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      <pubDate>Thu, 03 Oct 2024 11:22:08 GMT</pubDate>
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      <title><![CDATA[O Bitcoin é muito poluente?]]></title>
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      <pubDate>Thu, 03 Oct 2024 11:22:08 GMT</pubDate>
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      <dc:creator><![CDATA[reiartur]]></dc:creator>
      <content:encoded><![CDATA[<p>Antes de ver se é ou não muito poluente, é necessário compreender que consumir energia, nem sempre significa que é necessário produzir mais energia, consequentemente poluindo mais. Podemos consumir energias que existem em abundância, que atualmente estão a ser desperdiçadas, que não são aproveitadas por ninguém.</p>
<p>Vamos imaginar uma árvore que consome 1000 litros de água, com isso produz 1000 maçãs. Mas o agricultor apenas consegue vender 800 maçãs, as outras 200 maçãs vão acabar por apodrecer e vão parar ao lixo.</p>
<p>Não comer as 200 maçãs, não significa que vamos poupar 200 litros de água. A água já foi consumida pela árvore, é indiferente se as maçãs são ou não comidas. É claro que é mais sustentável que todas as maçãs sejam consumidas e também mais lucrativas para os agricultores.</p>
<p>Por esse motivo, a fruta que não é vendida para o consumo direto, o agricultor acaba por vender por preços muito inferiores para a indústria das bebidas, é uma medida totalmente sustentável.</p>
<p>É exatamente isto, que parte da mineração de Bitcoin faz, consome energia que existe por toda a parte, que não é consumida, a chamada energia ociosa ou desperdiçada. A energia ociosa, como as 200 maçãs, não representa mais poluição mas sim mais sustentabilidade. Já que a energia existe, vamos aproveitar para algo útil, em vez de a “jogar para o lixo”.</p>
<p>A energia ociosa está por toda a parte, locais onde existe excesso de produção, locais onde existem muitos recursos naturais, mas não existe consumo.</p>
<h1>Estabilidade da rede</h1>
<p>O crescimento da energia de origem Eólica e Solar criou um problema de estabilidade nas redes elétricas, devido à sua intermitência.</p>
<p>Quando a energia era essencialmente de origem fóssil, a energia era gerada consoante a necessidade do consumo. De dia colocava-se mais carvão nas caldeiras, à noite/madrugada teria que ser bem menos carvão.</p>
<p>Se de dia é consumido 100, é necessário produzir 101. Se de madrugada for 70, tem que ser produzido 71. Com o carvão era fácil estabilizar a rede elétrica, bastava controlar a quantidade de carvão que se colocava nas caldeiras.</p>
<p>Como as energia de origem Eólica e Solar, a geração de energia está condicionada às condições meteorológicas. Se for um dia com muito vento, o vento não pode ser desligado nem os aerogeradores podem ser desligados. É indiferente se existe ou não consumo, essa energia é gerada.</p>
<p>No caso da energia de origem hídrica, por norma a geração pode ser controlada, excepto quando a barragem(usina) está na capacidade máxima, nesse caso são obrigados a descarregar a água.</p>
<p><img src="https://image.nostr.build/f4cf45a352c8e6b98998243b1b16ce1b9e7dc994d21181dcf32ff90cef5cc24e.jpg" alt=""></p>
<p>No gráfico é notório o descasamento entre a geração e o consumo, a geração foi muito superior ao consumo.</p>
<p><img src="https://image.nostr.build/b2cca71f3cc6c14a48e14342a23f3632808c240c8a6e948ee5f27046c021f6cf.jpg" alt=""></p>
<p>No mesmo dia, o preço da energia chegou a zero, não havia consumidores para tanta energia. Este excedente de energia pode ser utilizado pelos mineradores, é exatamente isto, o que está a acontecer no Texas, EUA. Este excedente que não seria utilizado e como é muito barato é consumido pela indústria do bitcoin. Quando não existe excedente, os mineradores são obrigados, por lei, a desligar as máquinas.</p>
<p>Com o crescimento das renováveis, o papel dos mineradores será cada vez mais essencial. Esta energia não é criada com o objeto da mineração, é um excedente que existe no mercado, logo não aumenta a poluição, é totalmente sustentável.</p>
<h1>Novos recursos renováveis</h1>
<p>A indústria de mineração está também aproveitando os recursos naturais e renováveis, que não são explorados por questões de viabilidade económica, permitindo ajudar as populações ao seu redor.</p>
<p>Em África ou em locais muito recônditos, as empresas de mineração estão a construir pequenas barragens(usinas) hidroeléctricas em localidades onde existem condições naturais, só que existe pouca população ao seu redor, como os consumos são baixos, esses projetos não são viáveis economicamente. A única alternativa para as populações, era consumir energia com origem não renováveis. Com a mineração, esses projetos tornam-se viáveis economicamente, uma parte da energia gerada é vendida à população e o restante é utilizado para minerar bitcoin. É o chamado Win Win, a população tem uma fonte de energia mais barata e renovável e a empresa de mineração tem lucros que permite financiar a construção das instalações e ter lucros.</p>
<p>Existem países com abundância de energia hídrica como os países nórdicos, Paraguai, Canadá ou o Reino do Butão. O Butão, é um caso curioso, como é um país com pouca população, mas com muita água, que permite ter uma elevada capacidade de produção energética. Mas só uma parte dessa capacidade é consumida, por isso, o governo está a utilizar esse excesso de energia para minerar bitcoin. Também existe o caso de El Salvador, que utiliza a energia termoelétrica, quase inesgotável, dos seus vulcões. Em ambos os casos 100% renováveis, com reduzidas ou nulas emissão de gases com efeito estufa.</p>
<p>Além de não ser poluente, a mineração é um incentivo para o desenvolvimento e para uma maior produção de energias renováveis.</p>
<h1>Metano</h1>
<p>Outra fonte de energia muito despercebida, é o metano. Todos nós temos aquela imagem dos poços de petróleo, com uma chaminé a queimar gás metano. Devido ao metano ser muito prejudicial para a camada do ozono, é preferível queimá-lo, do que libertá-lo em bruto.</p>
<p>Esta fonte de energia, simplesmente foi queimada durante anos, sem qualquer utilidade. Hoje em dia, a indústria do Bitcoin está aproveitando essa energia desperdiçada, utilizando o calor da queima para gerar energia elétrica e com ela, minerar Bitcoin.</p>
<p>Ou seja, com ou sem mineração, a poluição já existe, a mineração apenas aproveita o recurso, dá utilidade. Este processo não aumenta as emissões, pelo contrário, até reduz as emissões, é carbono negativo, mas isto é um assunto altamente complexo, fica para uma explicação mais tarde.</p>
<p>Estudos indicam que apenas uma parte do gás metano é queimado, devido ao seu custo e à escassa fiscalização, muitas explorações petrolíferas acabam por fraudar, libertando o metano diretamente, sem queimar.</p>
<p>Agora como a atividade é lucrativa, existe um incentivo para fazer o correto, sem fraudes. Isto vai permitir estimar, o valor mais aproximado do metano queimado, até agora esse valor era subestimado.</p>
<p>O metano não existe só na exploração petrolífera, também existe nas instalações de produção agrícola e em aterros de resíduos urbanos.</p>
<h1>Conclusão</h1>
<p>A indústria de mineração de bitcoin é extremamente exigente, o custo de energia é essencial, por isso procuram pelas energias mais baratas em todo o mundo. Hoje em dia, já não é viável economicamente para as mineradoras, a utilização de energia com origem fóssil.</p>
<p>Agora os mineradores procuram por energias ociosas/excedentes, renováveis e apostam na produção própria.</p>
<p>A ideia de que a mineração de bitcoin é muito poluente, não corresponde à verdade.</p>
]]></content:encoded>
      <itunes:author><![CDATA[reiartur]]></itunes:author>
      <itunes:summary><![CDATA[<p>Antes de ver se é ou não muito poluente, é necessário compreender que consumir energia, nem sempre significa que é necessário produzir mais energia, consequentemente poluindo mais. Podemos consumir energias que existem em abundância, que atualmente estão a ser desperdiçadas, que não são aproveitadas por ninguém.</p>
<p>Vamos imaginar uma árvore que consome 1000 litros de água, com isso produz 1000 maçãs. Mas o agricultor apenas consegue vender 800 maçãs, as outras 200 maçãs vão acabar por apodrecer e vão parar ao lixo.</p>
<p>Não comer as 200 maçãs, não significa que vamos poupar 200 litros de água. A água já foi consumida pela árvore, é indiferente se as maçãs são ou não comidas. É claro que é mais sustentável que todas as maçãs sejam consumidas e também mais lucrativas para os agricultores.</p>
<p>Por esse motivo, a fruta que não é vendida para o consumo direto, o agricultor acaba por vender por preços muito inferiores para a indústria das bebidas, é uma medida totalmente sustentável.</p>
<p>É exatamente isto, que parte da mineração de Bitcoin faz, consome energia que existe por toda a parte, que não é consumida, a chamada energia ociosa ou desperdiçada. A energia ociosa, como as 200 maçãs, não representa mais poluição mas sim mais sustentabilidade. Já que a energia existe, vamos aproveitar para algo útil, em vez de a “jogar para o lixo”.</p>
<p>A energia ociosa está por toda a parte, locais onde existe excesso de produção, locais onde existem muitos recursos naturais, mas não existe consumo.</p>
<h1>Estabilidade da rede</h1>
<p>O crescimento da energia de origem Eólica e Solar criou um problema de estabilidade nas redes elétricas, devido à sua intermitência.</p>
<p>Quando a energia era essencialmente de origem fóssil, a energia era gerada consoante a necessidade do consumo. De dia colocava-se mais carvão nas caldeiras, à noite/madrugada teria que ser bem menos carvão.</p>
<p>Se de dia é consumido 100, é necessário produzir 101. Se de madrugada for 70, tem que ser produzido 71. Com o carvão era fácil estabilizar a rede elétrica, bastava controlar a quantidade de carvão que se colocava nas caldeiras.</p>
<p>Como as energia de origem Eólica e Solar, a geração de energia está condicionada às condições meteorológicas. Se for um dia com muito vento, o vento não pode ser desligado nem os aerogeradores podem ser desligados. É indiferente se existe ou não consumo, essa energia é gerada.</p>
<p>No caso da energia de origem hídrica, por norma a geração pode ser controlada, excepto quando a barragem(usina) está na capacidade máxima, nesse caso são obrigados a descarregar a água.</p>
<p><img src="https://image.nostr.build/f4cf45a352c8e6b98998243b1b16ce1b9e7dc994d21181dcf32ff90cef5cc24e.jpg" alt=""></p>
<p>No gráfico é notório o descasamento entre a geração e o consumo, a geração foi muito superior ao consumo.</p>
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<p>No mesmo dia, o preço da energia chegou a zero, não havia consumidores para tanta energia. Este excedente de energia pode ser utilizado pelos mineradores, é exatamente isto, o que está a acontecer no Texas, EUA. Este excedente que não seria utilizado e como é muito barato é consumido pela indústria do bitcoin. Quando não existe excedente, os mineradores são obrigados, por lei, a desligar as máquinas.</p>
<p>Com o crescimento das renováveis, o papel dos mineradores será cada vez mais essencial. Esta energia não é criada com o objeto da mineração, é um excedente que existe no mercado, logo não aumenta a poluição, é totalmente sustentável.</p>
<h1>Novos recursos renováveis</h1>
<p>A indústria de mineração está também aproveitando os recursos naturais e renováveis, que não são explorados por questões de viabilidade económica, permitindo ajudar as populações ao seu redor.</p>
<p>Em África ou em locais muito recônditos, as empresas de mineração estão a construir pequenas barragens(usinas) hidroeléctricas em localidades onde existem condições naturais, só que existe pouca população ao seu redor, como os consumos são baixos, esses projetos não são viáveis economicamente. A única alternativa para as populações, era consumir energia com origem não renováveis. Com a mineração, esses projetos tornam-se viáveis economicamente, uma parte da energia gerada é vendida à população e o restante é utilizado para minerar bitcoin. É o chamado Win Win, a população tem uma fonte de energia mais barata e renovável e a empresa de mineração tem lucros que permite financiar a construção das instalações e ter lucros.</p>
<p>Existem países com abundância de energia hídrica como os países nórdicos, Paraguai, Canadá ou o Reino do Butão. O Butão, é um caso curioso, como é um país com pouca população, mas com muita água, que permite ter uma elevada capacidade de produção energética. Mas só uma parte dessa capacidade é consumida, por isso, o governo está a utilizar esse excesso de energia para minerar bitcoin. Também existe o caso de El Salvador, que utiliza a energia termoelétrica, quase inesgotável, dos seus vulcões. Em ambos os casos 100% renováveis, com reduzidas ou nulas emissão de gases com efeito estufa.</p>
<p>Além de não ser poluente, a mineração é um incentivo para o desenvolvimento e para uma maior produção de energias renováveis.</p>
<h1>Metano</h1>
<p>Outra fonte de energia muito despercebida, é o metano. Todos nós temos aquela imagem dos poços de petróleo, com uma chaminé a queimar gás metano. Devido ao metano ser muito prejudicial para a camada do ozono, é preferível queimá-lo, do que libertá-lo em bruto.</p>
<p>Esta fonte de energia, simplesmente foi queimada durante anos, sem qualquer utilidade. Hoje em dia, a indústria do Bitcoin está aproveitando essa energia desperdiçada, utilizando o calor da queima para gerar energia elétrica e com ela, minerar Bitcoin.</p>
<p>Ou seja, com ou sem mineração, a poluição já existe, a mineração apenas aproveita o recurso, dá utilidade. Este processo não aumenta as emissões, pelo contrário, até reduz as emissões, é carbono negativo, mas isto é um assunto altamente complexo, fica para uma explicação mais tarde.</p>
<p>Estudos indicam que apenas uma parte do gás metano é queimado, devido ao seu custo e à escassa fiscalização, muitas explorações petrolíferas acabam por fraudar, libertando o metano diretamente, sem queimar.</p>
<p>Agora como a atividade é lucrativa, existe um incentivo para fazer o correto, sem fraudes. Isto vai permitir estimar, o valor mais aproximado do metano queimado, até agora esse valor era subestimado.</p>
<p>O metano não existe só na exploração petrolífera, também existe nas instalações de produção agrícola e em aterros de resíduos urbanos.</p>
<h1>Conclusão</h1>
<p>A indústria de mineração de bitcoin é extremamente exigente, o custo de energia é essencial, por isso procuram pelas energias mais baratas em todo o mundo. Hoje em dia, já não é viável economicamente para as mineradoras, a utilização de energia com origem fóssil.</p>
<p>Agora os mineradores procuram por energias ociosas/excedentes, renováveis e apostam na produção própria.</p>
<p>A ideia de que a mineração de bitcoin é muito poluente, não corresponde à verdade.</p>
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      <title><![CDATA[Onde...]]></title>
      <description><![CDATA[Um conjunto de interrogações deste novo normal.]]></description>
             <itunes:subtitle><![CDATA[Um conjunto de interrogações deste novo normal.]]></itunes:subtitle>
      <pubDate>Fri, 05 Jul 2024 16:05:42 GMT</pubDate>
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      <dc:creator><![CDATA[reiartur]]></dc:creator>
      <content:encoded><![CDATA[<p>Estamos numa época tão estranha da humanidade…</p>
<p>Onde alguns querem reescrever a história, em vez de aprender e evoluir com a mesma. São com os erros que se cresce.</p>
<p>Onde o termo fascista é sinónimo de alguém com uma opinião diferente da sua, sem minimamente saber o real significado dessa palavra.</p>
<p>Onde defendem uma liberdade, que proíba o contraditório.</p>
<p>Onde não se discutem ideias, mas sim combatem ideias.</p>
<p>Onde o ambientalmente sustentável é substituir árvores e zonas verdes por estruturas em aço e zonas negras.</p>
<p>Onde os políticos constroem casas ou cidades, literalmente, em cima dos rios mas depois a culpa das cheias é as alterações climáticas.</p>
<p>Onde os alimentos tem menos importância que um peido de uma vaca.</p>
<p>Onde pessoas defendem que a solução para o aquecimento, é morrer de frio.</p>
<p>Onde a igualdade é favorecer um grupo, em detrimento de outro.</p>
<p>Onde o essencial é viver para consumir, em vez de usufruir.</p>
<p>Onde o importante é ser rico e ostentar essa mesma riqueza, mesmo que tenha de espezinhar outros para a conquistar.</p>
<p>Onde o mais importante é parecer em vez de ser.</p>
<p>Onde políticos defendem que o conhecimento pode levar a escolhas erradas, defendem o carneirismo.</p>
<p>Onde um político define o que é verdade ou mentira, limitando o que as pessoas podem expressar. Mas quem controla o controlador.</p>
<p>Onde os revisores da verdade deixaram de estar num gabinete, passando a ser um exército de jovens atrás de um teclado.</p>
<p>Onde, são propostas e aprovadas limitações de liberdade, sem esclarecimento ou divulgação pública. Pior que a obscuridade, é desinteresse da comunidade por liberdade.</p>
<p>Onde a censura é o novo normal, defender o contrário é que é censurável.</p>
<p>Onde a imprensa é tão livre como uma pomba dentro de sua gaiola.</p>
<p>Onde, quem comete o crime é protegido, quem o denúncia é perseguido.</p>
<p>Onde o certo é pensar com a cabeça dos outros, sem questionar.</p>
<p>Onde os pais delegaram o papel de educar às escolas e aos ecrãs azuis.</p>
<p>Onde a escola deixou de ser um lugar de conhecimento e/ou do desenvolvimento do espírito crítico.</p>
<p>Onde as crianças crescem doutrinados por políticos e por AI.</p>
<p>Onde a sociedade é programada e com um destino predefinido, como um rato dentro da sua roda.</p>
<p>Onde o maior erro, é pretender construir seres que não cometem erros, que não tenham vícios. Quando isso acontecer, deixamos de ser humanos. A imperfeição é a essência dos seres humanos, é o que nos difere das máquinas.</p>
<p>Onde só se ensina a não cair, em vez de ajudar e incentivar a levantar.</p>
<p>Onde se suspende a liberdade de circulação e os direitos mais básicos, sem ninguém questionar.</p>
<p>Onde a privacidade é crime.</p>
<p>Onde Satoshi é excomungado, mas Miguel Tiago é idoleterado.</p>
<p>Onde a moeda é utilizado como uma arma.</p>
<p>Onde uma guerra é digladiada entre zeros e uns, sem o comum mortal aperceber da sua existência.</p>
<p>Onde crianças caem em campos de batalha, como folhas em pleno outono.</p>
<p>Onde o direito ao Livre-arbítrio está sob ameaça.</p>
]]></content:encoded>
      <itunes:author><![CDATA[reiartur]]></itunes:author>
      <itunes:summary><![CDATA[<p>Estamos numa época tão estranha da humanidade…</p>
<p>Onde alguns querem reescrever a história, em vez de aprender e evoluir com a mesma. São com os erros que se cresce.</p>
<p>Onde o termo fascista é sinónimo de alguém com uma opinião diferente da sua, sem minimamente saber o real significado dessa palavra.</p>
<p>Onde defendem uma liberdade, que proíba o contraditório.</p>
<p>Onde não se discutem ideias, mas sim combatem ideias.</p>
<p>Onde o ambientalmente sustentável é substituir árvores e zonas verdes por estruturas em aço e zonas negras.</p>
<p>Onde os políticos constroem casas ou cidades, literalmente, em cima dos rios mas depois a culpa das cheias é as alterações climáticas.</p>
<p>Onde os alimentos tem menos importância que um peido de uma vaca.</p>
<p>Onde pessoas defendem que a solução para o aquecimento, é morrer de frio.</p>
<p>Onde a igualdade é favorecer um grupo, em detrimento de outro.</p>
<p>Onde o essencial é viver para consumir, em vez de usufruir.</p>
<p>Onde o importante é ser rico e ostentar essa mesma riqueza, mesmo que tenha de espezinhar outros para a conquistar.</p>
<p>Onde o mais importante é parecer em vez de ser.</p>
<p>Onde políticos defendem que o conhecimento pode levar a escolhas erradas, defendem o carneirismo.</p>
<p>Onde um político define o que é verdade ou mentira, limitando o que as pessoas podem expressar. Mas quem controla o controlador.</p>
<p>Onde os revisores da verdade deixaram de estar num gabinete, passando a ser um exército de jovens atrás de um teclado.</p>
<p>Onde, são propostas e aprovadas limitações de liberdade, sem esclarecimento ou divulgação pública. Pior que a obscuridade, é desinteresse da comunidade por liberdade.</p>
<p>Onde a censura é o novo normal, defender o contrário é que é censurável.</p>
<p>Onde a imprensa é tão livre como uma pomba dentro de sua gaiola.</p>
<p>Onde, quem comete o crime é protegido, quem o denúncia é perseguido.</p>
<p>Onde o certo é pensar com a cabeça dos outros, sem questionar.</p>
<p>Onde os pais delegaram o papel de educar às escolas e aos ecrãs azuis.</p>
<p>Onde a escola deixou de ser um lugar de conhecimento e/ou do desenvolvimento do espírito crítico.</p>
<p>Onde as crianças crescem doutrinados por políticos e por AI.</p>
<p>Onde a sociedade é programada e com um destino predefinido, como um rato dentro da sua roda.</p>
<p>Onde o maior erro, é pretender construir seres que não cometem erros, que não tenham vícios. Quando isso acontecer, deixamos de ser humanos. A imperfeição é a essência dos seres humanos, é o que nos difere das máquinas.</p>
<p>Onde só se ensina a não cair, em vez de ajudar e incentivar a levantar.</p>
<p>Onde se suspende a liberdade de circulação e os direitos mais básicos, sem ninguém questionar.</p>
<p>Onde a privacidade é crime.</p>
<p>Onde Satoshi é excomungado, mas Miguel Tiago é idoleterado.</p>
<p>Onde a moeda é utilizado como uma arma.</p>
<p>Onde uma guerra é digladiada entre zeros e uns, sem o comum mortal aperceber da sua existência.</p>
<p>Onde crianças caem em campos de batalha, como folhas em pleno outono.</p>
<p>Onde o direito ao Livre-arbítrio está sob ameaça.</p>
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      <title><![CDATA[De Bogalho a Paupério]]></title>
      <description><![CDATA[Novos políticos, mas velhos problemas e alguns episódios da política nacional em plenas eleições.]]></description>
             <itunes:subtitle><![CDATA[Novos políticos, mas velhos problemas e alguns episódios da política nacional em plenas eleições.]]></itunes:subtitle>
      <pubDate>Tue, 14 May 2024 15:49:43 GMT</pubDate>
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      <dc:creator><![CDATA[reiartur]]></dc:creator>
      <content:encoded><![CDATA[<p>Sou um grande defensor que é necessário a entrada de sangue novo na política, são muito poucos os jovens que conseguem se destacar. A classe política está muito envelhecida, os jovens têm pouco interesse na participação pública. Nestas eleições europeias, surgem dois candidatos jovens, um é incongruente e o outro nem consigo o classificar.</p>
<p>O Bogalho, além da idiotice das 7 quinas, há meia dúzia de anos era contra a UE e agora é candidato ao parlamento europeu, bastante incongruente.</p>
<p>Agora vamos ao Francisco Paupério, candidato pelo partido Livre, que foi eleito de uma maneira muito peculiar. Eu até simpatizo com Rui Tavares, apesar de concordar pouco com as suas ideias. São mais as vezes que discordo que concordo, mas eu acho que é um tipo inteligente, é congruente no seu pensamento e nas suas ideias, é um bom contraditório. Mas o Paupério não tem nada que se compare com o Rui Tavares, e ontem num debate político televisivo para as europeias foi o pináculo da idiotice.</p>
<p>Paupério disse:</p>
<blockquote>
<p>Estima-se que, até 2050, vão existir 200 milhões de refugiados climáticos. Esses refugiados climáticos vêm, sobretudo, das zonas do Médio Oriente e do norte de África e vão ter o objetivo de chegar à União Europeia, à procura da liberdade e da democracia que tanto defendemos.</p>
</blockquote>
<p><np-embed url="https://twitter.com/VascoMelo76/status/1790260984189272187"><a href="https://twitter.com/VascoMelo76/status/1790260984189272187">https://twitter.com/VascoMelo76/status/1790260984189272187</a></np-embed></p>
<p>Na mesma frase ele consegue contradizer-se, dizendo que são “refugiados climáticos”, mas logo a seguir diz que estes vêm para a Europa à procura de Liberdade e Democracia.</p>
<p>Afinal são “refugiados climáticos” ou são “refugiados políticos”?<br>Porque a justificação que ele apresentou, é por motivos políticos e não climáticos.</p>
<p>Na realidade estes 200 milhões, não são “refugiados climáticos”, nem “refugiados políticos” e nem refugiados são, são apenas emigrantes por motivos económicos, apenas isso, pessoas que procuram construir uma melhor vida para si e para a sua família.</p>
<p>200 milhões, correspondia a um aumento de 50% na população da UE, é completamente incomportável. Os EUA também estão numa situação similar, e os políticos de ambos não conseguem arranjar uma solução. Os políticos não procuram soluções para o problema, apenas paliativos. Não atacam a causa, mas sim o sintoma.</p>
<p>A abertura de fronteiras não é solução, como a construção de muros ou fronteiras mais musculadas, deportações também não é a solução, são apenas paliativos.<br>Estas pessoas estão desesperadas, preferem arriscar a sua vida em vez de ficarem no seu país natal. São pessoas que atravessam o mar mediterrâneo em jangadas ou barcos de borracha, nos EUA percorrem milhares de quilómetros, desde da América do Sul, ultrapassam desertos. Não vai ser um muro ou uma fronteira que os vai desmobilizar, eles vão entrar de qualquer jeito.</p>
<p>Esta gente são emigrantes económicos, a única solução é melhorar a condição económica dos seus países de origem. Se esses países estiverem bem economicamente, as pessoas têm menos motivos para emigrar ou emigram para um país vizinho que esteja melhor economicamente.<br>A economia destes países tem se degradado nas últimas duas décadas, após 2020 ainda se acentuou mais. Estes países sempre tiveram problemas internos, mas agora agravaram-se fortemente com a expansão monetária do dólar nas duas últimas décadas.</p>
<p>Como o dólar é a moeda de reserva mundial, os EUA ao expandir a sua moeda “exportam” inflação para o mundo inteiro. Além da exportação de inflação, a taxa de juro elevada, os bonds elevados, toda esta política monetária desastrosa está a sugar a riqueza de todos os países do mundo. Os mais afetados são os países mais pobres, além da inflação do dólar, sofre de uma forte desvalorização da sua própria moeda, tem como consequência uma inflação galopante. É o efeito Cantillon a nível global, destruindo por completo as economias mais débeis. As crises são tão severas que as pessoas veem a emigração como a única solução.</p>
<p>Curiosamente os EUA estão a sofrer de um problema que eles próprios criaram, quem semeia ventos colhe tempestades.</p>
<p>A única solução é corrigir a política monetária.</p>
<p>Fix the Money, Fix the World!</p>
<p>Voltando ao Paupério e para finalizar. Aquela declaração é simplesmente uma idiotice. É impossível acolher dignamente, integrar essas pessoas, ter casas para eles, quando os números são dessa magnitude. É simplesmente impossível.</p>
<p>Isso não está relacionado com racismo ou nacionalismo, é simplesmente bom senso, equilíbrio. Portugal recebeu 1 milhão nos últimos anos e já está a rebentar pelas costuras, como ficará o país se receber mais 4 milhões? nem quero imaginar. </p>
<p>Ontem ouvi um caso de um T0, onde vivem 9 pessoas, é inacreditável, como é possível viver tanta gente numa casa tão pequena. Isto não é digno para ninguém.</p>
<p>Cada vez mais estou receoso no futuro de Portugal.</p>
]]></content:encoded>
      <itunes:author><![CDATA[reiartur]]></itunes:author>
      <itunes:summary><![CDATA[<p>Sou um grande defensor que é necessário a entrada de sangue novo na política, são muito poucos os jovens que conseguem se destacar. A classe política está muito envelhecida, os jovens têm pouco interesse na participação pública. Nestas eleições europeias, surgem dois candidatos jovens, um é incongruente e o outro nem consigo o classificar.</p>
<p>O Bogalho, além da idiotice das 7 quinas, há meia dúzia de anos era contra a UE e agora é candidato ao parlamento europeu, bastante incongruente.</p>
<p>Agora vamos ao Francisco Paupério, candidato pelo partido Livre, que foi eleito de uma maneira muito peculiar. Eu até simpatizo com Rui Tavares, apesar de concordar pouco com as suas ideias. São mais as vezes que discordo que concordo, mas eu acho que é um tipo inteligente, é congruente no seu pensamento e nas suas ideias, é um bom contraditório. Mas o Paupério não tem nada que se compare com o Rui Tavares, e ontem num debate político televisivo para as europeias foi o pináculo da idiotice.</p>
<p>Paupério disse:</p>
<blockquote>
<p>Estima-se que, até 2050, vão existir 200 milhões de refugiados climáticos. Esses refugiados climáticos vêm, sobretudo, das zonas do Médio Oriente e do norte de África e vão ter o objetivo de chegar à União Europeia, à procura da liberdade e da democracia que tanto defendemos.</p>
</blockquote>
<p><np-embed url="https://twitter.com/VascoMelo76/status/1790260984189272187"><a href="https://twitter.com/VascoMelo76/status/1790260984189272187">https://twitter.com/VascoMelo76/status/1790260984189272187</a></np-embed></p>
<p>Na mesma frase ele consegue contradizer-se, dizendo que são “refugiados climáticos”, mas logo a seguir diz que estes vêm para a Europa à procura de Liberdade e Democracia.</p>
<p>Afinal são “refugiados climáticos” ou são “refugiados políticos”?<br>Porque a justificação que ele apresentou, é por motivos políticos e não climáticos.</p>
<p>Na realidade estes 200 milhões, não são “refugiados climáticos”, nem “refugiados políticos” e nem refugiados são, são apenas emigrantes por motivos económicos, apenas isso, pessoas que procuram construir uma melhor vida para si e para a sua família.</p>
<p>200 milhões, correspondia a um aumento de 50% na população da UE, é completamente incomportável. Os EUA também estão numa situação similar, e os políticos de ambos não conseguem arranjar uma solução. Os políticos não procuram soluções para o problema, apenas paliativos. Não atacam a causa, mas sim o sintoma.</p>
<p>A abertura de fronteiras não é solução, como a construção de muros ou fronteiras mais musculadas, deportações também não é a solução, são apenas paliativos.<br>Estas pessoas estão desesperadas, preferem arriscar a sua vida em vez de ficarem no seu país natal. São pessoas que atravessam o mar mediterrâneo em jangadas ou barcos de borracha, nos EUA percorrem milhares de quilómetros, desde da América do Sul, ultrapassam desertos. Não vai ser um muro ou uma fronteira que os vai desmobilizar, eles vão entrar de qualquer jeito.</p>
<p>Esta gente são emigrantes económicos, a única solução é melhorar a condição económica dos seus países de origem. Se esses países estiverem bem economicamente, as pessoas têm menos motivos para emigrar ou emigram para um país vizinho que esteja melhor economicamente.<br>A economia destes países tem se degradado nas últimas duas décadas, após 2020 ainda se acentuou mais. Estes países sempre tiveram problemas internos, mas agora agravaram-se fortemente com a expansão monetária do dólar nas duas últimas décadas.</p>
<p>Como o dólar é a moeda de reserva mundial, os EUA ao expandir a sua moeda “exportam” inflação para o mundo inteiro. Além da exportação de inflação, a taxa de juro elevada, os bonds elevados, toda esta política monetária desastrosa está a sugar a riqueza de todos os países do mundo. Os mais afetados são os países mais pobres, além da inflação do dólar, sofre de uma forte desvalorização da sua própria moeda, tem como consequência uma inflação galopante. É o efeito Cantillon a nível global, destruindo por completo as economias mais débeis. As crises são tão severas que as pessoas veem a emigração como a única solução.</p>
<p>Curiosamente os EUA estão a sofrer de um problema que eles próprios criaram, quem semeia ventos colhe tempestades.</p>
<p>A única solução é corrigir a política monetária.</p>
<p>Fix the Money, Fix the World!</p>
<p>Voltando ao Paupério e para finalizar. Aquela declaração é simplesmente uma idiotice. É impossível acolher dignamente, integrar essas pessoas, ter casas para eles, quando os números são dessa magnitude. É simplesmente impossível.</p>
<p>Isso não está relacionado com racismo ou nacionalismo, é simplesmente bom senso, equilíbrio. Portugal recebeu 1 milhão nos últimos anos e já está a rebentar pelas costuras, como ficará o país se receber mais 4 milhões? nem quero imaginar. </p>
<p>Ontem ouvi um caso de um T0, onde vivem 9 pessoas, é inacreditável, como é possível viver tanta gente numa casa tão pequena. Isto não é digno para ninguém.</p>
<p>Cada vez mais estou receoso no futuro de Portugal.</p>
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      <title><![CDATA[Quo vadis Portugal?]]></title>
      <description><![CDATA[Do milagre de Ourique ao Paganismo.]]></description>
             <itunes:subtitle><![CDATA[Do milagre de Ourique ao Paganismo.]]></itunes:subtitle>
      <pubDate>Tue, 24 Oct 2023 10:55:46 GMT</pubDate>
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      <category>psicologia</category>
      
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      <dc:creator><![CDATA[Tiago G]]></dc:creator>
      <content:encoded><![CDATA[<p><img src="https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/9/9c/BatalhaOurique.jpg/800px-BatalhaOurique.jpg" alt="image"></p>
<p>Para quem possa estar a ler este texto e seja mais jovem, esta mensagem é para ti. Provavelmente nasceste, assim como eu, numa época onde se sentia que a religião era uma coisa do passado. Multiplicavam-se as mensagens na cultura pop a desqualificar a religião como uma doutrina bafienta, obsoleta que não se atualizava e não se adaptava à modernidade. A mensagem que ganhava mais destaque era a de que não era cool ser religioso, que as únicas pessoas que o eram seriam as pessoas fracas nas suas convicções e que tinham sido vítimas de uma forte lavagem cerebral. Tudo servia para desconstruir e diluir a presença da doutrina moral da igreja na sociedade. Entretenimento, agendas políticas, cultura, ciência, arte, informação, todos estes alicerces da sociedade ratificam a mesma tese: precisamos de nos modernizar e atualizar o nosso modus vivendi. António Gramsci é um dos exemplos de pensadores que estão por detrás desta transformação social, propondo que se faça primeiro uma revolução cultural para que seguidamente se faça a revolução política, e assim foi.</p>
<p><img src="https://i.ytimg.com/vi/mEf9_dgqZGM/sddefault.jpg" alt="image"><br>Diácono remédios - Provedor da Herman Enciclopédia</p>
<p>Tudo na cultura indicava outras direções para a consagração de uma “evolução” nos costumes e na convivência entre as pessoas. Antes tudo era na aparência sangrento e eivado de restrições, agora tudo é e será liberdade e Iluminismo. </p>
<p>Este movimento de esvaziamento da cultura católica era justificado como sendo necessário pois imbuído do espírito revolucionário acreditava-se que tratava de repor a verdade e  acabar com as restrições que a religião colocou na sociedade portuguesa, contudo teve o resultado talvez inesperado para alguns de produzir não um estado laico na sua conceção utópica mas sim um estado que professa uma religião pagã. Esta religião havia de ter também as suas restrições e dogmas além de produzir os seus próprios mitos para agregar socialmente em torno da ideologia. </p>
<p>O creacionismo  por exemplo era coisa de outro tempo, agora havia que inventar uma cosmovisão diferente, em que o universo é rei e senhor e o milagre que está na génese da criação é o Big Bang. Nada mais que um truque retórico que nos desvia do creacionismo católico criando novos mitos cosmológicos mas não responde às questões de fundo: porquê algo em vez de nada ? Que obra existe sem criador ? Este truque retórico funciona porque quando nos apegamos às coisas do mundo, as descrições físicas e materialistas da realidade, estamos como que demasiado entretidos intelectualmente para subir de nível de análise e colocar as questões no plano metafísico. Sem essa organização psíquica que nos permita desenvolver uma interpretação metafísica da realidade objetiva estamos suscetíveis a que esse espaço deixado vago possa ser ocupado pela ideologia vigente, presa a um tempo, um espaço e manchada por um oportunismo político que procura conquistar tudo o que é nosso começando por instilar ideias de forma subtil, por vezes quase impercetível. </p>
<p>O filósofo brasileiro Olavo de Carvalho, na sua crítica ao marxismo, diz-nos que as ideias marxistas tornam-se de tal forma insidiosas que ao dominar educação e cultura fabricam cidadãos socialistas que não se apercebem que estão a fazer o apostolado ao socialismo. Os menos humildes de entre nós julgam que as ideias que possuem foram forjadas por si mesmos, no entanto, se lhes perguntarmos se conhecem a origem filosófica de determinadas ideias serão frequentemente incapazes de o identificar. Com a humildade vem o reconhecimento de que somos todos extremamente influenciáveis e de que determinadas escolas de pensamento nos podem ter capturado, usando-nos como armamento para a disseminação de determinadas ideias. Estas ideologias são como predadores famintos esperando pacientemente encontrar vulnerabilidades na sua presa para poderem explorar essas fraquezas e ganhar terreno. </p>
<p>A procura de uma matriz de organização da realidade, um significado fundamental, é um instinto humano, um instinto religioso, e quando não preenchido pode então ser parasitado por “religiões” muitas delas  primitivas. Desengane-se quem pensa que o ateísmo, o materialismo ou o relativismo não é uma religião, nada poderia estar mais longe da verdade. Após exame consciente daquilo a que o ateísmo se propunha a fazer, libertar o ser humano dos seus preconceitos e da tirania da doutrina religiosa que se afirmava sobre os desejos hedonísticos das pessoas, percebemos que o ateísmo não só não conseguiu fazer isso porque não nos livra da culpa como deixou muito pouco de humano em nós. Numa concepção ateísta e relativista tudo é passível de ser questionado, até ao axioma mais básico levando a que categorias semânticas como “homem”, “mulher” e “ser humano” sejam agora veículos de discórdia e confusão quanto á sua definição.</p>
<p><img src="https://www.dymocks.com.au/Pages/ImageHandler.ashx?q=9781956007008&amp;w=&amp;h=570" alt="image"><br>What is a Woman - Documentário de Matt Walsh que aborda as questões da identidade de género</p>
<p>Ainda assim, como vemos plasmado na sociedade atual há uma teoria sobre a virtude em que o que é determinado pela massa  da população é o “bom” e o que é para ser seguido, mesmo quando incoerente do ponto de vista lógico ou atentatório contra a natureza humana. Nesta nova religião o subjetivismo exuberante levou a que a arte perdesse aspirações estéticas dedicando-se quase exclusivamente á afronta e ao desafio ao status quo que nada mais é que a disseminação das ideias da ideologia que vigora. No domínio da ciência, esta está cada vez mais refém da ideologia servindo os interesses da mesma. Quanto à moral, não é possível não possuir um teoria sobre de bem e sobre o mal sem um dogma, e aqui nestas novas religiões existem vários dogmas e rituais sacramentais tal como nas religiões tradicionais. Seja a glorificação do materialismo, a celebração de uma suposta “evolução” do ser humano, ou a elevação do sexo a um plano mais elevado de atenção, estes e outros dogmas fazem parte desta religião. </p>
<p>Assim lembremos as palavras de Ralph Waldo Emerson quando nos diz que o ser humano irá sempre venerar algo e que nos tornamos naquilo que veneramos, ou seja o que ocupa a nossa imaginação e os nossos pensamentos irá também determinar o nosso carácter. Portanto, cuidemos de escolher que objetos colocamos nos nossos “altares” e o que vamos venerar pois isso estará na base da criação da sociedade futura. Não existe a opção não ter religião, existe sim a opção de deixar na escuridão do inconsciente a principal força motivacional que está na base de um sistema perceptivo. De qualquer modo, algo tem de ocupar o lugar mais elevado na nossa hierarquia moral a questão é: o que deverá ser ?</p>
<p>Se quiseres apoiar o meu trabalho podes enviar BTC através do seguinte endereço lightning:</p>
<p><a href="mailto:tvieiragoncalves@getalby.com">tvieiragoncalves@getalby.com</a></p>
<p><np-embed url="https://getalby.com/p/tvieiragoncalves"><a href="https://getalby.com/p/tvieiragoncalves">https://getalby.com/p/tvieiragoncalves</a></np-embed></p>
<p><a href="mailto:tiagogoncalves@walletofsatoshi.com">tiagogoncalves@walletofsatoshi.com</a></p>
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      <itunes:author><![CDATA[Tiago G]]></itunes:author>
      <itunes:summary><![CDATA[<p><img src="https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/9/9c/BatalhaOurique.jpg/800px-BatalhaOurique.jpg" alt="image"></p>
<p>Para quem possa estar a ler este texto e seja mais jovem, esta mensagem é para ti. Provavelmente nasceste, assim como eu, numa época onde se sentia que a religião era uma coisa do passado. Multiplicavam-se as mensagens na cultura pop a desqualificar a religião como uma doutrina bafienta, obsoleta que não se atualizava e não se adaptava à modernidade. A mensagem que ganhava mais destaque era a de que não era cool ser religioso, que as únicas pessoas que o eram seriam as pessoas fracas nas suas convicções e que tinham sido vítimas de uma forte lavagem cerebral. Tudo servia para desconstruir e diluir a presença da doutrina moral da igreja na sociedade. Entretenimento, agendas políticas, cultura, ciência, arte, informação, todos estes alicerces da sociedade ratificam a mesma tese: precisamos de nos modernizar e atualizar o nosso modus vivendi. António Gramsci é um dos exemplos de pensadores que estão por detrás desta transformação social, propondo que se faça primeiro uma revolução cultural para que seguidamente se faça a revolução política, e assim foi.</p>
<p><img src="https://i.ytimg.com/vi/mEf9_dgqZGM/sddefault.jpg" alt="image"><br>Diácono remédios - Provedor da Herman Enciclopédia</p>
<p>Tudo na cultura indicava outras direções para a consagração de uma “evolução” nos costumes e na convivência entre as pessoas. Antes tudo era na aparência sangrento e eivado de restrições, agora tudo é e será liberdade e Iluminismo. </p>
<p>Este movimento de esvaziamento da cultura católica era justificado como sendo necessário pois imbuído do espírito revolucionário acreditava-se que tratava de repor a verdade e  acabar com as restrições que a religião colocou na sociedade portuguesa, contudo teve o resultado talvez inesperado para alguns de produzir não um estado laico na sua conceção utópica mas sim um estado que professa uma religião pagã. Esta religião havia de ter também as suas restrições e dogmas além de produzir os seus próprios mitos para agregar socialmente em torno da ideologia. </p>
<p>O creacionismo  por exemplo era coisa de outro tempo, agora havia que inventar uma cosmovisão diferente, em que o universo é rei e senhor e o milagre que está na génese da criação é o Big Bang. Nada mais que um truque retórico que nos desvia do creacionismo católico criando novos mitos cosmológicos mas não responde às questões de fundo: porquê algo em vez de nada ? Que obra existe sem criador ? Este truque retórico funciona porque quando nos apegamos às coisas do mundo, as descrições físicas e materialistas da realidade, estamos como que demasiado entretidos intelectualmente para subir de nível de análise e colocar as questões no plano metafísico. Sem essa organização psíquica que nos permita desenvolver uma interpretação metafísica da realidade objetiva estamos suscetíveis a que esse espaço deixado vago possa ser ocupado pela ideologia vigente, presa a um tempo, um espaço e manchada por um oportunismo político que procura conquistar tudo o que é nosso começando por instilar ideias de forma subtil, por vezes quase impercetível. </p>
<p>O filósofo brasileiro Olavo de Carvalho, na sua crítica ao marxismo, diz-nos que as ideias marxistas tornam-se de tal forma insidiosas que ao dominar educação e cultura fabricam cidadãos socialistas que não se apercebem que estão a fazer o apostolado ao socialismo. Os menos humildes de entre nós julgam que as ideias que possuem foram forjadas por si mesmos, no entanto, se lhes perguntarmos se conhecem a origem filosófica de determinadas ideias serão frequentemente incapazes de o identificar. Com a humildade vem o reconhecimento de que somos todos extremamente influenciáveis e de que determinadas escolas de pensamento nos podem ter capturado, usando-nos como armamento para a disseminação de determinadas ideias. Estas ideologias são como predadores famintos esperando pacientemente encontrar vulnerabilidades na sua presa para poderem explorar essas fraquezas e ganhar terreno. </p>
<p>A procura de uma matriz de organização da realidade, um significado fundamental, é um instinto humano, um instinto religioso, e quando não preenchido pode então ser parasitado por “religiões” muitas delas  primitivas. Desengane-se quem pensa que o ateísmo, o materialismo ou o relativismo não é uma religião, nada poderia estar mais longe da verdade. Após exame consciente daquilo a que o ateísmo se propunha a fazer, libertar o ser humano dos seus preconceitos e da tirania da doutrina religiosa que se afirmava sobre os desejos hedonísticos das pessoas, percebemos que o ateísmo não só não conseguiu fazer isso porque não nos livra da culpa como deixou muito pouco de humano em nós. Numa concepção ateísta e relativista tudo é passível de ser questionado, até ao axioma mais básico levando a que categorias semânticas como “homem”, “mulher” e “ser humano” sejam agora veículos de discórdia e confusão quanto á sua definição.</p>
<p><img src="https://www.dymocks.com.au/Pages/ImageHandler.ashx?q=9781956007008&amp;w=&amp;h=570" alt="image"><br>What is a Woman - Documentário de Matt Walsh que aborda as questões da identidade de género</p>
<p>Ainda assim, como vemos plasmado na sociedade atual há uma teoria sobre a virtude em que o que é determinado pela massa  da população é o “bom” e o que é para ser seguido, mesmo quando incoerente do ponto de vista lógico ou atentatório contra a natureza humana. Nesta nova religião o subjetivismo exuberante levou a que a arte perdesse aspirações estéticas dedicando-se quase exclusivamente á afronta e ao desafio ao status quo que nada mais é que a disseminação das ideias da ideologia que vigora. No domínio da ciência, esta está cada vez mais refém da ideologia servindo os interesses da mesma. Quanto à moral, não é possível não possuir um teoria sobre de bem e sobre o mal sem um dogma, e aqui nestas novas religiões existem vários dogmas e rituais sacramentais tal como nas religiões tradicionais. Seja a glorificação do materialismo, a celebração de uma suposta “evolução” do ser humano, ou a elevação do sexo a um plano mais elevado de atenção, estes e outros dogmas fazem parte desta religião. </p>
<p>Assim lembremos as palavras de Ralph Waldo Emerson quando nos diz que o ser humano irá sempre venerar algo e que nos tornamos naquilo que veneramos, ou seja o que ocupa a nossa imaginação e os nossos pensamentos irá também determinar o nosso carácter. Portanto, cuidemos de escolher que objetos colocamos nos nossos “altares” e o que vamos venerar pois isso estará na base da criação da sociedade futura. Não existe a opção não ter religião, existe sim a opção de deixar na escuridão do inconsciente a principal força motivacional que está na base de um sistema perceptivo. De qualquer modo, algo tem de ocupar o lugar mais elevado na nossa hierarquia moral a questão é: o que deverá ser ?</p>
<p>Se quiseres apoiar o meu trabalho podes enviar BTC através do seguinte endereço lightning:</p>
<p><a href="mailto:tvieiragoncalves@getalby.com">tvieiragoncalves@getalby.com</a></p>
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<p><a href="mailto:tiagogoncalves@walletofsatoshi.com">tiagogoncalves@walletofsatoshi.com</a></p>
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      <title><![CDATA[Polarização]]></title>
      <description><![CDATA[AI e sociedades cada vez mais polarizadas e intolerantes.]]></description>
             <itunes:subtitle><![CDATA[AI e sociedades cada vez mais polarizadas e intolerantes.]]></itunes:subtitle>
      <pubDate>Wed, 30 Oct 55568 20:25:25 GMT</pubDate>
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      <category>política</category>
      
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      <dc:creator><![CDATA[reiartur]]></dc:creator>
      <content:encoded><![CDATA[<p>Uma nova máxima nas tecnologias/bigtech, <strong>se o serviço é gratuito,</strong> <strong>tu és o produto</strong>. Se as pessoas são o produto, quanto mais tempo estiverem online, mais lucro terão as empresas.</p>
<p>Isto é especialmente visível nas redes sociais ( onde também incluo o youtube) e serviços com conteúdos online, que criaram sistema de AI que maximizam os lucros e na qual estão a criar uma sociedade viciada. Criando um efeito perverso, quanto mais viciados estão as pessoas, mais lucrativa se torna para os seus proprietários.</p>
<p>Há muitos anos que falo disso, poucos acreditavam, alguns me acham chalupa, mas eu continuo com a minha ideia sólida. É curioso que a sociedade na sua generalidade já começa a perceber o problema do vício das redes sociais, mas são poucos os que percebem que a origem do problema é a <strong>AI</strong>.</p>
<p>Existe um documentário na Netflix que explora este assunto, é de 2020, nestes 3 anos a AI desenvolveu-se monstruosamente. O documentário chama-se “O Dilema das Redes Sociais” e aproveito para transcrever a descrição que faz um resumo básico:&nbsp;</p>
<blockquote>
<p>“Este documentário dramatizado explora o perigoso impacto das redes sociais nas pessoas, com especialistas em tecnologia a soarem o alarme sobre as suas próprias criações”</p>
</blockquote>
<p>O problema das AI e das redes sociais vai muito mais além do <strong>vício</strong>, as AI estão a <strong>moldar o pensamento humano</strong>, desde dos adultos até às crianças, especialmente as crianças. Eu não tenho qualquer dúvida que a AI do Google conhece melhor as crianças que os próprios pais. Além de a conhecer desde muito pequenos, a AI também teve um papel fundamental na sua educação, ao sugerir notícias e vídeos. A AI assumiu o lugar dos pais, ao decidir o que aquela criança deve ou não consumir (ler, ver, ouvir).</p>
<p>Certo grupo de pensamento e de ideias estavam diversos nas sociedade, não tinham força. Com as redes sociais, as AI justou, deu espaço, divulgou, deu muita mais força a esses movimentos, como os terraplanistas, QAnon e muitos outros.</p>
<p>É notória que as sociedades estão a tornar-se <strong>mais radicais</strong>, <strong>mais polarizadas</strong> a nível político/ideais. A maioria das pessoas atribuem à pandemia este crescimento da intolerância, que por momentos chega a ser de ódio, será que foi a pandemia? É verdade que acelerou após o outro, mas será que existe causa-efeito? Na minha visão, diretamente não, o que aconteceu é que com a pandemia as pessoas consumiram exaustivamente as redes sociais, tiveram tempo para refletir assuntos que anteriormente não tinha tempo. As pessoas estavam melancólicas, introspectivas e assimilaram as informações sugeridas pelas <strong>AI</strong>, moldando o seu pensamento e viciando-os como cocaína.</p>
<h2>Moldam o pensamento</h2>
<p>Como o objecto da AI é manter ao máximo as pessoas ligadas e a consumir, sugerem exaustivamente produtos/ideias que as pessoas gostam, é tudo altamente personalizado, a AI sabe até ao ínfimo pormenor, o que aquele sujeito gosta. Qual o problema de seguir conteúdo que nós gostamos? Enquanto sugere uma caixa de cereais, não existe problema, o problema acontece quando a sugestões são a nível político ( no significado lato da palavra ). As AI colocam as pessoas num gueto, afunilam o seu pensamento, o <strong><em>echo chamber</em></strong>. Um pensamento saudável, é aquele que recebe as informações de várias fontes, os prós e os contras, da direita e da esquerda e a partir daí tira a sua própria conclusão.</p>
<p>Vou utilizar um exemplo “mais ligeiro” para facilitar a explicação, os adeptos de futebol. A AI sugere a um benfiquista essencialmente conteúdos que outros benfiquistas tiveram interesse, quais são? As que o assunto é sobre o Benfica e a que falam mal do Porto. E o oposto acontece com os portistas.</p>
<p>As AI privilegiam os conteúdos com mais leitura e engajamento, que são geralmente com conteúdos controversos. E quanto mais engajamento, dissemina mais esses conteúdos a outras pessoas, é uma bola de neve.</p>
<p>Este tipo de funcionamento limita imenso a diversidade de pensamento, radicalizando o mesmo, criando movimentos de ódio, moldando por completo o pensamento humano, com consequências devastadoras para o mundo e para a sociedade. <strong>Uma sociedade que é intolerante a um pensamento diferente do seu, quer impor o seu pensamento como doutrina, só o seu pensamento devia existir, o senhor da razão.</strong></p>
<h2>Radicalização</h2>
<p>Voltando à política, as AI provocaram uma <strong>polarização da sociedade</strong>, os partidos do centro-esquerda e centro-direita estão se <strong>afastando do centro</strong> e os partidos da extrema-esquerda e de extrema-direita estão a crescer e com ideias cada vez <strong>mais radicais</strong>, mais extremistas.</p>
<p>Isto em termos políticos já está ser um problema e só tem tendência a crescer. Basta observar as eleições em muitos países nos últimos anos, como EUA, Brasil, Espanha, Itália e muito mais. Os resultados das eleições, estão a ser demasiadas partidas ao meios, a direita e a esquerda, muito próximo dos 50% 50%, tornando muito complexo criar um governo estável. Com os partidos dos extremos a conquistar muito eleitorado.</p>
<p>Agora os grandes partidos, mais ao centro, têm que coligar com partidos extremistas para criar um governo e mesmo assim, por vezes nem assim é possível criar um governo com maioria.&nbsp;</p>
<p>Vou dar o exemplo de Portugal, mas pode ser alargado a muitos outros países, antigamente os grandes partidos, centro-esquerda e de centro-direita, o PS e o PSD respectivamente, têm visões diferentes mas partilhavam uma parte importante das suas propostas. Mesmo o governo sem maioria, o partido da oposição aprovava ( ou abastecia ) muitas propostas do governo, existia um entendimento entre os dois. Agora as propostas e os ideais dos dois partidos estão tão antagônicos, é impossível existir um consenso, a única maneira é uma coligação com os extremos.&nbsp;</p>
<p>As pessoas estão a ficar muito radicais, intolerantes uns aos outros, querem impor as suas ideias. Para “combater o radicalismo”, está sendo criado movimentos anti-radicalismo que por sua vez, também são radicais, ou seja, pessoas que são contra os ideais da extrema-esquerda, vão votar em partido da extrema-direita e o oposto também acontece.</p>
<p>Não, a solução para combater a extrema-esquerda é votar num partido de centro e para combater a extrema-direita também é votar num partido de centro. A única maneira de combater os extremos é o centro, a tolerância.</p>
<h2>Cancelamentos</h2>
<p>A sociedade está ficando intolerante a pensamento diferente ao seu, quer impor a suas ideias, um bom exemplo é a cultura do cancelamento que está a acontecer nas redes sociais.</p>
<blockquote>
<p>A cultura do cancelamento é uma corrente que incentiva as pessoas a deixarem de apoiar determinadas pessoas e empresas, independentemente de serem públicas ou não, por seus comportamentos considerados incorretos e repreensíveis. Ela tem sido bastante observada nas mídias sociais. A cultura do cancelamento se dá quando alguém percebe uma ação que considera errada nas redes sociais, registra esta falha e posta para os seguidores com críticas ao futuro cancelado. Em questão de pouco tempo, milhares de pessoas são alcançadas com as mensagens. Nem sempre o cancelamento se dá por conta de uma atitude do alvo cancelado, mas por algumas distorções cognitivas dos usuários das redes sociais.&nbsp;</p>
</blockquote>
<p>Na prática este movimento procura censurar e limitar os direitos de expressão, as suas consequências são similares entre movimentos e a <a href="https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Pol%C3%ADcia_Internacional_e_de_Defesa_do_Estado"><strong>PIDE</strong></a>. Isto provoca um efeito perverso, as pessoas escondem as suas opiniões, com medo das consequências. Por isso que os movimentos de extrema direita, como o Chega e o Trump, tem muito melhores resultados nas eleições que nas sondagens.</p>
<p>Um bom exemplo foi o caso do <a href="https://expresso.pt/sociedade/2022-06-30-O-fundador-da-Prozis-foi-infeliz-e-ofendeu-os-portugueses-Miguel-Milhao-que-diz-ser-incancelavel-esta-a-ser-boicotado-be51ada0">Miguel Milhão</a>, o fundador da Prozis, houve uma tentativa de “cancelado” nas redes sociais, só por ter expressado a sua opinião. Estes movimentos de cancelamento, além de atacar as pessoas em causa, atacaram a sua empresa e maquiavelicamente também atacaram os terceiros/parceiros da empresa, pressionando a abandonar a empresa. Devido a essa pressão muitos influenciadores deixaram de promover os produtos da Prozis. Estes movimentos <strong>pidescos</strong>, não resolve nada, tem o único objectivo de colocar medo e calar, os alvos não mudam de opinião apenas deixam de dizer o que pensam.</p>
<p>No caso específico do Miguel, eu não concordo com o Miguel, mas ele tem o pleno direito de expressar a sua opinião, como nós temos o direito de expressar a nossa opinião.</p>
<p>Eu sou um forte defensor da frase/ideia criada pelo filósofo <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Herbert_Spencer">Herbert Spencer</a>:</p>
<blockquote>
<p><strong>“A liberdade de cada um termina onde começa a liberdade do outro.”</strong></p>
</blockquote>
<p>É uma forma de expressar o princípio de que a liberdade de cada um deve respeitar a liberdade do outro. No entanto, isso não significa que a liberdade de alguém termina ou diminui por causa da liberdade de outro. Pelo contrário, a liberdade de cada um deve ser exercida de forma responsável e acolhedora, reconhecendo o valor da liberdade alheia.</p>
<p>No caso do aborto, o direito de fazer ou não, é um decisão exclusiva dos intervenientes, os que tiveram a relação sexual, é um decisão individual. Não faz sentido eu ser a favor de uma lei que impede os direitos de outros. Quem é contra o aborto, tem todo o direito de o não fazer, mas não pode impedir o direito os outros de o fazer.</p>
<h2>Intolerância</h2>
<p>A intolerância e o radicalismo não é algo exclusivo da direita, também existe na esquerda e em movimentos que nasceram para promover a “liberdade”, para reivindicar os direitos de liberdade. Estou a falar do <strong>LGBT</strong>, foi um movimento criado para combater a discriminação que as pessoas sofriam, só que com o passar do tempo, <strong>uma parte</strong> deste movimento&nbsp; radicalizou-se, com reivindicação mais extremistas. Muitos são intolerantes a opiniões contrárias à sua, criando fortes movimentos de cancelamento de pessoas e de empresas, não conseguem compreender que as pessoas possam ter uma opinião diferente da deles.</p>
<p>Eu concordo com <strong>maiores</strong> das reivindicações deste movimento, mas se eu dizer que não concordo com algo, sou logo de rotulado de <strong>homofóbico</strong> ou do partido Chega. Não conseguem compreender que eu não concordo apenas numa pequena parte.</p>
<p>Uma coisa que eu não concordo é a <strong>linguagem neutra</strong>, acho um absurdo, chegando ao ponto de países criarem lei para obrigar os documentos oficiais com linguagem neutra.</p>
<p>Voltamos aos princípios da frase de Spencer, duas pessoas adultas fazem o que quer da sua vida, tem tudo o direto de casar, sendo ou não do mesmo sexo, é a liberdade individual deles, quem sou eu para impedir que eles seja feliz, não tenho o direito de o fazer.</p>
<p>Tudo muda quando tu queres mudar os direitos de terceiros, no caso da <strong>linguagem neutra</strong> estão a querer, que terceiros o utilizem, quase como uma obrigação, eu tenho o direito de não utilizar e também tenho o direito de não concordar.</p>
<p>É curioso que este movimento nasceu para defender os membros que sofriam <em>bullying</em>, agora são os <em>bully</em>. Esta comunidade não está a fazer nada para demarcar-se e combater essas atitudes, vai custar muito caro no futuro. A população em geral que concorda com o movimento vai acabar de mudar de lado, alimentando os partidos de extrema-direita. E quando esses partidos chegarem ao governo vão reverter todos os direitos que levaram décadas a conquistar, possivelemente até a criminalização da homossexualidade.</p>
<p>Voltando ao início, a única maneira de combater o radicalismo é ser moderado, o centro.</p>
<h2>O espectro político</h2>
<p>A maioria tem a ideia que o espectro político é uma linha do eixo, da esquerda para a direita. Mas está completamente errada.</p>
<p>A representação mais precisa é com <a href="https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Espectro_pol%C3%ADtico">dois eixos</a>, com um eixo <strong>socioeconómico</strong> na horizontal e um eixo <strong>sociocultural</strong> na vertical.</p>
<p><img src="https://cdn.nostr.build/i/b23b23c21e2d54361a4064812685cd65b9e080a04fa6a92fc9bf17ba844eb86f.jpg" alt=""></p>
<p>Esta representação é tão complexa, que existem inúmeras versões da disposição dos partidos políticos portugueses, esta foi a melhor que eu encontrei. Este tipo de interpretação é muito difícil porque os partidos são muito dinâmicos, consoante a visão dos seus líderes e/ou se estão em coligações governamentais.</p>
<p>A distância entre a extrema-esquerda e a&nbsp;extrema-direita (no topo do quadrado) é similar à distância do centro político(centro do quadrado). Os extremos compartilham certas atitudes e métodos semelhantes como autoritários, discriminatórios, apenas têm uma visão económica diferente mas as consequências na liberdade são similares.&nbsp;</p>
<h2>Radicalização Binária</h2>
<p>Na vida nem tudo é binário (sem conotação LGBT, em termos latos), por eu gostar do Benfica, não é obrigação de ter que odiar o Fc Porto, irrita-me esta cultura do ódio, as claques dos clubes de futebol estão cheias desses tipos de adereços. O futebol é apenas um exemplo, porque a sociedade está cheia de situações similares.</p>
<p>No meu caso, muitas pessoas colocam em causa o meu maximalismo do Bitcoin, porque eu não detesto e nem ofendo os shitcoiners. Essas pessoas não conseguem compreender que eu gosto de Bitcoin, quem sou eu para ofender os outros. Eu apenas reconheço o Bitcoin como uma moeda e a única que poderá corrigir a sociedade, as outras criptos são representantes do mundo actual (FIAT) em sistemas blockchain. Se as criptos (Bitcoin não é cripto) fazem igual, sem melhorias do sistema atual, porque mudar? servem apenas para algumas pessoas tirarem proveitos económicos do desconhecimento de outros.</p>
<p>Cada um é livre de fazer as suas escolhas, igualmente livre como eu, que escolhi o Bitcoin, outros podem escolher uma shitcoin. Mas todos têm a liberdade de escolher e de arcar com as consequências dos seus actos.</p>
<p>A grande maioria dos Bitcoiners maximalistas tem um passado com shitcoins, é um caminho, uma aprendizagem que na maioria das vezes leva ao maximalismo. Esse percurso, o caminhar sobre as pedras, leva ao estudo e à compreensão do ethos do Bitcoin. Existe uma diferença tremenda entre utilizar Bitcoin e compreender o Bitcoin. O compreender é muito importante, quem percebe, dificilmente deixa de usar; mas quem utiliza apenas por influência, sem compreender, mais tarde ou mais cedo, acaba por deixar.</p>
<p>Será que devemos afugentar as pessoas que utilizam mas não o compreendem?</p>
<p>Bitcoin é isto, para todos, para os que <strong>percebem</strong> e <strong>especialmente para os que não percebem</strong>. As pessoas poderão não perceber, mas sabem que é útil para a sua vida. No futuro, a maioria dos utilizadores vão utilizar sem o saber, vão utilizar serviços que na sua base tem tecnologia Bitcoin mas não está visível. E também serão mais os utilizadores de <strong>IOU</strong> do que de <strong>btc</strong>.</p>
<p>Será que temos o direito de ofender e desprezar alguém que não entende o ethos?</p>
<p>Claro que não, se as pessoas usam Bitcoin é que reconhecem valor, não entendem 100% mas percebem uma parte, senão não usavam.</p>
<p>É claro que temos a liberdade de criticar,&nbsp; mas sempre respeitosamente,&nbsp; mas mais de tudo, temos o dever de ajudar e ensinar o próximo.</p>
<p>Mas isto não é só contra shitcoiners, acontece o mesmo com nocoiners, não temos direito de insultar as pessoas que usam do FIAT, é a escolha deles (apesar de ser imposto pelo estado), são livres de não querer Bitcoin.&nbsp;</p>
<p>Os nocoiners são como uma tela em branco, pronta a ser pintada; os shitcoiners já que encontraram o problema da moeda FIAT, mas escolherem a solução errada, ou seja, colocaram rabiscos na tela, agora será necessário repintar toda de branco e pintar de novo.</p>
<p>Um dos alvos dos maximalistas é <strong>Warren Buffett</strong>, criticam porque este não reconhecer o valor do Bitcoin. Nós temos que compreender o ponto de vista dele, ele é muito bem sucedido no mundo FIAT, não tem a necessidade de mudar, não faz sentido agora aos 92 anos começar a estudar algo totalmente diferente. É como se diz no futebol, a equipa que ganha não se mexe, ele ganha muito dinheiro e tem clientes fiéis, não faz sentido mudar ou perder tempo a estudar o Bitcoin.</p>
<hr>
<p><strong>Sejam menos radicais</strong>, mais tolerantes, tenham empatia com o próximo, não se esqueçam que os futuros Bitcoiners maximalistas são os atuais shitcoiners e nocoiners, mais cedo ou mais tarde, eles vão descobrir <strong>o caminho certo</strong>.</p>
]]></content:encoded>
      <itunes:author><![CDATA[reiartur]]></itunes:author>
      <itunes:summary><![CDATA[<p>Uma nova máxima nas tecnologias/bigtech, <strong>se o serviço é gratuito,</strong> <strong>tu és o produto</strong>. Se as pessoas são o produto, quanto mais tempo estiverem online, mais lucro terão as empresas.</p>
<p>Isto é especialmente visível nas redes sociais ( onde também incluo o youtube) e serviços com conteúdos online, que criaram sistema de AI que maximizam os lucros e na qual estão a criar uma sociedade viciada. Criando um efeito perverso, quanto mais viciados estão as pessoas, mais lucrativa se torna para os seus proprietários.</p>
<p>Há muitos anos que falo disso, poucos acreditavam, alguns me acham chalupa, mas eu continuo com a minha ideia sólida. É curioso que a sociedade na sua generalidade já começa a perceber o problema do vício das redes sociais, mas são poucos os que percebem que a origem do problema é a <strong>AI</strong>.</p>
<p>Existe um documentário na Netflix que explora este assunto, é de 2020, nestes 3 anos a AI desenvolveu-se monstruosamente. O documentário chama-se “O Dilema das Redes Sociais” e aproveito para transcrever a descrição que faz um resumo básico:&nbsp;</p>
<blockquote>
<p>“Este documentário dramatizado explora o perigoso impacto das redes sociais nas pessoas, com especialistas em tecnologia a soarem o alarme sobre as suas próprias criações”</p>
</blockquote>
<p>O problema das AI e das redes sociais vai muito mais além do <strong>vício</strong>, as AI estão a <strong>moldar o pensamento humano</strong>, desde dos adultos até às crianças, especialmente as crianças. Eu não tenho qualquer dúvida que a AI do Google conhece melhor as crianças que os próprios pais. Além de a conhecer desde muito pequenos, a AI também teve um papel fundamental na sua educação, ao sugerir notícias e vídeos. A AI assumiu o lugar dos pais, ao decidir o que aquela criança deve ou não consumir (ler, ver, ouvir).</p>
<p>Certo grupo de pensamento e de ideias estavam diversos nas sociedade, não tinham força. Com as redes sociais, as AI justou, deu espaço, divulgou, deu muita mais força a esses movimentos, como os terraplanistas, QAnon e muitos outros.</p>
<p>É notória que as sociedades estão a tornar-se <strong>mais radicais</strong>, <strong>mais polarizadas</strong> a nível político/ideais. A maioria das pessoas atribuem à pandemia este crescimento da intolerância, que por momentos chega a ser de ódio, será que foi a pandemia? É verdade que acelerou após o outro, mas será que existe causa-efeito? Na minha visão, diretamente não, o que aconteceu é que com a pandemia as pessoas consumiram exaustivamente as redes sociais, tiveram tempo para refletir assuntos que anteriormente não tinha tempo. As pessoas estavam melancólicas, introspectivas e assimilaram as informações sugeridas pelas <strong>AI</strong>, moldando o seu pensamento e viciando-os como cocaína.</p>
<h2>Moldam o pensamento</h2>
<p>Como o objecto da AI é manter ao máximo as pessoas ligadas e a consumir, sugerem exaustivamente produtos/ideias que as pessoas gostam, é tudo altamente personalizado, a AI sabe até ao ínfimo pormenor, o que aquele sujeito gosta. Qual o problema de seguir conteúdo que nós gostamos? Enquanto sugere uma caixa de cereais, não existe problema, o problema acontece quando a sugestões são a nível político ( no significado lato da palavra ). As AI colocam as pessoas num gueto, afunilam o seu pensamento, o <strong><em>echo chamber</em></strong>. Um pensamento saudável, é aquele que recebe as informações de várias fontes, os prós e os contras, da direita e da esquerda e a partir daí tira a sua própria conclusão.</p>
<p>Vou utilizar um exemplo “mais ligeiro” para facilitar a explicação, os adeptos de futebol. A AI sugere a um benfiquista essencialmente conteúdos que outros benfiquistas tiveram interesse, quais são? As que o assunto é sobre o Benfica e a que falam mal do Porto. E o oposto acontece com os portistas.</p>
<p>As AI privilegiam os conteúdos com mais leitura e engajamento, que são geralmente com conteúdos controversos. E quanto mais engajamento, dissemina mais esses conteúdos a outras pessoas, é uma bola de neve.</p>
<p>Este tipo de funcionamento limita imenso a diversidade de pensamento, radicalizando o mesmo, criando movimentos de ódio, moldando por completo o pensamento humano, com consequências devastadoras para o mundo e para a sociedade. <strong>Uma sociedade que é intolerante a um pensamento diferente do seu, quer impor o seu pensamento como doutrina, só o seu pensamento devia existir, o senhor da razão.</strong></p>
<h2>Radicalização</h2>
<p>Voltando à política, as AI provocaram uma <strong>polarização da sociedade</strong>, os partidos do centro-esquerda e centro-direita estão se <strong>afastando do centro</strong> e os partidos da extrema-esquerda e de extrema-direita estão a crescer e com ideias cada vez <strong>mais radicais</strong>, mais extremistas.</p>
<p>Isto em termos políticos já está ser um problema e só tem tendência a crescer. Basta observar as eleições em muitos países nos últimos anos, como EUA, Brasil, Espanha, Itália e muito mais. Os resultados das eleições, estão a ser demasiadas partidas ao meios, a direita e a esquerda, muito próximo dos 50% 50%, tornando muito complexo criar um governo estável. Com os partidos dos extremos a conquistar muito eleitorado.</p>
<p>Agora os grandes partidos, mais ao centro, têm que coligar com partidos extremistas para criar um governo e mesmo assim, por vezes nem assim é possível criar um governo com maioria.&nbsp;</p>
<p>Vou dar o exemplo de Portugal, mas pode ser alargado a muitos outros países, antigamente os grandes partidos, centro-esquerda e de centro-direita, o PS e o PSD respectivamente, têm visões diferentes mas partilhavam uma parte importante das suas propostas. Mesmo o governo sem maioria, o partido da oposição aprovava ( ou abastecia ) muitas propostas do governo, existia um entendimento entre os dois. Agora as propostas e os ideais dos dois partidos estão tão antagônicos, é impossível existir um consenso, a única maneira é uma coligação com os extremos.&nbsp;</p>
<p>As pessoas estão a ficar muito radicais, intolerantes uns aos outros, querem impor as suas ideias. Para “combater o radicalismo”, está sendo criado movimentos anti-radicalismo que por sua vez, também são radicais, ou seja, pessoas que são contra os ideais da extrema-esquerda, vão votar em partido da extrema-direita e o oposto também acontece.</p>
<p>Não, a solução para combater a extrema-esquerda é votar num partido de centro e para combater a extrema-direita também é votar num partido de centro. A única maneira de combater os extremos é o centro, a tolerância.</p>
<h2>Cancelamentos</h2>
<p>A sociedade está ficando intolerante a pensamento diferente ao seu, quer impor a suas ideias, um bom exemplo é a cultura do cancelamento que está a acontecer nas redes sociais.</p>
<blockquote>
<p>A cultura do cancelamento é uma corrente que incentiva as pessoas a deixarem de apoiar determinadas pessoas e empresas, independentemente de serem públicas ou não, por seus comportamentos considerados incorretos e repreensíveis. Ela tem sido bastante observada nas mídias sociais. A cultura do cancelamento se dá quando alguém percebe uma ação que considera errada nas redes sociais, registra esta falha e posta para os seguidores com críticas ao futuro cancelado. Em questão de pouco tempo, milhares de pessoas são alcançadas com as mensagens. Nem sempre o cancelamento se dá por conta de uma atitude do alvo cancelado, mas por algumas distorções cognitivas dos usuários das redes sociais.&nbsp;</p>
</blockquote>
<p>Na prática este movimento procura censurar e limitar os direitos de expressão, as suas consequências são similares entre movimentos e a <a href="https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Pol%C3%ADcia_Internacional_e_de_Defesa_do_Estado"><strong>PIDE</strong></a>. Isto provoca um efeito perverso, as pessoas escondem as suas opiniões, com medo das consequências. Por isso que os movimentos de extrema direita, como o Chega e o Trump, tem muito melhores resultados nas eleições que nas sondagens.</p>
<p>Um bom exemplo foi o caso do <a href="https://expresso.pt/sociedade/2022-06-30-O-fundador-da-Prozis-foi-infeliz-e-ofendeu-os-portugueses-Miguel-Milhao-que-diz-ser-incancelavel-esta-a-ser-boicotado-be51ada0">Miguel Milhão</a>, o fundador da Prozis, houve uma tentativa de “cancelado” nas redes sociais, só por ter expressado a sua opinião. Estes movimentos de cancelamento, além de atacar as pessoas em causa, atacaram a sua empresa e maquiavelicamente também atacaram os terceiros/parceiros da empresa, pressionando a abandonar a empresa. Devido a essa pressão muitos influenciadores deixaram de promover os produtos da Prozis. Estes movimentos <strong>pidescos</strong>, não resolve nada, tem o único objectivo de colocar medo e calar, os alvos não mudam de opinião apenas deixam de dizer o que pensam.</p>
<p>No caso específico do Miguel, eu não concordo com o Miguel, mas ele tem o pleno direito de expressar a sua opinião, como nós temos o direito de expressar a nossa opinião.</p>
<p>Eu sou um forte defensor da frase/ideia criada pelo filósofo <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Herbert_Spencer">Herbert Spencer</a>:</p>
<blockquote>
<p><strong>“A liberdade de cada um termina onde começa a liberdade do outro.”</strong></p>
</blockquote>
<p>É uma forma de expressar o princípio de que a liberdade de cada um deve respeitar a liberdade do outro. No entanto, isso não significa que a liberdade de alguém termina ou diminui por causa da liberdade de outro. Pelo contrário, a liberdade de cada um deve ser exercida de forma responsável e acolhedora, reconhecendo o valor da liberdade alheia.</p>
<p>No caso do aborto, o direito de fazer ou não, é um decisão exclusiva dos intervenientes, os que tiveram a relação sexual, é um decisão individual. Não faz sentido eu ser a favor de uma lei que impede os direitos de outros. Quem é contra o aborto, tem todo o direito de o não fazer, mas não pode impedir o direito os outros de o fazer.</p>
<h2>Intolerância</h2>
<p>A intolerância e o radicalismo não é algo exclusivo da direita, também existe na esquerda e em movimentos que nasceram para promover a “liberdade”, para reivindicar os direitos de liberdade. Estou a falar do <strong>LGBT</strong>, foi um movimento criado para combater a discriminação que as pessoas sofriam, só que com o passar do tempo, <strong>uma parte</strong> deste movimento&nbsp; radicalizou-se, com reivindicação mais extremistas. Muitos são intolerantes a opiniões contrárias à sua, criando fortes movimentos de cancelamento de pessoas e de empresas, não conseguem compreender que as pessoas possam ter uma opinião diferente da deles.</p>
<p>Eu concordo com <strong>maiores</strong> das reivindicações deste movimento, mas se eu dizer que não concordo com algo, sou logo de rotulado de <strong>homofóbico</strong> ou do partido Chega. Não conseguem compreender que eu não concordo apenas numa pequena parte.</p>
<p>Uma coisa que eu não concordo é a <strong>linguagem neutra</strong>, acho um absurdo, chegando ao ponto de países criarem lei para obrigar os documentos oficiais com linguagem neutra.</p>
<p>Voltamos aos princípios da frase de Spencer, duas pessoas adultas fazem o que quer da sua vida, tem tudo o direto de casar, sendo ou não do mesmo sexo, é a liberdade individual deles, quem sou eu para impedir que eles seja feliz, não tenho o direito de o fazer.</p>
<p>Tudo muda quando tu queres mudar os direitos de terceiros, no caso da <strong>linguagem neutra</strong> estão a querer, que terceiros o utilizem, quase como uma obrigação, eu tenho o direito de não utilizar e também tenho o direito de não concordar.</p>
<p>É curioso que este movimento nasceu para defender os membros que sofriam <em>bullying</em>, agora são os <em>bully</em>. Esta comunidade não está a fazer nada para demarcar-se e combater essas atitudes, vai custar muito caro no futuro. A população em geral que concorda com o movimento vai acabar de mudar de lado, alimentando os partidos de extrema-direita. E quando esses partidos chegarem ao governo vão reverter todos os direitos que levaram décadas a conquistar, possivelemente até a criminalização da homossexualidade.</p>
<p>Voltando ao início, a única maneira de combater o radicalismo é ser moderado, o centro.</p>
<h2>O espectro político</h2>
<p>A maioria tem a ideia que o espectro político é uma linha do eixo, da esquerda para a direita. Mas está completamente errada.</p>
<p>A representação mais precisa é com <a href="https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Espectro_pol%C3%ADtico">dois eixos</a>, com um eixo <strong>socioeconómico</strong> na horizontal e um eixo <strong>sociocultural</strong> na vertical.</p>
<p><img src="https://cdn.nostr.build/i/b23b23c21e2d54361a4064812685cd65b9e080a04fa6a92fc9bf17ba844eb86f.jpg" alt=""></p>
<p>Esta representação é tão complexa, que existem inúmeras versões da disposição dos partidos políticos portugueses, esta foi a melhor que eu encontrei. Este tipo de interpretação é muito difícil porque os partidos são muito dinâmicos, consoante a visão dos seus líderes e/ou se estão em coligações governamentais.</p>
<p>A distância entre a extrema-esquerda e a&nbsp;extrema-direita (no topo do quadrado) é similar à distância do centro político(centro do quadrado). Os extremos compartilham certas atitudes e métodos semelhantes como autoritários, discriminatórios, apenas têm uma visão económica diferente mas as consequências na liberdade são similares.&nbsp;</p>
<h2>Radicalização Binária</h2>
<p>Na vida nem tudo é binário (sem conotação LGBT, em termos latos), por eu gostar do Benfica, não é obrigação de ter que odiar o Fc Porto, irrita-me esta cultura do ódio, as claques dos clubes de futebol estão cheias desses tipos de adereços. O futebol é apenas um exemplo, porque a sociedade está cheia de situações similares.</p>
<p>No meu caso, muitas pessoas colocam em causa o meu maximalismo do Bitcoin, porque eu não detesto e nem ofendo os shitcoiners. Essas pessoas não conseguem compreender que eu gosto de Bitcoin, quem sou eu para ofender os outros. Eu apenas reconheço o Bitcoin como uma moeda e a única que poderá corrigir a sociedade, as outras criptos são representantes do mundo actual (FIAT) em sistemas blockchain. Se as criptos (Bitcoin não é cripto) fazem igual, sem melhorias do sistema atual, porque mudar? servem apenas para algumas pessoas tirarem proveitos económicos do desconhecimento de outros.</p>
<p>Cada um é livre de fazer as suas escolhas, igualmente livre como eu, que escolhi o Bitcoin, outros podem escolher uma shitcoin. Mas todos têm a liberdade de escolher e de arcar com as consequências dos seus actos.</p>
<p>A grande maioria dos Bitcoiners maximalistas tem um passado com shitcoins, é um caminho, uma aprendizagem que na maioria das vezes leva ao maximalismo. Esse percurso, o caminhar sobre as pedras, leva ao estudo e à compreensão do ethos do Bitcoin. Existe uma diferença tremenda entre utilizar Bitcoin e compreender o Bitcoin. O compreender é muito importante, quem percebe, dificilmente deixa de usar; mas quem utiliza apenas por influência, sem compreender, mais tarde ou mais cedo, acaba por deixar.</p>
<p>Será que devemos afugentar as pessoas que utilizam mas não o compreendem?</p>
<p>Bitcoin é isto, para todos, para os que <strong>percebem</strong> e <strong>especialmente para os que não percebem</strong>. As pessoas poderão não perceber, mas sabem que é útil para a sua vida. No futuro, a maioria dos utilizadores vão utilizar sem o saber, vão utilizar serviços que na sua base tem tecnologia Bitcoin mas não está visível. E também serão mais os utilizadores de <strong>IOU</strong> do que de <strong>btc</strong>.</p>
<p>Será que temos o direito de ofender e desprezar alguém que não entende o ethos?</p>
<p>Claro que não, se as pessoas usam Bitcoin é que reconhecem valor, não entendem 100% mas percebem uma parte, senão não usavam.</p>
<p>É claro que temos a liberdade de criticar,&nbsp; mas sempre respeitosamente,&nbsp; mas mais de tudo, temos o dever de ajudar e ensinar o próximo.</p>
<p>Mas isto não é só contra shitcoiners, acontece o mesmo com nocoiners, não temos direito de insultar as pessoas que usam do FIAT, é a escolha deles (apesar de ser imposto pelo estado), são livres de não querer Bitcoin.&nbsp;</p>
<p>Os nocoiners são como uma tela em branco, pronta a ser pintada; os shitcoiners já que encontraram o problema da moeda FIAT, mas escolherem a solução errada, ou seja, colocaram rabiscos na tela, agora será necessário repintar toda de branco e pintar de novo.</p>
<p>Um dos alvos dos maximalistas é <strong>Warren Buffett</strong>, criticam porque este não reconhecer o valor do Bitcoin. Nós temos que compreender o ponto de vista dele, ele é muito bem sucedido no mundo FIAT, não tem a necessidade de mudar, não faz sentido agora aos 92 anos começar a estudar algo totalmente diferente. É como se diz no futebol, a equipa que ganha não se mexe, ele ganha muito dinheiro e tem clientes fiéis, não faz sentido mudar ou perder tempo a estudar o Bitcoin.</p>
<hr>
<p><strong>Sejam menos radicais</strong>, mais tolerantes, tenham empatia com o próximo, não se esqueçam que os futuros Bitcoiners maximalistas são os atuais shitcoiners e nocoiners, mais cedo ou mais tarde, eles vão descobrir <strong>o caminho certo</strong>.</p>
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