Os políticos são como fraldas e devem ser mudados frequentemente pela mesma razão”.</p>
<br>
Don’t trust, Verify.]]></content:encoded>
      <itunes:author><![CDATA[reiartur]]></itunes:author>
      <itunes:summary><![CDATA[<p>As recentes notícias da não renovação do acordo do Petro-dólar entre os EUA e a Arábia Saudita, fez ressurgir numa parte da comunidade de bitcoiners, que o fim do dólar está para breve. Na realidade não é bem assim, é verdade que estamos numa fase de desdolarização, mas este processo vai demorar muitas décadas. Possivelmente muitos de nós, infelizmente, não vamos assistir a essa mudança, a nossa esperança de vida não vai o permitir.</p>
<h1>Bretton Woods</h1>
<p>Olhando para trás, o acordo de Bretton Woods foi uma fase transitória na nossa história, foi a transição da política monetária internacional do padrão ouro para o padrão fiduciário(FIAT). Foi um acordo entre estados, os povos não tiveram qualquer intervenção. Esse processo transitório, durou quase trinta anos, qualquer que seja a mudança no sistema monetária é sempre extremamente demorado.</p>
<p>Curiosamente, o acordo terminou, não pela vontade das “vítimas”, mas através do principal beneficiado.</p>
<p>Primeiro as moedas eram fabricadas em ouro, depois surgiu o papel moeda que era lastreada no ouro. Com os acordos de Bretton Woods, em 1944, passaram a ter o moeda com lastro indirecto no ouro(através do dólar). Em 1971, com o fim de Bretton Woods, a moeda ficou sem qualquer lastro (FIAT).</p>
<p>Em 1971 passamos a utilizar uma moeda baseada em confiança, pior ainda, somos obrigados a confiar na honestidade de políticos.</p>
<p>Passamos de método baseado na escassez, com muita força monetária para o seu oposto, uma moeda sem lastro. De um dia para o outro, descartamos milhares de anos de evolução da civilização. Após o fim de Bretton Woods, entramos numa experiência, que dura até hoje.</p>
<p>Pensando bem, a moeda FIAT tem lastro, esse lastro é a dívida emitida pelo próprio estado. Isso significa, que o lastro nunca foi tão forte… Como em qualquer empresa, o último responsável pelas suas dívidas são os seus acionistas. A empresa para financiar e para pagar as dívidas, faz aumentos de capital, emite novas ações. Mas a empresa mantém o mesmo valor, apenas aumenta o número de ações, isso significa que cada ação vale menos. É como a história da pizza, em vez de 6, cortamos a pizza em 12 fatias, é verdade que são mais fatias mas a pizza mantem o mesmo tamanho, as fatias é que ficaram menores. No caso das moedas, cada centimo/centavo é uma ação. É preferível ter o Bitcoin sem lastro, do que ter uma moeda lastreada em dívidas, mas isto é apenas uma conjectura minha, ignorando isto e sendo um pouco ingénuo, vamos acreditar nos políticos e aceitar que o FIAT não tem lastro.</p>
<p>Na minha opinião estamos num processo de reversão desta evolução da moeda pós Bretton Woods, estamos a voltar a algo com força monetária, só que em vez de ouro, será o Bitcoin.</p>
<h1>Adoção voluntária</h1>
<p>A mudança para o padrão FIAT foi forçada, ninguém ouviu a opinião dos povos, se queriam o fim do padrão ouro, se aceitavam ou não os acordos de Bretton Woods, foram forçados a utilizar papéis coloridos sem lastro.</p>
<p>O Padrão Bitcoin é o seu oposto, a adoção é completamente voluntária. Satoshi redigiu o acordo (a política monetária) e dia após dia as pessoas voluntariamente aderem ao acordo, adotando o Bitcoin, sem a existência de uma lei de uso forçado.</p>
<p>Como a adesão é voluntária pelas pessoas, o processo transitório ainda será muito mais lento que o do FIAT. E é importante que essa transição seja lenta, para que as pessoas se adaptem à mudança, porque uma mudança abrupta seria desastrosa. A mudança para o padrão Bitcoin não é uma simples mudança de moeda, é a mudança completa do sistema político, financeiro, económico e social de toda sociedade. Essa transição terá que ser lenta, para que cada pessoa se adapte, cada uma ao seu ritmo. Se correr mal a adaptação, as pessoas podem querer voltar ao antigo padrão.</p>
<h1>Adoção forçada</h1>
<p>Os estados vão resistir, mas com o crescimento da adoção do Bitcoin pelos cidadão e em simultâneo a rejeição da moeda FIAT, os estados não terão outra alternativa, senão adotar o Bitcoin como lastro o Bitcoin para o lastro da sua moeda, para evitar o colapso do sistema monetário.</p>
<p>Só será possível e viável quando o Bitcoin atingir um valor significativamente alto, talvez entre 10%-20% da riqueza mundial. O <em>marketcap</em> do Bitcoin terá que ser muito alto, para conseguir suportar a procura gerada por parte dos estados, sem criar muita volatilidade. É natural que o preço suba, mas essa subida terá que ser gradual, não poderá ser exponencialmente. É natural que os primeiros países a adotar sejam os mais pequenos ou menos desenvolvidos. Em caso de muita volatilidade e uma subida repentina de preço do bitcoin, gerada pela adoção de países mais desenvolvidos, pode provocar o colapso dos países pequenos que aderiram primeiro. Por esse motivo a adoção deve ser lenta e gradual.</p>
<p>Num certo momento, será inevitável um acordo internacional entre estados, será algo similar ao de Bretton Woods, só que em vez do dólar teremos o Bitcoin. O comércio internacional passará a realizar-se em Bitcoin, como unidade de conta. Internamente, cada país vai manter a sua própria moeda, será a unidade de conta do país, mas as moedas serão lastreadas em Bitcoin, cada unidade monetária terá um valor de x satoshis. Esse câmbio poderá ser flutuante ou fixo, pré definido pelos bancos centrais.</p>
<p>Na prática haverá em simultâneo duas moedas em circulação, o Bitcoin e a moeda do governo, mas apenas a moeda do governo será a <em>legal tender</em>, a unidade de conta do país. O Bitcoin será utilizado sobretudo por pessoas e empresas como uma reserva de valor para médio/longo prazo.</p>
<p>Como ainda existem moedas governamentais, ainda é possível a expansão da base monetária mas ficará um pouco mais limitada, ou seja, se os estados abusarem da expansão, os cidadãos vão fugir em massa para o Bitcoin, por isso as políticas têm que ser moderadas. Será algo similar à curva de Laffer, em vez de carga-fiscal&amp;receita, temos expansão impressão&amp;alocação, ou seja, quanto maior for a expansão da base monetária, menor será a porcentagem alocada na moeda do governo por parte das pessoas.</p>
<p>Assim o Bitcoin será um travão para a expansão da base monetária, mas isto não significa que não existirá, claro que vai existir, os estados estão viciados em imprimir dinheiro, terão é que fazer com um maior rigor. Se existir rigor, vai permitir “dar” anos de vida às moedas dos governos. Se não existir rigor, a hiperinflação acontecerá e a Lei de Gresham será implacável, o colapso da moeda do governo é inevitável.</p>
<h1>Adoção total</h1>
<p>Será que alguma vez vamos assistir os países a abandonarem por completo a sua própria moeda e utilizar em exclusivo o Bitcoin?</p>
<p>Poderá existir alguns casos, talvez em países pequenos, mas será muito pouco provável a adoção plena do Bitcoin, como único <em>legal tender</em> e a unidade de conta.</p>
<p>A minha baixa crença baseia-se em exemplos do passado: o bolívar da Venezuela está há décadas em hiperinflação, o dólar é amplamente utilizado, mas eles não abandonam a moeda própria, apenas retiram zeros. Depois temos os exemplos da Argentina e do Zimbabwe, que por momentos deixaram de ter moeda própria, mas mais tarde voltaram a repor.</p>
<p><img src="https://image.nostr.build/1a98e073ca3eb44547fcea06649a6b4a7077f8303973b870f93d4b226611b32d.png" alt="image"></p>
<p>Isto vai repetir-se no futuro, até poderão temporariamente adotar o Bitcoin, mas mais tarde ou mais cedo, alguém é eleito e repõe um moeda própria. O ser humano é assim e os governos necessitam da moeda para sobreviver.</p>
<p>Como os estados têm o poder absoluto, são eles que fazem a lei e o uso forçado dá uma força desmedida à sua própria moeda, é uma concorrência desleal contra a adoção do Bitcoin. Simplesmente por obrigar os cidadãos a pagar os impostos exclusivamente na moeda do governo, isso gera uma demanda enorme pela moeda, os cidadãos e empresas são obrigadas a ter a moeda estatal. Além disso, o governo fará todos os seus pagamentos na sua moeda. As empresas que prestem serviços vão receber na moeda do estado, e por sua vez pagam aos seus funcionários. O mesmo acontecerá aos funcionários públicos, reformados e todas as assistências sociais serão pagos na moeda do estado, todas estas transações representam uma cota significativa do mercado.</p>
<p>O uso forçado dá um poder tremendo à moeda do estado, enquanto for exclusivo de uma única moeda, essa terá sempre uma cota significativa de mercado. Por isso as moedas estatais conseguem sobreviver, mesmo em hiperinflação. A concorrência entre moedas só será plena para o uso no médio a longo prazo, aqui veremos o Bitcoin a dominar. Onde existir liberdade o Bitcoin vencerá.</p>
<p>A nossa sociedade cresceu numa economia inflacionária, a mudança será tão disruptiva, não sei se as pessoas estão preparadas ou se querem realmente a mudança para um sistema deflacionário. No geral, um sistema deflacionário é melhor para as populações, mas certo “benefícios” que hoje existem devido aos sistema FIAT, deixarão de estar acessíveis, como o caso do crédito barato. Os governos terão que ser muito austeros e terão que reduzir os apoios sociais, ou seja, os governos não serão populares, possivelmente perdem eleições. A impressão de moeda é essencial nos estados modernos, sem ela dificilmente os governos sobrevivem.</p>
<p>Eu acredito que o mais difícil, é a adaptação psicológica ao sistema deflacionário? Não sei como as pessoas vão reagir, os salários em vez de aumentarem anualmente, vão manter se ou possivelmente diminuir. Apesar de diminuir, as pessoas ganham poder de compra, é uma mudança disruptiva, completamente oposta à realidade atual e que sempre vivemos.</p>
<p>Por isso, eu tenho muitas dúvidas que aconteça uma adoção plena do padrão Bitcoin. Eu não gosto de ver o Bitcoin como <em>legal tender</em>, isto implica o uso forçado, eu sou um forte defensor da liberdade monetária, dar liberdade plena aos cidadãos, cada cidadão escolhe a moeda que quer usar. Se o cidadão quer usar a moeda do estado, que use, quem sou eu para limitar essa liberdade. Poderá também usar várias moedas e com diferentes percentagens de alocação da sua riqueza.</p>
<p>O Bitcoin também não necessita de ser a moeda mais utilizada em cada país, basta ser a segunda. Sendo a segunda mais utilizada em todos os países, torna-se naturalmente a moeda mais utilizada no mundo.</p>
<p>Outro problema do Bitcoin como <em>legal tender</em>, os cidadãos vão baixar a guarda, vão depositar os satoshi em custodiantes centralizados, ficando vulneráveis a uma futura mudança de política, um <em>corralito</em> como na Argentina. Nunca devemos confiar nos políticos, já Eça dizia: ”Os políticos são como fraldas e devem ser mudados frequentemente pela mesma razão”.</p>
<br>
Don’t trust, Verify.]]></itunes:summary>
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      <item>
      <title><![CDATA[Produtividade vs FIAT]]></title>
      <description><![CDATA[A produtividade gerada pela AI e o efeito da inflação sobre a produtividade.]]></description>
             <itunes:subtitle><![CDATA[A produtividade gerada pela AI e o efeito da inflação sobre a produtividade.]]></itunes:subtitle>
      <pubDate>Mon, 15 Jul 2024 13:47:20 GMT</pubDate>
      <link>https://idsera.npub.pro/post/uucbmnf_mckaloewnp_y3/</link>
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      <category>FIAT</category>
      
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      <dc:creator><![CDATA[reiartur]]></dc:creator>
      <content:encoded><![CDATA[<p>A inteligência artificial (AI) vai e já está a provocar mudanças profundas na nossa civilização. É uma arma que pode ser poderosíssima, que pode ser utilizada para o bem, como para o mal.</p>
<p>O problema é quem está por detrás da AI, ou qual o objetivo dessa AI.</p>
<h1>Liberdade</h1>
<p>O meu grande receio da AI, não está relacionada com aquelas ideias fantasiosas dos filmes de ficção científica, onde as máquinas entram em guerra com os humanos, o meu receio é algo mais realista, é a utilização da AI para oprimir ou condicionar as liberdades individuais, ou seja, são humanos a querer controlar outros humanos.</p>
<p>Durante as últimas décadas os governos, criaram leis que violam a privacidade e liberdades, onde todo online é guardado e monitorizado. As câmaras de videovigilância estão por todo o lado. Depois de recolher os dados, será necessário a AI para analisar todos esses dados, aqui está o perigo, um verdadeiro Big Brother.</p>
<p>É um perigo para as democracias, para a privacidade, para as liberdades individuais e contra o livre-arbítrio.</p>
<h1>Produtividade</h1>
<blockquote>
<p>A produtividade é basicamente definida como a relação entre a produção e os factores de produção utilizados. A produção é definida como os bens produzidos (quantidade de produtos produzidos). Os fatores de produção são definidos como sejam pessoas, máquinas, materiais e outros. Quanto maior for a relação entre a quantidade produzida por fatores utilizados, maior é a produtividade.</p>
</blockquote>
<p>Simplificado, consiste em, um trabalhador produzir mais produtos, no mesmo período de tempo.</p>
<p>Aqui a AI poderá ter um lado positivo, vai permitir um ganho enorme na produtividade. O mundo do trabalho vai mudar, certos empregos vão acabar, essas pessoas terão que se adaptar a uma nova realidade. O essencial é que vai gerar um aumento na produtividade como nunca antes vista, possivelmente o maior de sempre após a revolução industrial.</p>
<p>Esse aumento de produtividade deveria repercutir para o trabalhador e para a empresa, com salários superiores e maior lucro, respetivamente.</p>
<blockquote>
<p>“Para aumentar os salários, é necessário aumentar a produtividade”</p>
</blockquote>
<p>Esta mensagem repetida até à náusea pelos políticos que é certa medida é verdade, mas o problema são os próprios políticos, os maiores “ladrões”/destruidores da produtividade/salário, através da inflação (aumento da base monetária).</p>
<p>Isto é a história do cartoon, do burro e a cenoura, onde a cenoura é a produtividade e o burro é o povo, onde apenas o político beneficia.</p>
<p><img src="https://image.nostr.build/3fe369379ed255540805d3230364465a15314300524439ce8cd044b2b0700e2c.png" alt="image"></p>
<p>As pessoas esforçam-se para aumentar o seu salário, produzem mais, o seu salário é aumentado mas ao mesmo tempo o governo desvaloriza a moeda, ou seja, o valor nominal do salário aumenta, mas o poder de compra fica igual ou menor.</p>
<p>O esforço do trabalhador é inglório, não serviu para nada.</p>
<br>


<p>Crescimento da produtividade e remuneração por hora desde 1948:</p>
<p><img src="https://image.nostr.build/ad9ccb8e15f00df56382cf27a166637b78d6188d2b6a65b71a9f7414c2259de2.jpg" alt="image"></p>
<p>Fonte: <a href="https://oqueaconteceuem1971.com/">O QUE ACONTECEU EM 1971?</a></p>
<p>Este gráfico é perfeitamente demonstrativo do efeito do aumento da base monetária na remuneração dos trabalhadores. Até 1971, o aumento da remuneração dos trabalhadores, acompanha o aumento da produtividade. Após a criação do sistema fiduciário (1971), que permite desvalorizar a moeda, o imposto invisível, o grande beneficiado do aumento da produtividade foram os governos (e os seus amigos), em vez dos trabalhadores. Nas últimas 5 décadas, houve duas grandes revoluções que permitiram um aumento enorme da produtividade, da tecnologia/industrialização e a internet, mas estes avanços foram absorvidos pelos governos, os cidadãos pouco beneficiaram economicamente.</p>
<p>O mesmo vai acontecer com ganho de produtividade gerada pela AI, os governos vão querer absorver esse benefícios para si. Em vez do aumento de salário dos cidadãos, essa riqueza vai ser utilizada para reduzir os enormes déficits públicos e para financiar estados gordos.</p>
<p>Assim, esta parte da AI que poderia ser boa para a civilização, vai acabar por ser diluída pelos estados.</p>
<br>

<p>É curioso que o cidadão comum, consegue compreender o conceito económico de produtividade, mas já tem dificuldades em entender a inflação (o aumento da base monetária). E o estado, por interesse próprio, também não ensina, preferem manter o assunto meio nublado.</p>
<p>Há uns anos, eu em conversa com um senhor com bastante idade, um sujeito com poucos estudos, que foi sempre agricultor. O senhor contava a história, que antigamente nos campos com batatas eram necessários dezenas de trabalhadores para colher as batatas, mas hoje, basta um trator e uma pessoa, para fazer o mesmo trabalho. Depois concluía, se o custo com os trabalhadores diminuiu, logo o preço das batatas deveria diminuir, mas aconteceu o contrário, logo é culpa do proprietário/empresário, que está a enriquecer e é ganancioso.</p>
<p>A primeira parte é a descrição do aumento da produtividade, mas a sua conclusão está errada porque o senhor não tem noção do aumento da base monetária. O preço das batatas só baixaria, caso a base monetária fosse fixa. Enquanto ambos apontam o dedo, os trabalhadores acusam os empresários, os empresários acusam os trabalhadores; o estado observa e rouba os dois em simultâneo.</p>
<p><br><br></p>
<p>A impressão de dinheiro é um imposto invisível. Só existe uma maneira de evitar este roubo do século:</p>
<p><a href='/tag/bitcoin/'>#Bitcoin</a></p>
]]></content:encoded>
      <itunes:author><![CDATA[reiartur]]></itunes:author>
      <itunes:summary><![CDATA[<p>A inteligência artificial (AI) vai e já está a provocar mudanças profundas na nossa civilização. É uma arma que pode ser poderosíssima, que pode ser utilizada para o bem, como para o mal.</p>
<p>O problema é quem está por detrás da AI, ou qual o objetivo dessa AI.</p>
<h1>Liberdade</h1>
<p>O meu grande receio da AI, não está relacionada com aquelas ideias fantasiosas dos filmes de ficção científica, onde as máquinas entram em guerra com os humanos, o meu receio é algo mais realista, é a utilização da AI para oprimir ou condicionar as liberdades individuais, ou seja, são humanos a querer controlar outros humanos.</p>
<p>Durante as últimas décadas os governos, criaram leis que violam a privacidade e liberdades, onde todo online é guardado e monitorizado. As câmaras de videovigilância estão por todo o lado. Depois de recolher os dados, será necessário a AI para analisar todos esses dados, aqui está o perigo, um verdadeiro Big Brother.</p>
<p>É um perigo para as democracias, para a privacidade, para as liberdades individuais e contra o livre-arbítrio.</p>
<h1>Produtividade</h1>
<blockquote>
<p>A produtividade é basicamente definida como a relação entre a produção e os factores de produção utilizados. A produção é definida como os bens produzidos (quantidade de produtos produzidos). Os fatores de produção são definidos como sejam pessoas, máquinas, materiais e outros. Quanto maior for a relação entre a quantidade produzida por fatores utilizados, maior é a produtividade.</p>
</blockquote>
<p>Simplificado, consiste em, um trabalhador produzir mais produtos, no mesmo período de tempo.</p>
<p>Aqui a AI poderá ter um lado positivo, vai permitir um ganho enorme na produtividade. O mundo do trabalho vai mudar, certos empregos vão acabar, essas pessoas terão que se adaptar a uma nova realidade. O essencial é que vai gerar um aumento na produtividade como nunca antes vista, possivelmente o maior de sempre após a revolução industrial.</p>
<p>Esse aumento de produtividade deveria repercutir para o trabalhador e para a empresa, com salários superiores e maior lucro, respetivamente.</p>
<blockquote>
<p>“Para aumentar os salários, é necessário aumentar a produtividade”</p>
</blockquote>
<p>Esta mensagem repetida até à náusea pelos políticos que é certa medida é verdade, mas o problema são os próprios políticos, os maiores “ladrões”/destruidores da produtividade/salário, através da inflação (aumento da base monetária).</p>
<p>Isto é a história do cartoon, do burro e a cenoura, onde a cenoura é a produtividade e o burro é o povo, onde apenas o político beneficia.</p>
<p><img src="https://image.nostr.build/3fe369379ed255540805d3230364465a15314300524439ce8cd044b2b0700e2c.png" alt="image"></p>
<p>As pessoas esforçam-se para aumentar o seu salário, produzem mais, o seu salário é aumentado mas ao mesmo tempo o governo desvaloriza a moeda, ou seja, o valor nominal do salário aumenta, mas o poder de compra fica igual ou menor.</p>
<p>O esforço do trabalhador é inglório, não serviu para nada.</p>
<br>


<p>Crescimento da produtividade e remuneração por hora desde 1948:</p>
<p><img src="https://image.nostr.build/ad9ccb8e15f00df56382cf27a166637b78d6188d2b6a65b71a9f7414c2259de2.jpg" alt="image"></p>
<p>Fonte: <a href="https://oqueaconteceuem1971.com/">O QUE ACONTECEU EM 1971?</a></p>
<p>Este gráfico é perfeitamente demonstrativo do efeito do aumento da base monetária na remuneração dos trabalhadores. Até 1971, o aumento da remuneração dos trabalhadores, acompanha o aumento da produtividade. Após a criação do sistema fiduciário (1971), que permite desvalorizar a moeda, o imposto invisível, o grande beneficiado do aumento da produtividade foram os governos (e os seus amigos), em vez dos trabalhadores. Nas últimas 5 décadas, houve duas grandes revoluções que permitiram um aumento enorme da produtividade, da tecnologia/industrialização e a internet, mas estes avanços foram absorvidos pelos governos, os cidadãos pouco beneficiaram economicamente.</p>
<p>O mesmo vai acontecer com ganho de produtividade gerada pela AI, os governos vão querer absorver esse benefícios para si. Em vez do aumento de salário dos cidadãos, essa riqueza vai ser utilizada para reduzir os enormes déficits públicos e para financiar estados gordos.</p>
<p>Assim, esta parte da AI que poderia ser boa para a civilização, vai acabar por ser diluída pelos estados.</p>
<br>

<p>É curioso que o cidadão comum, consegue compreender o conceito económico de produtividade, mas já tem dificuldades em entender a inflação (o aumento da base monetária). E o estado, por interesse próprio, também não ensina, preferem manter o assunto meio nublado.</p>
<p>Há uns anos, eu em conversa com um senhor com bastante idade, um sujeito com poucos estudos, que foi sempre agricultor. O senhor contava a história, que antigamente nos campos com batatas eram necessários dezenas de trabalhadores para colher as batatas, mas hoje, basta um trator e uma pessoa, para fazer o mesmo trabalho. Depois concluía, se o custo com os trabalhadores diminuiu, logo o preço das batatas deveria diminuir, mas aconteceu o contrário, logo é culpa do proprietário/empresário, que está a enriquecer e é ganancioso.</p>
<p>A primeira parte é a descrição do aumento da produtividade, mas a sua conclusão está errada porque o senhor não tem noção do aumento da base monetária. O preço das batatas só baixaria, caso a base monetária fosse fixa. Enquanto ambos apontam o dedo, os trabalhadores acusam os empresários, os empresários acusam os trabalhadores; o estado observa e rouba os dois em simultâneo.</p>
<p><br><br></p>
<p>A impressão de dinheiro é um imposto invisível. Só existe uma maneira de evitar este roubo do século:</p>
<p><a href='/tag/bitcoin/'>#Bitcoin</a></p>
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      </item>
      
      <item>
      <title><![CDATA[Créditos na era Bitcoin]]></title>
      <description><![CDATA[Uma reflexão sobre o mercado de crédito.]]></description>
             <itunes:subtitle><![CDATA[Uma reflexão sobre o mercado de crédito.]]></itunes:subtitle>
      <pubDate>Sat, 13 Jul 2024 13:34:36 GMT</pubDate>
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      <category>FIAT</category>
      
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      <dc:creator><![CDATA[reiartur]]></dc:creator>
      <content:encoded><![CDATA[<p>Eu não sou nenhum especialista em economia, certamente este terá alguns erros, mas adoro pensar/imaginar/ tentar prever a evolução de uma sociedade FIAT para uma sociedade cada vez mais bitcoinizada, até o Bitcoin se tornar a unidade de conta do mundo.</p>
<p>Apenas vou analisar o crédito destinado ao retalho/varejo, a pessoas ou a empresas. Os empréstimos entre instituições bancárias, entre os bancos centrais e emissão de dívida soberana, ficam para uma futura segunda parte.</p>
<p>A adoção do Bitcoin como unidade de conta, vai provocar uma disrupção completa na sociedade, na economia e em todo sistema financeiro. O Bitcoin vai trazer ganhos incalculáveis para a sociedade, vai ser mais justa e equitativa. Também poderá ter alguns viés, um deles são os contratos de crédito, mas os benefícios superam em muito os “danos”.</p>
<p>A parte dos contratos créditos/empréstimos, talvez seja a área da economia na qual eu tenho mais dificuldade em imaginar, deixa-me com imensas dúvidas.</p>
<h1>Reserva Fracionária</h1>
<p>Antes de avançar na reflexão sobre o crédito, é importante primeiro falar de um conceito moderno do sistema bancário, a reserva fracionária.</p>
<blockquote>
<p>O sistema de reserva fracionária refere-se à prática bancária, adotada na maioria dos países do mundo, que permite que os bancos façam empréstimos ou investimentos em valor muito superior ao valor dos depósitos sob sua guarda, desde que mantenham como reserva uma determinada fração do valor desses depósitos. Esse sistema permite que os bancos emprestem a maior parte dos depósitos a vista, retendo compulsoriamente apenas uma fração desses depósitos. O sistema de reservas fracionárias baseia-se na crença de que os depositantes não sacarão o seu dinheiro ao mesmo tempo. Se o fizessem, os bancos não teriam como atender a demanda, ou seja, quebrariam.<br>Uma vez que os depósitos bancários são normalmente considerados como dinheiro e dado que os bancos mantêm reservas inferiores ao valor total dos depósitos de clientes, a reserva fracionária permite que a oferta monetária cresça além do montante da base monetária originalmente criada pelo banco central. – <a href="https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Sistema_de_reserva_fracion%C3%A1ria">Wikipedia</a></p>
</blockquote>
<p>Na prática, a reserva fracionária permite aos bancos comerciais emprestar mais dinheiro do que têm, ou seja, criam dinheiro do nada.</p>
<p>O cidadão comum tem uma ideia errada, de como funciona o crédito, acreditam que os bancos utilizam os depósitos de clientes para dar liquidez nos empréstimos, mas não corresponde à verdade. Quando um banco “vende” um crédito, cria dinheiro do nada, não utiliza o dinheiro dos depósitos dos clientes. É nos créditos onde se imprime mais dinheiro, sim, os bancos comerciais também têm o poder de imprimir dinheiro, não é algo exclusivo dos bancos centrais.</p>
<p>Assim, em cada novo empréstimo realizado, aumenta a base monetária.</p>
<p>Em quase todas as grandes crises financeiras/económicas que assolaram a humanidade tem em comum, na origem existe uma grande expansão da base monetária. Umas vezes foram geradas pelos bancos centrais/estados, outras foram pelos bancos comerciais.</p>
<p>A atual política monetária (incluindo a reserva fracionária) distorce por completo o risco. Como o risco de falência de uma instituição bancária, é nulo, em último caso, o pai estado está lá para resgatar e salvar o banco. Foi exatamente o que aconteceu em 2007, na crise subprime, houve um excesso de crédito, criou uma enorme bolha no imobiliário, o seu colapso levou as instituições à pré-falência, os estados foram obrigados a intervir, resgatando os bancos.</p>
<p>O risco é essencial e saudável, a existência de risco leva os credores /instituições bancárias a serem mais criteriosas e exigentes ao atribuir um crédito. Pelo contrário, a ausência de risco, leva ao facilitismo, ao excesso e ao abuso no crédito.</p>
<p>O abuso cria bolhas no mercado imobiliário, nos mercados financeiros, distorcem o mundo empresarial. O juro zero permitiu criar empresas zumbi, <em>startups</em> que nunca tiveram lucros, algumas chegaram a ser unicórnios. Como o dinheiro é barato, existe um excesso de liquidez, os VCs (Venture Capital) investem em tudo que mexe, sem qualquer critério.</p>
<p>Mas isto não é viável para sempre, a seguir ao excesso, acontece uma forte correção, uma crise severa. Para combater essa crise, os governos vão despejar dinheiro no mercado para estimular o consumo. Ou seja, a “solução” para a crise é a mesma que esteve na origem da crise, a expansão monetária. Isto cria um círculo vicioso de crises, crises recorrentes, ou como os economistas dizem, ciclos de mercado.</p>
<p>Na teoria, a taxa de juro, corresponde ao risco de incumprimento por parte do devedor. Quanto maior o risco de incumprimento, maior é a taxa de juro e/ou mais garantias exigidas pelo banco. Na prática, como o risco é zero, a taxa de juro está completamente distorcida pelos bancos centrais, levou a certas aberrações, como a taxa de juro zero ou mesmo negativas.</p>
<p>O padrão Bitcoin, não significa o fim da reserva fracionária, poderá existir, mas como o risco é elevadíssimo para as instituições bancárias, é provável que não o façam ou haverá com valores muito residuais.</p>
<p>Com algumas diferenças, mas foi o que aconteceu na FTX, as reservas eram muito inferiores ao valor total dos depósitos de clientes, na prática, eles fizeram reserva fracionária. Quando os clientes/depositantes foram levantar os seus ativos digitais, eles não existiam. Inevitável a FTX faliu.</p>
<p>A adoção Bitcoin é um forte acelerador para o fim da reserva fracionária, para um sistema monetário sólido, baseado na verdade e na transparência. Bitcoin é uma moeda ética.</p>
<h1>Crédito</h1>
<p>Eu não sou contra o crédito, pelo contrário, em certas circunstâncias é importante para a economia. Eu sou, é contra a reserva fracionária, permite que os bancos comerciais criem dinheiro do nada, sem assumir qualquer risco. Na minha opinião, os bancos comerciais devem ter <a href="https://en.wikipedia.org/wiki/Full-reserve_banking"><em>full-reserve</em></a>, a reserva fracionária deve ser proibida, para que os depósitos de clientes estejam completamente seguros, mesmo em situações críticas. Em caso de corrida bancária, o dinheiro está lá, não haverá problemas.</p>
<p>É o oposto do atual sistema, que foi construído em cima de uma castelo de cartas, que pode desmoronar a qualquer momento. O sistema bancário é muito frágil, qualquer dia, um <em>influencer</em> qualquer com milhões de seguidores, com um grande poder de influência, pode apelar aos seus seguidores para retirar o dinheiro do banco X, e em poucas horas esse banco colapsa. Em Portugal, o Banif foi alegadamente à falência, devido a uma corrida bancária, após <a href="https://observador.pt/2019/03/29/ministerio-publico-acusa-tvi-e-diretor-de-informacao-no-caso-banif/">uma notícia emitida no notíciario de um canal televisivo</a>. Isto só é possível porque o sistema é frágil, o sistema financeiro tem que ser blindado, não pode estar a mercê de um <em>influencer</em> ou de uma televisão ou de uma <em>fakenews</em>.</p>
<p>O atual modelo de crédito tem que mudar, os bancos têm que deixar de ser os credores, devem apenas fazer a intermediação, entre devedor e o credor.</p>
<p>Têm que existir uma segregação entre os depósitos dos clientes do banco e o dinheiro dos credores. Assim o risco, fica em exclusivo de quem dá a liquidez (credor), o banco está totalmente sólido, além disso não existirá um aumento da base monetária.</p>
<p>O fim da reserva fracionária, não é o fim do crédito, mas não será tão acessível, haverá mais exigências, maiores garantias e as taxas de juros serão superiores.</p>
<h2>Sociedade de crédito</h2>
<p>Nós vivemos numa sociedade altamente consumista, totalmente dependente/viciada em crédito, com alta preferência temporal. Isso só é possível devido ao sistema fiduciário (FIAT), com crédito fácil e barato, que incentiva o consumismo exacerbado.</p>
<p>O fim da expansão monetária será o fim do crédito barato, será o fim uma aberração da era moderna, as taxas de juro zero ou negativas. A reserva fracionária será extremamente arriscada, os bancos que o fizeram correm altos riscos. Atualmente, como o risco é zero ou baixo para todos os intervenientes no crédito, todos beneficiam, distorcendo o mercado. Com um risco zero, gera um forte incentivo ao crédito por parte do consumidor, os bancos atribuem indiscriminadamente os créditos, sem qualquer critério. O devedor têm taxas de juros mais baixas e os bancos não correm risco de insolvência porque têm uma proteção do pai estado. O estado também não tem qualquer risco, se for necessário salvar um banco, é só imprimir dinheiro, o custo é zero.</p>
<p>Isto parece tudo um mar de rosas, todos estão felizes e contentes, mas na realidade, isto é tudo uma ilusão, ao criar dinheiro, cria inflação. A inflação destrói as poupanças dos cidadãos, é um imposto oculto, além de ser altamente perverso, em dois sentidos; Primeiro: beneficia os devedores, mas quem é penalizado são os poupadores, na sociedade no geral; Segundo: beneficia os ricos em detrimento dos pobres, efeito Cantillon.</p>
<h2>Crédito à habitação</h2>
<p>O problema do acesso ao crédito será visível sobretudo na habitação, porque nos restantes créditos, a sociedade adapta-se. Se não houver dinheiro para um carro novo, opta por um carro usado, ou então por um de cilindrada mais baixa.</p>
<p>No caso da habitação é mais complexo, já não existe essa flexibilidade, devido ao elevado valor, tanto das novas como das velhas habitações.</p>
<p>Este problema é sobretudo visível nos países ocidentais, que durante anos aproveitaram o privilégio de taxas de juros mais baixas, permitia fazer crédito à habitação com maturidade muito longas, superiores a 30 anos. Países com problemas cambiais, as maturidade sempre foram mais curtas, já estão habituados a taxas de juros mais elevadas.</p>
<p>O problema ainda é mais grave em certos países ocidentais, como o caso de Portugal, onde o mercado de arrendamento é muito pequeno e a única alternativa dos jovens, é ter habitação própria. Mas devido ao valor exorbitante das habitação, a única solução era através do crédito com maturidade extensa. Com o fim do crédito barato, o crédito à habitação inevitavelmente terá que ser bastante mais curto, talvez um máximo 10 anos, possivelmente o crédito apenas financiará metade do valor do imóvel, o restante terá que ser poupanças.</p>
<p>Em Portugal e em muitos outros países, muito poucos os jovens conseguem cumprir esses requisitos, para ter acesso a uma casa.</p>
<p>Para resolver o problema, os políticos vão optar pelo mais fácil, vão ter planos “milagrosos”, como créditos bonificados, garantias ilimitadas aos bancos e muitos outros artifícios. Na prática, isto será uma reserva fracionária travestida. Apenas resulta numa distorção completa no mercado.</p>
<p>A ideia do Bitcoin como reserva de valor, como uma proteção contra a inflação é sedutora, atrai muita gente. Mas com a crescente adoção, as pessoas vão se aperceber que o crédito não será tão acessível, como anteriormente. Ao aperceberam-se do fim do crédito barato, será que não vai provocar um atraso ou mesmo um retrocesso na adoção do Bitcoin?</p>
<p>Será que a sociedade está disponível para perder o acesso ao crédito barato?</p>
<p>Não sei a resposta.</p>
<h2>Evolução no crédito</h2>
<p>Com a alteração do padrão FIAT para o padrão Bitcoin, o crédito vai sofrer uma evolução e a sociedade terá que se adaptar.</p>
<p>Atualmente estamos no padrão FIAT, o crédito é simples e barato.</p>
<p>A moeda fiduciária é inflacionária e o Bitcoin está com uma aquisição de poder de compra crescente, permite fazer um ataque especulativo entre as moedas. É o que Michael Saylor faz, realizando créditos em dólares para comprar Bitcoin. Como o Bitcoin tem uma valorização contra dólar, beneficia.</p>
<p>No período de transição entre os dois padrões, talvez exista um momento, onde será muito complicado a realização de contratos de crédito. Com o Bitcoin numa fase avançada na adoção mas a unidade de conta ainda é a FIAT, como existe uma forte volatilidade nas duas moedas, a FIAT com uma desvalorização acelerada e o Bitcoin será o oposto, torna-se difícil o crédito.</p>
<p>Como ninguém quer ter FIAT, a taxa de juro terá que ser muito elevada, serão poucas as pessoas a conseguir fazer um crédito em FIAT. Em alternativa podem surgir os créditos com o valor facial em Bitcoin, mas o risco também será muito elevado para quem realiza o crédito. Como o Bitcoin está numa fase de valorização, mas as pessoas continuam a ter vencimentos em FIAT, torna-se impossível cumprir os seus compromissos, especialmente a longo prazo.</p>
<p>Imaginem que o crédito, corresponde a uma prestação de 0.01Btc por mês. A primeira prestação corresponde a 40% do salário, passado um ano seria 70%, passando outro ano, seria maior que o salário, era impossível cumprir.</p>
<p>Nesta fase, o crédito será muito pouco acessível, em ambas moedas. Quanto maior for a volatilidade, mais difícil será o crédito.</p>
<p>Com a crescente adoção do Bitcoin, a sua volatilidade ficará muito baixa, o crédito voltará a ser possível para o comum cidadão, mas todos os contratos de créditos serão precificados em BTC. O Bitcoin será a unidade de conta.</p>
<h1>Bancos comerciais</h1>
<p>Com o fim da reserva fracionária, os bancos comerciais terão um papel muito diferente do atual, na parte dos contratos de crédito serão apenas intermediários, vão redigir os contratos, fazer a análise de risco, avaliar os colaterais. O banco não vai dar liquidez, serão terceiros a dar, ou pessoas ou empresas. A yield será definida por quem dá a liquidez, num modelo similar aos leilões de dívida pública.</p>
<p>Neste modelo, os bancos estão mais seguros, não terão problema devido ao incumprimento do crédito, esse risco será do credor. Os bancos passam a desempenhar o seu papel original, os depósitos, guardar o dinheiro dos clientes e alguns produtos de intermediação, mas em nenhum momento compromete a liquidez da instituição. É o oposto do que acontece hoje, onde o crédito coloca em causa a solvência do banco, com o fim das reservas bancárias, os bancos são mais resilientes, as corridas bancárias deixam de ser um problema.</p>
<p>Com o surgimento dos <em>smartcontracts</em> nas <em>blockchains</em>, o crédito entrou numa nova era, é uma revolução mas ainda tem algumas limitações, sobretudo no colateral. Os bancos vão desempenhar um papel fundamental, vão avaliar e fazer a guarda dos colaterais, será criado um <em>token</em> RWA.</p>
<h2>RWA</h2>
<p>Os Real World Assets (RWA) ainda está numa fase inicial, mas será um filão para os bancos.</p>
<p>No último ano surgiram inúmeros projetos de <em>tokens</em> de RWA, é uma nova moda, são <em>tokens</em> de governança, eu não acredito neste tipo de produto. São autênticos scans, não têm qualquer valor. Isto é algo muito recorrente no mundo cripto, pegam num conceito muito interessante, útil para a sociedade, mas depois desvirtuam por completo o conceito inicial, com o único intuito de enriquecer, é a ganância no estado puro. Um bom exemplo são os NFTs, é uma tecnologia interessante para os certificados de autenticidade ou para ingressos. O objectivo é garantir prevenir a contrafacção, mas os degenerados transformam os NFTs num produto de especuladores, uma via para enriquecer. O mesmo acontece com estes RWAs, é sobretudo <em>tokens</em> de governança, sem qualquer valor, pura especulação.</p>
<p>Os RWAs que eu acredito, que terão valor, na prática são garantias bancárias ou hipotecas (de um bem móvel ou imóvel), ações, título do governo, em formato digital, um <em>token</em>. São <em>tokens</em> emitidos e geridos por uma entidade centralizada, sobretudo bancos. Cada <em>token</em> corresponde a um ativo real/físico. Esta entidade fará a avaliação, a guarda desse ativo real e cria esse <em>token</em> e fará a sua gestão, é a segurança jurídica.</p>
<p>Vamos a dois exemplos concretos: Um caso, pode ser uma garantia bancária digital, em formato <em>token</em>. Depositamos 10.000€ no banco, é um criada uma garantia bancária digital (<em>token</em>) nesse valor.</p>
<p>Outro caso, eu tenho um quadro/pintura, é avaliado, é criado um <em>token</em>. O quadro ficará à guarda do banco, é uma hipoteca.</p>
<p>Qual a vantagem destes RWAs?</p>
<p>Com eles é possível fazer <em>smartcontracts</em> e utilizá-lo como colateral, existe uma infindável possibilidade, a principal será para contratos de créditos. Em caso de incumprimento do contrato, o credor vai exercer o direito ao colateral ao banco, o banco será a segurança jurídica, um intermédio de confiança.</p>
<p>Em nenhum momento, estes <em>tokens</em> valorizam, o valor está no bem físico que representam. Infelizmente o que está a ser criado agora, não faz sentido, não é necessário criar <em>blockchains</em> exclusivas, também não é necessário criar um <em>token</em> nativo para essas <em>blockchains</em>. Os degenerados só querem produtos especulativos, mas eu ainda tenho a esperança que isto seja corrigido, os verdadeiros NFTs e RWAs vão dominar.</p>
<h1>Crédito colateralizados em Bitcoin</h1>
<p>Os créditos colateralizados em Bitcoin é uma ideia que circula muito na comunidade de bitcoiners maximalistas, como uma possibilidade para o futuro. Em vez de vender o BTCs, as pessoas vivem de créditos colateralizados em BTC, que são renovados perpetuamente, por isso eu gosto de os chamar créditos perpétuos.</p>
<p>Como funciona?</p>
<p>Consiste em pedir crédito com colateral em BTCs, quando a maturidade terminar, será pago com um novo crédito. Como o Bitcoin valoriza mais que o FIAT ao longo do tempo, o colateral necessário será cada vez menor.</p>
<p>Exemplo:</p>
<ul>
<li>Fazer um crédito de 30.000€, com uma maturidade a 4 anos, com um colateral de 1 BTC (o dobro, BTC=60.000€).</li>
<li>Passado os 4 anos, a maturidade termina e o bitcoin vale 120.000€. É feito um novo crédito idêntico, mas com um colateral de 0.5 BTC.</li>
<li>Passado outros 4 anos, o BTC já vale 240.000€, é realizado um novo crédito mas com um colateral de 0.25 BTC. Esta operação pode ser repetida infinitamente, com o passar do tempo, o colateral será cada vez menor.</li>
</ul>
<p>Para uma melhor compreensão do exemplo, eu simplifiquei ao máximo a ideia, porque nestas equações falta incluir a taxa de juro da instituição de crédito e outros custos da operação.</p>
<p>Em teoria, esta engenharia financeira funciona, desde que a valorização do Bitcoin contra o FIAT, seja superior aos custos do crédito.</p>
<p>Posso estar errado, mas esta engenharia financeira, apenas é viável quando a unidade de conta é uma moeda FIAT. Existem bitcoiners que desejam um mundo bitcoinizado e ao mesmo tempo querem usufruir destes créditos perpétuos, no meu ponto de vista não é possível acontecer os dois em simultâneo.</p>
<h1>Conclusão</h1>
<p>Eu tenho muitas dúvidas, mas uma coisa é certa, o crédito nunca estará ameaçado, existirá sempre a possibilidade de realizar crédito. As alterações mais profundas apenas ocorrerão com o fim da reserva fracionária, mesmo nessa situação, existirá, mas será sempre mais responsável. Esta é a palavra chave, o que falta ao atual sistema, RESPONSABILIDADE.</p>
<p>Este sistema monetário está caduco, mas como um dos principais benefícios são os políticos, eles não fazem nada para mudar, pelo contrário, vão/estão a fazer tudo para o manter. Os políticos têm que ser mais responsáveis, aprender a viver com menos e não hipotecar o futuro dos seus netos.</p>
<p>Eu ainda tenho muitas dúvidas, se alguma vez, o padrão Bitcoin na sua plenitude vai acontecer, pelo menos, eu acredito não estar vivo nesse momento. Os políticos vão fazer tudo para procrastinar, só dentro de muitas décadas a mudança poderá ocorrer. Os políticos são idiotas, mas são extremamente camaleônicos, vão se adaptar para se manter no poder, é a luta pela sobrevivência.</p>
<p>A mudança começa em cada um de nós, se a maioria mudar, a sociedade muda. Necessitamos de uma população com uma preferência temporal mais baixa, menos consumista.</p>
<p>O Bitcoin, primeiro muda o nosso eu, a nossa maneira de ver o mundo, só depois mudar a sociedade.</p>
<p>Fix the money, Fix the World!</p>
]]></content:encoded>
      <itunes:author><![CDATA[reiartur]]></itunes:author>
      <itunes:summary><![CDATA[<p>Eu não sou nenhum especialista em economia, certamente este terá alguns erros, mas adoro pensar/imaginar/ tentar prever a evolução de uma sociedade FIAT para uma sociedade cada vez mais bitcoinizada, até o Bitcoin se tornar a unidade de conta do mundo.</p>
<p>Apenas vou analisar o crédito destinado ao retalho/varejo, a pessoas ou a empresas. Os empréstimos entre instituições bancárias, entre os bancos centrais e emissão de dívida soberana, ficam para uma futura segunda parte.</p>
<p>A adoção do Bitcoin como unidade de conta, vai provocar uma disrupção completa na sociedade, na economia e em todo sistema financeiro. O Bitcoin vai trazer ganhos incalculáveis para a sociedade, vai ser mais justa e equitativa. Também poderá ter alguns viés, um deles são os contratos de crédito, mas os benefícios superam em muito os “danos”.</p>
<p>A parte dos contratos créditos/empréstimos, talvez seja a área da economia na qual eu tenho mais dificuldade em imaginar, deixa-me com imensas dúvidas.</p>
<h1>Reserva Fracionária</h1>
<p>Antes de avançar na reflexão sobre o crédito, é importante primeiro falar de um conceito moderno do sistema bancário, a reserva fracionária.</p>
<blockquote>
<p>O sistema de reserva fracionária refere-se à prática bancária, adotada na maioria dos países do mundo, que permite que os bancos façam empréstimos ou investimentos em valor muito superior ao valor dos depósitos sob sua guarda, desde que mantenham como reserva uma determinada fração do valor desses depósitos. Esse sistema permite que os bancos emprestem a maior parte dos depósitos a vista, retendo compulsoriamente apenas uma fração desses depósitos. O sistema de reservas fracionárias baseia-se na crença de que os depositantes não sacarão o seu dinheiro ao mesmo tempo. Se o fizessem, os bancos não teriam como atender a demanda, ou seja, quebrariam.<br>Uma vez que os depósitos bancários são normalmente considerados como dinheiro e dado que os bancos mantêm reservas inferiores ao valor total dos depósitos de clientes, a reserva fracionária permite que a oferta monetária cresça além do montante da base monetária originalmente criada pelo banco central. – <a href="https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Sistema_de_reserva_fracion%C3%A1ria">Wikipedia</a></p>
</blockquote>
<p>Na prática, a reserva fracionária permite aos bancos comerciais emprestar mais dinheiro do que têm, ou seja, criam dinheiro do nada.</p>
<p>O cidadão comum tem uma ideia errada, de como funciona o crédito, acreditam que os bancos utilizam os depósitos de clientes para dar liquidez nos empréstimos, mas não corresponde à verdade. Quando um banco “vende” um crédito, cria dinheiro do nada, não utiliza o dinheiro dos depósitos dos clientes. É nos créditos onde se imprime mais dinheiro, sim, os bancos comerciais também têm o poder de imprimir dinheiro, não é algo exclusivo dos bancos centrais.</p>
<p>Assim, em cada novo empréstimo realizado, aumenta a base monetária.</p>
<p>Em quase todas as grandes crises financeiras/económicas que assolaram a humanidade tem em comum, na origem existe uma grande expansão da base monetária. Umas vezes foram geradas pelos bancos centrais/estados, outras foram pelos bancos comerciais.</p>
<p>A atual política monetária (incluindo a reserva fracionária) distorce por completo o risco. Como o risco de falência de uma instituição bancária, é nulo, em último caso, o pai estado está lá para resgatar e salvar o banco. Foi exatamente o que aconteceu em 2007, na crise subprime, houve um excesso de crédito, criou uma enorme bolha no imobiliário, o seu colapso levou as instituições à pré-falência, os estados foram obrigados a intervir, resgatando os bancos.</p>
<p>O risco é essencial e saudável, a existência de risco leva os credores /instituições bancárias a serem mais criteriosas e exigentes ao atribuir um crédito. Pelo contrário, a ausência de risco, leva ao facilitismo, ao excesso e ao abuso no crédito.</p>
<p>O abuso cria bolhas no mercado imobiliário, nos mercados financeiros, distorcem o mundo empresarial. O juro zero permitiu criar empresas zumbi, <em>startups</em> que nunca tiveram lucros, algumas chegaram a ser unicórnios. Como o dinheiro é barato, existe um excesso de liquidez, os VCs (Venture Capital) investem em tudo que mexe, sem qualquer critério.</p>
<p>Mas isto não é viável para sempre, a seguir ao excesso, acontece uma forte correção, uma crise severa. Para combater essa crise, os governos vão despejar dinheiro no mercado para estimular o consumo. Ou seja, a “solução” para a crise é a mesma que esteve na origem da crise, a expansão monetária. Isto cria um círculo vicioso de crises, crises recorrentes, ou como os economistas dizem, ciclos de mercado.</p>
<p>Na teoria, a taxa de juro, corresponde ao risco de incumprimento por parte do devedor. Quanto maior o risco de incumprimento, maior é a taxa de juro e/ou mais garantias exigidas pelo banco. Na prática, como o risco é zero, a taxa de juro está completamente distorcida pelos bancos centrais, levou a certas aberrações, como a taxa de juro zero ou mesmo negativas.</p>
<p>O padrão Bitcoin, não significa o fim da reserva fracionária, poderá existir, mas como o risco é elevadíssimo para as instituições bancárias, é provável que não o façam ou haverá com valores muito residuais.</p>
<p>Com algumas diferenças, mas foi o que aconteceu na FTX, as reservas eram muito inferiores ao valor total dos depósitos de clientes, na prática, eles fizeram reserva fracionária. Quando os clientes/depositantes foram levantar os seus ativos digitais, eles não existiam. Inevitável a FTX faliu.</p>
<p>A adoção Bitcoin é um forte acelerador para o fim da reserva fracionária, para um sistema monetário sólido, baseado na verdade e na transparência. Bitcoin é uma moeda ética.</p>
<h1>Crédito</h1>
<p>Eu não sou contra o crédito, pelo contrário, em certas circunstâncias é importante para a economia. Eu sou, é contra a reserva fracionária, permite que os bancos comerciais criem dinheiro do nada, sem assumir qualquer risco. Na minha opinião, os bancos comerciais devem ter <a href="https://en.wikipedia.org/wiki/Full-reserve_banking"><em>full-reserve</em></a>, a reserva fracionária deve ser proibida, para que os depósitos de clientes estejam completamente seguros, mesmo em situações críticas. Em caso de corrida bancária, o dinheiro está lá, não haverá problemas.</p>
<p>É o oposto do atual sistema, que foi construído em cima de uma castelo de cartas, que pode desmoronar a qualquer momento. O sistema bancário é muito frágil, qualquer dia, um <em>influencer</em> qualquer com milhões de seguidores, com um grande poder de influência, pode apelar aos seus seguidores para retirar o dinheiro do banco X, e em poucas horas esse banco colapsa. Em Portugal, o Banif foi alegadamente à falência, devido a uma corrida bancária, após <a href="https://observador.pt/2019/03/29/ministerio-publico-acusa-tvi-e-diretor-de-informacao-no-caso-banif/">uma notícia emitida no notíciario de um canal televisivo</a>. Isto só é possível porque o sistema é frágil, o sistema financeiro tem que ser blindado, não pode estar a mercê de um <em>influencer</em> ou de uma televisão ou de uma <em>fakenews</em>.</p>
<p>O atual modelo de crédito tem que mudar, os bancos têm que deixar de ser os credores, devem apenas fazer a intermediação, entre devedor e o credor.</p>
<p>Têm que existir uma segregação entre os depósitos dos clientes do banco e o dinheiro dos credores. Assim o risco, fica em exclusivo de quem dá a liquidez (credor), o banco está totalmente sólido, além disso não existirá um aumento da base monetária.</p>
<p>O fim da reserva fracionária, não é o fim do crédito, mas não será tão acessível, haverá mais exigências, maiores garantias e as taxas de juros serão superiores.</p>
<h2>Sociedade de crédito</h2>
<p>Nós vivemos numa sociedade altamente consumista, totalmente dependente/viciada em crédito, com alta preferência temporal. Isso só é possível devido ao sistema fiduciário (FIAT), com crédito fácil e barato, que incentiva o consumismo exacerbado.</p>
<p>O fim da expansão monetária será o fim do crédito barato, será o fim uma aberração da era moderna, as taxas de juro zero ou negativas. A reserva fracionária será extremamente arriscada, os bancos que o fizeram correm altos riscos. Atualmente, como o risco é zero ou baixo para todos os intervenientes no crédito, todos beneficiam, distorcendo o mercado. Com um risco zero, gera um forte incentivo ao crédito por parte do consumidor, os bancos atribuem indiscriminadamente os créditos, sem qualquer critério. O devedor têm taxas de juros mais baixas e os bancos não correm risco de insolvência porque têm uma proteção do pai estado. O estado também não tem qualquer risco, se for necessário salvar um banco, é só imprimir dinheiro, o custo é zero.</p>
<p>Isto parece tudo um mar de rosas, todos estão felizes e contentes, mas na realidade, isto é tudo uma ilusão, ao criar dinheiro, cria inflação. A inflação destrói as poupanças dos cidadãos, é um imposto oculto, além de ser altamente perverso, em dois sentidos; Primeiro: beneficia os devedores, mas quem é penalizado são os poupadores, na sociedade no geral; Segundo: beneficia os ricos em detrimento dos pobres, efeito Cantillon.</p>
<h2>Crédito à habitação</h2>
<p>O problema do acesso ao crédito será visível sobretudo na habitação, porque nos restantes créditos, a sociedade adapta-se. Se não houver dinheiro para um carro novo, opta por um carro usado, ou então por um de cilindrada mais baixa.</p>
<p>No caso da habitação é mais complexo, já não existe essa flexibilidade, devido ao elevado valor, tanto das novas como das velhas habitações.</p>
<p>Este problema é sobretudo visível nos países ocidentais, que durante anos aproveitaram o privilégio de taxas de juros mais baixas, permitia fazer crédito à habitação com maturidade muito longas, superiores a 30 anos. Países com problemas cambiais, as maturidade sempre foram mais curtas, já estão habituados a taxas de juros mais elevadas.</p>
<p>O problema ainda é mais grave em certos países ocidentais, como o caso de Portugal, onde o mercado de arrendamento é muito pequeno e a única alternativa dos jovens, é ter habitação própria. Mas devido ao valor exorbitante das habitação, a única solução era através do crédito com maturidade extensa. Com o fim do crédito barato, o crédito à habitação inevitavelmente terá que ser bastante mais curto, talvez um máximo 10 anos, possivelmente o crédito apenas financiará metade do valor do imóvel, o restante terá que ser poupanças.</p>
<p>Em Portugal e em muitos outros países, muito poucos os jovens conseguem cumprir esses requisitos, para ter acesso a uma casa.</p>
<p>Para resolver o problema, os políticos vão optar pelo mais fácil, vão ter planos “milagrosos”, como créditos bonificados, garantias ilimitadas aos bancos e muitos outros artifícios. Na prática, isto será uma reserva fracionária travestida. Apenas resulta numa distorção completa no mercado.</p>
<p>A ideia do Bitcoin como reserva de valor, como uma proteção contra a inflação é sedutora, atrai muita gente. Mas com a crescente adoção, as pessoas vão se aperceber que o crédito não será tão acessível, como anteriormente. Ao aperceberam-se do fim do crédito barato, será que não vai provocar um atraso ou mesmo um retrocesso na adoção do Bitcoin?</p>
<p>Será que a sociedade está disponível para perder o acesso ao crédito barato?</p>
<p>Não sei a resposta.</p>
<h2>Evolução no crédito</h2>
<p>Com a alteração do padrão FIAT para o padrão Bitcoin, o crédito vai sofrer uma evolução e a sociedade terá que se adaptar.</p>
<p>Atualmente estamos no padrão FIAT, o crédito é simples e barato.</p>
<p>A moeda fiduciária é inflacionária e o Bitcoin está com uma aquisição de poder de compra crescente, permite fazer um ataque especulativo entre as moedas. É o que Michael Saylor faz, realizando créditos em dólares para comprar Bitcoin. Como o Bitcoin tem uma valorização contra dólar, beneficia.</p>
<p>No período de transição entre os dois padrões, talvez exista um momento, onde será muito complicado a realização de contratos de crédito. Com o Bitcoin numa fase avançada na adoção mas a unidade de conta ainda é a FIAT, como existe uma forte volatilidade nas duas moedas, a FIAT com uma desvalorização acelerada e o Bitcoin será o oposto, torna-se difícil o crédito.</p>
<p>Como ninguém quer ter FIAT, a taxa de juro terá que ser muito elevada, serão poucas as pessoas a conseguir fazer um crédito em FIAT. Em alternativa podem surgir os créditos com o valor facial em Bitcoin, mas o risco também será muito elevado para quem realiza o crédito. Como o Bitcoin está numa fase de valorização, mas as pessoas continuam a ter vencimentos em FIAT, torna-se impossível cumprir os seus compromissos, especialmente a longo prazo.</p>
<p>Imaginem que o crédito, corresponde a uma prestação de 0.01Btc por mês. A primeira prestação corresponde a 40% do salário, passado um ano seria 70%, passando outro ano, seria maior que o salário, era impossível cumprir.</p>
<p>Nesta fase, o crédito será muito pouco acessível, em ambas moedas. Quanto maior for a volatilidade, mais difícil será o crédito.</p>
<p>Com a crescente adoção do Bitcoin, a sua volatilidade ficará muito baixa, o crédito voltará a ser possível para o comum cidadão, mas todos os contratos de créditos serão precificados em BTC. O Bitcoin será a unidade de conta.</p>
<h1>Bancos comerciais</h1>
<p>Com o fim da reserva fracionária, os bancos comerciais terão um papel muito diferente do atual, na parte dos contratos de crédito serão apenas intermediários, vão redigir os contratos, fazer a análise de risco, avaliar os colaterais. O banco não vai dar liquidez, serão terceiros a dar, ou pessoas ou empresas. A yield será definida por quem dá a liquidez, num modelo similar aos leilões de dívida pública.</p>
<p>Neste modelo, os bancos estão mais seguros, não terão problema devido ao incumprimento do crédito, esse risco será do credor. Os bancos passam a desempenhar o seu papel original, os depósitos, guardar o dinheiro dos clientes e alguns produtos de intermediação, mas em nenhum momento compromete a liquidez da instituição. É o oposto do que acontece hoje, onde o crédito coloca em causa a solvência do banco, com o fim das reservas bancárias, os bancos são mais resilientes, as corridas bancárias deixam de ser um problema.</p>
<p>Com o surgimento dos <em>smartcontracts</em> nas <em>blockchains</em>, o crédito entrou numa nova era, é uma revolução mas ainda tem algumas limitações, sobretudo no colateral. Os bancos vão desempenhar um papel fundamental, vão avaliar e fazer a guarda dos colaterais, será criado um <em>token</em> RWA.</p>
<h2>RWA</h2>
<p>Os Real World Assets (RWA) ainda está numa fase inicial, mas será um filão para os bancos.</p>
<p>No último ano surgiram inúmeros projetos de <em>tokens</em> de RWA, é uma nova moda, são <em>tokens</em> de governança, eu não acredito neste tipo de produto. São autênticos scans, não têm qualquer valor. Isto é algo muito recorrente no mundo cripto, pegam num conceito muito interessante, útil para a sociedade, mas depois desvirtuam por completo o conceito inicial, com o único intuito de enriquecer, é a ganância no estado puro. Um bom exemplo são os NFTs, é uma tecnologia interessante para os certificados de autenticidade ou para ingressos. O objectivo é garantir prevenir a contrafacção, mas os degenerados transformam os NFTs num produto de especuladores, uma via para enriquecer. O mesmo acontece com estes RWAs, é sobretudo <em>tokens</em> de governança, sem qualquer valor, pura especulação.</p>
<p>Os RWAs que eu acredito, que terão valor, na prática são garantias bancárias ou hipotecas (de um bem móvel ou imóvel), ações, título do governo, em formato digital, um <em>token</em>. São <em>tokens</em> emitidos e geridos por uma entidade centralizada, sobretudo bancos. Cada <em>token</em> corresponde a um ativo real/físico. Esta entidade fará a avaliação, a guarda desse ativo real e cria esse <em>token</em> e fará a sua gestão, é a segurança jurídica.</p>
<p>Vamos a dois exemplos concretos: Um caso, pode ser uma garantia bancária digital, em formato <em>token</em>. Depositamos 10.000€ no banco, é um criada uma garantia bancária digital (<em>token</em>) nesse valor.</p>
<p>Outro caso, eu tenho um quadro/pintura, é avaliado, é criado um <em>token</em>. O quadro ficará à guarda do banco, é uma hipoteca.</p>
<p>Qual a vantagem destes RWAs?</p>
<p>Com eles é possível fazer <em>smartcontracts</em> e utilizá-lo como colateral, existe uma infindável possibilidade, a principal será para contratos de créditos. Em caso de incumprimento do contrato, o credor vai exercer o direito ao colateral ao banco, o banco será a segurança jurídica, um intermédio de confiança.</p>
<p>Em nenhum momento, estes <em>tokens</em> valorizam, o valor está no bem físico que representam. Infelizmente o que está a ser criado agora, não faz sentido, não é necessário criar <em>blockchains</em> exclusivas, também não é necessário criar um <em>token</em> nativo para essas <em>blockchains</em>. Os degenerados só querem produtos especulativos, mas eu ainda tenho a esperança que isto seja corrigido, os verdadeiros NFTs e RWAs vão dominar.</p>
<h1>Crédito colateralizados em Bitcoin</h1>
<p>Os créditos colateralizados em Bitcoin é uma ideia que circula muito na comunidade de bitcoiners maximalistas, como uma possibilidade para o futuro. Em vez de vender o BTCs, as pessoas vivem de créditos colateralizados em BTC, que são renovados perpetuamente, por isso eu gosto de os chamar créditos perpétuos.</p>
<p>Como funciona?</p>
<p>Consiste em pedir crédito com colateral em BTCs, quando a maturidade terminar, será pago com um novo crédito. Como o Bitcoin valoriza mais que o FIAT ao longo do tempo, o colateral necessário será cada vez menor.</p>
<p>Exemplo:</p>
<ul>
<li>Fazer um crédito de 30.000€, com uma maturidade a 4 anos, com um colateral de 1 BTC (o dobro, BTC=60.000€).</li>
<li>Passado os 4 anos, a maturidade termina e o bitcoin vale 120.000€. É feito um novo crédito idêntico, mas com um colateral de 0.5 BTC.</li>
<li>Passado outros 4 anos, o BTC já vale 240.000€, é realizado um novo crédito mas com um colateral de 0.25 BTC. Esta operação pode ser repetida infinitamente, com o passar do tempo, o colateral será cada vez menor.</li>
</ul>
<p>Para uma melhor compreensão do exemplo, eu simplifiquei ao máximo a ideia, porque nestas equações falta incluir a taxa de juro da instituição de crédito e outros custos da operação.</p>
<p>Em teoria, esta engenharia financeira funciona, desde que a valorização do Bitcoin contra o FIAT, seja superior aos custos do crédito.</p>
<p>Posso estar errado, mas esta engenharia financeira, apenas é viável quando a unidade de conta é uma moeda FIAT. Existem bitcoiners que desejam um mundo bitcoinizado e ao mesmo tempo querem usufruir destes créditos perpétuos, no meu ponto de vista não é possível acontecer os dois em simultâneo.</p>
<h1>Conclusão</h1>
<p>Eu tenho muitas dúvidas, mas uma coisa é certa, o crédito nunca estará ameaçado, existirá sempre a possibilidade de realizar crédito. As alterações mais profundas apenas ocorrerão com o fim da reserva fracionária, mesmo nessa situação, existirá, mas será sempre mais responsável. Esta é a palavra chave, o que falta ao atual sistema, RESPONSABILIDADE.</p>
<p>Este sistema monetário está caduco, mas como um dos principais benefícios são os políticos, eles não fazem nada para mudar, pelo contrário, vão/estão a fazer tudo para o manter. Os políticos têm que ser mais responsáveis, aprender a viver com menos e não hipotecar o futuro dos seus netos.</p>
<p>Eu ainda tenho muitas dúvidas, se alguma vez, o padrão Bitcoin na sua plenitude vai acontecer, pelo menos, eu acredito não estar vivo nesse momento. Os políticos vão fazer tudo para procrastinar, só dentro de muitas décadas a mudança poderá ocorrer. Os políticos são idiotas, mas são extremamente camaleônicos, vão se adaptar para se manter no poder, é a luta pela sobrevivência.</p>
<p>A mudança começa em cada um de nós, se a maioria mudar, a sociedade muda. Necessitamos de uma população com uma preferência temporal mais baixa, menos consumista.</p>
<p>O Bitcoin, primeiro muda o nosso eu, a nossa maneira de ver o mundo, só depois mudar a sociedade.</p>
<p>Fix the money, Fix the World!</p>
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      </item>
      
      <item>
      <title><![CDATA[Bitcoin e Bolsas de valores]]></title>
      <description><![CDATA[Bitcoin e a coexistência com bolsas de valores, no presente e no futuro.]]></description>
             <itunes:subtitle><![CDATA[Bitcoin e a coexistência com bolsas de valores, no presente e no futuro.]]></itunes:subtitle>
      <pubDate>Wed, 10 Jul 2024 09:28:43 GMT</pubDate>
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      <category>bitcoin</category>
      
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      <dc:creator><![CDATA[reiartur]]></dc:creator>
      <content:encoded><![CDATA[<p>Hoje vamos para uma reflexão mais sensível, sobretudo para uma facção mais tóxica de maximalistas, a bolsa de valores. Essa facção gosta de intitular o bolsa de valores/mercado de capitais como um <em>scam</em>, gosta de comparar a valorização do Bitcoin, com a valorização das ações.</p>
<p>Mas os dois são incomparáveis, têm objetivos completamente diferentes, um é poupança, o outro é investimento. É claro que no curto prazo, o Bitcoin está a valorizar mais que os mercados de capitais, mas isto é algo circunstancial/temporário, porque o Bitcoin está a monetizar.</p>
<p>O Bitcoin ainda tem um <em>market cap</em> pequeno, quanto mais cresce, menos volátil será, é natural com o tempo, a valorização do Bitcoin será menor. Aquelas valorizações de 1000% num curto espaço de tempo, nunca mais vão acontecer, e é bom que não volte a acontecer, é sinal que a adopção está a avançar bem e gradual.</p>
<p>Quando existe uma valorização muito expressiva em pouco tempo, é inevitável, posteriormente uma forte correção, foi o que aconteceu nos primeiros ciclos do Bitcoin. Com o passar do tempo, a volatilidade está a diminuir, sobe menos, consequentemente as correções serão menores, esta estabilidade é fundamental para a aceleração da adoção do Bitcoin como moeda em todo o mundo.</p>
<p>A fraca volatilidade é boa para o Bitcoin como moeda e como reserva de valor, mas para quem usa como um meio especulativo, para enriquecer, vai deixar de ser tão atrativo. Por o Bitcoin ter atualmente uma valorização superior à bolsa de valores, não significa que o mercado de capitais seja um <em>scam</em>.</p>
<p>Em suma, a longo prazo o Bitcoin será um ativo apenas para manter o poder de compra, sendo mais rentável (para um especulador) investir em algumas empresas. Mas isto é a natureza do Bitcoin, Bitcoin não é para investir, mas sim poupar.</p>
<h1>A Distorção</h1>
<p>Isto significa que as bolsas de valores, <em>per se</em> não são um mau “produto”, são apenas vítimas da desastrosas políticas monetárias(doença), das constantes desvalorização da moeda. Mas o Bitcoin vai trazer verdade ao mundo económico, sem a possibilidade da inflação monetária vai ser possível ver realmente quais são as ações que valorizam e quais desvalorizam. Atualmente devido à inflação é muito complicado distinguir quais são as boas e más empresas, porque todas elas nominalmente sobem.</p>
<p>Um bom exemplo é a bolsa brasileira, para quem olha para o gráfico em reais (linha azul), está em máximos históricos, mas com valores em dólares (linha laranja), o resultado é totalmente oposto, está em mínimos.</p>
<p><img src="https://image.nostr.build/a565f0c5fad28faa8e2a344db1cea5e93ff7a4c165be83c62c488ecee9bc87a7.jpg" alt="image"></p>
<p>As pessoas que investiram à uma década estão a perder poder de compra, mas elas acreditam que estão a ganhar, é a ilusão da inflação. E os valores ainda são piores do que demonstra o gráfico, porque o dólar também teve uma forte desvalorização neste período, que não foi contabilizado.</p>
<p>No caso da Europa e EUA, é um pouco diferente, porque existem algumas ações que conseguem manter ou superar a taxa de inflação, mas são uma minoria. A maior parte são ações <em>zombi</em>, onde as pessoas investem mas perdem poder de compra anualmente, sem se aperceber disso. Numa economia em padrão Bitcoin vai trazer verdade, vai separar o trigo do joio, qualquer pessoa sem grandes conhecimentos, vai facilmente observar quais são as empresas boas.</p>
<p>Curiosamente, empresas/ações que hoje em dia não conseguem ter uma valorização superior à inflação (valorização real), no padrão Bitcoin vão se tornar rentáveis, vai gerar um fenómeno interessante. Como no caso do Brasil, existem muitas empresas que crescem, que têm muitos lucros, só que a valorização não é visível em dólares devido à desvalorização do real. Como a desvalorização do real é superior ao crescimento da empresa, a valorização das ações em dólares fica negativa, mas num padrão Bitcoin essas mesmas empresas passariam a ter uma valorização real.</p>
<p>Num mundo em padrão Bitcoin, as bolsas de valores terão um papel fundamental na economia. O crédito barato dos bancos comerciais que o dinheiro FIAT permite, já não estará disponível para as empresas, estas terão que se financiar com obrigações ou nos mercados de capitais.</p>
<h2>Classes de ativos</h2>
<p>Os mercados de capitais/bolsas de valores não são a origem do problema, sofrem de um sintoma gerado por uma doença muito superior, a moeda e a sua política monetária. Como a moeda é fulcral, é o sangue que circula por todo o lado, como o sistema <em>keynesiano</em> “envenena” a moeda, provoca uma distorção em toda a sociedade e na economia.</p>
<p>As principais classes de ativos, na teoria, repito na teoria, deveriam ser divididas consoante o risco inerente.</p>
<ul>
<li>Moeda: risco nulo</li>
<li>Bonds/dívida soberana: risco baixo</li>
<li>Mercado de capitais: risco elevado</li>
</ul>
<p>Quanto maior for o risco, maior é a possibilidade de retorno. Assim a moeda teria um retorno zero, é um ativo de poupança puro, não tem o objetivo de aumentar mas sim apenas de preservar a riqueza.</p>
<p>No lado oposto temos o mercado de capitais, onde o risco é elevado, mas existe a possibilidade de ter lucros elevados também. É o local ideal para os especuladores, para quem quer aumentar a sua riqueza. As Bonds são um ativo intermédio, de baixo risco, logo um retorno é baixo.</p>
<p>Só que isto apenas acontece na teoria, porque na prática, devido ao sistema keynesiano distorceu por completo as classes de ativos, com as consecutivas desvalorização de moeda. A moeda deixou de ser um meio de poupança, porque está constantemente a perder poder de compra. Isto obrigou as pessoas a aderirem a ativos com maior risco para não perder a sua poupança.</p>
<p>As pessoas são obrigadas a ser especuladores (bonds, mercado de capitais), perderam o direito de ser simplesmente poupadores. Os poupadores têm o direito a um ativo com zero risco, nem toda a gente quer aumentar o seu património, querem apenas preservar o seu dinheiro, ganho através do seu suor, não querem nem mais um cêntimo, querem ter uma vida tranquila. Atualmente essas pessoas estão impedidas, são obrigadas a ser especuladores ou então estão constantemente a perder poder de compra. A desvalorização da moeda é tal dimensão, que os bonds que deveriam dar uma remuneração baixa, atualmente tem uma remuneração negativa. No mercado de capitais, são poucas as empresas que têm uma remuneração superior à inflação, na sua generalidade, as pessoas que investem nestes ativos estão a empobrecer lentamente.</p>
<p>Além destas 3 classes de ativos, distorceu fortemente o mercado imobiliário. O propósito das casas é ser um local de residência das pessoas, devendo ser acessível a toda a população. Esta distorção, transformou o imobiliário num meio de proteção contra a inflação, um produto financeiro, gerando uma procura elevada, criando enormes bolhas. Além de milhões de pessoas ficarem sem acesso a uma habitação digna.</p>
<p>Fix the Money. Fix the World.</p>
]]></content:encoded>
      <itunes:author><![CDATA[reiartur]]></itunes:author>
      <itunes:summary><![CDATA[<p>Hoje vamos para uma reflexão mais sensível, sobretudo para uma facção mais tóxica de maximalistas, a bolsa de valores. Essa facção gosta de intitular o bolsa de valores/mercado de capitais como um <em>scam</em>, gosta de comparar a valorização do Bitcoin, com a valorização das ações.</p>
<p>Mas os dois são incomparáveis, têm objetivos completamente diferentes, um é poupança, o outro é investimento. É claro que no curto prazo, o Bitcoin está a valorizar mais que os mercados de capitais, mas isto é algo circunstancial/temporário, porque o Bitcoin está a monetizar.</p>
<p>O Bitcoin ainda tem um <em>market cap</em> pequeno, quanto mais cresce, menos volátil será, é natural com o tempo, a valorização do Bitcoin será menor. Aquelas valorizações de 1000% num curto espaço de tempo, nunca mais vão acontecer, e é bom que não volte a acontecer, é sinal que a adopção está a avançar bem e gradual.</p>
<p>Quando existe uma valorização muito expressiva em pouco tempo, é inevitável, posteriormente uma forte correção, foi o que aconteceu nos primeiros ciclos do Bitcoin. Com o passar do tempo, a volatilidade está a diminuir, sobe menos, consequentemente as correções serão menores, esta estabilidade é fundamental para a aceleração da adoção do Bitcoin como moeda em todo o mundo.</p>
<p>A fraca volatilidade é boa para o Bitcoin como moeda e como reserva de valor, mas para quem usa como um meio especulativo, para enriquecer, vai deixar de ser tão atrativo. Por o Bitcoin ter atualmente uma valorização superior à bolsa de valores, não significa que o mercado de capitais seja um <em>scam</em>.</p>
<p>Em suma, a longo prazo o Bitcoin será um ativo apenas para manter o poder de compra, sendo mais rentável (para um especulador) investir em algumas empresas. Mas isto é a natureza do Bitcoin, Bitcoin não é para investir, mas sim poupar.</p>
<h1>A Distorção</h1>
<p>Isto significa que as bolsas de valores, <em>per se</em> não são um mau “produto”, são apenas vítimas da desastrosas políticas monetárias(doença), das constantes desvalorização da moeda. Mas o Bitcoin vai trazer verdade ao mundo económico, sem a possibilidade da inflação monetária vai ser possível ver realmente quais são as ações que valorizam e quais desvalorizam. Atualmente devido à inflação é muito complicado distinguir quais são as boas e más empresas, porque todas elas nominalmente sobem.</p>
<p>Um bom exemplo é a bolsa brasileira, para quem olha para o gráfico em reais (linha azul), está em máximos históricos, mas com valores em dólares (linha laranja), o resultado é totalmente oposto, está em mínimos.</p>
<p><img src="https://image.nostr.build/a565f0c5fad28faa8e2a344db1cea5e93ff7a4c165be83c62c488ecee9bc87a7.jpg" alt="image"></p>
<p>As pessoas que investiram à uma década estão a perder poder de compra, mas elas acreditam que estão a ganhar, é a ilusão da inflação. E os valores ainda são piores do que demonstra o gráfico, porque o dólar também teve uma forte desvalorização neste período, que não foi contabilizado.</p>
<p>No caso da Europa e EUA, é um pouco diferente, porque existem algumas ações que conseguem manter ou superar a taxa de inflação, mas são uma minoria. A maior parte são ações <em>zombi</em>, onde as pessoas investem mas perdem poder de compra anualmente, sem se aperceber disso. Numa economia em padrão Bitcoin vai trazer verdade, vai separar o trigo do joio, qualquer pessoa sem grandes conhecimentos, vai facilmente observar quais são as empresas boas.</p>
<p>Curiosamente, empresas/ações que hoje em dia não conseguem ter uma valorização superior à inflação (valorização real), no padrão Bitcoin vão se tornar rentáveis, vai gerar um fenómeno interessante. Como no caso do Brasil, existem muitas empresas que crescem, que têm muitos lucros, só que a valorização não é visível em dólares devido à desvalorização do real. Como a desvalorização do real é superior ao crescimento da empresa, a valorização das ações em dólares fica negativa, mas num padrão Bitcoin essas mesmas empresas passariam a ter uma valorização real.</p>
<p>Num mundo em padrão Bitcoin, as bolsas de valores terão um papel fundamental na economia. O crédito barato dos bancos comerciais que o dinheiro FIAT permite, já não estará disponível para as empresas, estas terão que se financiar com obrigações ou nos mercados de capitais.</p>
<h2>Classes de ativos</h2>
<p>Os mercados de capitais/bolsas de valores não são a origem do problema, sofrem de um sintoma gerado por uma doença muito superior, a moeda e a sua política monetária. Como a moeda é fulcral, é o sangue que circula por todo o lado, como o sistema <em>keynesiano</em> “envenena” a moeda, provoca uma distorção em toda a sociedade e na economia.</p>
<p>As principais classes de ativos, na teoria, repito na teoria, deveriam ser divididas consoante o risco inerente.</p>
<ul>
<li>Moeda: risco nulo</li>
<li>Bonds/dívida soberana: risco baixo</li>
<li>Mercado de capitais: risco elevado</li>
</ul>
<p>Quanto maior for o risco, maior é a possibilidade de retorno. Assim a moeda teria um retorno zero, é um ativo de poupança puro, não tem o objetivo de aumentar mas sim apenas de preservar a riqueza.</p>
<p>No lado oposto temos o mercado de capitais, onde o risco é elevado, mas existe a possibilidade de ter lucros elevados também. É o local ideal para os especuladores, para quem quer aumentar a sua riqueza. As Bonds são um ativo intermédio, de baixo risco, logo um retorno é baixo.</p>
<p>Só que isto apenas acontece na teoria, porque na prática, devido ao sistema keynesiano distorceu por completo as classes de ativos, com as consecutivas desvalorização de moeda. A moeda deixou de ser um meio de poupança, porque está constantemente a perder poder de compra. Isto obrigou as pessoas a aderirem a ativos com maior risco para não perder a sua poupança.</p>
<p>As pessoas são obrigadas a ser especuladores (bonds, mercado de capitais), perderam o direito de ser simplesmente poupadores. Os poupadores têm o direito a um ativo com zero risco, nem toda a gente quer aumentar o seu património, querem apenas preservar o seu dinheiro, ganho através do seu suor, não querem nem mais um cêntimo, querem ter uma vida tranquila. Atualmente essas pessoas estão impedidas, são obrigadas a ser especuladores ou então estão constantemente a perder poder de compra. A desvalorização da moeda é tal dimensão, que os bonds que deveriam dar uma remuneração baixa, atualmente tem uma remuneração negativa. No mercado de capitais, são poucas as empresas que têm uma remuneração superior à inflação, na sua generalidade, as pessoas que investem nestes ativos estão a empobrecer lentamente.</p>
<p>Além destas 3 classes de ativos, distorceu fortemente o mercado imobiliário. O propósito das casas é ser um local de residência das pessoas, devendo ser acessível a toda a população. Esta distorção, transformou o imobiliário num meio de proteção contra a inflação, um produto financeiro, gerando uma procura elevada, criando enormes bolhas. Além de milhões de pessoas ficarem sem acesso a uma habitação digna.</p>
<p>Fix the Money. Fix the World.</p>
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      <item>
      <title><![CDATA[Analise a “Os Problemas Com o Bitcoin”]]></title>
      <description><![CDATA[Uma analise a um texto crítico ao Bitcoin e à Lightning Network.]]></description>
             <itunes:subtitle><![CDATA[Uma analise a um texto crítico ao Bitcoin e à Lightning Network.]]></itunes:subtitle>
      <pubDate>Mon, 08 Jul 2024 18:33:47 GMT</pubDate>
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      <category>bitcoin</category>
      
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      <dc:creator><![CDATA[reiartur]]></dc:creator>
      <content:encoded><![CDATA[<p>É com muito agrado que eu vejo este <a href="https://medium.com/@hericktiago07/os-problemas-com-o-bitcoin-a46296919e02">texto crítico</a> ao Bitcoin, eu não concordo em muitas partes com o autor, mas é notório que estudou o Bitcoin, é uma crítica construtiva/argumentativa. Saiu do padrão habitual dos críticos do Bitcoin, como não estudam são monocórdicos, apenas replicam ideias feitas e erradas do passado, como “só serve para criminosos”, “o gasto energético” e outras coisas absurdas.</p>
<p>Este contraditório é muito importante, todos os críticos deveriam de ser assim, estudar minimamente antes de criticar, por isso, este texto merece todo o meu respeito mas eu vou fazer alguns comentários:</p>
<h1>Ataques coordenados</h1>
<p>O autor no texto utilizou a seguinte citação:</p>
<blockquote>
<p>De fato, se um grupo com poder (hashrate) suficiente se unir, é capaz de gerar dados contendo transações inválidas. Dessa forma, cabe aos próprios usuários se coordenarem para ignorar essa sequência de transações.</p>
</blockquote>
<h2>Ataque com transações inválidas</h2>
<p>Se um grupo de mineradores_/pools_ atacar com transações inválidas, não é necessário uma coordenação de usuários, mas sim individual. Segundo o protocolo, quem adiciona os blocos à <em>blockchain</em> são os nós(nodes) e não os mineradores/<em>pools</em>. Os mineradores/<em>pools</em> apenas propõem um <em>template</em> para o próximo bloco, os nós é têm a responsabilidade de verificar todas as informações contidas no <em>template</em>, se cumprir as regras é adicionado. Caso exista alguma inconformidade no <em>template</em>, essa será rejeitada pelos nós, ficando a aguardar por um novo <em>template</em>. No caso de transações inválidas, é muito simples de travar qualquer ataque. O adicionar do bloco é trabalho exclusivo dos nós, é feito individualmente, sem uma necessidade de coordenação entre eles.</p>
<p>Agora vamos imaginar um ataque ainda mais sofisticado, os maiores mineradores/<em>pools</em> uniam-se e realizavam um ataque coordenado. Também é fácil de travar, como a verificação é feita pelos nós, não é possível adicionar transações inválidas.</p>
<p>O único problema que pode causar, caso o <em>hashrate</em> do atacante seja muito elevado, é a rede vai ficar lenta. Em vez dos novos blocos a cada 10 minutos, vai demorar mais tempo.</p>
<p>No caso do ataque duradouro, os nós no período máximo de 2016 blocos, vão reajustar a dificuldade, voltando ao 10 minutos. É claro neste período até ao ajustamento a rede fica lenta, mas a probabilidade de ataque destes é muito remota. Como o atacante não tem qualquer hipótese de ter proveitos económicos, mas tem uma exorbitante custos com eletricidade, é pouco provável que alguém tente o efectuar.</p>
<h2>Ataque com transações válidas</h2>
<p>Qualquer ataque com transações invalidadas é fácil de resolver, o mais complexo/delicado é quando esse ataque é realizado com transações válidas.</p>
<p>Vamos a um exemplo concreto, imaginemos que a OFAC, obrigue as mineradoras e as <em>pools</em> norte-americanas a censurar transações, essas empresas não terão alternativa, terão que cumprir. Os EUA têm uma percentagem de hashrate muito elevada.</p>
<p>Vamos extremar ainda mais o exemplo, imaginemos que 95% do <em>hashrate</em> “cumprirá” com OFAC. Isto não afeta o regular funcionamento do Bitcoin, afeta apenas as transações sancionadas, vão demorar mais tempo a serem adicionadas à blockchain. Tem que aguardar por algum minerador, que não cumpra as regras OFAC, vença a corrida pelo novo bloco.</p>
<p>Para minimizar a possibilidade de uma censura por parte das <em>pools</em>, está a ser desenvolvida a Stratum V2, uma nova versão do software das <em>pools</em>. Nesta nova versão, a responsabilidade de criar o <em>template</em> passa a ser realizada pelo minerador, agora só falta as <em>pools</em> atualizarem o software.</p>
<h2>Ataque de 51%</h2>
<p>Também pode acontecer um Ataque de 51%, a possibilidade de várias <em>pools</em> cooperarem para realizar este ataque é extremamente baixa, quase nula. O mesmo acontece, se o ataque for organizado por um estado ou vários estados, não passam de apenas hipóteses teóricas.</p>
<p>A quantidade de mineradores é tremenda, distribuídos por todo o mundo, é completamente descentralizada, sendo muito pouco provável um minerador sozinho ter mais de 51% da <em>hashrate</em>. A única hipótese é um ataque com a cumplicidade de várias <em>pools</em> mas é extremamente improvável, quase nula. O ataque de 51% é raro mas já aconteceu em <em>blockchains</em> pequenas e centralizadas, mas o atacante foi a solo, nunca foi algo organizado por várias <em>pools</em>.</p>
<p>A estrutura necessária para o ataque é tremenda, é impossível o atacante ficar anónimo, a probabilidade de ter proveitos económicos e não ser identificado é quase nula. Mas destruirá por completo a sua credibilidade, será o fim das <em>pools</em> envolvidas.</p>
<p>Em último caso, numa situação extrema, o ataque pode ser revertido com <em>rollback</em> da <em>blockchain</em>.</p>
<p>Em termos genéricos, este ataque possibilita a reorganização da cadeia de blocos, permitindo uma espécie de gasto duplo, colocando em causa a imutabilidade da rede. Devido às características do Bitcoin não é possível existir uma regra de quantas confirmações são necessárias para que a transação seja imutável, quanto mais melhor. Como não existe uma regra, é uma decisão individual, de quem está a receber os satoshis (os outputs da transação), são as possíveis vítimas do ataque.</p>
<p>Quando eu comecei no Bitcoin, a ideia que circulava na comunidade, o mais seguro seriam 6 confirmações, mas agora em vários locais (corretoras) já aceitam 3 confirmações, quanto mais facilitamos, maior o risco que corremos. Na minha opinião, 3 confirmações é pouco e nos casos de valores mais elevados de BTC, mais exigentes temos que ser.</p>
<p><img src="https://image.nostr.build/0ec411fefefa8bf7fbe0a576aa73d921b0d92a942f492c779110857daed44efc.png" alt="image"></p>
<p>Eu sou bastante paranóico, gosto de seguir o lema: mais vale prevenir do que remediar. Por isso geralmente aguardo por 6 confirmações e tem que incluir 3 mineradores diferentes.</p>
<p>A probabilidade de um ataque é muito baixa e se nós formos rigorosos nas confirmações, o risco de ser vítima de um golpe é nula.</p>
<p>Agora uma conclusão que engloba todos estes possíveis ataques falados em cima, a ideia fulcral é as probabilidades. Devido à segurança do Bitcoin, tudo isto não passa de probabilidades teóricas, onde o risco é bastante reduzido ou nulo. São apenas conceitos teóricos, mas é essencial tê-los em mente, especialmente para trabalhar preventivamente, para que o Bitcoin seja cada vez mais resiliente. Para que, estes conceitos não passam da teoria à prática, é mais questão paranóica, do que um perigo real, é a segurança levada a um nível extremo. Mas foi esta paranóia que tornou o Bitcoin a rede mais segura do mundo. É importante debater estes conceitos, mas é necessário algum cuidado para não gerar alarme social.</p>
<h1>Descentralização</h1>
<blockquote>
<p>Esse é um argumento muito bom. Não ter uma pessoa ou um grupo que tome as decisões da rede isoladamente chama a atenção de muitas pessoas. Imagina que maravilha um sistema que não depende da confiança em pessoas que normalmente tendem a corrupção. Imagina não depender de bancos para poder custodiar o seu dinheiro. Um verdadeiro dinheiro do povo.<br>Seria o Bitcoin o grande libertador dessas amarras antigas de ter que confiar em um emissor de moeda?<br>Não é bem assim.</p>
</blockquote>
<p>A descentralização é o maior desafio para as comunicações, como nas <em>blockchains</em>. Existe o problema do Trilema das <em>blockchains</em>, dos 3 vértices, apenas é possível escolher dois.</p>
<p><img src="https://image.nostr.build/c4e901845a05b58e8be3a2f68b49c9858ab95c2db8864fc78972008b60680764.jpg" alt="image"></p>
<p>Satoshi priorizou a segurança e a descentralização, deixando para um segundo plano a escalabilidade. Assim, para manter a camada base (L1) descentralizada, o número de transações são baixas, é impossível biliões de pessoas utilizá-la para as suas compras do dia-a-dia, deve apenas ser utilizadas para transações onde é necessário maior segurança ou para transações de liquidação(Settlements). As transações do dia-a-dia (a escalabilidade) devem ser executadas em camadas secundárias(L2).</p>
<p>No Bitcoin, devemos ter o mesmo escalonamento utilizado na banca tradicional, uma <strong>conta poupança</strong> e uma <strong>conta corrente</strong>.</p>
<p>Na <strong>conta poupança</strong> é destinado para guardar as poupanças de uma vida (médio/longo prazo), onde está parte significativa do nosso capital, logo necessita de uma maior segurança, devem estar na L1.</p>
<p>Na <strong>conta corrente</strong> é destinado para os pagamentos do dia-a-dia (curto prazo), composta por uma pequena parte do nosso capital, esta deve estar na L2.</p>
<p>Vamos a dois exemplos concretos:</p>
<p><strong>Exemplo 1:</strong> Uma pessoa que acumulou btc e agora sobrevive exclusivamente das poupanças. Esta pessoa, a cada 2 ou 3 meses, faz uma transação da L1 para a L2 com um valor suficiente para sobreviver nesse período. Depois utiliza a L2 para efetuar os seus pagamentos do dia-a-dia.</p>
<p><strong>Exemplo 2:</strong> Uma pessoa que está agora a acumular btc, está a fazer o chamado <em>hodl</em>. Utiliza a L2 para fazer o DCA, acumular os satoshis, quando este valor for significativo, aí sim, faz uma transação da L2 para a L1.</p>
<p>Em ambos os casos, a L1 é utilizada para as liquidações, onde são realizadas meia dúzia de transações por ano, nas L2 são feitas milhares de transações por ano.</p>
<p>A descentralização é fundamental para o seu funcionamento, mas não é imperativo para os pagamentos, ou seja, é fundamental na L1, é a única maneira para garantir a segurança do btc e garantir a descentralização nas camadas seguintes.</p>
<p>Sendo a L1 descentralizada, é possível construir L2 descentralizadas ou centralizadas, ambas.</p>
<p>Se a L1 for centralizada, não é possível construir L2 descentralizadas, são todas centralizadas.</p>
<p>Quem são os “emissor da moeda” no ecossistema do Bitcoin?</p>
<p>São os intermediários, os custodiantes. Podem estar na L1, nas L2 ou em sistemas complemente centralizados, como as corretoras ou bancos.</p>
<p>Temos necessariamente de confiar no emissor da moeda?</p>
<p>Não, primeiro as pessoas podem utilizar apenas a L1, só que pode ter um custo elevado.</p>
<p>Podem optar por L2, neste caso existem 2 opções: descentralizadas ou centralizadas. Destas 3 opções possíveis, para efetuar transações, só numa existe algum risco do emissor. No caso do Bitcoin, o “confiar no emissor” é uma opção e não uma obrigação.</p>
<p>No caso das moedas no sistema FIAT, a centralização é imposta, é obrigatório o confiar, não existiam alternativas.</p>
<p>Esta é a beleza do Bitcoin, dá liberdade de escolha ao indivíduo.</p>
<p>Utilizar L2 não é sinónimo de perder a descentralização/soberania, é apenas uma opção. Muitos utilizadores prescindem da soberania pela conveniência, preferem as carteiras centralizadas/intermediários, porque são mais simples, mais baratas, sem a necessidade de manutenções e de ter conhecimentos técnicos. É totalmente legítimo e compreensível esta escolha, no meu caso eu utilizo ambas mas preferencialmente a descentralização.</p>
<p>É claro, quem prefere o centralizado, corre mais riscos, está dependente do custodiante/intermédio.</p>
<blockquote>
<p>Além disso, a maioria dos usuários não possui o software (node) para validar as transações por conta própria.<br>Mesmo dentre os entusiastas que o fazem, muitos não possuem conhecimento técnico para validar o código-fonte ou participar dos debates técnicos.<br>A descentralização é utopia. Não existe. Sempre haverão pessoas ou grupos que terão o maior poder de algo (Regra de Pareto). Logo, o Bitcoin também não foge da regra.</p>
</blockquote>
<h2>Rodar de nós</h2>
<p>A descentralização não é uma utopia, o que é utópico, é acreditar que todas as pessoas vão rodar o próprio nó, isso não vai acontecer. Só roda quem quer, não é obrigatório, quem quer roda, que não quer não roda, mas todos podem se beneficiar com o Bitcoin. Com o avanço tecnológico, atualmente nem é necessário rodar o nó para usufruir da soberania. Para a rede ser segura não é necessário milhões de nós, basta dezenas de milhares para a tornar imutável e plenamente descentralizada.</p>
<p>O bitcoin dá liberdade individual, liberdade de escolha, permite a utilização de carteira não-custodiais ou custodiais, cada um escolhe a melhor que se adapta ao seu perfil ou conhecimento. Nada disto é possível no sistema tradicional, onde só é possível carteiras custodiais, não existe alternativa.</p>
<p>No meu ponto de vista, a soberania é essencial (como rodar um nó), é utópico acreditar que todas as pessoas vão seguir este caminho, mas isto é escolha pessoal, uma liberdade individual. Se eu tenho o direito/liberdade de ser soberano, a outra pessoa também têm a liberdade de o não ser soberano, de não querer a responsabilidade de guardar a <em>seed</em>.</p>
<p>Temos visões diferentes, mas ambos nos beneficiamos e acreditamos no Bitcoin. Por não rodar um nó, não é inferior a mim, somos todos iguais nos direitos, o Bitcoin é para todos, mesmo para aqueles que não acreditam no Bitcoin, não existe distinção.</p>
<p>Mas é claro que, quem não quer ter a responsabilidade da custódia, terá que estar consciente dos riscos, poderá ter problemas no futuro. Terá que pesar os prós e os contras da soberania. Eu penso no exemplo dos meus pais, a probabilidade de eles perderem a <em>seed</em> é muito superior, à possibilidade de serem confiscados pelo estado. Para o perfil deles, o mais adequado é uma carteira custodial ou com <em>seed recovery</em>. Conhecendo bem os meus pais, nunca na minha vida, eu aconselharia uma carteira não-custodial.</p>
<p>É claro que rodar um nó é importante, mas não é essencial, essa é mais uma função para os maximalistas.</p>
<h2>Verificação do código-fonte</h2>
<p>Hoje em dia, o ecossistema do Bitcoin é tão extenso, são milhões de linhas de código, é humanamente impossível um indivíduo verificar o código-fonte sozinho. Se alguém com conhecimentos técnicos não consegue verificar tudo sozinho, é impossível para os leigos.</p>
<p>Por isso o Bitcoin é <em>opensource</em>, onde a desenvolvimento e verificação é realizada por milhares de olhos, é um trabalho colaborativo, realizado por pessoas altamente qualificadas. Onde cada linha, cada alteração é verificada por centenas de pessoas.</p>
<p>Esse é o motivos de sermos conservadores nas atualizações, qualquer alteração é necessário um longo período de testes e de rigorosas verificações. Não pode haver falhas, qualquer distração pode colocar em causa anos de trabalho.</p>
<p>O código-fonte <em>opensource</em> é um trabalho colaborativo.</p>
<p>A não verificação do código-fonte por pessoas comuns não é razão para colocar em causa a descentralização do Bitcoin. A única verificação que os não técnicos devem realizar, é fazer os <em>downloads</em> nos locais oficiais e manter os <em>softwares</em> atualizados.</p>
<h2>Centralização das <em>Pools</em></h2>
<blockquote>
<p>É importante também dizer que as pools de mineração são centralizadas.<br>Aproximadamente 80% da mineração de Bitcoins é controlada por apenas 5 pools. Cada node dentro das pools possuem o poder por conta própria, é verdade. Porém existe um certo poder de influência das pools com os nodes de mineração.</p>
</blockquote>
<p>Em cima, já respondi em parte ao problema da centralização das <em>pools</em> de mineração.</p>
<p>Em suma, a centralização das <em>pools</em> não coloca em causa a descentralização da rede, porque o fundamental na descentralização são os nós da rede, as <em>pools</em> desempenham um papel muito diminuto nessa descentralização.</p>
<p>É claro, se o hashrate fosse mais disperso por mais <em>pools</em> era melhor. Com o novo <em>software</em> para as <em>pools</em>, é dado mais poder aos mineradores, na elaboração do <em>template</em>, o risco das <em>pools</em> fica ainda mais minimizado.</p>
<h1>A Escalabilidade</h1>
<h2>Lastro dos IOUs</h2>
<blockquote>
<p>O problema com o ouro foi a escalabilidade. Pelas limitações físicas, o ouro não conseguiu ser escalável. Tendo que utilizar soluções de segunda camada (certificados de ouro) como uma representação do ouro original. Essa falta de contato com o ouro físico fez as pessoas se acostumarem a trocar somente certificados em papel-moeda e, posteriormente, foi se perdendo o lastro em ouro até se tornar 100% fiduciária.</p>
</blockquote>
<p>Concordo plenamente com a afirmação, só que o Bitcoin tem algumas pequenas alterações que fazem toda a diferença. Os certificados de ouro criaram um risco, mas o maior risco aconteceu com a centralização, na existência de apenas um emissor (FED) e em um único produto (o dólar).</p>
<p>No Bitcoin é totalmente diferente, as carteiras custodiais ou IOUs são uma opção, só usa quem quer.</p>
<p>No caso das L2, existem carteiras custodiais e não-custodial. Esta parte é fundamental, as pessoas podem ter satoshis em carteiras L2 não-custodiais e “trocar” por L1 sem intermediários, sem a necessidade de uma permissão de um governo, estão seguros.</p>
<p>Os riscos associados às L2 centralizadas, é menor que o risco existente nos certificados de ouro/papel-moeda, porque existem vários emissores e em várias jurisdições, é um pormenor que faz toda a diferença.</p>
<p>Como o Bitcoin é digital, o emissor pode estar literalmente em qualquer ponto do mundo, ou simultaneamente em vários países, camuflado pelo TOR, irrastreável, ou em países pró Bitcoin, existe uma maior segurança jurídica.</p>
<p>Podemos estar num país e utilizar uma custodiante de noutro país, como aconteceu com a WOS, está oficialmente indisponível nos EUA, mas muitos norte-americano continuam a utilizar.</p>
<p>Como existem muitos emissores, as pessoas vão optar pelos mais seguros.</p>
<p>Um país pode confiscar o lastro dos emissores, mas só o consegue nas empresas sob sua jurisdição e esse confisco apenas afeta os residentes desse país, os restantes povos não são afetados. Assim, o que pode acontecer, é alguns emissores/custodiantes podem ser confiscados, ficando sem o lastro, mas o Bitcoin no geral não tem problemas. Como aconteceu na FTX, a corretora perdeu parcialmente o lastro, os clientes tiveram grandes perdas, mas o restante ecossistema Bitcoin, não perdeu o “lastro”.</p>
<p>O confisco é algo inevitável no futuro, algum país vai fazê-lo, possivelmente o primeiro será um país pequeno. Mas essa notícia vai propagar-se pelo mundo, vai colocar todos os utilizadores em alerta, a pensar que poderá também acontecer a si. Esse medo de perder os fundos vai estimular e gerar uma forte adoção à auto-custódia. Como acontece sempre após uma falência de uma corretora, gera uma corrida bancária em todas as corretoras, um pico de demanda por soberania. Infelizmente as pessoas só aprendem com a dor.</p>
<p>A parte mais curiosa disto tudo, a existência de múltiplos custodiantes/bancos em cada país e por centenas de países, essa enorme distribuição de empresas centralizadas cria uma certa descentralização, minimizando o risco.</p>
<p>Em suma, um risco universal dos IOUs de Bitcoin, perderem o lastro é nulo, o que poderá acontecer é casos localizados, ou seja, não é perda de lastro do Bitcoin, é o confisco realizado por algum estado ou a fraude de algum custodiante/emissor. Mas isto é um problema localizado e não sistémico. No caso do ouro foi sistémico, porque só existia um emissor e com poder absoluto.</p>
<p>Assim, para minimizar os riscos, a melhor opção é a auto-custódia.</p>
<h2>Tamanho do Bloco</h2>
<blockquote>
<p>O Bitcoin é programado para fazer 1 bloco de transações de apenas 1 mb a cada ~10min. Isso significa que para sua transação ter prioridade terá que pagar taxas mais altas do que a média do mercado. A limitação de 1 mb serve para deixar a rede mais descentralizada já que quanto maior o bloco, maior também será a capacidade necessária para rodar um node na rede. Menos nodes significa mais centralização.</p>
</blockquote>
<p>Análise perfeita.</p>
<blockquote>
<p>Sem falar que já foi tentado aumentar o Bloco em 2017 com o Bitcoin Cash e a rede não foi para frente.</p>
</blockquote>
<p>Pelo contrário, essas ideias foram em frente, o projeto foi criado, por isso existe o Bcash. Só que o tempo provou que o aumento do tamanho do bloco não é a solução, as pessoas preferiram o Bitcoin original.</p>
<p>Basta ver as consequências do aumento do bloco, onde existem apenas 3 pools de mineração e uma delas é responsável por 85% do hashrate.</p>
<p>Os nós são muito poucos:<br><img src="https://image.nostr.build/dbec4f3fed5edcc39eb078e333ec8b3414ae049e35743aea70a41ff8260b2446.png" alt="image"></p>
<p>Aumentou o tamanho do bloco, mas tem uma <a href="https://blockchair.com/bitcoin-cash/charts/blockchain-size">blockchain menor</a> que a do Bitcoin:<br><img src="https://image.nostr.build/cf3c81da1c2fa0eca1a3e8c7da1e9ee3a2d530677489fb18d2eabfd66162ec17.png" alt="image"></p>
<p>Além do Bcash, surgiu também o BSV, um <em>fork</em> do Bcash, onde as consequências do aumento do tamanho foram terríveis, apenas consegui dados até 2023, o tamanho da <em>blockchain</em> aumentou exponencialmente, é 12x maior que o atual tamanho do Bitcoin:</p>
<p><img src="https://image.nostr.build/6a7ad7deed7678d17ec3e297936d357ede45bb0ecdc858f9dc62b118ed3ac20b.jpg" alt="image"></p>
<p>Em ambos os projetos a descentralização está comprometida, não existe.</p>
<h2>Custo de Transação na L1</h2>
<blockquote>
<p>Em Abril de 2024, logo após o halving, a taxa para transacionar na rede do Bitcoin estava em média 200 dólares.<br>Imagina quanto pode chegar essa taxa nos próximos halvings com mais usuários na rede e com com mais implementações do tipo Ordinals ou Runes. É no mínimo irônico que maximalistas disputem espaço na rede com especuladores de memecoins e nfts congestionando a blockchain da criptomoeda.</p>
</blockquote>
<p>É verdade que atingiu esses valores, mas foi num curto espaço de tempo, foi uma loucura momentânea que certamente não irá repetir, isso foi uma ocasião especial. O custo médio de uma transação na L1 está longe desses valores, neste preciso momento está inferior a 1$.</p>
<p><img src="https://image.nostr.build/4f700bc5f4c4ec6fcd64aad7b33a1b404dfa88a23b6502b04e405db6a9fb3f58.png" alt="image"></p>
<p>No futuro é provável que a médio prazo, o custo médio fique entre os 10$ e 20$.</p>
<p>Os NFTs e <em>memecoins</em> só estão na L1, porque está barata, quando ficar cara, estes projectos vão migrar para L2, ninguém vai pagar 10$ de <em>fee</em> para transacionar uma <em>memecoin</em> que vale alguns centavos. Na L1 vão ficar apenas coisas com valores elevados.</p>
<p>Pode parecer contraditório mas o chegar a 200$ é sinal que o sistema funcionou, está saudável. Isso só aconteceu devido a uma procura extraordinária, fez com que o custo aumentasse, mas a rede nunca parou. Enquanto no sistema financeiro tradicional, quando existe um pico de procura, muito fora do normal, os servidores vão abaixo e o sistema fica inoperacional para todos, durante um período. No caso do bitcoin os custos aumentam, é uma espécie de proteção contra DDoS, sem nunca o sistema ir a baixo.</p>
<p>Eu não quero dizer que o custo de uma transação de 200$ é bom, claro que não é, mas isto é algo que aconteceu esporadicamente. Mas não podemos colocar em causa um sistema por algo que acontece esporadicamente e num espaço de tempo tão curto.</p>
<p><img src="https://image.nostr.build/38b497307a5ebb7fb9c2b8a23335b8c4fd98c05050bd12d1772df89ac3f3c744.jpg" alt="image"></p>
<p>Nos 15 anos do Bitcoin apenas por 5 períodos onde o preço de transação atingiu valores exorbitantes e sempre num curto espaço de tempo.</p>
<ul>
<li><p>22 de Dezembro de 2017:<br><img src="https://image.nostr.build/f7fc3f77771a567f7f2e448911e444e9c691ba1ecf9d6e115324752a55f53368.jpg" alt="image"> </p>
</li>
<li><p>21 de Abril de 2021:<br><img src="https://image.nostr.build/059dbf9c1c184fecf39c8e08dc7bd7f76edf917ce35f80dbd52efafceb527678.jpg" alt="image"></p>
</li>
<li><p>17 de Dezembro de 2023:<br><img src="https://image.nostr.build/f014a4c2920169f0e8ca4e16af95fdac7032543a5fe3eb65b644fb93aa49786f.jpg" alt="image"></p>
</li>
<li><p>20 de Abril de 2024:<br><img src="https://image.nostr.build/8b60dbd375f1bb3293ed5931f3abf60d1ea53a4bfc6c6ec6c9538cbb9fb8ff84.jpg" alt="image"></p>
</li>
<li><p>7 de Junho de 2024:<br><img src="https://image.nostr.build/c8ea3a9583c4951de5c82e3721013ca588d1ca08a540b78af55c0f775c4c0cb4.jpg" alt="image"></p>
</li>
</ul>
<p>Nestes 5 períodos, apenas em um (20 de Abril de 2024), o percentil 50 foi superior a 31$. É verdade que 30$ não é acessível para toda a gente, mas o Bitcoin é a rede mais segura do mundo, isto tem um custo.</p>
<p>O 7 de Junho de 2024 é um caso particular, não foi um problema de uma elevada procura, mas sim, devido a um <em>bug</em> de uma corretora. Colocou um <em>fee</em>(taxa) absurdo nas suas transações de consolidação.</p>
<p>A L1 vai ser utilizada sobretudo para transações de liquidação(Settlements) ou com altos valores, onde podem pagar taxas mais elevadas.</p>
<p>Uma transação de liquidação na L1, “condensa” centenas ou milhares de operações realizadas em L2, logo esse custo pode ser dividido por essas centenas. Os custos são minimizados.</p>
<p>É similar ao que acontece na banca tradicional, durante o dia, os clientes de dois bancos realizam milhares de transações entre si, são apenas alterações nas bases de dados de ambos bancos. No fim do dia, os bancos fazem um balanço e o banco que estiver em crédito, efetuará uma transação para o outro banco. Essa real efetivação da transação (a liquidação), onde existe realmente um troca monetária entre os bancos só acontece algum tempo depois.</p>
<p>Geralmente nas transações de liquidação, não existe uma urgência imperativa, a transacção não necessita de ser executada de imediato, existindo uma maior flexibilidade, podendo aguardar por um momento com <em>fees</em> mais baixas.</p>
<p>Se for urgente está sujeito ao custo do momento.</p>
<h2>Lightning Network</h2>
<blockquote>
<p>Os bitcoiners alegam que o Bitcoin resolve o problema da escalabilidade por ser digital. Mas até agora não temos nada concreto que mostre que seja possível escalar uma moeda “descentralizada”. Um passo nesse sentido foram a implementação da Lightining Network, uma “segunda camada” do Bitcoin implementada em 2018.<br>Enquanto o ecossistema do Bitcoin se expande, a Lightning se move em direção contrária.<br>Além disso, a Lightning apresenta falhas críticas que não favorecem o crescimento da adoção.</p>
</blockquote>
<p>As soluções de L2 são a única via para resolver o problema da escalabilidade.</p>
<p>A Lightning Network (LN) foi a primeira a surgir e está completamente funcional, consegue processar 1 milhão de transações por segundo.</p>
<p>Os problemas da LN não são de código mas sim da dependência da L1, para fazer a abertura, fecho ou balancear os canais. Se no momento em que for necessário realizar estas operações, os custos na L1 for elevado, é um problema. Este problema afeta quem faz a auto-custódia, para evitar esse risco, as pessoas preferem utilizar carteira custodiais.</p>
<p>Hoje em dia estes períodos de custos mais altos na L1 são raros, mas é previsível no futuro com o aumento da adoção, estes períodos vão ser mais recorrentes, por isso a LN tem que ser melhorada, para que no futuro não seja um problema crítico.</p>
<p>Será que todos nós necessitamos de uma carteira L2 não-custodial para os pequenos pagamentos?</p>
<p>Na minha opinião não. Como as carteiras L2 necessitam de estar online e geralmente em smartphones, logo existe um maior risco de segurança, por esse motivo devemos ter pouco capital nesses dispositivos. Como o capital alocado é baixo, a grande maioria dos utilizadores prefere optar por carteiras simples, a soberania não é uma prioridade. A descentralização e a soberania é fulcral apenas na L1, onde estão os valores elevados, nas L2 não.</p>
<p>As L2 custodiais como a <a href="https://www.walletofsatoshi.com/">WOS</a> é um excelente produto, simples, é um produto ideal para os leigos, que serão a maior parte da população.</p>
<p>Eu abri um canal de LN(não-custodial), há mais de ano, possivelmente já fiz milhares de transações, sempre a baixo custo, mesmo nos dias de congestionamento da L1 não houve qualquer problema. A minha experiência com LN é muito boa, mas a auto-custódia tem um custo. Mas esses custos da abertura e fecho do canal são divididos por dezenas ou centenas de transações na LN, assim os custos operacionais continuam a ser baixos, menor que qualquer sistema tradicional.</p>
<p>Atualmente com a <a href="https://phoenix.acinq.co/">Phoenix</a> é simples ter LN não custodial, mas as pessoas continuam a preferir WOS, mesmo entre os maximalistas. Isto demonstra que a soberania/descentralização não é um ponto fundamental na escolha de uma carteira LN, mas sim a sua simplicidade e usabilidade, nisto a WOS é vencedora.</p>
<p>As carteiras custodiais têm a possibilidade de crescimento exponencial, mesmo com a atual tecnologia.</p>
<p>As pessoas preferem terceirizar a custódia, não querem ter essa responsabilidade, querem ter alguém para apontar o dedo quando algo corre mal. A sociedade foi construída na base da confiança, mas ao longo da história essa mesma confiança foi abusada inúmeras vezes, sobretudo pelos políticos.</p>
<p>É natural com a massificação da adoção, os novos utilizadores são cada vez menos <em>geeks</em>, são mais pessoas comuns, sem conhecimentos técnicos, vão preferir serviços custodiais.</p>
<p>É este o melhor caminho certo?</p>
<p>Na opinião não, mas a maioria das pessoas preferem, a adoção demonstra isso. Mas compreendo essa escolha, faz todo o sentido, como são montantes baixos, compensa aceitar esse risco e deixar todo o trabalho da gestão de um canal para o custodiante.</p>
<p>O essencial é existir as duas vias, depois cada indivíduo escolhe o melhor que se adapta ao seu perfil.</p>
<h2>O real problema</h2>
<p>É claro que a utilização da LN poderia ser muito superior, mas na minha opinião, não é a tecnologia que está a atrasar a adoção. O problema é que a maioria das pessoas olha para o Bitcoin apenas como uma reserva de valor, apenas guarda-o. São poucas as pessoas a gastá-lo. Este sim é o grande desafio, a mudança de mentalidade.</p>
<h2>Alternativas</h2>
<p>Este texto de opinião, apenas fala da LN, mas existem outras L2 no Bitcoin. A carteira <a href="https://aquawallet.io/">Aqua</a> ou a <a href="https://helm-wallet.com/">Helm</a> são excelentes produtos. A interoperacionalidade das duas carteiras é extraordinária, o comum mortal nem nota que está a utilizar uma <em>sidechain</em> Liquid. A Liquid é segura e muito barata transacionar. Ambos são muito bons para o cidadão comum como a Helm diz: “<em>a Lightning wallet that even your grandma can use</em>”.</p>
<p>Bitcoin é um organismo vivo, sempre em desenvolvimento. Atualmente já estão numa fase avançada de desenvolvimento a <a href="https://arklabs.to/">Ark</a>, <a href="https://fedimint.org/">Fedi</a>, <a href="https://cashu.space/">Cashu</a> e a <a href="https://mercurylayer.com/">Mercury</a>.</p>
<p>O desenvolvimento de L2 tem sido tremendo no último ano, talvez seja o período onde existe mais desenvolvimento no ecossistema do Bitcoin, são dezenas de projetos em desenvolvimento, surgem ideias novas quase todos os dias. É claro que a maioria será um <em>flops</em>, mas certamente algumas boas ideias vão sobressair.</p>
<h2>Futuro</h2>
<p>A atual tecnologia da LN ainda permite um enorme crescimento na adoção, mas para o Bitcoin estar disponível para biliões de utilizadores, a utilizar como moeda, como nós desejamos, é necessário outras soluções, sem dúvida nenhuma.</p>
<p>A médio prazo, a LN ainda será a principal solução, mas é muito provável que no futuro(a longo prazo) as pessoas deixem de usar a LN para pagamentos, talvez optem por Ark ou dispersam por várias tecnologias. A LN vai se transformar num sistema que vai ligar, vai fazer a interoperacionalidade da liquidez entre diferentes L2 e a ligação à L1.</p>
<p>Repito, a tecnologia tem muito que melhorar, mas não é ela a principal responsável pelo atraso da adoção do Bitcoin como moeda.</p>
<h2>Adoção da LN</h2>
<blockquote>
<p>A rede vem perdendo a sua adoção</p>
</blockquote>
<p>Isto é uma interpretação errada dos números, apesar da capacidade da LN ter diminuído ligeiramente, não significa que tenha perdido adoção, pelo contrário. Como a unidade de conta dos produtos é em FIAT, temos que analisar os dados em FIAT.</p>
<p><a href="https://www.rei-artur.com/wp-content/uploads/image-168.png"><img src="https://www.rei-artur.com/wp-content/uploads/image-168-1024x351.png" alt=""></a></p>
<p>A capacidade mais alta da LN ocorreu a 8 de julho de 2023, com 5523 BTCs, correspondia a 167 milhões de dólares.</p>
<p>Hoje a capacidade está ligeiramente abaixo, nos 5206 BTCs, corresponde a 322 milhões de dólares.</p>
<p>Isto significa que não diminuiu, mas sim aumentou 48%, mais 155 milhões de dólares. Como o valor total em dólares alocado aumentou imenso mas o número médio de satoshis por pessoa reduziu. Isto significa que existem mais pessoas a utilizar.</p>
<p>Eu sou um exemplo prático disso, com a valorização do Bitcoin, o valor já era demasiado alto, muito superior ao que eu necessito, por isso movi parte para a L1.</p>
<p><a href="https://www.rei-artur.com/wp-content/uploads/image-169.png"><img src="https://www.rei-artur.com/wp-content/uploads/image-169-1024x335.png" alt=""></a></p>
<p>Apesar de hoje a capacidade em BTC está próximo ao máximo de 2023, a grande diferença está no número de canais, que diminuiu bastante. Isto significa que são menos canais mas com maior capacidade de liquidez. A LN está a centralizar-se em canais maiores, isto é a prova que as pessoas optam por carteiras custodiais.</p>
<h1>Escola Austríaca</h1>
<p>As partes sobre a escola austríaca prefiro não comentar, deixo para os mais entendidos sobre o assunto.</p>
<h1>Conclusão</h1>
<p>Para finalizar, apesar de não concordar com muitas coisas que o autor do texto diz, mas tenho que louvar a sua atitude e a maneira como expressou os seus argumentos. Apesar de algumas imprecisões, o autor demonstrou ter bons conhecimentos sobre o Bitcoin. É um exemplo a seguir por outros críticos, uma crítica construtiva.</p>
<p>Eu creio que no futuro o autor vai reconhecer que estava errado nesta análise, vai voltar a acreditar no Bitcoin, ao não fechar essa porta, é um bom sinal.</p>
]]></content:encoded>
      <itunes:author><![CDATA[reiartur]]></itunes:author>
      <itunes:summary><![CDATA[<p>É com muito agrado que eu vejo este <a href="https://medium.com/@hericktiago07/os-problemas-com-o-bitcoin-a46296919e02">texto crítico</a> ao Bitcoin, eu não concordo em muitas partes com o autor, mas é notório que estudou o Bitcoin, é uma crítica construtiva/argumentativa. Saiu do padrão habitual dos críticos do Bitcoin, como não estudam são monocórdicos, apenas replicam ideias feitas e erradas do passado, como “só serve para criminosos”, “o gasto energético” e outras coisas absurdas.</p>
<p>Este contraditório é muito importante, todos os críticos deveriam de ser assim, estudar minimamente antes de criticar, por isso, este texto merece todo o meu respeito mas eu vou fazer alguns comentários:</p>
<h1>Ataques coordenados</h1>
<p>O autor no texto utilizou a seguinte citação:</p>
<blockquote>
<p>De fato, se um grupo com poder (hashrate) suficiente se unir, é capaz de gerar dados contendo transações inválidas. Dessa forma, cabe aos próprios usuários se coordenarem para ignorar essa sequência de transações.</p>
</blockquote>
<h2>Ataque com transações inválidas</h2>
<p>Se um grupo de mineradores_/pools_ atacar com transações inválidas, não é necessário uma coordenação de usuários, mas sim individual. Segundo o protocolo, quem adiciona os blocos à <em>blockchain</em> são os nós(nodes) e não os mineradores/<em>pools</em>. Os mineradores/<em>pools</em> apenas propõem um <em>template</em> para o próximo bloco, os nós é têm a responsabilidade de verificar todas as informações contidas no <em>template</em>, se cumprir as regras é adicionado. Caso exista alguma inconformidade no <em>template</em>, essa será rejeitada pelos nós, ficando a aguardar por um novo <em>template</em>. No caso de transações inválidas, é muito simples de travar qualquer ataque. O adicionar do bloco é trabalho exclusivo dos nós, é feito individualmente, sem uma necessidade de coordenação entre eles.</p>
<p>Agora vamos imaginar um ataque ainda mais sofisticado, os maiores mineradores/<em>pools</em> uniam-se e realizavam um ataque coordenado. Também é fácil de travar, como a verificação é feita pelos nós, não é possível adicionar transações inválidas.</p>
<p>O único problema que pode causar, caso o <em>hashrate</em> do atacante seja muito elevado, é a rede vai ficar lenta. Em vez dos novos blocos a cada 10 minutos, vai demorar mais tempo.</p>
<p>No caso do ataque duradouro, os nós no período máximo de 2016 blocos, vão reajustar a dificuldade, voltando ao 10 minutos. É claro neste período até ao ajustamento a rede fica lenta, mas a probabilidade de ataque destes é muito remota. Como o atacante não tem qualquer hipótese de ter proveitos económicos, mas tem uma exorbitante custos com eletricidade, é pouco provável que alguém tente o efectuar.</p>
<h2>Ataque com transações válidas</h2>
<p>Qualquer ataque com transações invalidadas é fácil de resolver, o mais complexo/delicado é quando esse ataque é realizado com transações válidas.</p>
<p>Vamos a um exemplo concreto, imaginemos que a OFAC, obrigue as mineradoras e as <em>pools</em> norte-americanas a censurar transações, essas empresas não terão alternativa, terão que cumprir. Os EUA têm uma percentagem de hashrate muito elevada.</p>
<p>Vamos extremar ainda mais o exemplo, imaginemos que 95% do <em>hashrate</em> “cumprirá” com OFAC. Isto não afeta o regular funcionamento do Bitcoin, afeta apenas as transações sancionadas, vão demorar mais tempo a serem adicionadas à blockchain. Tem que aguardar por algum minerador, que não cumpra as regras OFAC, vença a corrida pelo novo bloco.</p>
<p>Para minimizar a possibilidade de uma censura por parte das <em>pools</em>, está a ser desenvolvida a Stratum V2, uma nova versão do software das <em>pools</em>. Nesta nova versão, a responsabilidade de criar o <em>template</em> passa a ser realizada pelo minerador, agora só falta as <em>pools</em> atualizarem o software.</p>
<h2>Ataque de 51%</h2>
<p>Também pode acontecer um Ataque de 51%, a possibilidade de várias <em>pools</em> cooperarem para realizar este ataque é extremamente baixa, quase nula. O mesmo acontece, se o ataque for organizado por um estado ou vários estados, não passam de apenas hipóteses teóricas.</p>
<p>A quantidade de mineradores é tremenda, distribuídos por todo o mundo, é completamente descentralizada, sendo muito pouco provável um minerador sozinho ter mais de 51% da <em>hashrate</em>. A única hipótese é um ataque com a cumplicidade de várias <em>pools</em> mas é extremamente improvável, quase nula. O ataque de 51% é raro mas já aconteceu em <em>blockchains</em> pequenas e centralizadas, mas o atacante foi a solo, nunca foi algo organizado por várias <em>pools</em>.</p>
<p>A estrutura necessária para o ataque é tremenda, é impossível o atacante ficar anónimo, a probabilidade de ter proveitos económicos e não ser identificado é quase nula. Mas destruirá por completo a sua credibilidade, será o fim das <em>pools</em> envolvidas.</p>
<p>Em último caso, numa situação extrema, o ataque pode ser revertido com <em>rollback</em> da <em>blockchain</em>.</p>
<p>Em termos genéricos, este ataque possibilita a reorganização da cadeia de blocos, permitindo uma espécie de gasto duplo, colocando em causa a imutabilidade da rede. Devido às características do Bitcoin não é possível existir uma regra de quantas confirmações são necessárias para que a transação seja imutável, quanto mais melhor. Como não existe uma regra, é uma decisão individual, de quem está a receber os satoshis (os outputs da transação), são as possíveis vítimas do ataque.</p>
<p>Quando eu comecei no Bitcoin, a ideia que circulava na comunidade, o mais seguro seriam 6 confirmações, mas agora em vários locais (corretoras) já aceitam 3 confirmações, quanto mais facilitamos, maior o risco que corremos. Na minha opinião, 3 confirmações é pouco e nos casos de valores mais elevados de BTC, mais exigentes temos que ser.</p>
<p><img src="https://image.nostr.build/0ec411fefefa8bf7fbe0a576aa73d921b0d92a942f492c779110857daed44efc.png" alt="image"></p>
<p>Eu sou bastante paranóico, gosto de seguir o lema: mais vale prevenir do que remediar. Por isso geralmente aguardo por 6 confirmações e tem que incluir 3 mineradores diferentes.</p>
<p>A probabilidade de um ataque é muito baixa e se nós formos rigorosos nas confirmações, o risco de ser vítima de um golpe é nula.</p>
<p>Agora uma conclusão que engloba todos estes possíveis ataques falados em cima, a ideia fulcral é as probabilidades. Devido à segurança do Bitcoin, tudo isto não passa de probabilidades teóricas, onde o risco é bastante reduzido ou nulo. São apenas conceitos teóricos, mas é essencial tê-los em mente, especialmente para trabalhar preventivamente, para que o Bitcoin seja cada vez mais resiliente. Para que, estes conceitos não passam da teoria à prática, é mais questão paranóica, do que um perigo real, é a segurança levada a um nível extremo. Mas foi esta paranóia que tornou o Bitcoin a rede mais segura do mundo. É importante debater estes conceitos, mas é necessário algum cuidado para não gerar alarme social.</p>
<h1>Descentralização</h1>
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<p>Esse é um argumento muito bom. Não ter uma pessoa ou um grupo que tome as decisões da rede isoladamente chama a atenção de muitas pessoas. Imagina que maravilha um sistema que não depende da confiança em pessoas que normalmente tendem a corrupção. Imagina não depender de bancos para poder custodiar o seu dinheiro. Um verdadeiro dinheiro do povo.<br>Seria o Bitcoin o grande libertador dessas amarras antigas de ter que confiar em um emissor de moeda?<br>Não é bem assim.</p>
</blockquote>
<p>A descentralização é o maior desafio para as comunicações, como nas <em>blockchains</em>. Existe o problema do Trilema das <em>blockchains</em>, dos 3 vértices, apenas é possível escolher dois.</p>
<p><img src="https://image.nostr.build/c4e901845a05b58e8be3a2f68b49c9858ab95c2db8864fc78972008b60680764.jpg" alt="image"></p>
<p>Satoshi priorizou a segurança e a descentralização, deixando para um segundo plano a escalabilidade. Assim, para manter a camada base (L1) descentralizada, o número de transações são baixas, é impossível biliões de pessoas utilizá-la para as suas compras do dia-a-dia, deve apenas ser utilizadas para transações onde é necessário maior segurança ou para transações de liquidação(Settlements). As transações do dia-a-dia (a escalabilidade) devem ser executadas em camadas secundárias(L2).</p>
<p>No Bitcoin, devemos ter o mesmo escalonamento utilizado na banca tradicional, uma <strong>conta poupança</strong> e uma <strong>conta corrente</strong>.</p>
<p>Na <strong>conta poupança</strong> é destinado para guardar as poupanças de uma vida (médio/longo prazo), onde está parte significativa do nosso capital, logo necessita de uma maior segurança, devem estar na L1.</p>
<p>Na <strong>conta corrente</strong> é destinado para os pagamentos do dia-a-dia (curto prazo), composta por uma pequena parte do nosso capital, esta deve estar na L2.</p>
<p>Vamos a dois exemplos concretos:</p>
<p><strong>Exemplo 1:</strong> Uma pessoa que acumulou btc e agora sobrevive exclusivamente das poupanças. Esta pessoa, a cada 2 ou 3 meses, faz uma transação da L1 para a L2 com um valor suficiente para sobreviver nesse período. Depois utiliza a L2 para efetuar os seus pagamentos do dia-a-dia.</p>
<p><strong>Exemplo 2:</strong> Uma pessoa que está agora a acumular btc, está a fazer o chamado <em>hodl</em>. Utiliza a L2 para fazer o DCA, acumular os satoshis, quando este valor for significativo, aí sim, faz uma transação da L2 para a L1.</p>
<p>Em ambos os casos, a L1 é utilizada para as liquidações, onde são realizadas meia dúzia de transações por ano, nas L2 são feitas milhares de transações por ano.</p>
<p>A descentralização é fundamental para o seu funcionamento, mas não é imperativo para os pagamentos, ou seja, é fundamental na L1, é a única maneira para garantir a segurança do btc e garantir a descentralização nas camadas seguintes.</p>
<p>Sendo a L1 descentralizada, é possível construir L2 descentralizadas ou centralizadas, ambas.</p>
<p>Se a L1 for centralizada, não é possível construir L2 descentralizadas, são todas centralizadas.</p>
<p>Quem são os “emissor da moeda” no ecossistema do Bitcoin?</p>
<p>São os intermediários, os custodiantes. Podem estar na L1, nas L2 ou em sistemas complemente centralizados, como as corretoras ou bancos.</p>
<p>Temos necessariamente de confiar no emissor da moeda?</p>
<p>Não, primeiro as pessoas podem utilizar apenas a L1, só que pode ter um custo elevado.</p>
<p>Podem optar por L2, neste caso existem 2 opções: descentralizadas ou centralizadas. Destas 3 opções possíveis, para efetuar transações, só numa existe algum risco do emissor. No caso do Bitcoin, o “confiar no emissor” é uma opção e não uma obrigação.</p>
<p>No caso das moedas no sistema FIAT, a centralização é imposta, é obrigatório o confiar, não existiam alternativas.</p>
<p>Esta é a beleza do Bitcoin, dá liberdade de escolha ao indivíduo.</p>
<p>Utilizar L2 não é sinónimo de perder a descentralização/soberania, é apenas uma opção. Muitos utilizadores prescindem da soberania pela conveniência, preferem as carteiras centralizadas/intermediários, porque são mais simples, mais baratas, sem a necessidade de manutenções e de ter conhecimentos técnicos. É totalmente legítimo e compreensível esta escolha, no meu caso eu utilizo ambas mas preferencialmente a descentralização.</p>
<p>É claro, quem prefere o centralizado, corre mais riscos, está dependente do custodiante/intermédio.</p>
<blockquote>
<p>Além disso, a maioria dos usuários não possui o software (node) para validar as transações por conta própria.<br>Mesmo dentre os entusiastas que o fazem, muitos não possuem conhecimento técnico para validar o código-fonte ou participar dos debates técnicos.<br>A descentralização é utopia. Não existe. Sempre haverão pessoas ou grupos que terão o maior poder de algo (Regra de Pareto). Logo, o Bitcoin também não foge da regra.</p>
</blockquote>
<h2>Rodar de nós</h2>
<p>A descentralização não é uma utopia, o que é utópico, é acreditar que todas as pessoas vão rodar o próprio nó, isso não vai acontecer. Só roda quem quer, não é obrigatório, quem quer roda, que não quer não roda, mas todos podem se beneficiar com o Bitcoin. Com o avanço tecnológico, atualmente nem é necessário rodar o nó para usufruir da soberania. Para a rede ser segura não é necessário milhões de nós, basta dezenas de milhares para a tornar imutável e plenamente descentralizada.</p>
<p>O bitcoin dá liberdade individual, liberdade de escolha, permite a utilização de carteira não-custodiais ou custodiais, cada um escolhe a melhor que se adapta ao seu perfil ou conhecimento. Nada disto é possível no sistema tradicional, onde só é possível carteiras custodiais, não existe alternativa.</p>
<p>No meu ponto de vista, a soberania é essencial (como rodar um nó), é utópico acreditar que todas as pessoas vão seguir este caminho, mas isto é escolha pessoal, uma liberdade individual. Se eu tenho o direito/liberdade de ser soberano, a outra pessoa também têm a liberdade de o não ser soberano, de não querer a responsabilidade de guardar a <em>seed</em>.</p>
<p>Temos visões diferentes, mas ambos nos beneficiamos e acreditamos no Bitcoin. Por não rodar um nó, não é inferior a mim, somos todos iguais nos direitos, o Bitcoin é para todos, mesmo para aqueles que não acreditam no Bitcoin, não existe distinção.</p>
<p>Mas é claro que, quem não quer ter a responsabilidade da custódia, terá que estar consciente dos riscos, poderá ter problemas no futuro. Terá que pesar os prós e os contras da soberania. Eu penso no exemplo dos meus pais, a probabilidade de eles perderem a <em>seed</em> é muito superior, à possibilidade de serem confiscados pelo estado. Para o perfil deles, o mais adequado é uma carteira custodial ou com <em>seed recovery</em>. Conhecendo bem os meus pais, nunca na minha vida, eu aconselharia uma carteira não-custodial.</p>
<p>É claro que rodar um nó é importante, mas não é essencial, essa é mais uma função para os maximalistas.</p>
<h2>Verificação do código-fonte</h2>
<p>Hoje em dia, o ecossistema do Bitcoin é tão extenso, são milhões de linhas de código, é humanamente impossível um indivíduo verificar o código-fonte sozinho. Se alguém com conhecimentos técnicos não consegue verificar tudo sozinho, é impossível para os leigos.</p>
<p>Por isso o Bitcoin é <em>opensource</em>, onde a desenvolvimento e verificação é realizada por milhares de olhos, é um trabalho colaborativo, realizado por pessoas altamente qualificadas. Onde cada linha, cada alteração é verificada por centenas de pessoas.</p>
<p>Esse é o motivos de sermos conservadores nas atualizações, qualquer alteração é necessário um longo período de testes e de rigorosas verificações. Não pode haver falhas, qualquer distração pode colocar em causa anos de trabalho.</p>
<p>O código-fonte <em>opensource</em> é um trabalho colaborativo.</p>
<p>A não verificação do código-fonte por pessoas comuns não é razão para colocar em causa a descentralização do Bitcoin. A única verificação que os não técnicos devem realizar, é fazer os <em>downloads</em> nos locais oficiais e manter os <em>softwares</em> atualizados.</p>
<h2>Centralização das <em>Pools</em></h2>
<blockquote>
<p>É importante também dizer que as pools de mineração são centralizadas.<br>Aproximadamente 80% da mineração de Bitcoins é controlada por apenas 5 pools. Cada node dentro das pools possuem o poder por conta própria, é verdade. Porém existe um certo poder de influência das pools com os nodes de mineração.</p>
</blockquote>
<p>Em cima, já respondi em parte ao problema da centralização das <em>pools</em> de mineração.</p>
<p>Em suma, a centralização das <em>pools</em> não coloca em causa a descentralização da rede, porque o fundamental na descentralização são os nós da rede, as <em>pools</em> desempenham um papel muito diminuto nessa descentralização.</p>
<p>É claro, se o hashrate fosse mais disperso por mais <em>pools</em> era melhor. Com o novo <em>software</em> para as <em>pools</em>, é dado mais poder aos mineradores, na elaboração do <em>template</em>, o risco das <em>pools</em> fica ainda mais minimizado.</p>
<h1>A Escalabilidade</h1>
<h2>Lastro dos IOUs</h2>
<blockquote>
<p>O problema com o ouro foi a escalabilidade. Pelas limitações físicas, o ouro não conseguiu ser escalável. Tendo que utilizar soluções de segunda camada (certificados de ouro) como uma representação do ouro original. Essa falta de contato com o ouro físico fez as pessoas se acostumarem a trocar somente certificados em papel-moeda e, posteriormente, foi se perdendo o lastro em ouro até se tornar 100% fiduciária.</p>
</blockquote>
<p>Concordo plenamente com a afirmação, só que o Bitcoin tem algumas pequenas alterações que fazem toda a diferença. Os certificados de ouro criaram um risco, mas o maior risco aconteceu com a centralização, na existência de apenas um emissor (FED) e em um único produto (o dólar).</p>
<p>No Bitcoin é totalmente diferente, as carteiras custodiais ou IOUs são uma opção, só usa quem quer.</p>
<p>No caso das L2, existem carteiras custodiais e não-custodial. Esta parte é fundamental, as pessoas podem ter satoshis em carteiras L2 não-custodiais e “trocar” por L1 sem intermediários, sem a necessidade de uma permissão de um governo, estão seguros.</p>
<p>Os riscos associados às L2 centralizadas, é menor que o risco existente nos certificados de ouro/papel-moeda, porque existem vários emissores e em várias jurisdições, é um pormenor que faz toda a diferença.</p>
<p>Como o Bitcoin é digital, o emissor pode estar literalmente em qualquer ponto do mundo, ou simultaneamente em vários países, camuflado pelo TOR, irrastreável, ou em países pró Bitcoin, existe uma maior segurança jurídica.</p>
<p>Podemos estar num país e utilizar uma custodiante de noutro país, como aconteceu com a WOS, está oficialmente indisponível nos EUA, mas muitos norte-americano continuam a utilizar.</p>
<p>Como existem muitos emissores, as pessoas vão optar pelos mais seguros.</p>
<p>Um país pode confiscar o lastro dos emissores, mas só o consegue nas empresas sob sua jurisdição e esse confisco apenas afeta os residentes desse país, os restantes povos não são afetados. Assim, o que pode acontecer, é alguns emissores/custodiantes podem ser confiscados, ficando sem o lastro, mas o Bitcoin no geral não tem problemas. Como aconteceu na FTX, a corretora perdeu parcialmente o lastro, os clientes tiveram grandes perdas, mas o restante ecossistema Bitcoin, não perdeu o “lastro”.</p>
<p>O confisco é algo inevitável no futuro, algum país vai fazê-lo, possivelmente o primeiro será um país pequeno. Mas essa notícia vai propagar-se pelo mundo, vai colocar todos os utilizadores em alerta, a pensar que poderá também acontecer a si. Esse medo de perder os fundos vai estimular e gerar uma forte adoção à auto-custódia. Como acontece sempre após uma falência de uma corretora, gera uma corrida bancária em todas as corretoras, um pico de demanda por soberania. Infelizmente as pessoas só aprendem com a dor.</p>
<p>A parte mais curiosa disto tudo, a existência de múltiplos custodiantes/bancos em cada país e por centenas de países, essa enorme distribuição de empresas centralizadas cria uma certa descentralização, minimizando o risco.</p>
<p>Em suma, um risco universal dos IOUs de Bitcoin, perderem o lastro é nulo, o que poderá acontecer é casos localizados, ou seja, não é perda de lastro do Bitcoin, é o confisco realizado por algum estado ou a fraude de algum custodiante/emissor. Mas isto é um problema localizado e não sistémico. No caso do ouro foi sistémico, porque só existia um emissor e com poder absoluto.</p>
<p>Assim, para minimizar os riscos, a melhor opção é a auto-custódia.</p>
<h2>Tamanho do Bloco</h2>
<blockquote>
<p>O Bitcoin é programado para fazer 1 bloco de transações de apenas 1 mb a cada ~10min. Isso significa que para sua transação ter prioridade terá que pagar taxas mais altas do que a média do mercado. A limitação de 1 mb serve para deixar a rede mais descentralizada já que quanto maior o bloco, maior também será a capacidade necessária para rodar um node na rede. Menos nodes significa mais centralização.</p>
</blockquote>
<p>Análise perfeita.</p>
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<p>Sem falar que já foi tentado aumentar o Bloco em 2017 com o Bitcoin Cash e a rede não foi para frente.</p>
</blockquote>
<p>Pelo contrário, essas ideias foram em frente, o projeto foi criado, por isso existe o Bcash. Só que o tempo provou que o aumento do tamanho do bloco não é a solução, as pessoas preferiram o Bitcoin original.</p>
<p>Basta ver as consequências do aumento do bloco, onde existem apenas 3 pools de mineração e uma delas é responsável por 85% do hashrate.</p>
<p>Os nós são muito poucos:<br><img src="https://image.nostr.build/dbec4f3fed5edcc39eb078e333ec8b3414ae049e35743aea70a41ff8260b2446.png" alt="image"></p>
<p>Aumentou o tamanho do bloco, mas tem uma <a href="https://blockchair.com/bitcoin-cash/charts/blockchain-size">blockchain menor</a> que a do Bitcoin:<br><img src="https://image.nostr.build/cf3c81da1c2fa0eca1a3e8c7da1e9ee3a2d530677489fb18d2eabfd66162ec17.png" alt="image"></p>
<p>Além do Bcash, surgiu também o BSV, um <em>fork</em> do Bcash, onde as consequências do aumento do tamanho foram terríveis, apenas consegui dados até 2023, o tamanho da <em>blockchain</em> aumentou exponencialmente, é 12x maior que o atual tamanho do Bitcoin:</p>
<p><img src="https://image.nostr.build/6a7ad7deed7678d17ec3e297936d357ede45bb0ecdc858f9dc62b118ed3ac20b.jpg" alt="image"></p>
<p>Em ambos os projetos a descentralização está comprometida, não existe.</p>
<h2>Custo de Transação na L1</h2>
<blockquote>
<p>Em Abril de 2024, logo após o halving, a taxa para transacionar na rede do Bitcoin estava em média 200 dólares.<br>Imagina quanto pode chegar essa taxa nos próximos halvings com mais usuários na rede e com com mais implementações do tipo Ordinals ou Runes. É no mínimo irônico que maximalistas disputem espaço na rede com especuladores de memecoins e nfts congestionando a blockchain da criptomoeda.</p>
</blockquote>
<p>É verdade que atingiu esses valores, mas foi num curto espaço de tempo, foi uma loucura momentânea que certamente não irá repetir, isso foi uma ocasião especial. O custo médio de uma transação na L1 está longe desses valores, neste preciso momento está inferior a 1$.</p>
<p><img src="https://image.nostr.build/4f700bc5f4c4ec6fcd64aad7b33a1b404dfa88a23b6502b04e405db6a9fb3f58.png" alt="image"></p>
<p>No futuro é provável que a médio prazo, o custo médio fique entre os 10$ e 20$.</p>
<p>Os NFTs e <em>memecoins</em> só estão na L1, porque está barata, quando ficar cara, estes projectos vão migrar para L2, ninguém vai pagar 10$ de <em>fee</em> para transacionar uma <em>memecoin</em> que vale alguns centavos. Na L1 vão ficar apenas coisas com valores elevados.</p>
<p>Pode parecer contraditório mas o chegar a 200$ é sinal que o sistema funcionou, está saudável. Isso só aconteceu devido a uma procura extraordinária, fez com que o custo aumentasse, mas a rede nunca parou. Enquanto no sistema financeiro tradicional, quando existe um pico de procura, muito fora do normal, os servidores vão abaixo e o sistema fica inoperacional para todos, durante um período. No caso do bitcoin os custos aumentam, é uma espécie de proteção contra DDoS, sem nunca o sistema ir a baixo.</p>
<p>Eu não quero dizer que o custo de uma transação de 200$ é bom, claro que não é, mas isto é algo que aconteceu esporadicamente. Mas não podemos colocar em causa um sistema por algo que acontece esporadicamente e num espaço de tempo tão curto.</p>
<p><img src="https://image.nostr.build/38b497307a5ebb7fb9c2b8a23335b8c4fd98c05050bd12d1772df89ac3f3c744.jpg" alt="image"></p>
<p>Nos 15 anos do Bitcoin apenas por 5 períodos onde o preço de transação atingiu valores exorbitantes e sempre num curto espaço de tempo.</p>
<ul>
<li><p>22 de Dezembro de 2017:<br><img src="https://image.nostr.build/f7fc3f77771a567f7f2e448911e444e9c691ba1ecf9d6e115324752a55f53368.jpg" alt="image"> </p>
</li>
<li><p>21 de Abril de 2021:<br><img src="https://image.nostr.build/059dbf9c1c184fecf39c8e08dc7bd7f76edf917ce35f80dbd52efafceb527678.jpg" alt="image"></p>
</li>
<li><p>17 de Dezembro de 2023:<br><img src="https://image.nostr.build/f014a4c2920169f0e8ca4e16af95fdac7032543a5fe3eb65b644fb93aa49786f.jpg" alt="image"></p>
</li>
<li><p>20 de Abril de 2024:<br><img src="https://image.nostr.build/8b60dbd375f1bb3293ed5931f3abf60d1ea53a4bfc6c6ec6c9538cbb9fb8ff84.jpg" alt="image"></p>
</li>
<li><p>7 de Junho de 2024:<br><img src="https://image.nostr.build/c8ea3a9583c4951de5c82e3721013ca588d1ca08a540b78af55c0f775c4c0cb4.jpg" alt="image"></p>
</li>
</ul>
<p>Nestes 5 períodos, apenas em um (20 de Abril de 2024), o percentil 50 foi superior a 31$. É verdade que 30$ não é acessível para toda a gente, mas o Bitcoin é a rede mais segura do mundo, isto tem um custo.</p>
<p>O 7 de Junho de 2024 é um caso particular, não foi um problema de uma elevada procura, mas sim, devido a um <em>bug</em> de uma corretora. Colocou um <em>fee</em>(taxa) absurdo nas suas transações de consolidação.</p>
<p>A L1 vai ser utilizada sobretudo para transações de liquidação(Settlements) ou com altos valores, onde podem pagar taxas mais elevadas.</p>
<p>Uma transação de liquidação na L1, “condensa” centenas ou milhares de operações realizadas em L2, logo esse custo pode ser dividido por essas centenas. Os custos são minimizados.</p>
<p>É similar ao que acontece na banca tradicional, durante o dia, os clientes de dois bancos realizam milhares de transações entre si, são apenas alterações nas bases de dados de ambos bancos. No fim do dia, os bancos fazem um balanço e o banco que estiver em crédito, efetuará uma transação para o outro banco. Essa real efetivação da transação (a liquidação), onde existe realmente um troca monetária entre os bancos só acontece algum tempo depois.</p>
<p>Geralmente nas transações de liquidação, não existe uma urgência imperativa, a transacção não necessita de ser executada de imediato, existindo uma maior flexibilidade, podendo aguardar por um momento com <em>fees</em> mais baixas.</p>
<p>Se for urgente está sujeito ao custo do momento.</p>
<h2>Lightning Network</h2>
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<p>Os bitcoiners alegam que o Bitcoin resolve o problema da escalabilidade por ser digital. Mas até agora não temos nada concreto que mostre que seja possível escalar uma moeda “descentralizada”. Um passo nesse sentido foram a implementação da Lightining Network, uma “segunda camada” do Bitcoin implementada em 2018.<br>Enquanto o ecossistema do Bitcoin se expande, a Lightning se move em direção contrária.<br>Além disso, a Lightning apresenta falhas críticas que não favorecem o crescimento da adoção.</p>
</blockquote>
<p>As soluções de L2 são a única via para resolver o problema da escalabilidade.</p>
<p>A Lightning Network (LN) foi a primeira a surgir e está completamente funcional, consegue processar 1 milhão de transações por segundo.</p>
<p>Os problemas da LN não são de código mas sim da dependência da L1, para fazer a abertura, fecho ou balancear os canais. Se no momento em que for necessário realizar estas operações, os custos na L1 for elevado, é um problema. Este problema afeta quem faz a auto-custódia, para evitar esse risco, as pessoas preferem utilizar carteira custodiais.</p>
<p>Hoje em dia estes períodos de custos mais altos na L1 são raros, mas é previsível no futuro com o aumento da adoção, estes períodos vão ser mais recorrentes, por isso a LN tem que ser melhorada, para que no futuro não seja um problema crítico.</p>
<p>Será que todos nós necessitamos de uma carteira L2 não-custodial para os pequenos pagamentos?</p>
<p>Na minha opinião não. Como as carteiras L2 necessitam de estar online e geralmente em smartphones, logo existe um maior risco de segurança, por esse motivo devemos ter pouco capital nesses dispositivos. Como o capital alocado é baixo, a grande maioria dos utilizadores prefere optar por carteiras simples, a soberania não é uma prioridade. A descentralização e a soberania é fulcral apenas na L1, onde estão os valores elevados, nas L2 não.</p>
<p>As L2 custodiais como a <a href="https://www.walletofsatoshi.com/">WOS</a> é um excelente produto, simples, é um produto ideal para os leigos, que serão a maior parte da população.</p>
<p>Eu abri um canal de LN(não-custodial), há mais de ano, possivelmente já fiz milhares de transações, sempre a baixo custo, mesmo nos dias de congestionamento da L1 não houve qualquer problema. A minha experiência com LN é muito boa, mas a auto-custódia tem um custo. Mas esses custos da abertura e fecho do canal são divididos por dezenas ou centenas de transações na LN, assim os custos operacionais continuam a ser baixos, menor que qualquer sistema tradicional.</p>
<p>Atualmente com a <a href="https://phoenix.acinq.co/">Phoenix</a> é simples ter LN não custodial, mas as pessoas continuam a preferir WOS, mesmo entre os maximalistas. Isto demonstra que a soberania/descentralização não é um ponto fundamental na escolha de uma carteira LN, mas sim a sua simplicidade e usabilidade, nisto a WOS é vencedora.</p>
<p>As carteiras custodiais têm a possibilidade de crescimento exponencial, mesmo com a atual tecnologia.</p>
<p>As pessoas preferem terceirizar a custódia, não querem ter essa responsabilidade, querem ter alguém para apontar o dedo quando algo corre mal. A sociedade foi construída na base da confiança, mas ao longo da história essa mesma confiança foi abusada inúmeras vezes, sobretudo pelos políticos.</p>
<p>É natural com a massificação da adoção, os novos utilizadores são cada vez menos <em>geeks</em>, são mais pessoas comuns, sem conhecimentos técnicos, vão preferir serviços custodiais.</p>
<p>É este o melhor caminho certo?</p>
<p>Na opinião não, mas a maioria das pessoas preferem, a adoção demonstra isso. Mas compreendo essa escolha, faz todo o sentido, como são montantes baixos, compensa aceitar esse risco e deixar todo o trabalho da gestão de um canal para o custodiante.</p>
<p>O essencial é existir as duas vias, depois cada indivíduo escolhe o melhor que se adapta ao seu perfil.</p>
<h2>O real problema</h2>
<p>É claro que a utilização da LN poderia ser muito superior, mas na minha opinião, não é a tecnologia que está a atrasar a adoção. O problema é que a maioria das pessoas olha para o Bitcoin apenas como uma reserva de valor, apenas guarda-o. São poucas as pessoas a gastá-lo. Este sim é o grande desafio, a mudança de mentalidade.</p>
<h2>Alternativas</h2>
<p>Este texto de opinião, apenas fala da LN, mas existem outras L2 no Bitcoin. A carteira <a href="https://aquawallet.io/">Aqua</a> ou a <a href="https://helm-wallet.com/">Helm</a> são excelentes produtos. A interoperacionalidade das duas carteiras é extraordinária, o comum mortal nem nota que está a utilizar uma <em>sidechain</em> Liquid. A Liquid é segura e muito barata transacionar. Ambos são muito bons para o cidadão comum como a Helm diz: “<em>a Lightning wallet that even your grandma can use</em>”.</p>
<p>Bitcoin é um organismo vivo, sempre em desenvolvimento. Atualmente já estão numa fase avançada de desenvolvimento a <a href="https://arklabs.to/">Ark</a>, <a href="https://fedimint.org/">Fedi</a>, <a href="https://cashu.space/">Cashu</a> e a <a href="https://mercurylayer.com/">Mercury</a>.</p>
<p>O desenvolvimento de L2 tem sido tremendo no último ano, talvez seja o período onde existe mais desenvolvimento no ecossistema do Bitcoin, são dezenas de projetos em desenvolvimento, surgem ideias novas quase todos os dias. É claro que a maioria será um <em>flops</em>, mas certamente algumas boas ideias vão sobressair.</p>
<h2>Futuro</h2>
<p>A atual tecnologia da LN ainda permite um enorme crescimento na adoção, mas para o Bitcoin estar disponível para biliões de utilizadores, a utilizar como moeda, como nós desejamos, é necessário outras soluções, sem dúvida nenhuma.</p>
<p>A médio prazo, a LN ainda será a principal solução, mas é muito provável que no futuro(a longo prazo) as pessoas deixem de usar a LN para pagamentos, talvez optem por Ark ou dispersam por várias tecnologias. A LN vai se transformar num sistema que vai ligar, vai fazer a interoperacionalidade da liquidez entre diferentes L2 e a ligação à L1.</p>
<p>Repito, a tecnologia tem muito que melhorar, mas não é ela a principal responsável pelo atraso da adoção do Bitcoin como moeda.</p>
<h2>Adoção da LN</h2>
<blockquote>
<p>A rede vem perdendo a sua adoção</p>
</blockquote>
<p>Isto é uma interpretação errada dos números, apesar da capacidade da LN ter diminuído ligeiramente, não significa que tenha perdido adoção, pelo contrário. Como a unidade de conta dos produtos é em FIAT, temos que analisar os dados em FIAT.</p>
<p><a href="https://www.rei-artur.com/wp-content/uploads/image-168.png"><img src="https://www.rei-artur.com/wp-content/uploads/image-168-1024x351.png" alt=""></a></p>
<p>A capacidade mais alta da LN ocorreu a 8 de julho de 2023, com 5523 BTCs, correspondia a 167 milhões de dólares.</p>
<p>Hoje a capacidade está ligeiramente abaixo, nos 5206 BTCs, corresponde a 322 milhões de dólares.</p>
<p>Isto significa que não diminuiu, mas sim aumentou 48%, mais 155 milhões de dólares. Como o valor total em dólares alocado aumentou imenso mas o número médio de satoshis por pessoa reduziu. Isto significa que existem mais pessoas a utilizar.</p>
<p>Eu sou um exemplo prático disso, com a valorização do Bitcoin, o valor já era demasiado alto, muito superior ao que eu necessito, por isso movi parte para a L1.</p>
<p><a href="https://www.rei-artur.com/wp-content/uploads/image-169.png"><img src="https://www.rei-artur.com/wp-content/uploads/image-169-1024x335.png" alt=""></a></p>
<p>Apesar de hoje a capacidade em BTC está próximo ao máximo de 2023, a grande diferença está no número de canais, que diminuiu bastante. Isto significa que são menos canais mas com maior capacidade de liquidez. A LN está a centralizar-se em canais maiores, isto é a prova que as pessoas optam por carteiras custodiais.</p>
<h1>Escola Austríaca</h1>
<p>As partes sobre a escola austríaca prefiro não comentar, deixo para os mais entendidos sobre o assunto.</p>
<h1>Conclusão</h1>
<p>Para finalizar, apesar de não concordar com muitas coisas que o autor do texto diz, mas tenho que louvar a sua atitude e a maneira como expressou os seus argumentos. Apesar de algumas imprecisões, o autor demonstrou ter bons conhecimentos sobre o Bitcoin. É um exemplo a seguir por outros críticos, uma crítica construtiva.</p>
<p>Eu creio que no futuro o autor vai reconhecer que estava errado nesta análise, vai voltar a acreditar no Bitcoin, ao não fechar essa porta, é um bom sinal.</p>
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      </item>
      
      <item>
      <title><![CDATA[Protecionismo e China]]></title>
      <description><![CDATA[As políticas protecionistas do ocidente e as possíveis consequência no equilíbrio geopolítico.]]></description>
             <itunes:subtitle><![CDATA[As políticas protecionistas do ocidente e as possíveis consequência no equilíbrio geopolítico.]]></itunes:subtitle>
      <pubDate>Thu, 20 Jun 2024 12:54:09 GMT</pubDate>
      <link>https://idsera.npub.pro/post/aqslvmfgz038czhetphth/</link>
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      <category>Economia</category>
      
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      <dc:creator><![CDATA[reiartur]]></dc:creator>
      <content:encoded><![CDATA[<p>Recentemente os EUA e a União Europeia anunciaram novas taxas alfandegárias impostas aos produtos importados da China.</p>
<blockquote>
<p>“Presidente norte-americano, Joe Biden, anunciou esta terça-feira um aumento das taxas alfandegárias impostas aos produtos importados da China, com o agravamento mais significativo a ser aplicado sobre os veículos elétricos: dos atuais 25% vai para 100%, já a partir deste ano.<br>Além dos automóveis elétricos, as barreiras comerciais sobre o maior concorrente dos Estados Unidos também aumentam em produtos como o aço e alumínio; baterias e suas componentes e minerais críticos; gruas portuárias; painéis solares; semicondutores; e equipamento de saúde.” – <a href="https://eco.sapo.pt/2024/05/14/eua-agrava-tarifas-sobre-veiculos-eletricos-chineses-e-nao-so/">ECO</a></p>
</blockquote>
<p>Na Europa:</p>
<blockquote>
<p>“A Comissão Europeia pretende impor novas taxas sobre as importações dos carros elétricos que sejam produzidos no gigante asiático.<br>O Executivo comunitário pretende aplicar uma taxa adicional, de 21%, em média, sobre as importações de veículos chineses, que se soma à taxa que já está atualmente em vigor, de 10%. O valor adicional pode ir até aos 38%, no caso de fabricantes que não cooperaram com Bruxelas no seu processo de investigação sobre subsídios atribuídos pelo Estado chinês.”_ – <a href="https://eco.sapo.pt/2024/06/14/taxas-extra-da-ue-sobre-eletricos-chineses-arriscam-disrupcao-do-mercado/">ECO</a></p>
</blockquote>
<p>Os países ocidentais estão a acentuar as políticas protecionistas, além disso os EUA estão a endurecer as restrições aos semicondutores contra a China:</p>
<blockquote>
<p>“A administração Biden segue reduzindo a gama de semicondutores que as empresas norte-americanas poderão vender à China.<br>O Departamento de Comércio dos Estados Unidos emitiu novas regras que endurecem as restrições de exportação introduzidas em outubro de 2022.<br>Para o governo, as medidas são necessárias para eliminar brechas nas regulações impostas no final do ano passado.<br>As regras atualizadas “aumentarão a eficácia do nosso controle e fecharão ainda mais caminhos para contornar as nossas restrições”, disse a secretária do Comércio dos EUA, Gina Raimondo, num comunicado._<br>‘Continuaremos a trabalhar para proteger a nossa segurança nacional, restringindo o acesso a tecnologias críticas, aplicando vigilantemente as nossas regras, ao mesmo tempo que minimizamos qualquer impacto não intencional nos fluxos comerciais.’<br>Chips avançados de inteligência artificial (IA), como os produtos H800 e A800 da Nvidia, serão afetados, de acordo com um documento regulatório da empresa norte-americana.<br>Além da China e Macau, os regulamentos também expandem as restrições às exportações para outros 21 países com os quais os Estados Unidos mantêm um embargo de armas, incluindo o Irã e a Rússia.” – <a href="https://www.cnnbrasil.com.br/economia/eua-aumentam-restricoes-sobre-vendas-de-chips-para-china-e-tensao-cresce/">CNN Brasil</a></p>
</blockquote>
<h1>Crise</h1>
<p>Atualmente a China está com uma grave crise, com um excesso de endividamento a nível público, como no privado. Ao contrário das duas grandes potências do ocidente, a China tem tido uma política muito comedida na desvalorização da sua própria moeda, ela tem acontecido, mas gradualmente. Nada se compara com as políticas dos EUA e da UE, que têm utilizado uma política altamente expansionista para combater as crises desde 2008.</p>
<p>Este gráfico demonstra bem a diferença:<br><img src="https://image.nostr.build/82d8191915963289cbc81f4c24072d25b28d940a7cf850a7351645fabe0a00b2.jpg" alt="image"></p>
<p>Em 15 anos a China aumentou o <em>balance sheet</em> do banco central em 133%, o BCE aumentou em 359% e o FED aumentou 703%. Os EUA chegaram aos 900%, é um valor completamente absurdo, os estados estão a abusar do <em>quantitative easing</em> (QE). No final de 2022, tanto o FED e o BCE começaram a reduzir, mas ainda está muito acima dos valores pré-covid.</p>
<h1>Onde está o problema?</h1>
<p>Devido à Teoria dos jogos, a China nunca tentou invadir a Taiwan, porque tinha mais a perder do que a ganhar. Se houvesse uma guerra entre os dois, o mundo ficaria com um grave problema devido à falta de semicondutores, sobretudo os de última geração. Mas a China também ficaria sem essa tecnologia, além disso iria sofrer sanções do mundo ocidental, os seus produtos ficariam impedidos de entrar nesses mercados. A China iria sofrer sanções semelhantes à que a Rússia está a ter devido à Guerra na Ucrânia. Os impactos económicos e políticos desta guerra é <em>case study</em> para a China, deve estar a analisar ao milímetros, a criar alternativas, projetar meios de defesa, caso lhe aconteça algo similar.</p>
<p>Nos últimos anos a China tem reduzido imenso a exposição aos títulos do tesouro dos EUA, a China chegou a ser o maior detentor de dívida. Agora a China está a optar pela compra de ouro. Ao mesmo tempo, a China e a Rússia estão a tentar desenvolver uma alternativa ao dólar para o comércio internacional e também aumentar os laços económicos com os países aliados, especialmente dos BRICS. Além disso, tem investido biliões no desenvolvimento da sua própria indústria de semicondutores. Nos últimos anos as políticas da China têm sido focadas em diminuir a dependência do ocidente e de Taiwan, preferindo aliar-se aos países emergentes, grandes potências mas pouco democráticos, à sua semelhança.</p>
<p>No outro lado, os EUA também estão a diminuir a exposição à economia chinesa, estão a trocar as fábricas e mão-de-obra chinesa por mexicana, o México está a tornar-se um parceiro estratégico.&nbsp;</p>
<p>Enquanto isso, a União Europeia assobia para o lado, apenas observa. Quando acordar será tarde demais, os líderes europeus não aprenderam nada com a pandemia, a Europa está fortemente dependente da indústria chinesa.</p>
<p>Se a única opção para combater a crise na China for o QE, além da desvalorização imensa da sua moeda, vai gerar uma enorme reação em cascata. Os seus produtos vão ficar extremamente baratos, a China vai inundar os mercados ocidentais com produtos, para combater isso os ocidentais vão endurecer as políticas de protecionismo.</p>
<p>Se a China ficar sem acesso aos mercados ocidentais devido ao aumentos das políticas protecionistas do ocidente, essas mesmas políticas já estão a impedir o acesso aos semicondutores. Assim vai existir uma inversão na Teoria dos jogos, como a China já não tem mais nada a perder, já perdeu tudo o que tinha a perder, é uma passadeira vermelha para invadir Taiwan. Se todas as sanções possíveis já estão a ser aplicadas à China ainda antes da invasão a Taiwan, em caso de uma invasão, o ocidente não terá nenhuma “arma” poderosa para retaliar. Essa possível invasão afetaria sobretudo o ocidente que ficaria sem a tecnologia de Taiwan. Não sendo possível aplicar mais sanções, restando apenas confronto direto entre a China e o Ocidente.</p>
<p>A guerra da Ucrânia tem demonstrado que as sanções já não tem tanta eficácia, o mundo está muito globalizado e muito interconectado, existem cada vez mais meios de contornar. A UE deixou de comprar produtos fósseis à Rússia, agora está a receber da China ou da Índia, ou seja, é o mesmo produto, só que agora existe um intermédio. Chegamos ao ridículo de existir o <em>transhipping</em> em alto mar, ao largo de Portugal, onde os produtos são movidos de um navio de pavilhão russo para um outro navio de um país não sancionado. Algumas horas depois ou no dia seguinte o mesmo navio atraca em Portugal ou em outro porto europeu. Todos os líderes europeus sabem que isto acontece, não fazem nada para mudar, apenas fecham os olhos, são cúmplices.</p>
<p>Outro caso vergonhoso é demonstrado por este gráfico, os países europeus estão proibidos de exportar produtos para a Rússia, mas continuam a fazê-lo através de um intermediário. É tão ridículo, é à europeia, criam uma lei e ao mesmo tempo criam uma maneira de contornar essa lei que acabaram de criar. É uma lei cartaz, é só o viver das aparências. É a hipocrisia europeia, querer demonstrar ao mundo que eles são o exemplo, mas depois faz o contrário. É façam aquilo que eu digo, mas não façam aquilo que eu faço.</p>
<p><img src="https://image.nostr.build/390793371ae329180d9b4c2edc4285251cb5c92c9dd3195f42b6892c1117e8c9.jpg" alt="image"></p>
<p>Neste caso o intermediário é o Quirguistão, mas existem inúmeros países a fazer o mesmo. É bem notório nos gráficos, após o início da guerra da Ucrânia as exportações subiram exponencialmente para o Quirguistão, mas é claro que o destino final dos produtos é a Rússia.</p>
<p>Com uma poderosa indústria e com produtos de baixo custo, facilmente a China vai arranjar intermediários. Em último caso usam a tática da VolksWagen, onde uma fábrica portuguesa constrói 99% do carro, mas como não está terminado é exportado como produto inacabado, para a Alemanha. Depois na Alemanha é só colocar a etiqueta “made in Germany” e o carro fica finalizado, pronto para exportação. Neste caso a VW utiliza este subterfúgio para fugir a impostos, os impostos da Alemanha são muito mais baixos que os de Portugal, mas a China pode usar para contornar as sanções.</p>
<h1>Conclusão</h1>
<p>Se a crise acentuar-se na China nos próximos tempos e se a única solução for uma forte desvalorização da moeda, vai provocar uma reação em cascata na economia mundial. Se escalar muito, o problema não será só económico, irá muito além disso.</p>
<p>Mas isto são muitos “ses”, é apenas uma hipótese muito remota e esperemos que não conheça, pelo bem de todos nós.</p>
]]></content:encoded>
      <itunes:author><![CDATA[reiartur]]></itunes:author>
      <itunes:summary><![CDATA[<p>Recentemente os EUA e a União Europeia anunciaram novas taxas alfandegárias impostas aos produtos importados da China.</p>
<blockquote>
<p>“Presidente norte-americano, Joe Biden, anunciou esta terça-feira um aumento das taxas alfandegárias impostas aos produtos importados da China, com o agravamento mais significativo a ser aplicado sobre os veículos elétricos: dos atuais 25% vai para 100%, já a partir deste ano.<br>Além dos automóveis elétricos, as barreiras comerciais sobre o maior concorrente dos Estados Unidos também aumentam em produtos como o aço e alumínio; baterias e suas componentes e minerais críticos; gruas portuárias; painéis solares; semicondutores; e equipamento de saúde.” – <a href="https://eco.sapo.pt/2024/05/14/eua-agrava-tarifas-sobre-veiculos-eletricos-chineses-e-nao-so/">ECO</a></p>
</blockquote>
<p>Na Europa:</p>
<blockquote>
<p>“A Comissão Europeia pretende impor novas taxas sobre as importações dos carros elétricos que sejam produzidos no gigante asiático.<br>O Executivo comunitário pretende aplicar uma taxa adicional, de 21%, em média, sobre as importações de veículos chineses, que se soma à taxa que já está atualmente em vigor, de 10%. O valor adicional pode ir até aos 38%, no caso de fabricantes que não cooperaram com Bruxelas no seu processo de investigação sobre subsídios atribuídos pelo Estado chinês.”_ – <a href="https://eco.sapo.pt/2024/06/14/taxas-extra-da-ue-sobre-eletricos-chineses-arriscam-disrupcao-do-mercado/">ECO</a></p>
</blockquote>
<p>Os países ocidentais estão a acentuar as políticas protecionistas, além disso os EUA estão a endurecer as restrições aos semicondutores contra a China:</p>
<blockquote>
<p>“A administração Biden segue reduzindo a gama de semicondutores que as empresas norte-americanas poderão vender à China.<br>O Departamento de Comércio dos Estados Unidos emitiu novas regras que endurecem as restrições de exportação introduzidas em outubro de 2022.<br>Para o governo, as medidas são necessárias para eliminar brechas nas regulações impostas no final do ano passado.<br>As regras atualizadas “aumentarão a eficácia do nosso controle e fecharão ainda mais caminhos para contornar as nossas restrições”, disse a secretária do Comércio dos EUA, Gina Raimondo, num comunicado._<br>‘Continuaremos a trabalhar para proteger a nossa segurança nacional, restringindo o acesso a tecnologias críticas, aplicando vigilantemente as nossas regras, ao mesmo tempo que minimizamos qualquer impacto não intencional nos fluxos comerciais.’<br>Chips avançados de inteligência artificial (IA), como os produtos H800 e A800 da Nvidia, serão afetados, de acordo com um documento regulatório da empresa norte-americana.<br>Além da China e Macau, os regulamentos também expandem as restrições às exportações para outros 21 países com os quais os Estados Unidos mantêm um embargo de armas, incluindo o Irã e a Rússia.” – <a href="https://www.cnnbrasil.com.br/economia/eua-aumentam-restricoes-sobre-vendas-de-chips-para-china-e-tensao-cresce/">CNN Brasil</a></p>
</blockquote>
<h1>Crise</h1>
<p>Atualmente a China está com uma grave crise, com um excesso de endividamento a nível público, como no privado. Ao contrário das duas grandes potências do ocidente, a China tem tido uma política muito comedida na desvalorização da sua própria moeda, ela tem acontecido, mas gradualmente. Nada se compara com as políticas dos EUA e da UE, que têm utilizado uma política altamente expansionista para combater as crises desde 2008.</p>
<p>Este gráfico demonstra bem a diferença:<br><img src="https://image.nostr.build/82d8191915963289cbc81f4c24072d25b28d940a7cf850a7351645fabe0a00b2.jpg" alt="image"></p>
<p>Em 15 anos a China aumentou o <em>balance sheet</em> do banco central em 133%, o BCE aumentou em 359% e o FED aumentou 703%. Os EUA chegaram aos 900%, é um valor completamente absurdo, os estados estão a abusar do <em>quantitative easing</em> (QE). No final de 2022, tanto o FED e o BCE começaram a reduzir, mas ainda está muito acima dos valores pré-covid.</p>
<h1>Onde está o problema?</h1>
<p>Devido à Teoria dos jogos, a China nunca tentou invadir a Taiwan, porque tinha mais a perder do que a ganhar. Se houvesse uma guerra entre os dois, o mundo ficaria com um grave problema devido à falta de semicondutores, sobretudo os de última geração. Mas a China também ficaria sem essa tecnologia, além disso iria sofrer sanções do mundo ocidental, os seus produtos ficariam impedidos de entrar nesses mercados. A China iria sofrer sanções semelhantes à que a Rússia está a ter devido à Guerra na Ucrânia. Os impactos económicos e políticos desta guerra é <em>case study</em> para a China, deve estar a analisar ao milímetros, a criar alternativas, projetar meios de defesa, caso lhe aconteça algo similar.</p>
<p>Nos últimos anos a China tem reduzido imenso a exposição aos títulos do tesouro dos EUA, a China chegou a ser o maior detentor de dívida. Agora a China está a optar pela compra de ouro. Ao mesmo tempo, a China e a Rússia estão a tentar desenvolver uma alternativa ao dólar para o comércio internacional e também aumentar os laços económicos com os países aliados, especialmente dos BRICS. Além disso, tem investido biliões no desenvolvimento da sua própria indústria de semicondutores. Nos últimos anos as políticas da China têm sido focadas em diminuir a dependência do ocidente e de Taiwan, preferindo aliar-se aos países emergentes, grandes potências mas pouco democráticos, à sua semelhança.</p>
<p>No outro lado, os EUA também estão a diminuir a exposição à economia chinesa, estão a trocar as fábricas e mão-de-obra chinesa por mexicana, o México está a tornar-se um parceiro estratégico.&nbsp;</p>
<p>Enquanto isso, a União Europeia assobia para o lado, apenas observa. Quando acordar será tarde demais, os líderes europeus não aprenderam nada com a pandemia, a Europa está fortemente dependente da indústria chinesa.</p>
<p>Se a única opção para combater a crise na China for o QE, além da desvalorização imensa da sua moeda, vai gerar uma enorme reação em cascata. Os seus produtos vão ficar extremamente baratos, a China vai inundar os mercados ocidentais com produtos, para combater isso os ocidentais vão endurecer as políticas de protecionismo.</p>
<p>Se a China ficar sem acesso aos mercados ocidentais devido ao aumentos das políticas protecionistas do ocidente, essas mesmas políticas já estão a impedir o acesso aos semicondutores. Assim vai existir uma inversão na Teoria dos jogos, como a China já não tem mais nada a perder, já perdeu tudo o que tinha a perder, é uma passadeira vermelha para invadir Taiwan. Se todas as sanções possíveis já estão a ser aplicadas à China ainda antes da invasão a Taiwan, em caso de uma invasão, o ocidente não terá nenhuma “arma” poderosa para retaliar. Essa possível invasão afetaria sobretudo o ocidente que ficaria sem a tecnologia de Taiwan. Não sendo possível aplicar mais sanções, restando apenas confronto direto entre a China e o Ocidente.</p>
<p>A guerra da Ucrânia tem demonstrado que as sanções já não tem tanta eficácia, o mundo está muito globalizado e muito interconectado, existem cada vez mais meios de contornar. A UE deixou de comprar produtos fósseis à Rússia, agora está a receber da China ou da Índia, ou seja, é o mesmo produto, só que agora existe um intermédio. Chegamos ao ridículo de existir o <em>transhipping</em> em alto mar, ao largo de Portugal, onde os produtos são movidos de um navio de pavilhão russo para um outro navio de um país não sancionado. Algumas horas depois ou no dia seguinte o mesmo navio atraca em Portugal ou em outro porto europeu. Todos os líderes europeus sabem que isto acontece, não fazem nada para mudar, apenas fecham os olhos, são cúmplices.</p>
<p>Outro caso vergonhoso é demonstrado por este gráfico, os países europeus estão proibidos de exportar produtos para a Rússia, mas continuam a fazê-lo através de um intermediário. É tão ridículo, é à europeia, criam uma lei e ao mesmo tempo criam uma maneira de contornar essa lei que acabaram de criar. É uma lei cartaz, é só o viver das aparências. É a hipocrisia europeia, querer demonstrar ao mundo que eles são o exemplo, mas depois faz o contrário. É façam aquilo que eu digo, mas não façam aquilo que eu faço.</p>
<p><img src="https://image.nostr.build/390793371ae329180d9b4c2edc4285251cb5c92c9dd3195f42b6892c1117e8c9.jpg" alt="image"></p>
<p>Neste caso o intermediário é o Quirguistão, mas existem inúmeros países a fazer o mesmo. É bem notório nos gráficos, após o início da guerra da Ucrânia as exportações subiram exponencialmente para o Quirguistão, mas é claro que o destino final dos produtos é a Rússia.</p>
<p>Com uma poderosa indústria e com produtos de baixo custo, facilmente a China vai arranjar intermediários. Em último caso usam a tática da VolksWagen, onde uma fábrica portuguesa constrói 99% do carro, mas como não está terminado é exportado como produto inacabado, para a Alemanha. Depois na Alemanha é só colocar a etiqueta “made in Germany” e o carro fica finalizado, pronto para exportação. Neste caso a VW utiliza este subterfúgio para fugir a impostos, os impostos da Alemanha são muito mais baixos que os de Portugal, mas a China pode usar para contornar as sanções.</p>
<h1>Conclusão</h1>
<p>Se a crise acentuar-se na China nos próximos tempos e se a única solução for uma forte desvalorização da moeda, vai provocar uma reação em cascata na economia mundial. Se escalar muito, o problema não será só económico, irá muito além disso.</p>
<p>Mas isto são muitos “ses”, é apenas uma hipótese muito remota e esperemos que não conheça, pelo bem de todos nós.</p>
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      <title><![CDATA[Aprovação dos ETFs]]></title>
      <description><![CDATA[Uma analise à aprovação e uma refleção sobre o futuro.]]></description>
             <itunes:subtitle><![CDATA[Uma analise à aprovação e uma refleção sobre o futuro.]]></itunes:subtitle>
      <pubDate>Sat, 13 Jan 2024 09:56:35 GMT</pubDate>
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      <category>Economia</category>
      
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      <dc:creator><![CDATA[reiartur]]></dc:creator>
      <content:encoded><![CDATA[<p>Finalmente os ETFs foram aprovados, foi uma luta que durou mais de 10 anos. Apesar dos membros da SEC não concordarem, foram praticamente obrigados pelos tribunais a aprovar.</p>
<h2>Legitimidade</h2>
<p>A importância dos ETFs, vai muito mais além dos próprios ETFs, é o reconhecimento de uma nova classe de ativos, o legitimar, a aceitação por Wall Street e por sua vez, pelos políticos e poder económico.</p>
<p>Um bom exemplo é este post no Twitter do vice-presidente do Brasil, Geraldo Alckmin, que chama de “Revolução Silenciosa”, gostei da expressão.</p>
<p><img src="https://image.nostr.build/9ee6faefd3081f034b6dea51ef4aadff38af1ea853563908ab09deb93207db1f.png" alt=""></p>
<p>É claro que tem uma parte de politiquice, com muita soberba, a vangloriar que foram os primeiros. O curioso é que esta declaração foi feita por altos dirigentes que pertencem a um governo que criou legislação que dificulta e restringe a compra/utilização de bitcoin pelos seus cidadãos.</p>
<p>Nos últimos dias, um alto cargo do BCE, Isabel Schnabel,&nbsp; disse que o <a href="https://br.tradingview.com/news/spacemoney:21333531bbc81:0/">banco central nunca teria bitcoin no seu balanço</a>, vamos ver quando anos vão levar até “engolirem o sapo”. A questão não é “se” vão comprar, mas sim “quando” vão comprar. Certamente vai demorar anos, mas vão comprar e terá um custo elevadíssimo.</p>
<p>Temos que reconhecer, que a partir do momento que a Blackrock fez o seu pedido para ter EFTs, o mundo começou a olhar para o bitcoin com outros olhos. Até aquele conceito, exclusivamente usado por bitcoiners, “Bitcoin não é cripto”, começou a ser ouvido no <em>mainstream</em>.</p>
<p>Isto não significa que vencemos a guerra, apenas vencemos uma batalha, muitas outras lutas virão pelo caminho. A próxima batalha será, o direito pela auto-custódia, que é fundamental, mas os políticos vão tentar tudo para proibir. Os políticos não querem que os cidadãos sejam livres, não podemos esquecer, sem liberdade financeira, não há liberdade individual.</p>
<p>Esta batalha vai além do bitcoin, pelo direito à privacidade e ao direito à criptografia. O Bitcoin será a única esperança/resistência contra as CBDCs.</p>
<p>A aprovação dos ETFs não é um mar de rosas, também vai gerar muitos desafios. O principal desafio é que temos que aumentar a utilização do bitcoin puro, para contrabalançar com os IOUs, tem que existir um equilíbrio entre os dois.</p>
<p>Os ETFs são importantes para fundos de investimentos ou fundos de pensões, porque não tem outra alternativa para ter bitcoin, mas a restante da sociedade, em especial o pequeno retalho deve ter bitcoin puro. A utilização de IOUs deve ser desestimulada.</p>
<h2>Moeda</h2>
<p>O Bitcoin tem que ser muito mais além de uma reserva de valor, é uma moeda, e deve ser utilizada como tal, em compras no nosso dia-a-dia, p2p. A forte adoção do bitcoin, com milhões de utilizadores, será o nosso escudo humano, que vai nos proteger de políticas autoritárias dos governos.</p>
<p>Das características de uma moeda (Reserva de valor, Meio de troca, Unidade de conta), no caso do Bitcoin, a reserva de valor já está amplamente aceita e reconhecida, é a que está mais “avançada”, neste ponto o ETFs foi importante. Como meio de troca, já tem volumes muito interessantes (on-chain e LN) mas necessita de crescer mais. Mesmo nós maximalistas necessitamos de utilizar mais, dar o exemplo.</p>
<p><img src="https://image.nostr.build/c5266140d84a270498f13f5689edf35e09ace96e3ec5ca2378bc621bd201d6d3.jpg" alt="image"></p>
<p>A unidade de conta será a última etapa, vai demorar muito anos até ser amplamente aceite. Agora apenas foi <a href="https://portaldobitcoin.uol.com.br/zona-economica-de-honduras-adota-bitcoin-como-unidade-de-conta-entenda/">adotado numa Zona econômica de Honduras</a>.</p>
<h2>Crítica</h2>
<p>Por fim, deixo uma crítica para muitos bitcoiners, que passaram os últimos tempos, apenas a falar da valorização que os ETFs iriam gerar, esquecendo tudo o resto.</p>
<p>De um momento para o outro, começaram a bajular Wall Street, esquecendo as origens do bitcoin. Estão mais interessados em pensar na cor do <em>lamborghini,</em> do que construir uma revolução. Temos que dedicar o nosso tempo, essencialmente a falar/discutir sobre tecnologia, adoção, liberdade e o ethos.&nbsp;</p>
<p>Quem entra com o único objetivo do preço, sem compreender o Bitcoin, rapidamente vai se decepcionar e afastar com prejuízo, foi o que aconteceu nos últimos ciclos, após a <em>bullrun</em>.&nbsp;</p>
<p>O bitcoin é para utilizar, ter liberdade, ou seja, a valorização não deve ser a razão da adoção, mas sim, ser a consequência da grande adoção.&nbsp;</p>
<p>Não sou hipócrita, a valorização tem alguma importância, mas não é essencial nesta revolução.</p>
]]></content:encoded>
      <itunes:author><![CDATA[reiartur]]></itunes:author>
      <itunes:summary><![CDATA[<p>Finalmente os ETFs foram aprovados, foi uma luta que durou mais de 10 anos. Apesar dos membros da SEC não concordarem, foram praticamente obrigados pelos tribunais a aprovar.</p>
<h2>Legitimidade</h2>
<p>A importância dos ETFs, vai muito mais além dos próprios ETFs, é o reconhecimento de uma nova classe de ativos, o legitimar, a aceitação por Wall Street e por sua vez, pelos políticos e poder económico.</p>
<p>Um bom exemplo é este post no Twitter do vice-presidente do Brasil, Geraldo Alckmin, que chama de “Revolução Silenciosa”, gostei da expressão.</p>
<p><img src="https://image.nostr.build/9ee6faefd3081f034b6dea51ef4aadff38af1ea853563908ab09deb93207db1f.png" alt=""></p>
<p>É claro que tem uma parte de politiquice, com muita soberba, a vangloriar que foram os primeiros. O curioso é que esta declaração foi feita por altos dirigentes que pertencem a um governo que criou legislação que dificulta e restringe a compra/utilização de bitcoin pelos seus cidadãos.</p>
<p>Nos últimos dias, um alto cargo do BCE, Isabel Schnabel,&nbsp; disse que o <a href="https://br.tradingview.com/news/spacemoney:21333531bbc81:0/">banco central nunca teria bitcoin no seu balanço</a>, vamos ver quando anos vão levar até “engolirem o sapo”. A questão não é “se” vão comprar, mas sim “quando” vão comprar. Certamente vai demorar anos, mas vão comprar e terá um custo elevadíssimo.</p>
<p>Temos que reconhecer, que a partir do momento que a Blackrock fez o seu pedido para ter EFTs, o mundo começou a olhar para o bitcoin com outros olhos. Até aquele conceito, exclusivamente usado por bitcoiners, “Bitcoin não é cripto”, começou a ser ouvido no <em>mainstream</em>.</p>
<p>Isto não significa que vencemos a guerra, apenas vencemos uma batalha, muitas outras lutas virão pelo caminho. A próxima batalha será, o direito pela auto-custódia, que é fundamental, mas os políticos vão tentar tudo para proibir. Os políticos não querem que os cidadãos sejam livres, não podemos esquecer, sem liberdade financeira, não há liberdade individual.</p>
<p>Esta batalha vai além do bitcoin, pelo direito à privacidade e ao direito à criptografia. O Bitcoin será a única esperança/resistência contra as CBDCs.</p>
<p>A aprovação dos ETFs não é um mar de rosas, também vai gerar muitos desafios. O principal desafio é que temos que aumentar a utilização do bitcoin puro, para contrabalançar com os IOUs, tem que existir um equilíbrio entre os dois.</p>
<p>Os ETFs são importantes para fundos de investimentos ou fundos de pensões, porque não tem outra alternativa para ter bitcoin, mas a restante da sociedade, em especial o pequeno retalho deve ter bitcoin puro. A utilização de IOUs deve ser desestimulada.</p>
<h2>Moeda</h2>
<p>O Bitcoin tem que ser muito mais além de uma reserva de valor, é uma moeda, e deve ser utilizada como tal, em compras no nosso dia-a-dia, p2p. A forte adoção do bitcoin, com milhões de utilizadores, será o nosso escudo humano, que vai nos proteger de políticas autoritárias dos governos.</p>
<p>Das características de uma moeda (Reserva de valor, Meio de troca, Unidade de conta), no caso do Bitcoin, a reserva de valor já está amplamente aceita e reconhecida, é a que está mais “avançada”, neste ponto o ETFs foi importante. Como meio de troca, já tem volumes muito interessantes (on-chain e LN) mas necessita de crescer mais. Mesmo nós maximalistas necessitamos de utilizar mais, dar o exemplo.</p>
<p><img src="https://image.nostr.build/c5266140d84a270498f13f5689edf35e09ace96e3ec5ca2378bc621bd201d6d3.jpg" alt="image"></p>
<p>A unidade de conta será a última etapa, vai demorar muito anos até ser amplamente aceite. Agora apenas foi <a href="https://portaldobitcoin.uol.com.br/zona-economica-de-honduras-adota-bitcoin-como-unidade-de-conta-entenda/">adotado numa Zona econômica de Honduras</a>.</p>
<h2>Crítica</h2>
<p>Por fim, deixo uma crítica para muitos bitcoiners, que passaram os últimos tempos, apenas a falar da valorização que os ETFs iriam gerar, esquecendo tudo o resto.</p>
<p>De um momento para o outro, começaram a bajular Wall Street, esquecendo as origens do bitcoin. Estão mais interessados em pensar na cor do <em>lamborghini,</em> do que construir uma revolução. Temos que dedicar o nosso tempo, essencialmente a falar/discutir sobre tecnologia, adoção, liberdade e o ethos.&nbsp;</p>
<p>Quem entra com o único objetivo do preço, sem compreender o Bitcoin, rapidamente vai se decepcionar e afastar com prejuízo, foi o que aconteceu nos últimos ciclos, após a <em>bullrun</em>.&nbsp;</p>
<p>O bitcoin é para utilizar, ter liberdade, ou seja, a valorização não deve ser a razão da adoção, mas sim, ser a consequência da grande adoção.&nbsp;</p>
<p>Não sou hipócrita, a valorização tem alguma importância, mas não é essencial nesta revolução.</p>
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      <item>
      <title><![CDATA[Manta de retalhos]]></title>
      <description><![CDATA[Uma reflexão sobre o futuro da União Europeia]]></description>
             <itunes:subtitle><![CDATA[Uma reflexão sobre o futuro da União Europeia]]></itunes:subtitle>
      <pubDate>Fri, 12 Jan 2024 09:45:43 GMT</pubDate>
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      <category>Europa</category>
      
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      <dc:creator><![CDATA[reiartur]]></dc:creator>
      <content:encoded><![CDATA[<p>A Europa sempre foi uma enorme manta de retalhos, com uma imensidão de povos com línguas, religiões, crenças, etnias, culturas, hábitos, todos diferentes entre si.</p>
<p>O ser humano por natureza é intolerante, tem pouca empatia com o outro, tem dificuldade em aceitar/compreender povos diferentes de si. As pessoas preferem ter à sua volta semelhantes a si, possivelmente é o medo do desconhecido ou do diferente.</p>
<p>Foi essa intolerância à diferença e aos povos que se acham superiores a outros, motivou inúmeras guerras na Europa, durante séculos. Sobretudo por motivos religiosos.</p>
<h1>Fragmentação</h1>
<p>A história tem comprovado, que os países com vários povos, primeiro tornam-se ingovernáveis e depois acabam sempre numa guerra civil.</p>
<p>A solução mais fácil para o problema, foi a fragmentação, a criação de países mais pequenos, cada povo se autodetermina. Foi assim que a Europa encontrou uma certa paz.</p>
<p>Mas para que a fragmentação seja uma solução, a divisão do território deve corresponder à localização dos povos. Por isso, em muitos casos falhou em África, porque as divisões foram feitas com régua e esquadro pelos colonizadores, sem respeitar os povos existentes no terreno. A divisão territorial não corresponde à divisão dos povos.&nbsp;</p>
<p>Outro caso gritante é dos curdos, é um povo que ocupa um território correspondente a 4 países, Turquia, Irão, Síria e Iraque.</p>
<p>No Iraque ainda temos outro problema, apesar da maioria ser muçulmana, mas divide-se em várias correntes (xiitas, sunitas e yazidis) na qual se odeiam entre si. As diferenças entre sunitas e xiitas têm sido uma fonte de conflito no Iraque ao longo da história.</p>
<p>Já Saddam Hussein dizia que a ditadura é a única maneira de tornar o Iraque governável e parece que o tempo lhe veio dar razão.</p>
<p><img src="https://image.nostr.build/9eef02278c99f6388d7059559f4e77d75db5f57bf696d0fda6e6cd85dbdd5a2f.png" alt="image"></p>
<p>Se compararmos este mapa da Europa de 1648, com o mapa de hoje, houve mudanças significativas, sobretudo no centro e leste.&nbsp;</p>
<p>A mudança mais recente aconteceu na Jugoslávia, o fim da guerra resultou na fragmentação em 7 países (Bósnia e Herzegovina, Croácia, Kosovo, Montenegro, Macedónia do Norte, Sérvia e Eslovénia). Só assim foi possível uma relativa paz naquela área geográfica.</p>
<p>Por vezes a diferença entre os povos é tão subtil, como é o caso dos nossos vizinhos espanhóis. São vários povos com pequenas diferenças culturais e linguísticos, que durante séculos foram forçados a uma união. Nem mesmo uma severa ditadura conseguiu destruir essas raízes.&nbsp;</p>
<p>A diferença é tão subtil, que não compensa o sacrifício de uma guerra civil, por isso, ainda se tem mantido a união do reino. A vontade dos povos de serem independentes é baixa, com a exceção dos bascos e dos catalães.</p>
<p>Outro país com alguns problemas é a Bélgica, onde é recorrente o problema de formar um governo.</p>
<p>Em toda a história da Europa, foi a divisão em pequenos países que nos trouxe paz à Europa.</p>
<h1>União Europeia</h1>
<p>Antes da União Europeia, quando eram apenas acordos económicos, os países mantinham plena independência, mas tudo mudou com a União Europeia, com uma ideia de uma federação. Cada vez mais as leis aprovadas em Bruxelas, limitam e condicionam as políticas internas, os governos estão extremamente limitados de poder, os países estão a perder a soberania.</p>
<p>Enquanto a UE era com poucos países e todos localizados perto entre si, compostos por povos semelhantes, tudo funcionava bem.&nbsp;</p>
<p>Com a constante entrada de novos países membros, a UE expandiu para o leste europeu, composto por povos cada vez mais diferentes do oeste.</p>
<p>Na constituição da UE, para haver acordos é necessário que todas as partes concordem, basta um não querer, trava todo o processo. Assim, com uma União composta por povos muito diferentes entre si, cada vez será mais difícil existir uma unanimidade de todos. A UE vai entrar numa paralisia legislativa e de governança.</p>
<p>Foi bem notório com o finca-pé da Hungria em relação aos apoios financeiros/militares à Ucrânia para a guerra.</p>
<p>Com a futura entrada de países ainda mais a leste, vai complicar ainda mais, será quase impossível existir uma unanimidade, porque são dezenas de países muito diferentes.&nbsp;</p>
<p>Além de problemas de política externa, vamos começar a ter problemas nas políticas internas.</p>
<h2>Fundo de Coesão</h2>
<p>Com a adesão de países do leste, mas sobretudo com a entrada da Ucrânia, irá provocar uma profunda alteração nos fundos de coesã<strong>o</strong>. Os países mais pobres, como Portugal, vão receber muito menos fundos ou possivelmente vão passar a ser contribuidores líquidos. Estes atuais membros dificilmente vão aceitar a adesão de outros países sem contrapartidas.</p>
<p>Muitos destes futuros membros ainda têm muitos resquícios da influência soviética, que poderá ser problemático em futuras decisões, como já está a acontecer com a Hungria. Normalmente partidos de direita, nestes paises tem muita influência russa, muitas vez do gás russo é usado como um arma política.</p>
<h2>Migrações</h2>
<p>A migração possivelmente é o maior problema que a UE enfrenta hoje em dia. Os fluxos migratórios são enormes, muito superiores ao que os países conseguem suportar.&nbsp; Quando um país não consegue integrar dignamente esses estrangeiros, mais cedo ou mais tarde vai haver problemas.</p>
<p>O problema é que qualquer medida que um governo faça, que limite coloque limites ou restrições de imigrantes, é considerada como uma política racista ou fascista pela agenda woke.</p>
<p>A agenda wake está a colocar este problema como um simples caso de racismo, mas não é verdade. Isto não tem nada a haver com racismo, mas sim acolher essas pessoas com dignidade, é vergonhoso o que está a acontecer em Odemira e em muitos outros pontos do país, onde chegam a viver mais de 20 pessoas numa única casa. Não existe habitação, não existe integração, não se apreende a língua, muito são explorados, é uma escravatura moderna.</p>
<p>Se nós não estamos a conseguir acolher essas pessoas com dignidade, temos que colocar um travão, o problema é que qualquer medida que seja proposta é de imediato considerada como racista, xenófoba ou fascista. Os políticos alimentaram a agenda woke, agora estão a ficar refém da própria agenda woke. Como estão com medo de colocar medidas restritivas, com medo de ser conotados como fascistas, não fazem nada, a imigração continua a aumentar e está a ficar descontrolado.&nbsp;</p>
<p>Em alguns países já estão a gerar graves problemas de segurança, provocando um forte crescimento de partidos políticos de extrema direita, que na sua natureza são anti-europeístas. Em alguns países esses partidos já ganharam eleições, vão criar leis mais restritivas com a imigração, indo em contra as políticas europeias, criando um conflito.</p>
<p>Como a “distribuição” não é similar entre países e os problemas sociais gerados por esses imigrantes são diferentes entre os países, vai gerar uma enorme discussão e uma divisão, nunca chegarão a um consenso.</p>
<h2>Crise Climática</h2>
<p>A Crise climática, ou pseudo crise é outro foco de tensão que divide a Europa. Mais um assunto fortemente influenciado/contaminado pela agenda woke. Os políticos europeus, em especial dos eurodeputados estão a começar a perder a racionalidade, nesta fixação pelo ambiente, está-se a deixar levar por radicalismo.&nbsp;</p>
<p>O alarmismo climático está a destruir a produção elétrica e a indústria no geral na Europa. Estamos a chegar a uma estupidez sem precedentes, estamos a criar restrições/limitação à produção agrícola.&nbsp;</p>
<p>Ao reduzir a produção alimentar, os preços vão aumentar inevitavelmente e os pobres vão comer o quê? Ou as pessoas morrem à fome ou teremos que importar de outros países fora da Europa, mas para importar comida vamos aumentar a pegada ecológica, vamos poluir muito mais através de transportes, por isso eu digo, estamos a entrar num caminho de irracionalidade.</p>
<p>Certamente alguns países países vão entender a tempo que estamos a caminhar para algo muito errado e vão travar, mas fazer isso, vão entrar em conflito com as políticas comuns.&nbsp;</p>
<p>Isto vai fraturar a Europa por completo.</p>
<h2>Banco Central</h2>
<p>Os problemas também vão alastrar para a Zona Euro, em específico no BCE, vai acentuar a diferença entre os países frugais e os restantes. Liderado pela Alemanha, os frugais são países onde existe um maior rigor financeiro, são muito mais rigorosos. Os alemães detestam a inflação, ao contrário de parte dos países que estão altamente endividados,&nbsp; que vão necessitar da inflação da moeda para diminuir o endividamento.&nbsp;</p>
<p>A Europa sempre foi comandada pela Alemanha e França, sempre estiveram aliados, só que o alto endividamento dos franceses, podem fazê-lo mudar de lado e criar uma ruptura.&nbsp;</p>
<p>Além da França, a Itália e a Espanha também estão muito endividados e têm altas cargas fiscais, só têm como única solução, a inflação da moeda. Aqui está um ponto crítico.&nbsp;</p>
<p>A concordância nas políticas monetárias no banco central será cada vez mais difícil, num caso limite, a Alemanha, os Países Baixos e talvez outros frugais vão sair do euro e criar uma nova moeda comum, ou simplesmente voltam para as suas moedas nacionais.</p>
<p>Eu acho que este cenário é inevitável, sem a Alemanha, o euro será severamente desvalorizado, até ao seu colapso. Possivelmente a moeda não durará mais de 10 anos.</p>
<h1>Conclusão</h1>
<p>A Europa está a trilhar o caminho oposto da fragmentação. Se a fragmentação nos trouxe a paz, a agregação vai nos trazer guerra. Certamente não vai ser uma guerra física mas sim a implosão da própria UE.</p>
<p>Eu sempre fui um europeísta, continuo a achar que a UE foi boa para Portugal, especialmente o euro, mas as políticas comuns estão a ir longe demais.&nbsp;</p>
<p>A moeda deu-nos muito estabilidade, algo que nunca tivemos na nossa história recente.&nbsp;</p>
<p>Foi o euro que amparou a queda na crise da dívida soberana, sem ele a dor teria sido bem pior. Num cenário sem a moeda euro, uma das primeiras medidas no combate à crise de 2011,&nbsp; a troika iria exigir a desvalorização da moeda, assim de um dia para o outro, a nossa dívida dispararia e geraria uma enorme inflação.</p>
<p>Recordando que na época da crise, houve um “enorme aumento de impostos” que afetou transversalmente a sociedade, mas os mais severamente afetados foram os que ficaram desempregados, aqui sim a crise foi dura.</p>
<p>Caso existisse uma inflação da moeda seria todos fortemente afetados, como aconteceu nestes dois últimos anos. A inflação é o imposto mais duro e mais cego que existe. Onde os pobres são as principais vítimas do sistema.</p>
<p>Foi graças ao euro que tivemos 2 décadas com inflação baixa, com excepção dos últimos 2 anos. Eu sempre fui um forte crítico à impressão de dinheiro que o BCE tem realizado, mas tenho que reconhecer que essa impressão é muito inferior à que seria realizada, se Portugal fosse “independente”.&nbsp;</p>
<p>Se Portugal sair do Euro será desastroso para o país, socialistas como somos, os governos vão imprimir dinheiro de tal maneira, rapidamente seremos a Argentina da Europa. O problema é que eu acredito que isto vai acontecer, ou com a saída voluntária do euro ou o euro vai colapsar.&nbsp;</p>
<p>Eu acredito que vamos ter um futuro um pouco sombrio, pela frente.</p>
]]></content:encoded>
      <itunes:author><![CDATA[reiartur]]></itunes:author>
      <itunes:summary><![CDATA[<p>A Europa sempre foi uma enorme manta de retalhos, com uma imensidão de povos com línguas, religiões, crenças, etnias, culturas, hábitos, todos diferentes entre si.</p>
<p>O ser humano por natureza é intolerante, tem pouca empatia com o outro, tem dificuldade em aceitar/compreender povos diferentes de si. As pessoas preferem ter à sua volta semelhantes a si, possivelmente é o medo do desconhecido ou do diferente.</p>
<p>Foi essa intolerância à diferença e aos povos que se acham superiores a outros, motivou inúmeras guerras na Europa, durante séculos. Sobretudo por motivos religiosos.</p>
<h1>Fragmentação</h1>
<p>A história tem comprovado, que os países com vários povos, primeiro tornam-se ingovernáveis e depois acabam sempre numa guerra civil.</p>
<p>A solução mais fácil para o problema, foi a fragmentação, a criação de países mais pequenos, cada povo se autodetermina. Foi assim que a Europa encontrou uma certa paz.</p>
<p>Mas para que a fragmentação seja uma solução, a divisão do território deve corresponder à localização dos povos. Por isso, em muitos casos falhou em África, porque as divisões foram feitas com régua e esquadro pelos colonizadores, sem respeitar os povos existentes no terreno. A divisão territorial não corresponde à divisão dos povos.&nbsp;</p>
<p>Outro caso gritante é dos curdos, é um povo que ocupa um território correspondente a 4 países, Turquia, Irão, Síria e Iraque.</p>
<p>No Iraque ainda temos outro problema, apesar da maioria ser muçulmana, mas divide-se em várias correntes (xiitas, sunitas e yazidis) na qual se odeiam entre si. As diferenças entre sunitas e xiitas têm sido uma fonte de conflito no Iraque ao longo da história.</p>
<p>Já Saddam Hussein dizia que a ditadura é a única maneira de tornar o Iraque governável e parece que o tempo lhe veio dar razão.</p>
<p><img src="https://image.nostr.build/9eef02278c99f6388d7059559f4e77d75db5f57bf696d0fda6e6cd85dbdd5a2f.png" alt="image"></p>
<p>Se compararmos este mapa da Europa de 1648, com o mapa de hoje, houve mudanças significativas, sobretudo no centro e leste.&nbsp;</p>
<p>A mudança mais recente aconteceu na Jugoslávia, o fim da guerra resultou na fragmentação em 7 países (Bósnia e Herzegovina, Croácia, Kosovo, Montenegro, Macedónia do Norte, Sérvia e Eslovénia). Só assim foi possível uma relativa paz naquela área geográfica.</p>
<p>Por vezes a diferença entre os povos é tão subtil, como é o caso dos nossos vizinhos espanhóis. São vários povos com pequenas diferenças culturais e linguísticos, que durante séculos foram forçados a uma união. Nem mesmo uma severa ditadura conseguiu destruir essas raízes.&nbsp;</p>
<p>A diferença é tão subtil, que não compensa o sacrifício de uma guerra civil, por isso, ainda se tem mantido a união do reino. A vontade dos povos de serem independentes é baixa, com a exceção dos bascos e dos catalães.</p>
<p>Outro país com alguns problemas é a Bélgica, onde é recorrente o problema de formar um governo.</p>
<p>Em toda a história da Europa, foi a divisão em pequenos países que nos trouxe paz à Europa.</p>
<h1>União Europeia</h1>
<p>Antes da União Europeia, quando eram apenas acordos económicos, os países mantinham plena independência, mas tudo mudou com a União Europeia, com uma ideia de uma federação. Cada vez mais as leis aprovadas em Bruxelas, limitam e condicionam as políticas internas, os governos estão extremamente limitados de poder, os países estão a perder a soberania.</p>
<p>Enquanto a UE era com poucos países e todos localizados perto entre si, compostos por povos semelhantes, tudo funcionava bem.&nbsp;</p>
<p>Com a constante entrada de novos países membros, a UE expandiu para o leste europeu, composto por povos cada vez mais diferentes do oeste.</p>
<p>Na constituição da UE, para haver acordos é necessário que todas as partes concordem, basta um não querer, trava todo o processo. Assim, com uma União composta por povos muito diferentes entre si, cada vez será mais difícil existir uma unanimidade de todos. A UE vai entrar numa paralisia legislativa e de governança.</p>
<p>Foi bem notório com o finca-pé da Hungria em relação aos apoios financeiros/militares à Ucrânia para a guerra.</p>
<p>Com a futura entrada de países ainda mais a leste, vai complicar ainda mais, será quase impossível existir uma unanimidade, porque são dezenas de países muito diferentes.&nbsp;</p>
<p>Além de problemas de política externa, vamos começar a ter problemas nas políticas internas.</p>
<h2>Fundo de Coesão</h2>
<p>Com a adesão de países do leste, mas sobretudo com a entrada da Ucrânia, irá provocar uma profunda alteração nos fundos de coesã<strong>o</strong>. Os países mais pobres, como Portugal, vão receber muito menos fundos ou possivelmente vão passar a ser contribuidores líquidos. Estes atuais membros dificilmente vão aceitar a adesão de outros países sem contrapartidas.</p>
<p>Muitos destes futuros membros ainda têm muitos resquícios da influência soviética, que poderá ser problemático em futuras decisões, como já está a acontecer com a Hungria. Normalmente partidos de direita, nestes paises tem muita influência russa, muitas vez do gás russo é usado como um arma política.</p>
<h2>Migrações</h2>
<p>A migração possivelmente é o maior problema que a UE enfrenta hoje em dia. Os fluxos migratórios são enormes, muito superiores ao que os países conseguem suportar.&nbsp; Quando um país não consegue integrar dignamente esses estrangeiros, mais cedo ou mais tarde vai haver problemas.</p>
<p>O problema é que qualquer medida que um governo faça, que limite coloque limites ou restrições de imigrantes, é considerada como uma política racista ou fascista pela agenda woke.</p>
<p>A agenda wake está a colocar este problema como um simples caso de racismo, mas não é verdade. Isto não tem nada a haver com racismo, mas sim acolher essas pessoas com dignidade, é vergonhoso o que está a acontecer em Odemira e em muitos outros pontos do país, onde chegam a viver mais de 20 pessoas numa única casa. Não existe habitação, não existe integração, não se apreende a língua, muito são explorados, é uma escravatura moderna.</p>
<p>Se nós não estamos a conseguir acolher essas pessoas com dignidade, temos que colocar um travão, o problema é que qualquer medida que seja proposta é de imediato considerada como racista, xenófoba ou fascista. Os políticos alimentaram a agenda woke, agora estão a ficar refém da própria agenda woke. Como estão com medo de colocar medidas restritivas, com medo de ser conotados como fascistas, não fazem nada, a imigração continua a aumentar e está a ficar descontrolado.&nbsp;</p>
<p>Em alguns países já estão a gerar graves problemas de segurança, provocando um forte crescimento de partidos políticos de extrema direita, que na sua natureza são anti-europeístas. Em alguns países esses partidos já ganharam eleições, vão criar leis mais restritivas com a imigração, indo em contra as políticas europeias, criando um conflito.</p>
<p>Como a “distribuição” não é similar entre países e os problemas sociais gerados por esses imigrantes são diferentes entre os países, vai gerar uma enorme discussão e uma divisão, nunca chegarão a um consenso.</p>
<h2>Crise Climática</h2>
<p>A Crise climática, ou pseudo crise é outro foco de tensão que divide a Europa. Mais um assunto fortemente influenciado/contaminado pela agenda woke. Os políticos europeus, em especial dos eurodeputados estão a começar a perder a racionalidade, nesta fixação pelo ambiente, está-se a deixar levar por radicalismo.&nbsp;</p>
<p>O alarmismo climático está a destruir a produção elétrica e a indústria no geral na Europa. Estamos a chegar a uma estupidez sem precedentes, estamos a criar restrições/limitação à produção agrícola.&nbsp;</p>
<p>Ao reduzir a produção alimentar, os preços vão aumentar inevitavelmente e os pobres vão comer o quê? Ou as pessoas morrem à fome ou teremos que importar de outros países fora da Europa, mas para importar comida vamos aumentar a pegada ecológica, vamos poluir muito mais através de transportes, por isso eu digo, estamos a entrar num caminho de irracionalidade.</p>
<p>Certamente alguns países países vão entender a tempo que estamos a caminhar para algo muito errado e vão travar, mas fazer isso, vão entrar em conflito com as políticas comuns.&nbsp;</p>
<p>Isto vai fraturar a Europa por completo.</p>
<h2>Banco Central</h2>
<p>Os problemas também vão alastrar para a Zona Euro, em específico no BCE, vai acentuar a diferença entre os países frugais e os restantes. Liderado pela Alemanha, os frugais são países onde existe um maior rigor financeiro, são muito mais rigorosos. Os alemães detestam a inflação, ao contrário de parte dos países que estão altamente endividados,&nbsp; que vão necessitar da inflação da moeda para diminuir o endividamento.&nbsp;</p>
<p>A Europa sempre foi comandada pela Alemanha e França, sempre estiveram aliados, só que o alto endividamento dos franceses, podem fazê-lo mudar de lado e criar uma ruptura.&nbsp;</p>
<p>Além da França, a Itália e a Espanha também estão muito endividados e têm altas cargas fiscais, só têm como única solução, a inflação da moeda. Aqui está um ponto crítico.&nbsp;</p>
<p>A concordância nas políticas monetárias no banco central será cada vez mais difícil, num caso limite, a Alemanha, os Países Baixos e talvez outros frugais vão sair do euro e criar uma nova moeda comum, ou simplesmente voltam para as suas moedas nacionais.</p>
<p>Eu acho que este cenário é inevitável, sem a Alemanha, o euro será severamente desvalorizado, até ao seu colapso. Possivelmente a moeda não durará mais de 10 anos.</p>
<h1>Conclusão</h1>
<p>A Europa está a trilhar o caminho oposto da fragmentação. Se a fragmentação nos trouxe a paz, a agregação vai nos trazer guerra. Certamente não vai ser uma guerra física mas sim a implosão da própria UE.</p>
<p>Eu sempre fui um europeísta, continuo a achar que a UE foi boa para Portugal, especialmente o euro, mas as políticas comuns estão a ir longe demais.&nbsp;</p>
<p>A moeda deu-nos muito estabilidade, algo que nunca tivemos na nossa história recente.&nbsp;</p>
<p>Foi o euro que amparou a queda na crise da dívida soberana, sem ele a dor teria sido bem pior. Num cenário sem a moeda euro, uma das primeiras medidas no combate à crise de 2011,&nbsp; a troika iria exigir a desvalorização da moeda, assim de um dia para o outro, a nossa dívida dispararia e geraria uma enorme inflação.</p>
<p>Recordando que na época da crise, houve um “enorme aumento de impostos” que afetou transversalmente a sociedade, mas os mais severamente afetados foram os que ficaram desempregados, aqui sim a crise foi dura.</p>
<p>Caso existisse uma inflação da moeda seria todos fortemente afetados, como aconteceu nestes dois últimos anos. A inflação é o imposto mais duro e mais cego que existe. Onde os pobres são as principais vítimas do sistema.</p>
<p>Foi graças ao euro que tivemos 2 décadas com inflação baixa, com excepção dos últimos 2 anos. Eu sempre fui um forte crítico à impressão de dinheiro que o BCE tem realizado, mas tenho que reconhecer que essa impressão é muito inferior à que seria realizada, se Portugal fosse “independente”.&nbsp;</p>
<p>Se Portugal sair do Euro será desastroso para o país, socialistas como somos, os governos vão imprimir dinheiro de tal maneira, rapidamente seremos a Argentina da Europa. O problema é que eu acredito que isto vai acontecer, ou com a saída voluntária do euro ou o euro vai colapsar.&nbsp;</p>
<p>Eu acredito que vamos ter um futuro um pouco sombrio, pela frente.</p>
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      <item>
      <title><![CDATA[Criptos e dotcom]]></title>
      <description><![CDATA[Uma analise entre as bolhas das criptos e das dotcom.]]></description>
             <itunes:subtitle><![CDATA[Uma analise entre as bolhas das criptos e das dotcom.]]></itunes:subtitle>
      <pubDate>Sat, 25 Nov 2023 10:57:06 GMT</pubDate>
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      <category>FIAT</category>
      
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      <dc:creator><![CDATA[reiartur]]></dc:creator>
      <content:encoded><![CDATA[<p>Eu não sou economista, sou apenas um curioso, sou influenciado pelo <em>ethos</em> do <strong>Bitcoin</strong>, o “<strong>Don’t Trust, Verify</strong>”. Esta é a virtude do Bitcoin, leva-nos a ler, estudar, refletir como o mundo funciona, compreender os conceitos básicos de economia, do sistema financeiro e da política monetária. Só compreendendo estas bases, podemos compreender o valor do bitcoin, senão será apenas um produto especulativo.</p>
<p><strong>Estude <a href='/tag/bitcoin/'>#Bitcoin</a>!</strong></p>
<br>

<p>Muitas pessoas pensam que <strong>bolha financeira</strong> é igual a um <strong>esquema <em>ponzi</em></strong>, mas não é verdade. Numa fase inicial, a sua influência no <strong>comportamento humano</strong> é semelhante, onde é gerada uma forte valorização/lucro, depois <strong>rebenta</strong>, acontece a correção. Quando é <strong><em>ponzi</em></strong>, a correção só acontece uma vez, o esquema colapsa.</p>
<p>Enquanto a <strong>bolha</strong> é algo que acontece ciclicamente, um bom exemplo é o <strong>mercado imobiliário</strong>, que teve inúmeras bolhas na sua história. São ciclos de mercados.</p>
<p>Uma parte muito grande do mundo cripto são literalmente um esquema <em>ponzi</em>, mas existem alguns que não são, são pouco mas existem. O Bitcoin e essas poucas criptos já tiveram várias bolhas no passado, mas conseguiram sempre recuperar, de ciclo em ciclo, o piso é sempre mais alto. <strong>O Bitcoin é uma fénix</strong>.</p>
<br>

<p>Como&nbsp; gráfico demonstra<br><img src="https://image.nostr.build/fe41810f9e7a9465744b362c61bcd06819c891b64eda0c1ee8f2c2d380ac0036.png" alt="image"></p>
<br>

<p>A última bolha do Bitcoin&amp;Cripto aconteceu em Novembro de 2021, será que este foi similar às anteriores?</p>
<p>Observando o gráfico, são similares, mas eu acredito que desta vez vai ser um pouco diferente, ou seja, esta bolha será mais similar à das <strong><em>dotcom</em></strong> de 2000, especialmente no caso das <strong>criptos</strong>, o bitcoin é um caso à parte.</p>
<p><img src="https://image.nostr.build/6c1dd38a8e3ffeedd444b3845321b59cfa11fcd758bf79edf635a2b91e0fb67d.png" alt="image"></p>
<br>

<p>Sempre que falo em cripto, não incluo o <strong>Bitcoin</strong>. O Bitcoin não tem nada a haver com as criptos e em muitas situações até é o seu oposto. A relação do Bitcoin e as criptos é similar à relação da Lua e a Terra. É a Lua que influência as marés na Terra, igualmente como o Bitcoin influência os ciclos de mercado nas criptos. As criptos apenas tem ciclos de 4 anos, devido à influência do <strong><em>halving</em></strong> do Bitcoin. Mas o Bitcoin vai além da Lua, é o Sol, o restante do universo é que gira à sua volta.</p>
<p><img src="https://image.nostr.build/70103cacb03cd4a359fb11a4ce4905b89d4db8074d54da214b5f8ab894bf68d4.gif" alt="image"></p>
<h1><em>Dotcom</em></h1>
<p>Tanto nas empresas <strong><em><a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Bolha_da_Internet">dotcom</a></em></strong>, como nas <strong>criptos</strong>, tiveram crescimento fortemente alavancado por empresas de <strong>capital de risco</strong>(VCs), curiosamente com a mesma ideia, “<strong>Get Rich Quick</strong>” (“Fique rico depressa”).</p>
<p>Nos finais da década de 90, a loucura dos <strong>VCs</strong> era tal, qualquer empresa que acrescentasse “.com” ao seu nome parecia ter sucesso quase imediatamente.</p>
<p>O mesmo aconteceu agora, só que as expressões são “blockchain”, “crypto” e “DeFi”.</p>
<br>

<p>Só que este ano tudo mudou, existe menos liquidez no mercado devido à alta taxa de juro dos bancos centrais e o VCs começaram a olhar para uma outra área, o AI, é o novo <em>el dourado</em>. Esta diferença já é bem notória no mercado, são poucos os novos projetos que se destacam, o desenvolvimento tecnológico está a acontecer sobretudo nos projetos já existentes.</p>
<p>No caso da <strong><em>dotcom</em></strong>, estavamos no início da internet, era difícil de compreender o que era e o seu potencial. Agora é os <strong><em>smartcontract</em></strong>, são tecnologias muito inovadoras e com um enorme potencial de crescimento.</p>
<p>Eu acredito que o destino das <strong>criptos</strong> será similar à <strong><em>dotcom</em></strong>, onde a maioria das empresas faliram, as poucas que sobreviveram são um sucesso hoje em dia, como a Google, Amazon e eBay, entre outras. A adoção/utilização vai se concentrar em apenas meia dúzia(se tanto) de projetos. Essa concentração ainda vai acelerar nos próximos 2 a 3 anos, com as aprovações das legislações nos diversos países, que vão estrangular fortemente as criptos.</p>
<p>Os colapsos das criptos vai provocar uma fuga de capital, o pouco que restar. Uma parte do capital voltará para o mundo FIAT, mas eu acredito que a maioria permanecerá neste ecossistema, especialmente para o Bitcoin e para as "grandes" criptos, valorizando ainda mais estas.</p>
<h1><em>Criptos</em></h1>
<p>Por enquanto as <strong><em>Stablecoins</em></strong> são um grande “salva vidas”, são bastante utilizadas nos países em desenvolvimento. A questão é, quanto tempo os governos vão aceitar as <em>stablecoins</em> (neste modelo)?</p>
<p>E aquele sonho molhado dos <em>shitcoiner</em>, sobretudo dos da XRP, que imaginavam que o sistema financeiro tradicional iria utilizar a sua <strong><em>Blockchain</em></strong>, isso não irá acontecer.&nbsp;</p>
<p>Enquanto o mercado de <strong><em>blockchains Permissionless</em></strong> vai concentrar, ao mesmo tempo está a surgir uma nova era de <em>blockchains</em> mas com bastantes limitações, fechadas, as <strong><em>blockchains Permissioned</em></strong>. Que vão “roubar” importantes cotas de mercado às <em>blockchains</em> tradicionais.</p>
<p>O sistema financeiro tradicional apenas vão utilizar sistemas que possam controlar, onde possam reverter transações, que consigam congelar fundos e os dados não serão públicos, sem transparência. Eles vão criar as suas próprias <em>blockchains</em> individualmente ou em cooperativas, mas sempre <strong><em>blockchains Permissioned</em></strong>.</p>
<p>Até as <em>exchanges</em> estão a criar as suas próprias <em>blockchains</em>.</p>
<p>Os <em>shitcoiners</em> desenvolveram tecnologia inspirada nos ideais do Satoshi, como uma alternativa ao sistema financeiro. Agora os bancos utilizam essa mesma tecnologia, a custo zero, para os seus próprios sistemas. Até muitas <strong>CBDCs</strong> estão a utilizar o código da Etherium como base.</p>
<p><br><br></p>
<p>Eu também nunca percebi bem o negócio das criptos, no meu ponto de vista não faz qualquer sentido as <em>blockchains</em> terem um token nativo próprio, a não ser que seja com o objetivo de enriquecer os VCs, provavelmente.</p>
<p>No meu pensamento, o token nativo é um “consumível”, mas a maioria das pessoas e os seus criadores olham para ele como um investimento. A meu ver não faz qualquer sentido.</p>
<p>O token nativo deveria ser a gasolina (não é por acaso, em ETH usam o termo <em>Gas</em>) para o carro se mova. Ninguém, ninguém compra gasolina com o objetivo que ela fique mais cara, para depois a vender, para gerar lucro. Nós compramos gasolina porque queremos nos deslocar e sem ela o carro não se move.</p>
<p>Eu acho que seria mais interessante se o token nativo fosse uma <em>stablecoin</em> (dólar ou mesmo btc), ainda não consegui perceber o porquê da Tether não o ter feito. É o que os bancos estão a fazer.</p>
<p>Em vez de ICO, as <em>fees</em> e possivelmente uma pequeníssima percentagem das transações serviriam para financiar os validadores e para as “fundações”. Possivelmente não optaram por esta via, para esquivar às legislações vigentes, mas agora estão a ser processados por serem <em><strong>securities</strong></em>. O tiro saiu pela culatra.</p>
<p><br><br></p>
<p>O <strong>Bitcoin</strong> é um caso à parte, é o ouro digital, é o <strong>dinheiro</strong> do mundo <em>online</em> e do mundo real, uma <strong>alternativa</strong> à moeda FIAT e uma reserva de valor. Está muitos patamares acima de todo o mundo cripto, é o único realmente descentralizado e é uma <em><strong>commodity</strong></em>.</p>
<p>As criptos não quiserem ser uma alternativa, queriam replicar o sistema financeiro tradicional dentro de um <em>blockchain</em> descentralizada. No final das contas, de descentralizada tem pouco e estão a ser engolidos pelo próprio <em>legacy</em>. É a ironia do destino.</p>
<p>Apesar de tudo acredito que alguns desses projetos consigam sobreviver e prosperar.</p>
<p>Se formos observar a tabela do coinmarketcap.com, das 100 maiores, daqui a 10 anos, possivelmente só restará o Bitcoin e mais meia dúzia de criptos com um volume significativo.</p>
<h1><em>Easter Egg</em></h1>
<p>Para finalizar, deixo um <strong><em>easter egg</em></strong>, como eu disse em cima, na época do <em>crash</em> das <strong><em>dotcom</em></strong>, a maioria das empresas faliram, mas houve uma que conseguiu sobreviver, apesar de ter sofrido uma brutal desvalorização.</p>
<p>Nos últimos anos começou a sua recuperação, mas ainda está muito longe dos seus máximos. Talvez consiga nos próximos 2 anos, senão será daqui a 6 anos, eu acredito.</p>
<p>Isto é bem representativo o que foi a loucura no final da década de 90, valorizaram as empresas para valores estratosféricos, neste caso poderá demorar quase de 30 anos para voltar a ter novos máximos.</p>
<p>O gráfico é bem representativo dessas duas fases, aquela vela do ano 2000 é assustadora.<br><img src="https://image.nostr.build/f823be12fd7879c3d4a1d2cec0e9f57854276e757e0bb4a3220d5e219d330b60.png" alt="image"></p>
<p><br><br></p>
<p>O seu nome é <strong>MicroStrategy</strong>.&nbsp;</p>
<p><br><br></p>
<p>Em nenhum momento deste texto é um aconselhamento financeiro, é apenas uma opinião pessoal, poderá estar completamente errada, nunca se esqueçam:</p>
<p><strong>Don’t Trust, Verify!</strong></p>
<p><br><br></p>
<hr>
<p>Fica a lista do <em>market cap</em> para mais tarde comparar:<br><img src="https://image.nostr.build/6410f99c47026f83b4ac93553519163b5cb3822b1189713ecf770f85cf9c5b94.jpg" alt="image"></p>
]]></content:encoded>
      <itunes:author><![CDATA[reiartur]]></itunes:author>
      <itunes:summary><![CDATA[<p>Eu não sou economista, sou apenas um curioso, sou influenciado pelo <em>ethos</em> do <strong>Bitcoin</strong>, o “<strong>Don’t Trust, Verify</strong>”. Esta é a virtude do Bitcoin, leva-nos a ler, estudar, refletir como o mundo funciona, compreender os conceitos básicos de economia, do sistema financeiro e da política monetária. Só compreendendo estas bases, podemos compreender o valor do bitcoin, senão será apenas um produto especulativo.</p>
<p><strong>Estude <a href='/tag/bitcoin/'>#Bitcoin</a>!</strong></p>
<br>

<p>Muitas pessoas pensam que <strong>bolha financeira</strong> é igual a um <strong>esquema <em>ponzi</em></strong>, mas não é verdade. Numa fase inicial, a sua influência no <strong>comportamento humano</strong> é semelhante, onde é gerada uma forte valorização/lucro, depois <strong>rebenta</strong>, acontece a correção. Quando é <strong><em>ponzi</em></strong>, a correção só acontece uma vez, o esquema colapsa.</p>
<p>Enquanto a <strong>bolha</strong> é algo que acontece ciclicamente, um bom exemplo é o <strong>mercado imobiliário</strong>, que teve inúmeras bolhas na sua história. São ciclos de mercados.</p>
<p>Uma parte muito grande do mundo cripto são literalmente um esquema <em>ponzi</em>, mas existem alguns que não são, são pouco mas existem. O Bitcoin e essas poucas criptos já tiveram várias bolhas no passado, mas conseguiram sempre recuperar, de ciclo em ciclo, o piso é sempre mais alto. <strong>O Bitcoin é uma fénix</strong>.</p>
<br>

<p>Como&nbsp; gráfico demonstra<br><img src="https://image.nostr.build/fe41810f9e7a9465744b362c61bcd06819c891b64eda0c1ee8f2c2d380ac0036.png" alt="image"></p>
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<p>A última bolha do Bitcoin&amp;Cripto aconteceu em Novembro de 2021, será que este foi similar às anteriores?</p>
<p>Observando o gráfico, são similares, mas eu acredito que desta vez vai ser um pouco diferente, ou seja, esta bolha será mais similar à das <strong><em>dotcom</em></strong> de 2000, especialmente no caso das <strong>criptos</strong>, o bitcoin é um caso à parte.</p>
<p><img src="https://image.nostr.build/6c1dd38a8e3ffeedd444b3845321b59cfa11fcd758bf79edf635a2b91e0fb67d.png" alt="image"></p>
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<p>Sempre que falo em cripto, não incluo o <strong>Bitcoin</strong>. O Bitcoin não tem nada a haver com as criptos e em muitas situações até é o seu oposto. A relação do Bitcoin e as criptos é similar à relação da Lua e a Terra. É a Lua que influência as marés na Terra, igualmente como o Bitcoin influência os ciclos de mercado nas criptos. As criptos apenas tem ciclos de 4 anos, devido à influência do <strong><em>halving</em></strong> do Bitcoin. Mas o Bitcoin vai além da Lua, é o Sol, o restante do universo é que gira à sua volta.</p>
<p><img src="https://image.nostr.build/70103cacb03cd4a359fb11a4ce4905b89d4db8074d54da214b5f8ab894bf68d4.gif" alt="image"></p>
<h1><em>Dotcom</em></h1>
<p>Tanto nas empresas <strong><em><a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Bolha_da_Internet">dotcom</a></em></strong>, como nas <strong>criptos</strong>, tiveram crescimento fortemente alavancado por empresas de <strong>capital de risco</strong>(VCs), curiosamente com a mesma ideia, “<strong>Get Rich Quick</strong>” (“Fique rico depressa”).</p>
<p>Nos finais da década de 90, a loucura dos <strong>VCs</strong> era tal, qualquer empresa que acrescentasse “.com” ao seu nome parecia ter sucesso quase imediatamente.</p>
<p>O mesmo aconteceu agora, só que as expressões são “blockchain”, “crypto” e “DeFi”.</p>
<br>

<p>Só que este ano tudo mudou, existe menos liquidez no mercado devido à alta taxa de juro dos bancos centrais e o VCs começaram a olhar para uma outra área, o AI, é o novo <em>el dourado</em>. Esta diferença já é bem notória no mercado, são poucos os novos projetos que se destacam, o desenvolvimento tecnológico está a acontecer sobretudo nos projetos já existentes.</p>
<p>No caso da <strong><em>dotcom</em></strong>, estavamos no início da internet, era difícil de compreender o que era e o seu potencial. Agora é os <strong><em>smartcontract</em></strong>, são tecnologias muito inovadoras e com um enorme potencial de crescimento.</p>
<p>Eu acredito que o destino das <strong>criptos</strong> será similar à <strong><em>dotcom</em></strong>, onde a maioria das empresas faliram, as poucas que sobreviveram são um sucesso hoje em dia, como a Google, Amazon e eBay, entre outras. A adoção/utilização vai se concentrar em apenas meia dúzia(se tanto) de projetos. Essa concentração ainda vai acelerar nos próximos 2 a 3 anos, com as aprovações das legislações nos diversos países, que vão estrangular fortemente as criptos.</p>
<p>Os colapsos das criptos vai provocar uma fuga de capital, o pouco que restar. Uma parte do capital voltará para o mundo FIAT, mas eu acredito que a maioria permanecerá neste ecossistema, especialmente para o Bitcoin e para as "grandes" criptos, valorizando ainda mais estas.</p>
<h1><em>Criptos</em></h1>
<p>Por enquanto as <strong><em>Stablecoins</em></strong> são um grande “salva vidas”, são bastante utilizadas nos países em desenvolvimento. A questão é, quanto tempo os governos vão aceitar as <em>stablecoins</em> (neste modelo)?</p>
<p>E aquele sonho molhado dos <em>shitcoiner</em>, sobretudo dos da XRP, que imaginavam que o sistema financeiro tradicional iria utilizar a sua <strong><em>Blockchain</em></strong>, isso não irá acontecer.&nbsp;</p>
<p>Enquanto o mercado de <strong><em>blockchains Permissionless</em></strong> vai concentrar, ao mesmo tempo está a surgir uma nova era de <em>blockchains</em> mas com bastantes limitações, fechadas, as <strong><em>blockchains Permissioned</em></strong>. Que vão “roubar” importantes cotas de mercado às <em>blockchains</em> tradicionais.</p>
<p>O sistema financeiro tradicional apenas vão utilizar sistemas que possam controlar, onde possam reverter transações, que consigam congelar fundos e os dados não serão públicos, sem transparência. Eles vão criar as suas próprias <em>blockchains</em> individualmente ou em cooperativas, mas sempre <strong><em>blockchains Permissioned</em></strong>.</p>
<p>Até as <em>exchanges</em> estão a criar as suas próprias <em>blockchains</em>.</p>
<p>Os <em>shitcoiners</em> desenvolveram tecnologia inspirada nos ideais do Satoshi, como uma alternativa ao sistema financeiro. Agora os bancos utilizam essa mesma tecnologia, a custo zero, para os seus próprios sistemas. Até muitas <strong>CBDCs</strong> estão a utilizar o código da Etherium como base.</p>
<p><br><br></p>
<p>Eu também nunca percebi bem o negócio das criptos, no meu ponto de vista não faz qualquer sentido as <em>blockchains</em> terem um token nativo próprio, a não ser que seja com o objetivo de enriquecer os VCs, provavelmente.</p>
<p>No meu pensamento, o token nativo é um “consumível”, mas a maioria das pessoas e os seus criadores olham para ele como um investimento. A meu ver não faz qualquer sentido.</p>
<p>O token nativo deveria ser a gasolina (não é por acaso, em ETH usam o termo <em>Gas</em>) para o carro se mova. Ninguém, ninguém compra gasolina com o objetivo que ela fique mais cara, para depois a vender, para gerar lucro. Nós compramos gasolina porque queremos nos deslocar e sem ela o carro não se move.</p>
<p>Eu acho que seria mais interessante se o token nativo fosse uma <em>stablecoin</em> (dólar ou mesmo btc), ainda não consegui perceber o porquê da Tether não o ter feito. É o que os bancos estão a fazer.</p>
<p>Em vez de ICO, as <em>fees</em> e possivelmente uma pequeníssima percentagem das transações serviriam para financiar os validadores e para as “fundações”. Possivelmente não optaram por esta via, para esquivar às legislações vigentes, mas agora estão a ser processados por serem <em><strong>securities</strong></em>. O tiro saiu pela culatra.</p>
<p><br><br></p>
<p>O <strong>Bitcoin</strong> é um caso à parte, é o ouro digital, é o <strong>dinheiro</strong> do mundo <em>online</em> e do mundo real, uma <strong>alternativa</strong> à moeda FIAT e uma reserva de valor. Está muitos patamares acima de todo o mundo cripto, é o único realmente descentralizado e é uma <em><strong>commodity</strong></em>.</p>
<p>As criptos não quiserem ser uma alternativa, queriam replicar o sistema financeiro tradicional dentro de um <em>blockchain</em> descentralizada. No final das contas, de descentralizada tem pouco e estão a ser engolidos pelo próprio <em>legacy</em>. É a ironia do destino.</p>
<p>Apesar de tudo acredito que alguns desses projetos consigam sobreviver e prosperar.</p>
<p>Se formos observar a tabela do coinmarketcap.com, das 100 maiores, daqui a 10 anos, possivelmente só restará o Bitcoin e mais meia dúzia de criptos com um volume significativo.</p>
<h1><em>Easter Egg</em></h1>
<p>Para finalizar, deixo um <strong><em>easter egg</em></strong>, como eu disse em cima, na época do <em>crash</em> das <strong><em>dotcom</em></strong>, a maioria das empresas faliram, mas houve uma que conseguiu sobreviver, apesar de ter sofrido uma brutal desvalorização.</p>
<p>Nos últimos anos começou a sua recuperação, mas ainda está muito longe dos seus máximos. Talvez consiga nos próximos 2 anos, senão será daqui a 6 anos, eu acredito.</p>
<p>Isto é bem representativo o que foi a loucura no final da década de 90, valorizaram as empresas para valores estratosféricos, neste caso poderá demorar quase de 30 anos para voltar a ter novos máximos.</p>
<p>O gráfico é bem representativo dessas duas fases, aquela vela do ano 2000 é assustadora.<br><img src="https://image.nostr.build/f823be12fd7879c3d4a1d2cec0e9f57854276e757e0bb4a3220d5e219d330b60.png" alt="image"></p>
<p><br><br></p>
<p>O seu nome é <strong>MicroStrategy</strong>.&nbsp;</p>
<p><br><br></p>
<p>Em nenhum momento deste texto é um aconselhamento financeiro, é apenas uma opinião pessoal, poderá estar completamente errada, nunca se esqueçam:</p>
<p><strong>Don’t Trust, Verify!</strong></p>
<p><br><br></p>
<hr>
<p>Fica a lista do <em>market cap</em> para mais tarde comparar:<br><img src="https://image.nostr.build/6410f99c47026f83b4ac93553519163b5cb3822b1189713ecf770f85cf9c5b94.jpg" alt="image"></p>
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      <title><![CDATA[O reconhecer de um problema]]></title>
      <description><![CDATA[]]></description>
             <itunes:subtitle><![CDATA[]]></itunes:subtitle>
      <pubDate>Tue, 03 Oct 2023 09:44:12 GMT</pubDate>
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      <category>política</category>
      
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      <dc:creator><![CDATA[reiartur]]></dc:creator>
      <content:encoded><![CDATA[<blockquote>
<p>10 anos com taxa de juro, extraordinariamente baixa, a nível mundial, o investimento refúgio virou para o imobiliário.</p>
</blockquote>
<p>Ontem em entrevista para a TVI, <strong>António Costa</strong> reconheceu que o problema tem origem na desastrosa política monetária, “apenas” esqueceu de falar da enorme impressão de dinheiro que houve, em parte, para financiar a sua Bazuca.</p>
<br>

<p>É verdade que a desvalorização das moedas levou o investimento refúgio para o imobiliário,&nbsp; criando uma tremenda desajuste no mercado. Agora os estados estão implementando medidas/políticas mais repressivas para afugentar os investidores.</p>
<p>Os estados estão encostados à parede, ou não fazem nada, beneficiando os <strong><em>lobbies</em></strong>, os seus amigos, ou então cedem à pressão das populações, que estão a ficar <strong>desesperadas</strong>, cada vez mais gente a viver na rua. Em Portugal está a acontecer algo que eu nunca imaginei, pessoas com trabalho, acima do ordenado mínimo a viver na rua.</p>
<p>No fim das contas,&nbsp; os políticos para serem reeleitos necessitam dos votos do povo, já sabemos que lado vão escolher.</p>
<br>

<p><strong>O que vai acontecer a estas pessoas, se a crise chegar em força?</strong></p>
<p>Se com trabalho já tem dificuldades em ter casa, o que vai acontecer se existir muito desemprego.</p>
<p>Possível a taxa de juro para a habitação vai manter-se alta por algum tempo, as poupanças das pessoas também estão a acabar.</p>
<p>As <em>yields</em> dos países estão em alta, somando uma dívida pública colossal que necessita de ser refinanciada, não faltará muito para que a palavra <strong>austeridade</strong> volte à baila.</p>
<p>Como alguém disse no passado, a economia à beira de precipício e todos os dias dá pequenos passos em frente. Não faltará muito para cair.</p>
<p>O aumento da oferta de habitação é algo que demora, só daqui alguns anos terá efeito, além de poder criar inflação, devido à forte procura de materiais e profissionais para a construção.</p>
<p>Os políticos necessitam de medidas que tenham <strong>efeitos imediatos</strong>, cada vez mais, vão endurecer as políticas para afastar as pessoas que compram casas como investimento. Os estados vão forçar o rebentar da bolha no imobiliário.</p>
<p>O rebentar da bolha vai criar uma recessão.</p>
<br>

<p><strong>Será que os bancos vão resistir?</strong></p>
<p>Como vimos no início do ano, os bancos estão com problemas.</p>
<p>Os países também têm problemas, mas com a dívida soberana e ainda por cima terão que recapitalizar os bancos.</p>
<br>

<p><strong>Money, money, money</strong></p>
<p>As “rotativas” vão trabalhar como nunca, vão imprimir tanto… é <strong>inevitável</strong>.</p>
<p>A desvalorização da moeda vai levar a uma fuga de capital, <strong>qual será o refúgio dos investidores?</strong> Nos últimos anos tem sido o imobiliário, mas com a possível rebentar da bolha e com políticas agressivas dos estados, será que vão optar por outra via?</p>
<p>Tenho uma dúvida que me inquieta, se a recessão e a impressão de dinheiro for de grande dimensão, não será mais seguro os investidores manterem-se no imobiliário, mesmo que tenham perdas devido ao rebentar da bolha. Ou seja, as perdas do rebentar da bolha serão inferiores, que as perdas se optar por outros ativos.</p>
<br>

<p><strong>Se abandonar o imobiliário, para onde vai esse capital?</strong></p>
<p>Talvez, ouro ou <strong>bitcoin</strong>.</p>
<br>

<p>Não sei, são demasiadas questões sem resposta. Uma coisa é certa, tudo isto teve origem numa política monetária desastrosa, na moeda fiduciária.</p>
<p>O tempo dirá.</p>
]]></content:encoded>
      <itunes:author><![CDATA[reiartur]]></itunes:author>
      <itunes:summary><![CDATA[<blockquote>
<p>10 anos com taxa de juro, extraordinariamente baixa, a nível mundial, o investimento refúgio virou para o imobiliário.</p>
</blockquote>
<p>Ontem em entrevista para a TVI, <strong>António Costa</strong> reconheceu que o problema tem origem na desastrosa política monetária, “apenas” esqueceu de falar da enorme impressão de dinheiro que houve, em parte, para financiar a sua Bazuca.</p>
<br>

<p>É verdade que a desvalorização das moedas levou o investimento refúgio para o imobiliário,&nbsp; criando uma tremenda desajuste no mercado. Agora os estados estão implementando medidas/políticas mais repressivas para afugentar os investidores.</p>
<p>Os estados estão encostados à parede, ou não fazem nada, beneficiando os <strong><em>lobbies</em></strong>, os seus amigos, ou então cedem à pressão das populações, que estão a ficar <strong>desesperadas</strong>, cada vez mais gente a viver na rua. Em Portugal está a acontecer algo que eu nunca imaginei, pessoas com trabalho, acima do ordenado mínimo a viver na rua.</p>
<p>No fim das contas,&nbsp; os políticos para serem reeleitos necessitam dos votos do povo, já sabemos que lado vão escolher.</p>
<br>

<p><strong>O que vai acontecer a estas pessoas, se a crise chegar em força?</strong></p>
<p>Se com trabalho já tem dificuldades em ter casa, o que vai acontecer se existir muito desemprego.</p>
<p>Possível a taxa de juro para a habitação vai manter-se alta por algum tempo, as poupanças das pessoas também estão a acabar.</p>
<p>As <em>yields</em> dos países estão em alta, somando uma dívida pública colossal que necessita de ser refinanciada, não faltará muito para que a palavra <strong>austeridade</strong> volte à baila.</p>
<p>Como alguém disse no passado, a economia à beira de precipício e todos os dias dá pequenos passos em frente. Não faltará muito para cair.</p>
<p>O aumento da oferta de habitação é algo que demora, só daqui alguns anos terá efeito, além de poder criar inflação, devido à forte procura de materiais e profissionais para a construção.</p>
<p>Os políticos necessitam de medidas que tenham <strong>efeitos imediatos</strong>, cada vez mais, vão endurecer as políticas para afastar as pessoas que compram casas como investimento. Os estados vão forçar o rebentar da bolha no imobiliário.</p>
<p>O rebentar da bolha vai criar uma recessão.</p>
<br>

<p><strong>Será que os bancos vão resistir?</strong></p>
<p>Como vimos no início do ano, os bancos estão com problemas.</p>
<p>Os países também têm problemas, mas com a dívida soberana e ainda por cima terão que recapitalizar os bancos.</p>
<br>

<p><strong>Money, money, money</strong></p>
<p>As “rotativas” vão trabalhar como nunca, vão imprimir tanto… é <strong>inevitável</strong>.</p>
<p>A desvalorização da moeda vai levar a uma fuga de capital, <strong>qual será o refúgio dos investidores?</strong> Nos últimos anos tem sido o imobiliário, mas com a possível rebentar da bolha e com políticas agressivas dos estados, será que vão optar por outra via?</p>
<p>Tenho uma dúvida que me inquieta, se a recessão e a impressão de dinheiro for de grande dimensão, não será mais seguro os investidores manterem-se no imobiliário, mesmo que tenham perdas devido ao rebentar da bolha. Ou seja, as perdas do rebentar da bolha serão inferiores, que as perdas se optar por outros ativos.</p>
<br>

<p><strong>Se abandonar o imobiliário, para onde vai esse capital?</strong></p>
<p>Talvez, ouro ou <strong>bitcoin</strong>.</p>
<br>

<p>Não sei, são demasiadas questões sem resposta. Uma coisa é certa, tudo isto teve origem numa política monetária desastrosa, na moeda fiduciária.</p>
<p>O tempo dirá.</p>
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