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      <pubDate>Tue, 09 Apr 2024 08:39:51 GMT</pubDate>
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      <title><![CDATA[O Relativismo - A semente gnóstica e a destruição do valor objetivo]]></title>
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      <pubDate>Tue, 09 Apr 2024 08:39:51 GMT</pubDate>
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      <dc:creator><![CDATA[Tiago G]]></dc:creator>
      <content:encoded><![CDATA[<p>O pensamento modernista/progressista que predomina na sociedade actual adere de forma comprometida a uma tese filosófica que pretende redefinir a realidade, o relativismo. Segundo esta tese a realidade é definida de forma subjectiva, ou seja, está pendente das circunstâncias, pessoas, momento. e motivação. Assim a percepção é nada mais nada menos que a co-construção da realidade colocando o ser humano como uma espécie de Deus (Demiurgo), isto é como entidade criadora da realidade. Além dos problemas morais que esta hipótese levanta, há ainda problemas da ordem da racionalidade e da lógica que são incompatíveis com esta ideia. Uma ideia central que invalida fundamentalmente esta tese é a de que desta forma deixa de existir uma realidade objetiva. Neste caso cada indivíduo poderia avançar com a “sua” interpretação do real, independentemente de esta ser falsa ou verdadeira. O dogma do relativismo é a de que todos as leituras são válidas, portanto deixa de existir uma matriz unificadora, isto é deixa de existir dogma e sem dogma não há uma verdade, há apenas interpretações da realidade que estão sujeitas aos vícios e fragilidades de cada intérprete.</p>
<p>Se em Portugal cada pessoa tivesse a sua própria língua, a que inventou, tornar-se-ia impossível comunicar pois não teríamos as mesmas referências fonéticas, semânticas. e sintáticas. Tal como na torre de Babel não teríamos a capacidade de nos compreendermos mutuamente. É pois isto que se passa no relativismo. Nesta ideologia perdemos a narrativa agregadora que clarifica as finalidades comuns da nossa vida em sociedade, sem estas teremos cada vez mais pessoas desenraizadas com uma identidade volátil e em estado de permanente isolamento.</p>
<p>Talvez vivamos neste momento uma época sem precedentes neste sentido tal é a confusão que existe na definição concreta dos entes. Não me refiro apenas aos conceitos morais mas até outros conceitos como a definição de Homem e Mulher, e futuramente o próprio conceito de espécie humana, dado que, avançamos a passos largos para uma fusão entre o ser Humano e máquina com o advento. da integração da inteligência artificial no nosso próprio corpo, vide neuralink. A este respeito adverte C.S Lewis na obra a abolição do Homem: “a conquista do Homem da sua natureza desafiando os seus limites, é simultaneamente a expressão do poder exercido por alguns Homens sobre outros Homens com a natureza como instrumento”. Quando dominamos a técnica implementamos transformações fundamentais, podendo perder a noção e o limite do que é ser humano.</p>
<p>Tudo isto advém de uma ausência de uma matriz que nos dê objetividade de valor e finalidade concreta para a existência. Como objeto da análise coloco as seguintes perguntas: se tudo evolui como podemos definir qualquer tipo de finalidade ? Isto significa, se o ser humano está em permanente transformação assim como as suas circunstâncias aquilo que hoje é verdade, amanhã pode não ser. Colocaria também uma outra pergunta, o que é mais importante guardar e fixar na eternidade para que não esteja sujeito a este relativismo ?</p>
<p>Parece evidente que o relativismo culmina na auto-destruição, por ser precisamente ilógico e irracional. Infelizmente, e muitas vezes de forma inconsciente, acabamos por dar alento a esta tese quando nos vemos incapazes de sustentar a nossa vida numa matriz que estabelece os princpíos lógicos e operativos para uma perceção da realidade mais clara, mais próxima da verdade. C.S Lewis diz-nos que o facto de determinadas pessoas não verem cores não invalida que estas existam, portanto compete-nos afinar o nosso aparelho percetivo para que sejamos capazes de ver cores e procurar a matriz através da qual podemos encontrar a verdade sobre a realidade.</p>
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      <itunes:author><![CDATA[Tiago G]]></itunes:author>
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<p>Se em Portugal cada pessoa tivesse a sua própria língua, a que inventou, tornar-se-ia impossível comunicar pois não teríamos as mesmas referências fonéticas, semânticas. e sintáticas. Tal como na torre de Babel não teríamos a capacidade de nos compreendermos mutuamente. É pois isto que se passa no relativismo. Nesta ideologia perdemos a narrativa agregadora que clarifica as finalidades comuns da nossa vida em sociedade, sem estas teremos cada vez mais pessoas desenraizadas com uma identidade volátil e em estado de permanente isolamento.</p>
<p>Talvez vivamos neste momento uma época sem precedentes neste sentido tal é a confusão que existe na definição concreta dos entes. Não me refiro apenas aos conceitos morais mas até outros conceitos como a definição de Homem e Mulher, e futuramente o próprio conceito de espécie humana, dado que, avançamos a passos largos para uma fusão entre o ser Humano e máquina com o advento. da integração da inteligência artificial no nosso próprio corpo, vide neuralink. A este respeito adverte C.S Lewis na obra a abolição do Homem: “a conquista do Homem da sua natureza desafiando os seus limites, é simultaneamente a expressão do poder exercido por alguns Homens sobre outros Homens com a natureza como instrumento”. Quando dominamos a técnica implementamos transformações fundamentais, podendo perder a noção e o limite do que é ser humano.</p>
<p>Tudo isto advém de uma ausência de uma matriz que nos dê objetividade de valor e finalidade concreta para a existência. Como objeto da análise coloco as seguintes perguntas: se tudo evolui como podemos definir qualquer tipo de finalidade ? Isto significa, se o ser humano está em permanente transformação assim como as suas circunstâncias aquilo que hoje é verdade, amanhã pode não ser. Colocaria também uma outra pergunta, o que é mais importante guardar e fixar na eternidade para que não esteja sujeito a este relativismo ?</p>
<p>Parece evidente que o relativismo culmina na auto-destruição, por ser precisamente ilógico e irracional. Infelizmente, e muitas vezes de forma inconsciente, acabamos por dar alento a esta tese quando nos vemos incapazes de sustentar a nossa vida numa matriz que estabelece os princpíos lógicos e operativos para uma perceção da realidade mais clara, mais próxima da verdade. C.S Lewis diz-nos que o facto de determinadas pessoas não verem cores não invalida que estas existam, portanto compete-nos afinar o nosso aparelho percetivo para que sejamos capazes de ver cores e procurar a matriz através da qual podemos encontrar a verdade sobre a realidade.</p>
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      <title><![CDATA[Quo vadis Portugal?]]></title>
      <description><![CDATA[Do milagre de Ourique ao Paganismo.]]></description>
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      <pubDate>Tue, 24 Oct 2023 10:55:46 GMT</pubDate>
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      <dc:creator><![CDATA[Tiago G]]></dc:creator>
      <content:encoded><![CDATA[<p><img src="https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/9/9c/BatalhaOurique.jpg/800px-BatalhaOurique.jpg" alt="image"></p>
<p>Para quem possa estar a ler este texto e seja mais jovem, esta mensagem é para ti. Provavelmente nasceste, assim como eu, numa época onde se sentia que a religião era uma coisa do passado. Multiplicavam-se as mensagens na cultura pop a desqualificar a religião como uma doutrina bafienta, obsoleta que não se atualizava e não se adaptava à modernidade. A mensagem que ganhava mais destaque era a de que não era cool ser religioso, que as únicas pessoas que o eram seriam as pessoas fracas nas suas convicções e que tinham sido vítimas de uma forte lavagem cerebral. Tudo servia para desconstruir e diluir a presença da doutrina moral da igreja na sociedade. Entretenimento, agendas políticas, cultura, ciência, arte, informação, todos estes alicerces da sociedade ratificam a mesma tese: precisamos de nos modernizar e atualizar o nosso modus vivendi. António Gramsci é um dos exemplos de pensadores que estão por detrás desta transformação social, propondo que se faça primeiro uma revolução cultural para que seguidamente se faça a revolução política, e assim foi.</p>
<p><img src="https://i.ytimg.com/vi/mEf9_dgqZGM/sddefault.jpg" alt="image"><br>Diácono remédios - Provedor da Herman Enciclopédia</p>
<p>Tudo na cultura indicava outras direções para a consagração de uma “evolução” nos costumes e na convivência entre as pessoas. Antes tudo era na aparência sangrento e eivado de restrições, agora tudo é e será liberdade e Iluminismo. </p>
<p>Este movimento de esvaziamento da cultura católica era justificado como sendo necessário pois imbuído do espírito revolucionário acreditava-se que tratava de repor a verdade e  acabar com as restrições que a religião colocou na sociedade portuguesa, contudo teve o resultado talvez inesperado para alguns de produzir não um estado laico na sua conceção utópica mas sim um estado que professa uma religião pagã. Esta religião havia de ter também as suas restrições e dogmas além de produzir os seus próprios mitos para agregar socialmente em torno da ideologia. </p>
<p>O creacionismo  por exemplo era coisa de outro tempo, agora havia que inventar uma cosmovisão diferente, em que o universo é rei e senhor e o milagre que está na génese da criação é o Big Bang. Nada mais que um truque retórico que nos desvia do creacionismo católico criando novos mitos cosmológicos mas não responde às questões de fundo: porquê algo em vez de nada ? Que obra existe sem criador ? Este truque retórico funciona porque quando nos apegamos às coisas do mundo, as descrições físicas e materialistas da realidade, estamos como que demasiado entretidos intelectualmente para subir de nível de análise e colocar as questões no plano metafísico. Sem essa organização psíquica que nos permita desenvolver uma interpretação metafísica da realidade objetiva estamos suscetíveis a que esse espaço deixado vago possa ser ocupado pela ideologia vigente, presa a um tempo, um espaço e manchada por um oportunismo político que procura conquistar tudo o que é nosso começando por instilar ideias de forma subtil, por vezes quase impercetível. </p>
<p>O filósofo brasileiro Olavo de Carvalho, na sua crítica ao marxismo, diz-nos que as ideias marxistas tornam-se de tal forma insidiosas que ao dominar educação e cultura fabricam cidadãos socialistas que não se apercebem que estão a fazer o apostolado ao socialismo. Os menos humildes de entre nós julgam que as ideias que possuem foram forjadas por si mesmos, no entanto, se lhes perguntarmos se conhecem a origem filosófica de determinadas ideias serão frequentemente incapazes de o identificar. Com a humildade vem o reconhecimento de que somos todos extremamente influenciáveis e de que determinadas escolas de pensamento nos podem ter capturado, usando-nos como armamento para a disseminação de determinadas ideias. Estas ideologias são como predadores famintos esperando pacientemente encontrar vulnerabilidades na sua presa para poderem explorar essas fraquezas e ganhar terreno. </p>
<p>A procura de uma matriz de organização da realidade, um significado fundamental, é um instinto humano, um instinto religioso, e quando não preenchido pode então ser parasitado por “religiões” muitas delas  primitivas. Desengane-se quem pensa que o ateísmo, o materialismo ou o relativismo não é uma religião, nada poderia estar mais longe da verdade. Após exame consciente daquilo a que o ateísmo se propunha a fazer, libertar o ser humano dos seus preconceitos e da tirania da doutrina religiosa que se afirmava sobre os desejos hedonísticos das pessoas, percebemos que o ateísmo não só não conseguiu fazer isso porque não nos livra da culpa como deixou muito pouco de humano em nós. Numa concepção ateísta e relativista tudo é passível de ser questionado, até ao axioma mais básico levando a que categorias semânticas como “homem”, “mulher” e “ser humano” sejam agora veículos de discórdia e confusão quanto á sua definição.</p>
<p><img src="https://www.dymocks.com.au/Pages/ImageHandler.ashx?q=9781956007008&amp;w=&amp;h=570" alt="image"><br>What is a Woman - Documentário de Matt Walsh que aborda as questões da identidade de género</p>
<p>Ainda assim, como vemos plasmado na sociedade atual há uma teoria sobre a virtude em que o que é determinado pela massa  da população é o “bom” e o que é para ser seguido, mesmo quando incoerente do ponto de vista lógico ou atentatório contra a natureza humana. Nesta nova religião o subjetivismo exuberante levou a que a arte perdesse aspirações estéticas dedicando-se quase exclusivamente á afronta e ao desafio ao status quo que nada mais é que a disseminação das ideias da ideologia que vigora. No domínio da ciência, esta está cada vez mais refém da ideologia servindo os interesses da mesma. Quanto à moral, não é possível não possuir um teoria sobre de bem e sobre o mal sem um dogma, e aqui nestas novas religiões existem vários dogmas e rituais sacramentais tal como nas religiões tradicionais. Seja a glorificação do materialismo, a celebração de uma suposta “evolução” do ser humano, ou a elevação do sexo a um plano mais elevado de atenção, estes e outros dogmas fazem parte desta religião. </p>
<p>Assim lembremos as palavras de Ralph Waldo Emerson quando nos diz que o ser humano irá sempre venerar algo e que nos tornamos naquilo que veneramos, ou seja o que ocupa a nossa imaginação e os nossos pensamentos irá também determinar o nosso carácter. Portanto, cuidemos de escolher que objetos colocamos nos nossos “altares” e o que vamos venerar pois isso estará na base da criação da sociedade futura. Não existe a opção não ter religião, existe sim a opção de deixar na escuridão do inconsciente a principal força motivacional que está na base de um sistema perceptivo. De qualquer modo, algo tem de ocupar o lugar mais elevado na nossa hierarquia moral a questão é: o que deverá ser ?</p>
<p>Se quiseres apoiar o meu trabalho podes enviar BTC através do seguinte endereço lightning:</p>
<p><a href="mailto:tvieiragoncalves@getalby.com">tvieiragoncalves@getalby.com</a></p>
<p><np-embed url="https://getalby.com/p/tvieiragoncalves"><a href="https://getalby.com/p/tvieiragoncalves">https://getalby.com/p/tvieiragoncalves</a></np-embed></p>
<p><a href="mailto:tiagogoncalves@walletofsatoshi.com">tiagogoncalves@walletofsatoshi.com</a></p>
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      <itunes:author><![CDATA[Tiago G]]></itunes:author>
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<p>Para quem possa estar a ler este texto e seja mais jovem, esta mensagem é para ti. Provavelmente nasceste, assim como eu, numa época onde se sentia que a religião era uma coisa do passado. Multiplicavam-se as mensagens na cultura pop a desqualificar a religião como uma doutrina bafienta, obsoleta que não se atualizava e não se adaptava à modernidade. A mensagem que ganhava mais destaque era a de que não era cool ser religioso, que as únicas pessoas que o eram seriam as pessoas fracas nas suas convicções e que tinham sido vítimas de uma forte lavagem cerebral. Tudo servia para desconstruir e diluir a presença da doutrina moral da igreja na sociedade. Entretenimento, agendas políticas, cultura, ciência, arte, informação, todos estes alicerces da sociedade ratificam a mesma tese: precisamos de nos modernizar e atualizar o nosso modus vivendi. António Gramsci é um dos exemplos de pensadores que estão por detrás desta transformação social, propondo que se faça primeiro uma revolução cultural para que seguidamente se faça a revolução política, e assim foi.</p>
<p><img src="https://i.ytimg.com/vi/mEf9_dgqZGM/sddefault.jpg" alt="image"><br>Diácono remédios - Provedor da Herman Enciclopédia</p>
<p>Tudo na cultura indicava outras direções para a consagração de uma “evolução” nos costumes e na convivência entre as pessoas. Antes tudo era na aparência sangrento e eivado de restrições, agora tudo é e será liberdade e Iluminismo. </p>
<p>Este movimento de esvaziamento da cultura católica era justificado como sendo necessário pois imbuído do espírito revolucionário acreditava-se que tratava de repor a verdade e  acabar com as restrições que a religião colocou na sociedade portuguesa, contudo teve o resultado talvez inesperado para alguns de produzir não um estado laico na sua conceção utópica mas sim um estado que professa uma religião pagã. Esta religião havia de ter também as suas restrições e dogmas além de produzir os seus próprios mitos para agregar socialmente em torno da ideologia. </p>
<p>O creacionismo  por exemplo era coisa de outro tempo, agora havia que inventar uma cosmovisão diferente, em que o universo é rei e senhor e o milagre que está na génese da criação é o Big Bang. Nada mais que um truque retórico que nos desvia do creacionismo católico criando novos mitos cosmológicos mas não responde às questões de fundo: porquê algo em vez de nada ? Que obra existe sem criador ? Este truque retórico funciona porque quando nos apegamos às coisas do mundo, as descrições físicas e materialistas da realidade, estamos como que demasiado entretidos intelectualmente para subir de nível de análise e colocar as questões no plano metafísico. Sem essa organização psíquica que nos permita desenvolver uma interpretação metafísica da realidade objetiva estamos suscetíveis a que esse espaço deixado vago possa ser ocupado pela ideologia vigente, presa a um tempo, um espaço e manchada por um oportunismo político que procura conquistar tudo o que é nosso começando por instilar ideias de forma subtil, por vezes quase impercetível. </p>
<p>O filósofo brasileiro Olavo de Carvalho, na sua crítica ao marxismo, diz-nos que as ideias marxistas tornam-se de tal forma insidiosas que ao dominar educação e cultura fabricam cidadãos socialistas que não se apercebem que estão a fazer o apostolado ao socialismo. Os menos humildes de entre nós julgam que as ideias que possuem foram forjadas por si mesmos, no entanto, se lhes perguntarmos se conhecem a origem filosófica de determinadas ideias serão frequentemente incapazes de o identificar. Com a humildade vem o reconhecimento de que somos todos extremamente influenciáveis e de que determinadas escolas de pensamento nos podem ter capturado, usando-nos como armamento para a disseminação de determinadas ideias. Estas ideologias são como predadores famintos esperando pacientemente encontrar vulnerabilidades na sua presa para poderem explorar essas fraquezas e ganhar terreno. </p>
<p>A procura de uma matriz de organização da realidade, um significado fundamental, é um instinto humano, um instinto religioso, e quando não preenchido pode então ser parasitado por “religiões” muitas delas  primitivas. Desengane-se quem pensa que o ateísmo, o materialismo ou o relativismo não é uma religião, nada poderia estar mais longe da verdade. Após exame consciente daquilo a que o ateísmo se propunha a fazer, libertar o ser humano dos seus preconceitos e da tirania da doutrina religiosa que se afirmava sobre os desejos hedonísticos das pessoas, percebemos que o ateísmo não só não conseguiu fazer isso porque não nos livra da culpa como deixou muito pouco de humano em nós. Numa concepção ateísta e relativista tudo é passível de ser questionado, até ao axioma mais básico levando a que categorias semânticas como “homem”, “mulher” e “ser humano” sejam agora veículos de discórdia e confusão quanto á sua definição.</p>
<p><img src="https://www.dymocks.com.au/Pages/ImageHandler.ashx?q=9781956007008&amp;w=&amp;h=570" alt="image"><br>What is a Woman - Documentário de Matt Walsh que aborda as questões da identidade de género</p>
<p>Ainda assim, como vemos plasmado na sociedade atual há uma teoria sobre a virtude em que o que é determinado pela massa  da população é o “bom” e o que é para ser seguido, mesmo quando incoerente do ponto de vista lógico ou atentatório contra a natureza humana. Nesta nova religião o subjetivismo exuberante levou a que a arte perdesse aspirações estéticas dedicando-se quase exclusivamente á afronta e ao desafio ao status quo que nada mais é que a disseminação das ideias da ideologia que vigora. No domínio da ciência, esta está cada vez mais refém da ideologia servindo os interesses da mesma. Quanto à moral, não é possível não possuir um teoria sobre de bem e sobre o mal sem um dogma, e aqui nestas novas religiões existem vários dogmas e rituais sacramentais tal como nas religiões tradicionais. Seja a glorificação do materialismo, a celebração de uma suposta “evolução” do ser humano, ou a elevação do sexo a um plano mais elevado de atenção, estes e outros dogmas fazem parte desta religião. </p>
<p>Assim lembremos as palavras de Ralph Waldo Emerson quando nos diz que o ser humano irá sempre venerar algo e que nos tornamos naquilo que veneramos, ou seja o que ocupa a nossa imaginação e os nossos pensamentos irá também determinar o nosso carácter. Portanto, cuidemos de escolher que objetos colocamos nos nossos “altares” e o que vamos venerar pois isso estará na base da criação da sociedade futura. Não existe a opção não ter religião, existe sim a opção de deixar na escuridão do inconsciente a principal força motivacional que está na base de um sistema perceptivo. De qualquer modo, algo tem de ocupar o lugar mais elevado na nossa hierarquia moral a questão é: o que deverá ser ?</p>
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